sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Lição 11 - Missão em Terra Pagã: Daniel e Companhia

As experiências de Daniel em Babilônia oferecem lições vitais para nós, ao encaramos os acontecimentos finais de história da terra, quando Babilônia espiritual tentará controlar toda humanidade. Daniel e seus três companheiros literalmente foram transportados à cidade de Babilônia, mas suas mentes nunca foram convertidas ao modo babilônico de pensar. Mantiveram a resolução de fazer o que é direito porque é direito, antes que se comprometerem para poupar suas vidas ou torna-las mais fáceis em cativeiro. A resolução é uma inabalável firmeza de propósito, uma dedicação sem reserva. Estes três jovens declararam que não importava o que lhes acontecesse, eles não corromperiam seu modo de pensar. Eles não adorariam outros deuses, nem partilhariam das maneiras babilônicas, nem mesmo nas "mínimas coisas.” Cada vez que nós nos comprometemos (*ou mesmo contemporizamos) enfraquecemos nossa resolução de lutar pela verdade “ainda que caiam os céus.”

Os desafios de viver num mundo pagão não mudaram desde os dias de Daniel, nem temos que ir a uma terra estrangeira para encará-los. Sociedade americana1 diariamente torna-se mais pagã ao o deus deste mundo ganha crescente poder sobre as mentes e vidas das pessoas. Aqui é onde a verdade da mensagem de 1888 de Cristo e Sua justiça entra em jogo—é a verdade em contraste com as idéias de Babilônia, a justificação e a natureza de Cristo. É a verdade concernente o caráter de Deus.

Muitos reivindicam que não crêem em justificação pelas obras, enquanto também mantêm que temos que fazer "algo" para receber o que Deus fez para nós. Citando um texto católico sobre justificação, A.T. Jones transcreve: "Estamos em ininterrupta necessidade da graça real para executar atos bons, tanto antes como depois de sermos justificados. Os bons atos devem ser praticados antes de sermos justificados, a fim de nos qualificar para ela. Os bons atos, no entanto, praticados pela ajuda da graça, antes da justificação, não são, estritamente falando, meritórios, mas servem para suavizar o caminho para a justificação, para mover a Deus". Tal noção é pagã. Adoração de Baal. Jones comenta, "Eles 'servem para mover a Deus'. Este é somente o espírito duro de ferro que o demônio assegurou estava no Senhor quando afirmou no céu—que Deus era tirano. … Mas isso é passado sob o título e sob a idéia de justificação pela fé! Não há nenhuma fé nele". (Boletim da Conferência Geral de 1893, p.262).

A teologia pagã popular reivindica que tudo que nós necessitamos fazer para ser convertidos espiritualmente é ter uma mudança de mente, aceitar uma nova consciência, um novo conhecimento de nosso real eu. Reivindica que disfunção social, ansiedade, desumanidade do homem para com o semelhante e abuso da natureza, tudo têm sua raiz no egoísmo, e (de acordo com esta teoria) são causados por uma falta de conhecimento sobre quem nós realmente somos. Suposta ignorância de si conduziu aos inumeráveis livros de autoajuda, no mercado que todos prometem fazer de nós "novas criaturas” seguindo seus métodos. A espiritualidade pagã pregada por Oprah Winfrey (*uma apresentadora de televisão norte-americana) e seu novo instrutor espiritual, Eckhart Tolle (*autor de Uma Nova Terra, Despertamento para os Propósitos da sua Vida), não é senão um exemplo desta antiga teoria de "consciência verdadeira" através do conhecimento de "nosso próprio interior" transmitido como cristianismo autêntico.

No entanto, converter a mente não é a solução ao problema de pecado. A Bíblia nos diz que "a mente carnal é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus" (*Rom 8:7). "Eis aí o ponto: se estava em inimizade, então talvez seja reconciliada, porque a coisa que o faria estar em inimizade seria a fonte do problema. E portanto, tire a fonte do problema, então a coisa que está em inimizade será reconciliada. Estamos em inimizade; mas quando Ele tira a inimizade, somos reconciliados com Deus. Nesta questão da mente carnal embora, nada existe no meio; é a própria coisa. Essa é a raiz. Então não pode estar sujeita à lei de Deus. A única coisa que pode ser feita com ele, é destruí-lo, desarraiga-lo, bani-lo, aniquila-lo. De quem é esta mente? É a mente do eu, e este é Satanás" (Boletim da Conferência Geral de 1893, p. 260; cf. Rom. 8:6-7, 12-14, 16-18; ênfase do original).

Um segundo ponto vital da mensagem de 1888, que foi enviada por Deus para corrigir o pensamento babilônico, era a verdade da natureza que Cristo assumiu na Sua encarnação. Que um Deus santo pudesse manifestar-Se em carne pecaminosa é tolice e anátema à mente carnal pagã. "Portanto esforço foi feito para escapar às conseqüências desta verdade gloriosa, que é o esvaziar de Si, por inventar uma teoria de que a natureza da virgem Maria era diferente da natureza do resto de humanidade". (O Caminho Consagrado para a Perfeição Cristã, p. 41-42; ênfase do original). O pecado original e seu corolário, a teoria da Imaculada Concepção de Maria, ambos estão na raiz da resistência à verdade de que Cristo, de fato, tomou sobre Sua natureza sem pecado nossa natureza pecaminosa, caída.

"Se Ele não era da mesma carne como são esses a quem Ele veio redimir, então não há nenhuma razão de Ele ter sido feito carne absolutamente. Mais que isto: desde que a única carne que há neste vasto mundo que Ele veio redimir, é somente a pobre, pecaminosa, perdia carne humana que toda humanidade tem; se esta não é a carne de que Ele foi feito, então Ele realmente nunca veio ao mundo que necessita ser redimido" (Ibidem). "Se Ele não vem mais perto de nós do que numa natureza pecaminosa, este é um longo caminho errado; porque eu necessito de Alguém que esteja mais perto de mim que isso. Necessito que Alguém que me ajude, que sabe algo sobre a natureza pecaminosa; porque esta é a natureza que eu tenho; e esta o Senhor tomou". "Sempre foi obra de Satanás fazer com que os homens pensem que Deus está tão longe quanto possível. Mas é o esforço perpétuo do Senhor fazer que os homens descubram que Ele está tão perto de cada um quanto possível. Assim está escrito: 'Ele não está longe de cada um de nós'” (*Atos 17:27). (Boletim da Conferência Geral de 1895, p. 311; veja também p. 303).

Cristo assumiu, tomou sobre Sua natureza inata, sem pecado, nossa natureza pecaminosa, mas nunca por um momento permitiu que Sua natureza pecaminosa rendesse à artimanha de Satanás. Ele nunca permitiu que Sua mente pura, que não estava em inimizade contra Deus, aceitasse a liderança e sugestões da mente de Satanás, que está em inimizade contra Deus. Jones enfaticamente declarou: "Ele foi feito na semelhança de carne pecaminosa; não na semelhança de mente pecaminosa. Não arraste Sua mente para isto". (idem, p. 327). E assim, "Em Jesus Cristo ao estar Ele na carne pecaminosa, Deus demonstrou perante o universo que Ele tanto pode tomar posse da carne pecaminosa (*habitar em nós) quanto manifestar a Sua própria presença, Seu poder, e Sua glória, em vez do pecado se manifestar" (idem, p. 303). Que gloriosa boa nova!

Por meio de livros, seminários, sermões de púlpito, e testemunho pessoal, a filosofia gnóstica2 pagã antiga está sendo fraudulentamente transmitida como cristianismo verdadeiro, mas nós não devemos ficar surpreendidos1. "O mais perto que nos aproximarmos da segunda vinda do Salvador mais plenamente o espiritualismo professará Cristo". (Boletim da Conferência Geral de 1893 p. 342; veja também O Grande Conflito, p. 588-589). O perigo não é que o espiritismo esteja tomando o mundo, mas que nós não reconheçamos que ele esteja entrando no nosso próprio pensamento. "Estamos exatamente onde todo o poder desta terra é aliado contra a mensagem que nós devemos dar ao mundo, e portanto nós necessitamos, assim como eles [os discípulos antes do Pentecostes], ser dotados do poder do alto". (Boletim da Conferência Geral de 1893, p. 148). Necessitamos desse "colírio" que só Cristo pode dar, de modo que nós corretamente possamos discernir o paganismo da verdadeira religião que Daniel e seus companheiros tiveram, uma abundante unção desse colírio espiritual, e eles o obtiveram por profundo estudo diário da palavra de Deus. Eles estavam preparados antes de encararem o desafio.

O transcurso do tempo não mudou a batalha entre Cristo e Satanás. A batalha hoje, assim como foi para Daniel e seus companheiros, é por nossa mente: "escolhei hoje a quem sirvais” (Josué 24:15) e "deixa esta mente que estava em Cristo Jesus" (Fil. 2:5, KJV) ser a sua mente, uma mente plenamente rendida à vontade de Deus, para que Ele manifeste Seu caráter em você.

—Ann Walper

Tradução e acréscimos, marcados com asteriscos, de João Soares da Silveira.

Nota do tradutor:

1) O mesmo ocorre no Brasil.

2). Gnose, s. f. Ciência superior às crenças vulgares; gnosticismo; o saber, por excelência. Fr. gr. Gnosis (ciência, conhecimento). (Dicionário Caldas Aulete).

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O Caráter de Daniel.



Com respeito ao caráter de Daniel e seus três companheiros é bom examinarmos Daniel 1: 17-20. É interessante notar que o pano de fundo do que ocorre em Daniel Capítulo 1, foi uma questão de regime alimentar. Daniel e seus companheiros recusaram tocar no tipo de alimento que lhes era oferecido. Eles cresceram sob um conjunto inteiramente diferente de princípios, e não tocariam aqueles alimentos proibidos.

“Entre as iguarias que se serviam ao rei estavam a carne de porco e outros alimentos declarados impuros pela lei de Moisés e terminantemente proibidos aos hebreus como alimento. Aqui Daniel foi colocado perante difícil prova. Devia ele apegar-se aos ensinamentos de seus pais sobre comidas e bebidas, e desagradar o rei, com a provável perda não apenas de sua posição mas da própria vida; ou desconsiderar os mandamentos do Senhor e conservar o favor do rei, garantindo-se dessa forma vantagens intelectuais e as mais sedutoras perspectivas mundanas?

“Daniel não hesitou muito. Decidiu firmar-se em sua integridade, fosse qual fosse o resultado. Ele resolveu firmemente ‘não contaminar-se com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia". Dan. 1:8” (Conselhos sobre o Regime Alimentar, pág. 30).

Daniel poderia ter encontrado uma desculpa plausível para pôr de lado seus estritos hábitos de temperança; mas para ele a aprovação de Deus era mais estimada do que o favor do mais poderoso potentado terrestre - mais estimada mesmo do que sua vida. Havendo por sua delicada conduta alcançado o favor de Aspenaz (*vs. 3), o funcionário que tinha a seu cargo os jovens hebreus, Daniel pediu que lhes fosse permitido não comer das iguarias do rei, nem beber do seu vinho. Aspenaz temia que se concordasse com este pedido viesse a cair no desagrado do rei, pondo sua vida em perigo. Como acontece com muitos hoje, ele supunha que um regime de abstenção tornaria esses jovens pálidos, de aparência doentia e deficientes em força muscular, ao passo que a alimentação luxuriante da mesa do rei os tornaria corados e belos, dando-lhes capacidade física superior” (idem, pág. 31).

Em resposta a seu pedido, tiveram permissão de se alimentarem de uma comida vegetariana, chamada, no verso 12, na Almeida, de “legumes”. Em inglês: na Versão Literal para os Jovens, de 1862 aparece “vegetais”; na Versão Básica de 1965, “grãos”; mas, na versão King James, e demais versões inglesas, temos o termo “pulse”, pulso (em português), ou pulsação. Figurativamente portanto, pode significar vida. No hebraico “Zero’im”, “coisas semeadas,” alimento derivado de plantas. Em verdade era comida viva, cereais brotados, germinados, como era tradicional entre o povo de Israel.

A obrigatoriedade de se constar nos rótulos de produtos industrializados, por causa da doença celíaca, o fato de terem glúten, ou não, é uma das muitas facetas negativas dos grãos secos, maduros, como alimento saudável. Neste estágio os grãos contêm excesso de ácidos. “Experimentos com ratos em uma dieta exclusivamente de cereais (*secos) demonstraram que eles sucumbem rapidamente sob este regime” (A Ciência da Nutrição, Herbert M. Shelton, Natural Hygiene Press, pág. 161).

E isto é o que a humanidade, como um todo, faz, em grande parte, hoje.

A base da alimentação do homem, como um todo, no mundo hodierno, continua sendo, em que pese os esforços nutricionais dos países mais desenvolvidos, os grãos secos e seus derivados, mormente os farináceos. Esta é a dieta quase que exclusiva em algumas regiões orientais. A bem da verdade os que se dizem “vegetarianos” hoje em dia deveriam, a rigor, cunhar um adjetivo relativo a cereais, pois isto é o que realmente consomem em maior parte.

Shelton cita o Dr. Emmet Densmore (grande médico higienista do início do século XX) como sendo o primeiro a levantar a voz contra o uso dos cereais. Ele aponta que “o homem é um animal frugívero, não adaptado ao uso de cereais, e o Dr.Emmet remontou às origens de muitos males causados pelo uso dos grãos, mesmo os integrais, como alimento. ... Os únicos animais dos quais pode ser dito serem comedores de grãos são os pássaros.” (idem pág. 159 e 160).

Deus dotou as aves granívoras de moela, um órgão composto de músculos muito fortes, e com a superfície interna revestida de uma espécie de epiderme quase cartilaginosa, e que funciona como um aparelho mastigador. Por sua vez ao o homem cozinhá-los os faz descer goela a baixo, sem a devida mastigação e insalivação.

“Mas mesmo as aves não alimentam seus filhotes com grãos, e sim, geralmente, com insetos e moluscos, enquanto os próprios adultos se alimentam com frutas e cereais” (idem, pág. 160). Ademais “as aves, no seu habitat natural, consomem a maior parte das sementes em seu estado verde, ou ‘leitoso’, quando são alcalinas e não acidas” (idem, pág. 164). Neste estado estes grãos são muito similares aos grãos germinados.

Quando usados em abundância, como alimento básico (staple food), os grãos germinados dão às células do corpo nutrição de alta qualidade, e ajudam a limpá-las dos dejetos tóxicos. Seu uso constante leva à benéfica ausência de fermentação intestinal, e afastam o fantasma das doenças degenerativas. O processo de germinação torna os nutrientes mais digeríveis, causando menos gases do que os grãos que lhe deram origem.

“Ao germinar, alguns nutrientes da semente, seja de um cereal (trigo, cevada ou aveia), das leguminosas (feijões) ou oleaginosa (linhaça, girassol, etc.) multiplicam-se. É o caso da vitamina C, que é praticamente inexistente no grão de trigo, mas que, uma vez germinado, aumenta 600% (seiscentos por cento) o seu teor. ... Os germinados são pobres em calorias, mas contêm quantidades apreciáveis de vitaminas A e C, e o complexo B, vitamina E, ferro, além de muitas enzimas e proteínas.” Conceição Trucom, cientista química (www.docelimao.com.br).

O melhor uso que se faz dos cereais é brotando-os, ao invés de cozinhá-los diretamente em seu estado seco. “O grão germinado é o momento inicial quando apenas uma pequena haste aparece; são as fases mais ricas em nutrientes no desenvolvimento vegetal. Eles são facilmente digeridos e assimilados e correspondem em suas características fisiológicas a um processo pré-digestivo pelo qual as proteínas são decompostas em aminoácidos, os carboidratos complexos em açúcares e as gorduras em ácidos graxos. Há também o aumento da presença de minerais, enzimas, fitormônios (*hormônios vegetais) e antibióticos naturais” (idem)

Os germinados e brotos servem para as mais diversas preparações culinárias. Podem ser consumidos crus, em sucos, saladas e sanduíches, misturados com outros legumes, refogados, adicionados a molhos, sopas e de outras formas que a criativa culinária moderna descobrir. Eu os como cozidos por 5 a 10 minutos no vapor, mas já fiz deles pão também, com adição mínima de farinha para produzir a liga. Juntamente com as dorcas da igreja central da cidade de Araçatuba, SP, no ano de 2004, fizemos diversos experimentos, por muitas semanas, cada vez reduzindo mais e mais a quantidade de farinha até atingirmos o mínimo ideal possível. Ainda tenho, em algum lugar, a receita que redigimos à época.

Os orientais os usavam. Provavelmente todos os povos ali aprenderam com os judeus. Assim Deus relembrou isto a Ezequiel, no capítulo 4, no cerco de Jerusalém. “Pegue os cereais e os coloque numa vasilha” (vs. 9). Não era panela a fim de cozinha-los, mas um vaso onde eram re-hidratados. Este era, em verdade, um costume judaico e que se difundiu por todo oriente. No passado, o alimento não cozido era o principal nas comunidades cristãs-essênias e muitos outros povos o utilizaram.

Que o regime de germinados, como alimento básico (“staple food”), não é deficiente, vê-se de dois aspectos: foi receitado por Deus, e o foi por 390 dias, mais de um ano, (final do vs. 9).1 É verdade, entretanto, que a quantidade de germinados prescrita por Deus (vinte siclos por dia, = oito oz. = 227 gramas2) denota um regime de escassez devido às condições da provação por que estavam passando, Jer. 4:16. Isto foi permitido e profetizado por diferentes vezes: 5:6; 14:13 e Lev. 26:26.

Passei a fazer uso de germinados, já há muitos anos, e tive visíveis resultados positivos, cancelando diversos males que me atormentavam. Mas a minha porção não é tão minguada quanto à de Ezequiel.

Onde comprá-los? Em sua cidade você sempre deve procurar, de preferência, produtores orgânicos cujo comércio é destinado à alimentação humana. Nunca se deve cultivar aquelas destinadas ao plantio, pois nestes casos as sementes são tratadas com produtos altamente tóxicos.

Coloca-se os cereais (integrais) de molho por 8 horas (a aveia, a soja e o grão-de-bico apenas 1 hora), e, depois os lave enxaguando-os numa peneira 3 ou 4 vezes ao dia. No segundo dia a maioria já brotou. Uma vez que os grãos ou semente (crus e saudáveis) são colocados na água (sem cloro), eles se re-hidratam, e “inicia-se o processo de liberação de todas as etapas para a germinação e o desabrochar das informações genéticas de perpetuação daquele vegetal. Interessante observar que o mais elevado ponto de vitalidade no ciclo de vida de uma planta ocorre quando ela está em pleno processo de germinação, daí seus grandes benefícios nutricionais.” Os conservantes que Deus colocou nos cereais secos para preservá-los até à semeadura (mesmo que séculos depois) são removidos. Os brotos tornam-se plantas vivas. “Zero’im”, no hebraico, “coisas vivas”, foi o que Daniel pediu ao chefe dos eunucos (Aspenaz, 3:1, ou Melzar, http://www.ellenwhitebooks.com) e não “legumes”, propriamente dito, como consta nas versões em português.

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“Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado.” (1ª Cor. 3.16-17).

Nas Sagradas Escrituras, transparece o constante interesse do Senhor quanto à saúde de Seus filhos. E Ele não Se esquiva de nos alertar quanto às terríveis conseqüências, que advirão sobre os que descuidam da saúde e do devido cuidado com seu corpo: “... Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6.7).

“Nenhum de vós tem visto a necessidade da reforma de saúde, mas quando as pragas de Deus estiverem ao vosso redor, então vereis os princípios da reforma de saúde e a estrita temperança em tudo – essa temperança unicamente é o fundamento de todas as graças que vêm de Deus, de todas as vitórias a serem ganhas” (Ellen G. White, Temperança, pág. 201).

“É o corpo um meio muito importante pelo qual a mente e a alma se desenvolvem para a edificação do caráter. Essa é a razão por que o adversário das almas dirige suas tentações no sentido do enfraquecimento e degradação das faculdades físicas. Seu sucesso neste ponto significa muitas vezes a entrega de todo ser ao mal. As tendências da natureza física, a menos que postas sob o domínio de um poder mais alto, seguramente obrarão ruína e morte. O corpo deve ser posto em sujeição às faculdades mais altas do ser. As paixões devem ser controladas pela vontade que, por sua vez, deve ela mesma estar sob o controle de Deus. O régio poder da razão, santificada pela graça divina, deve controlar a vida. Poder intelectual, vigor físico e longevidade dependem de leis imutáveis. Mediante a obediência a essas leis, pode o homem ser um conquistador de si mesmo, conquistador de suas próprias inclinações, conquistador de principados e potestades, dos "príncipes das trevas deste século", e das "hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais", Efés. 6:12, (Profetas e Reis, págs. 488 e 489).

Poucos meses depois da assembléia da Conferência Geral de 1888 Ellen White escreveu ainda, “este é o meio pelo qual Deus trabalhou por Daniel; e Ele não Se propõe a agir diferentemente agora. O homem deve cooperar com Deus em conduzir o plano da salvação” (RH, 2 de Abril de 1889). ... “Os jovens hebreus não supuseram que as bênçãos de Deus eram um substituto para os esforços requeridos deles, ... eles discerniram que através da graça de Deus o destino deles dependia da vontade e ação deles. ... Para tornar a graça de Deus nossa, devemos agir. ... A graça de Deus é dada para operar em nós a vontade e a ação, mas nunca como um substituto por nossos esforços. Nossas almas devem ser despertadas para cooperar. O Espírito Santo opera em nós, para que nós possamos agir. Esta é a lição prática que o Espírito Santo está lutando para nos ensinar” (O Instrutor da Juventude, 20 de Agosto de 1903) (apud, Comentário Bíblico Adventista, vol. 4, pág. 1167).

Há muitos entre os professos cristãos hoje que denunciariam Daniel como tendo sido demasiado minucioso, julgando-o estreito e fanático. Consideram de mínima conseqüência a questão de comer ou beber, para que se reclame uma posição assim decidida - posição que envolve o provável sacrifício de toda vantagem terrena. Mas os que assim arrazoam verificarão no dia do juízo que viraram as costas a expressas exigências de Deus, tendo colocado sua opinião como norma do que é direito ou errado. Descobrirão que o que lhes parecia sem importância não era assim considerado por Deus. Suas exigências devem ser obedecidas religiosamente. Os que aceitam qualquer dos Seus preceitos e a eles obedecem por ser-lhes assim conveniente, ao passo que rejeitam outros porque sua observância demandaria sacrifício, rebaixam a norma do direito, e por seu exemplo levam outros a levianamente considerar a santa lei de Deus. "Assim diz o Senhor" (Zac. 8:3) deve ser nossa regra em todas as coisas. ...

O caráter de Daniel é apresentado ao mundo como um silencioso exemplo do que a graça de Deus pode fazer de homens caídos por natureza e corrompidos pelo pecado. O registro de sua vida nobre, abnegada, é um encorajamento para a nossa comum humanidade. Daí podemos angariar força para nobremente resistir à tentação e, firmemente, na graça da mansidão, permanecer ao lado do direito sob a mais severa prova.

Deseja você também sintonizar seu aparelho de comunicação – sua mente – com o Céu, intensificando a intimidade com o Criador, ouvindo-Lhe, mais nítida e distintamente, a voz a nos falar à consciência, a fim de refletir mais perfeitamente Seu caráter de amor?

Assim, Ele poderá verter sobre nós a Sua sabedoria e Seu amor, instante a instante. Cuidemos, pois, fielmente do “templo do Espírito Santo”, pois nos foi assegurado que 'é sagrado'! "Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (1ª Cor. 10.31). Como podemos Lhe ser fiéis também quanto a esse fundamental aspecto da temperança?

—João Soares da Silveira


Os acréscimos em citações, marcados com asteriscos, são nossos.


Notas de roda-pé:

1) Não se espante o leitor ao deparar no vs. 12, no cerco de Jerusalém, com fezes humanas como combustível para cozer ao fogo. “No aperto do bloqueio não havia mais madeira para se queimar, e, ao o sítio continuar, mesmo as fezes de animais foram queimadas. Assim os homens foram forçados a usar, como combustível, dejetos humanos secos das privadas e latrinas de Jerusalém” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 4, pág. 591).

No verso 13, “o sentido de ‘pão imundo’ é, provavelmente, que em cativeiro seria impossível para os judeus observarem todos os preceitos dados por Moisés concernentes à dieta” (ibidem).


2) Confira as medidas acima no Comentário Bíblico Adventista, vol. 4, pág. 591, tendo como parâmetro a tabela de peso constante do vol. 1, pág. 164. Nestas citações encontramos 20 siclos como sendo 227 gramas. “O siclo é uma medida de peso usada no antigo Egito e na Judéia que variava de 6 a 12 gramas” (Dicionário Caldas Aulete, pág. 1779). No caso da pág. 591 do Comentário , temos 11,35 gramas por ciclo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Lição 10 - Mulheres em Missão

As regras levíticas dadas a Israel fazem uma inegável distinção entre machos e fêmeas. Geralmente, ofertas sacrificais deviam ser um macho primogênito e imaculado, embora uma significativa exceção era a oferta pacífica (Lev. 3:1, 6). Os dias a que uma mãe era exigido purificar-se, após o nascimento de uma filha eram duas vezes mais do que depois do nascimento de um menino (12:1-5). A conclusão de que dar à luz uma criança (*do sexo) feminino tornava a mãe mais impura é difícil de evitar. Fontes judias afirmam que o nascimento de uma criança (*do sexo) feminino desarranjava os órgãos e causava mais sofrimento que o nascimento de uma criança (*do sexo) masculino. Esta opinião, entretanto, não tem base [1]. Vários comentários simplesmente declaram que não há nenhuma razão para tal diferença [2].

Deus deve ter tido uma razão, embora nós não a possamos ver. Quando a raça humana foi vendida em pecado pelo primeiro Adão, todos nascimentos nessa linhagem "foram formados em iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe" (Salmo 51:5, KJV).

Talvez um melhor raciocínio é que o sistema sacrifical inteiro dado a Israel era para constantemente apontar adiante à vinda da Criança (*do sexo) masculino que seria o Salvador do mundo. Cada mulher Judia esperava que ela talvez fosse honrada para trazer o infante Cristo ao mundo. O destque feito à primeira criança nascida (*do sexo) masculino, foi projetado para ser um lembrete constante da bendita esperança especialmente dada à nação de Israel. O fato de que foi pervertido para deturpar o valor intrínseco do macho sobre a fêmea sugere que os seres humanos sucumbiram ao apelo de Satanás para o orgulho egoístico.

Uma vez que a Cruz cumpriu todos os sacrifícios típicos, o sistema sacrifical não era mais necessário para dirigir a atenção da humanidade a um acontecimento futuro. Não mais Deus perdoaria por paciência, mas por causa de um fato histórico ocorrido (*na cruz do Calvário). Esse acontecimento reescreveu a história da humanidade por colocar a raça inteira num novo Adão. Este Adão satisfez as exigências da lei, tanto pela Sua vida sem pecado, quanto por Seu pagamento da pena da segunda morte pelo pecado para a raça humana.

Depois da cruz, Paulo podia declarar "não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa" (Gal. 3:28, 29). Paulo está explicando que a história da humanidade foi reescrita. O estado favorecido de Israel não é mudado, nem as promessas feitas à humanidade, mas quem é israelita é reconsiderado como (*sendo) os que pertencem a Cristo. É significativo que Paulo mesmo redefine a linhagem dos que pertencem a Cristo com o uso das palavras "semente" e "herdeiros".

Foi este pano de fundo, do qual se tirou conclusão errônea, como preconceito divinamente sancionado, que Cristo objetou pela Sua interação com mulheres. Seu relacionamento com elas era, aliás, mais coerente com a história do Velho Testamento de interação de Deus com mulheres e homens. Raabe era uma prostituta como talvez o fosse a mulher junto ao poço (João 4). Sara recebeu a promessa de um filho de um anjo muito semelhantemente à experiência de Maria, a mãe de Cristo. As regras que Cristo "quebrou" desafiam as regras levíticas concernentes a mulheres cerimonialmente imundas. Ele na verdade elogia a mulher com a hemorragia por ter a coragem de quebrar o preconceito artificial para procurar cura.

Embora não mencionado na lição, a viúva com (*duas) pequenas moedas (*Marcos 12:42 e Lucas 21:2) é elogiada. Representa uma classe de pessoas em grande necessidade que são ignoradas pela sociedade. Podia ter sido intimidada pela insignificância comparativa de sua oferta, mas insistia em adorar com (*tal) oferta, embora fosse uma pequena contribuição.

Ao o Novo Testamento desdobrar os papéis de homens e mulheres na igreja primitiva, diferenças parecem tornar-se irrelevantes. Geralmente as contribuições das pessoas à "causa" diziam respeito à sua classe social em vida, se macho, fêmea, bem sucedido, pobres, educado ou analfabeto. Deus usou-os no ministério porque estavam dispostos a serem usados. Nenhuma importância particular deve ser atribuída a seu gênero. O que distingue é: Deus usa ao que está pronto para agir com satisfação.

Deus não revisa os hábitos da sociedade a menos que interfiram no relacionamento da humanidade com Ele. No Seu ministério enquanto na terra, Cristo não fez nenhuma tentativa "ativista" de mudar as normas da sociedade senão pelo Seu calmoexemplo. Sua interação com as pessoas era a exteriorização do princípio de que (*não) há "nem macho nem fêmea".

No terno ministério de Cristo à viúva de Nain nós vemos uma parábola da mensagem de Elias nos últimos dias. Ocupando somente seis versos em Lucas 7 (11-16), a história conta (*a) missão inteira de Cristo. Uma viúva é uma mulher cujo marido morreu. Seu filho morto era órfão. Quando Cristo tocou o féretro, Ele (*o) identificou com o fim inevitável da inteira raça humana. Porque Ele estava desejoso de fazer isso, mesmo a segunda morte, Ele estava habilitado a chamar o filho (*da viuva) dentre os mortos. Ao assim agir, Ele então o restaurou a sua mãe.

........................As conotações espirituais desta história são enormes. A mensagem de Elias irá "...converter os corações dos pais aos filhos” (Lucas 1:17), e "que este povo conheça que Tu és o SENHOR Deus, e que Tu fizeste voltar o seu coração" (I Reis 18:37). Cristo usou esta angustiosa mulher para demonstrar Sua mensagem de restauração total. Ele restaura filhos rebeldes instáveis a seu Pai celestial, e casa uma mulher sem marido com seu Noivo celestial. Tomando seu lugar como Sua noiva, ela não é mais segunda classe e impura, mas tendo se aprontado (*Apoc. 19:7), entra na alegria do seu Senhor.
—Arlene Hill

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Notas da autora:

[1] Comentário Bíblico Adventista, vol. 1, pág. 758

[2] e.g., Commentary on Leviticus, por Matthew Henry.

Arlene Hill, autora desta introspecção, é uma fiel adventista, professora da escola sabatina numa das igrejas adventistas da cidade de Reno, estado de Nevada, EUA. Profissionalmente foi advogada no estado da Califórnia, estando hoje aposentada.

Tradução e acréscimos, marcados com asteriscos, de João Soares da Silveira.