quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Lição 2 - Deus e a Revelação, por Thomas R. Cusack

Para 6 a 13 de outubro de 2012



Minha primeira e mais cara memória da minha experiência inicial na Igreja Adventista do Sétimo Dia, em meados da década dos anos de 1980, foi o grau de estudo bíblico intensivo que encontrei entre os membros que eram meus amigos, me integraram e me deram apoio na igreja. Nós não podemos nos dar ao luxo de perder esse zelo, foco, prioridade e valorização da Palavra de Deus. Devemos estar estudando nossas Bíblias como nunca antes, e estar à procura, acima de tudo, não da verdade doutrinaria, mas pelos "incomparáveis encantos ​​de Jesus Cristo"1, revelados através das Escrituras.
A palavra "Escrituras" refere-se à palavra escrita, e são as Escrituras que Jesus citou e utilizou em Seu ensino e pregação. Alguns citam o texto em Tessalonicenses que diz que devemos prestar atenção às "tradições", sejam escrita ou falada, para se referir aos dois canais da Palavra de Deus escrita, e as das "tradições sagradas" da igreja. No entanto, tal como a entendemos em nossa herança protestante deve haver um teste ou padrão para medir toda a verdade, e esse padrão é a Palavra de Deus. Se tudo o que foi dito ou pregado também foi considerado igual à Bíblia, então não haveria nenhum padrão para testar os ensinamentos e pregações. O Espírito de Profecia também deve ser medido pelas Escrituras, como a "luz menor" levando-nos à luz maior. Como Ellen G. White disse perto do fim da sua vida, “eu recomendo a você este livro." Nós nunca precisamos perder a herança da Reforma Protestante, mas o mais importante, já que temos esse acesso à Bíblia e outros materiais cristãos, devemos ser diligentes para sermos encontrados aprovados em nosso conhecimento da Palavra de Deus para nós.
Deus se comunica com os seres humanos de várias maneiras, tais como, a sua "voz mansa e delicada", natureza, experiências pessoais divinamente inspirados, etc, mas Sua maior revelação (além da óbvia de Jesus Cristo), é a Sua Palavra, que é o nosso guia e padrão ao longo de nossas vidas.
A Bíblia proclama que ela não foi dada por meros homens, mas eles eram homens movidos pelo Espírito Santo. Deus inspirou suas mentes para comunicar a Sua mensagem, e é infalível em sua mensagem, intento, e plano da Salvação.
Como 2ª Timóteo 3:16 afirma: Toda a Escritura é inspirada por Deus, ou, "Deus soprou", e é proveitosa para todos os aspectos da vida cristã, completamente aperfeiçoando-nos para toda boa obra. Um apologista católico romano argumenta que o texto afirma que a Bíblia é "proveitosa", mas não suficiente, e, portanto, precisamos, além disso das "tradições sagradas" da igreja para preencher tudo o que é necessário. No entanto, o próprio texto argumenta contra tal conclusão. O texto está dizendo que "todas" as Escrituras são inspiradas por Deus, assim cada versículo da Bíblia é inspirado, e é proveitosa para correção, instrução, etc. O efeito total do benefício de cada passagem em particular, é que podemos ser bem aperfeiçoados para toda boa obra, e, portanto, a Bíblia total é suficiente, pelos benefícios de todos esses versículos proveitosos. Se podemos ser aperfeiçoados a partir da Bíblia, então não há outros escritos que sejam necessárias.
Isso, claro, levanta a questão dos escritos de Ellen White. Ela mesma afirmou que não precisariamos de seus escritos se realmente conhecessemos as Escrituras. No entanto, por causa de nossa condição caída, e a tendência humana de se enraizar nos padrões tradicionais de pensamento, o dom profético é de grande valor para nós ao mostrar a profundidade de significado nas Escrituras. Eles são realmente uma "luz menor", levando-nos à luz maior. Minha experiência com o Espírito de Profecia levou-me a querer estudar a Bíblia cada vez mais. Escritos da Sra. White são "plenamente confiaveis", ao estabelecermos as crenças fundamentais, mas isso não significa que nós consideramos seus escritos iguais às Escrituras, mas que o dom profético empresta uma autoridade e poder de seus escritos, ao ela falar com convicção de sua compreensão da revelação total do caráter e vontade de Deus, revelado nas Escrituras.
Há aqueles que argumentam que Jesus Cristo, corretamente visto como o centro e foco principal de todas as Escrituras, pois elas "testemunham" dEle, e Seu incomparável amor, santidade, justiça, misericórdia e verdade, elimina a necessidade de estudo de outras questões, tais como profecia, doutrina, etc. No entanto, Mat.4:4 nos conclama a viver por "toda a palavra de Deus". Isso protege contra a tendência ecumênica de "unir as doutrinas mantidas em comum", e, essencialmente desconsiderar ou descartar o resto. Nós nunca poderíamos sancionar tal unidade ecumênica, pois fazer isso seria trair a Bíblia e a Palavra, que a deu a nós.
Entendemos que a natureza da inspiração na Bíblia é a de inspiração do pensamento, como Deus se movia sobre a mente do escritor para se comunicar como Deus desejava. Não defendemos um modelo de inspiração verbal, porque sabemos que Deus trabalhou com os homens de diferentes experiência, educação e entendimento da verdade. Deus trabalha através de seres humanos falíveis para realizar a Sua vontade infalível.
O dom profético opera da mesma forma como os escritores do Canon sagrado. Deus trabalhou para revelar pensamentos e idéias, por vezes através de visões e sonhos, e, em seguida, levou o profeta para escrever ou ter transcrito a intenção que Deus tinha através da revelação.
É importante expressar a verdade central de que o objectivo principal de toda a exposição de Deus é revelar Cristo, o Evangelho, a "justiça de Deus", e o plano que Deus tem para nos restaurar à Sua glória, ou carater. Jesus Cristo é o centro de toda a Bíblia, e devemos estar sempre "olhando para Jesus, autor e consumador da nossa fé". Pela contemplação somos transformados. A Bíblia não é, como alguns dizem, uma "letra morta", mas um organismo vivo, obrada pelo Espírito a mover-se sobre o coração humano, se aberto para receber a Cristo e Seu amor.
 Nós mantemos a verdade da Divindade, a unidade de três pessoas co-eternas, que estão todas profundamente investidas em nossa salvação e redenção. Alguns dos primeiros pioneiros adventistas do sétimo dia tinham uma visão diferente, evitando os erros que eles viram foram compreendidas na idéia da "Trindade". (Peço-lhe para ler um livro intitulado, Defesa da Divindade, por Vance Ferrell. Ele tem feito um bom trabalho na discussão). Você o encontra em http://www.worldincrisis.org/Harvestime-Books/Defending-the-Godhead.pdf.
Uma das verdades centrais da Bíblia é a verdade de que Deus é o Criador. Ela não tenta provar a existência de Deus, deixa para Deus a responsabilidade pela revelação dEle ao homem caído nas belezas restantes de Sua criação, nas relações que ele tem com cada ser humano, no trabalho sobre o coração pelo Espírito Santo. Como a lição declara na quarta-feira, "A convicção sobre a existência de Deus não pode surgir somente de argumentos racionais. A Bíblia ensina que uma pessoa é convencida da existência de Deus por meio da experiência pessoal com Ele, à medida que o Espírito Santo impressiona o coração e a mente com o fato de Sua existência. Em muitos casos, as pessoas podem vir a acreditar em Deus primeiramente, e depois começam a construir um fundamento lógico e intelectual para a fé em um Deus que não podem ver." Sem dúvida, a Bíblia revela um Deus que é muito envolvido com a humanidade. O grande cenário polêmico é, realmente, sobre como o Senhor está trabalhando para salvar a humanidade das garras do pecado e de Satanás. Desde o primeiro ato de criação da Terra (Gên. 1:1) passando pela cruz (João 19:18) e pela recriação da terra (2ª Ped. 3:12, 13), a Bíblia nos mostra de forma inequívoca a atividade íntima do Senhor com a humanidade."
"Em Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessário à salvação. As Sagradas Escrituras devem ser aceitas como autorizadas, infalível revelação de Sua vontade. Elas são a norma do caráter, o revelador das doutrinas, a pedra de toque da experiência religiosa. ‘Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruido para toda a boa obra’ (2ª Timóteo 3:16, 17)” (Ellen G. White, O Grande Conflito, págs. 8 e 9). Estas palavras do Grande Conflito é um estudo profundo para nós, para estarmos intimamente envolvidos com a Palavra de Deus, e permitir o Espírito, ou a vida de Cristo, a viver a Palavra de Vida em nós. A Palavra de Deus é para tornar-se "enxertada" em nossas mentes, carateres, vidas, para sempre.

Thomas R. Cusack

O irmão Tomás R. Cusack é um dinâmico pastor da Associação Adventista da Pennsylvania, nos Estados Unidos da América, Ele viajou por diversos paises tais como Mongolia, Kenya, Belize, e alguns das América Central e do Sul, bem como da Europa, partilhando a mensagem de Justificação pela Fé que foi outorgada à igreja Adventista em 1888. Ao todo foram 13 séries de conferência fora dos Estados Unidos. Hoje ele é pastor da igreja adventista da cidade de Erie, no estado da Pennsylvania, localizada no endereço 190, Hunter Road, Erie, PA Cep.: 16509. O telefone dele, na igreja é (814) 864-8124, e o do primeiro ancião, irmão Lowell Freeman é (814) 739-2360.
     
Nota:
1) veja o artigo “Os Incomparáveis Encantos ​​de Jesus Cristo”, postado também hoje neste blog.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Lição 1 - O Grande Conflito, por Jerry Finneman

Para 29 de setembro a 6 de outubro de 2012

Durante este trimestre, vamos estudar algumas das "28 crenças fundamentais" da nossa Igreja. Precisamos manter em mente o que afirma o autor na introdução sobre esses fundamentos. Eles "não são um credo, no sentido de que não se poderia esperar nenhum desenvolvimento adicional das verdades expressas nelas (ou de que mesmo novos ensinamentos não pudessem ser acrescentados)."1
A primeira lição deste trimestre é sobre o tema do Grande Conflito Cósmico como nos foi revelado nas Escrituras. Este tema é fundamental para todo o trimestre e deve ser lembrado ao estudar as lições, especialmente, para este trimestre. O tema do Grande Conflito realmente é predominante na Bíblia. Este conflito é sobre a disputa prolongada cósmica existente entre o ex querubim cobridor, Lúcifer, e seu Criador. Central para o conflito é o amor de Deus.
O originador desta disputa é Lúcifer. Nenhuma razão sã pode ser apresentada para a existência de seu conflito. Este é um mistério inexplicável. Como poderia um ser perfeitamente criado, feito à imagem de Deus, tornar-se um demônio, Ezequiel 28:15? É o "mistério da iniquidade." Ele voltou-se contra Deus, que o amava com um amor eterno. Ao volver-se do amor de Deus, Lúcifer fez escolhas que levaram ao seu ódio diabólico a Deus. Se ele tivesse sido capaz de chegar às últimas consequências fazer isso, ele teria arrancado a Deus de Seu trono e teria se assentado nele porque este era o pensamento do seu coração, Isaías 14:12-14.
Há um outro "mistério" infinitamente maior do que o "mistério da iniquidade". É o "mistério da piedade." Este mistério é sobre Deus, Seu caráter de amor, e Seu plano para a nossa redenção. O plano da redenção é, simplesmente, a realização do plano original de Deus na criação do homem — que ele deva ser à imagem de Deus, Gên. 1:26, 27; Rom. 8:28). O plano envolvia o sofrimento da "semente da mulher" e eventual destruição do diabo, incluindo todo o mal, Gên. 3:15. O plano da redenção também promete o perdão a todos os que têm fé em Cristo somente. E promete restaurar a imagem de Deus naqueles que têm um profundo agradecimento pelo que Deus tem feito por eles, em Cristo.
O Grande Conflito começou na mente de Lúcifer, enquanto ele estava na presença de Deus. Ele, sem dúvida, conhecia a Deus melhor do que qualquer outro ser criado. Ele teria revelado o amor de Deus, por todo o distante universo, em todo o poder de sua majestade angelical e habilidade. Mas, com o tempo, através de sua habilidade que lhe foi dada por Deus para escolher, ele tornou-se a criação de sua própria imaginação confusa e pervertida.
Antes de a guerra irromper no céu, ela alastrou-se dentro da mente e do coração de Lúcifer. O conflito entre o bem e o mal primeiro começou lá, em seguida, percorreu seu caminho na sua vida e na vida dos outros, como um terço dos anjos e Adão e Eva. "As palavras da sua boca eram mais macias do que a manteiga, mas havia guerra no seu coração: as suas palavras eram mais brandas do que o azeite; contudo eram espadas desembainhadas" (Salmo 55:21). Da abundância do seu coração ele falou e agiu. Esta guerra continua. Qual foi, ainda é. "Há no seu coração perversidade, todo o tempo maquina mal; anda semeando contendas” (Provérbios 6:14)
Lúcifer, o filho da alva, próximo à fonte de luz, começou a pensar que ele era a fonte de sua própria luz. Mas sua fina chama veio de Deus — da glória ardente que irradia da Sua pessoa. A Bíblia mostra a glória de Deus como fogo, Dan. 7:9,10. Ele é chamado de "fogo consumidor" (Êxo. 24:17, Deut. 4:26, Heb. 12:29). Mas Ele criou Lucifer "à prova de fogo" antes de pecar. Deus continua a dar-lhe existência. Isso é essencial, porque cada pessoa inteligente no universo, um dia, será totalmente esclarecida e vai reconhecer que Lúcifer estava errado em começar sua controvérsia contra Deus.
A palavra "consumir" significa uma intensa e completa destruição. Este fogo consumidor de Deus é a fonte de energia de milhões e milhões de vezes mais intensos do que todo o poder combinado de todas as bombas atômicas da humanidade. A bomba atômica não pode vaporizar tudo. Mas o fogo de Deus pode. Embora Ezequiel 28:12-17 nos informe sobre o momento em que Lúcifer era à "prova de fogo", está chegando a hora em que ele vai se tornar inflamável — no final do milênio, Apocalipse 20:7-10.
Este Grande Conflito envolve todos nós. Vamos, ou lutar contra Deus ou aceitá-Lo. Em qualquer caso, seremos envolvidos no fogo de Deus. Você e eu vamos ser refinados por Seu fogo, Malaquias 3:2, e 1ª Pedro 1:6 e 7, ou como Lúcifer, seremos queimados, no final do milênio, Mat. 25:41, e Apocalipse 20:15.

A escolha é nossa.
Hoje Jesus nos convida ao Seu fogo consumidor do pecado. Ele nos oferece Sua fé e Sua vestimenta de justiça (Apoc. 3:18), sendo que ambos foram temperados pelo fogo feroz da tentação, quando Ele habitou na terra (Heb. 4:15,16; 5:7-9; 2:18, Rom. 5:19). Consequentemente, a "fé de Jesus" e Sua justiça agora são à prova de fogo eternamente.
Precisamos lembrar que o fogo eterno, (*e as labaredas eternas) estão no céu e não no inferno, Isaias 33:14. No céu, o povo de Deus será para sempre "à prova de fogo," Isaías 33:15. Deus enviou Sua mensagem a qual, se crida, nos purgará e tornará "à prova de fogo." É a mensagem de Sua justiça apresentada nos termos mais atraentes em seu conselho a Laodicéia, Apoc. 3:18. Apenas os que são feitos justos, pela fé em Cristo somente, serão feitos à prova de fogo que vai durar por toda a eternidade.
O conflito cósmico entre o bem e o mal — o Grande Conflito — é descrito com precisão nos livros da série Conflito”, que começa com o Patriarca e Profetas e termina com O Grande Conflito. Patriarcas e Profetas começa com três palavras e O Grande Conflito termina com as mesmas três. A primeira é uma declaração. A última é a afirmação formal e explicita dessas três palavras. Vamos fechar esta introspecção com o último parágrafo da série e as três palavras:
"O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação. DAquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor."2
-Jerry Finneman


Notas do Autor:
[1] Introdução Geral do nosso Guia de Estudos das Lições da Escola Sabatina, para o 4º trim. de 2012
2 Ellen White, O Grande Conflito, pág. 678.

O irmão Geraldo L. Finneman é um pastor adventista, já tendo atuado nos estados de Michigan, Pensilvânia e Califórnia nos EUA. Ele prepara materiais para encontros evangelísticos, incorporados com os conceitos das Boas-Novas da Mensagem de 1888 de Justificação pela fé. Além de pastor da IASD ele também já foi presidente do Comitê de Estudos da Mensagem de 1888. Já há alguns anos não me encontro com ele, mas me parece que, devido à idade, está para, ou, já se aposentou, mas ouvi dizer que continua trabalhando por boa parte do dia, atualmente na área de Battle Creek, a cidade que abrigava a antiga sede da igreja. Há um excelente livro escrito por ele, "Christ in the Psalms” [Cristo nos Salmos], infelizmente não está traduzido para o português.

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Lição 1 - O Grande Conflito, por Paul E. Penno

Para 29 de setembro a 6 de outubro de 2012


Qual foi o "pecado original" que Lúcifer cometeu no céu? Com milhões ao redor do mundo nós embarcamos em uma série de estudos das crenças adventistas fundamentais sob o tema "Crescer em Cristo". Ela nos leva a fazer a pergunta, o que é "a mãe da invenção", o poder motivador para todas as nossas crenças?1
A mensagem de 1888 focou a dinâmica da verdade sobre o amor divino de Deus (*Ágape, 1ª João 4:8). "O amor de Cristo nos constrange", porque "Um morreu por todos, logo todos morreram" (2ª Coríntios. 5:14). Em outras palavras, se Ele não tivesse morrido por todos, logo todos estariam mortos. Portanto, “os que vivem [simplesmente] não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu" (v.15).
Se o grande conflito é "fundamental" para as nossas crenças, qual é a questão do conflito entre Cristo e Satanás? É Ágape versus amor próprio.
No céu Lúcifer afirmou "Eu exaltarei o meu trono", "Eu subirei", "Eu serei semelhante ao Altíssimo" (Isaías 14:13, 14). Ele estava com ciúmes de Miguel que era “igual” a Deus. O ciúme egoísta de Lúcifer transformou-se em ódio e assassinato (1ª João 3:15, João 8:44).
Ellen G. White, uma escritora muito sábia, diz que a nova idéia de Lúcifer de (*serviço e) “exaltação em prol do eu, contrários ao plano do Criador, despertavam prenúncios de males nas mentes para os quais a glória de Deus era suprema.”2 Esta calma, inteligente, secreta "exaltação de si mesmo" teria ido indefinidamente se não tivesse havido algumas "mentes" leais a Deus "despertadas" para se oporem. Eles foram os que começaram a "guerra no céu"! Eles não estavam satisfeitos em deixar este trabalho dissimulado proceder sem oposição.
Nós podemos entender guerras, motins e rebeliões na terra, mas a guerra no céu? A Bíblia é clara. "E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão [isto é, tomou a iniciativa], e batalhavam o dragão e os seus anjos, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus" (Apoc. 12:7, 8). Michael "protestou" contra Lúcifer e, assim, começou a guerra.
Não há nenhuma sugestão de que espadas e armas literais tenham sido usadas. Duas terças "partes" dos anjos pensaram nas inteligentes mentiras de Lúcifer e seus anjos que o apoiaram, e as rejeitaram, assim, não mais o "seu lugar se achou nos céus..." (v. 8). Cristo já havia vencido Satanás em uma natureza sem pecado no momento em que "houve batalha no céu."
Sem dúvida, Lúcifer começou a ver onde sua rebelião o levaria. Ele viu que o crime que ele alimentou em sua alma era tenebroso e hediondo — o de assassinar o Filho eterno de Deus. Assim terrível é a devoção de alguém ao amor de si mesmo!
Lúcifer deve ter ponderado longa e sinceramente o caminho que ele estava escolhendo. Deveria ele se arrepender enquanto ainda havia oportunidade? Se assim fosse, só poderia haver uma maneira pela qual ele poderia vencer o pecado de sua alma angelical — este estarrecedor "eu" que procurou ser "semelhante ao Altíssimo" e para derrubá-Lo do Seu santo trono, teria que morrer. O eu de Lúcifer teria de ser crucificado.
Uma cruz espiritual na qual Lúcifer deveria morrer para o eu era a única maneira de sair de seu dilema em sua guerra incipiente com Deus. Todo o seu orgulho, seu ego, seu precioso, querido "eu" que ele tinha acariciado, deveria perecer de boa vontade por sua livre escolha, de modo que somente a verdade, e justiça, e a santidade pudessem viver. Lúcifer veio tão perto de ceder que ele foi capaz de compreender o significado do caminho de libertação para ele.
Em seguida, enfaticamente, indignado, em caráter irrevogável, ele rejeitou a idéia. Não queria uma cruz para ele! Uma vez por todas, de forma inteligente e responsável, Lúcifer repudiou a idéia de abnegação e sacrifício próprio. Ele tinha ido além do ponto de nenhum retorno. Ele tinha cometido o "pecado original". Ele iria instituir uma nova forma de vida para o vasto universo de Deus — o amor ao "eu", o caminho do egoísmo, a auto-afirmação, amor próprio. Assim Lúcifer rejeitou a cruz.
Foi então que ele se tornou o Diabo e Satanás, "a antiga serpente, ... que engana todo o mundo" (Apoc. 12:9). Um brilhante anjo que odeia a cruz torna-se inimigo de Deus (e nosso).
Quando Satanás tentou Adão e Eva no Jardim do Éden, sua isca foi a garantia de que na transgressão alcançariam uma vida mais elevada do que tinham sido criados para desfrutar. "E sereis como Deus", ele prometeu (Gên. 3:5). Este desejo de ser como Deus era o mesmo que levou ao pecado original de Satanás no céu.
Satanás não era ignorante do princípio da cruz, mas o que ele não podia compreender era o amor divino revelado no Cristo encarnado que O levaria a percorrer todo o caminho até o sacrifício supremo, e a fazê-lo voluntariamente. O último insulto malicioso atirado contra Cristo foi inspirado por Satanás — "Sava-te a ti mesmo, e desce da cruz!" (Marcos 15:30).
O Concerto Eterno foi feito originalmente para Adão e Eva, Gên. 3:15. Deus prometeu “por inimizade", onde não haveria desejo pelo bom e justo, se Deus não o tivesse colocado no coração de todos em algum grau. Quando Deus fez a promessa a Adão e Eva foi Cristo “que foi morto desde a fundação do mundo" (Apoc. 13:8). Cristo tornou-Se fiador de toda a raça humana. Ele Se colocou na linha para trazer tudo o que Ele prometeu a Adão e Eva. Deus não exigiu de Adão e Eva a promessa de obedecer-Lhe, não há registro de qualquer transação desse tipo. Todo o poder deles tinha se ido.
Adão, com os olhos bem abertos, com pleno conhecimento, sabia que comer o fruto proibido seria pecado. "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17, Almeida Fiel).  A Versão King James diz: “para ele, é pecado." Na incredulidade ele entrou em terreno proibido. Sua própria natureza foi alterada por sua deliberada escolha. Naquele momento, ele já não era capaz de fazer o bem. Ele foi condenado à morte eterna. Adão tinha (*se) vendido a Satanás.
Satanás estava plenamente consciente de que Adão tinha dado sobre o seu direito de domínio a ele. Nas tentações de Cristo, Satanás lembrou Jesus que todo o "poder e glória" do mundo era seu por escolha de Adão, “porque a mim me foi entregue...." (Lucas 4:6, Almeida Fiel). A tradução Moffat diz: todo o "poder e grandeza" do mundo era seu por escolha de Adão, “pois foi feito para mim ....". Era impossível a Adão tornar-se justo de novo, porque o pecado entrou no mundo. "Por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens", resultando na condenação a uma morte eterna (Rom. 5: 12, 18). Sem esperança de vida, não há esperança de nem mesmo um bocado de comida, ou ar para respirar ou um copo de água fria. Nem uma única coisa era nossa por uma escolha de Adão.
Deus prometeu no início que iria implantar na natureza humana uma "inimizade entre a semente [de Satanás] e o seu descendente" [descendentes de Eva], Gên. 3:15. Ellen White disse: "Até onde se estenda o mal, é ouvida a voz do nosso Pai, ordenando a Seus filhos ... esquecer o mal, e convidando-os a receber o bem."3
—Paul E. Penno
Notas:
1) Esta questão é colocada nos pensamentos introdutórios da lição (29 de setembro de 2012), "Crescer em Cristo," Guia de Estudo da lição da Escola Sabatina.
2) O Grande Conflito, p. 494.
3) Educação, p. 27.
 
Paulo Penno é pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Ele foi ordenado ao ministério há 39 anos. Após o curso de teologia ele fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente ele preparou uma extensiva antologia dos escritos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, a qual está incluída na Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também ele escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia,” e, ao longo dos anos, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de 1888. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Você pode vê-lo, no You Tube, semanalmente, explanando a lição da semana seguinte na igreja adventista de Hayward, na Califórnia, em http://www.youtube.com/user/88denver99

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