quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Lição 5 — A fé de Abraão por, Ann Walper




Para 28 de out. a 4 de Nov. de 2017


Quando Deus chamou Abrão de Ur(*Ur dos caudeus, Gên. 15: 7) qual era a sua condição espiritual? Sabemos que pouco depois do dilúvio, Nimrode estabeleceu o reino de Babel em rebelião contra Deus (Gên. 10: 8-10), e Ur era uma área nesse reino. Sabemos que, neste lugar, os habitantes adoraram os deuses da lua crescente chamado Sin. Ele foi o criador de todas as coisas, o pai de todos os deuses, inclusive o pai do deus sol. Nós também sabemos que o pai de Abrão, Terá, adorava ídolos e ficou tão apegado a eles que, quando eles deixaram Ur, ele levou seus ídolos com ele.
 “...Terá, pai de Abraão e pai de Naor;... serviram a outrs deuses” (Josué 24: 2). Abraão e sua família não só tinham estátuas em suas prateleiras para lembrá-los dos deuses que eles adoravam, como algumas cruzes ou fotos de Cristo em seus muros, mas "serviram a outros deuses". Os deuses falsos eram uma parte muito real de sua experiência espiritual e diária. A família de Abrão era pagã através de uma mistura supersticiosa das coisas deificadas da natureza, com um conhecimento desbotado do verdadeiro Criador. Eles possuíam um conhecimento remanescente da experiência pré-diluviana dos descendentes de Caim e Sete, mas confundiam esse conhecimento com ideias pagãs sobre Deus.
Embora o "pai dos fiéis" tenha começado sua carreira na escuridão pagã, Terá e Abrão tiveram acesso a um conhecimento completo de Deus através do testemunho de Sem, que viveu por 502 anos após o dilúvio (Gen. 11:10, 11). Sem, filho de Noé, ainda estava vivo quando Isaque, filho da promessa, nasceu a Abraão. Deus nunca esteve sem uma testemunha fiel que poderia chamar as pessoas das trevas para a luz do Seu amor redentor.
Apesar de apagado, era o conhecimento remanescente do único Deus verdadeiro, mantido vivo por Sem, e a evidência do Dilúvio como julgamento contra o pecado, que manteve aberta a porta do coração, permitindo que o Espírito Santo atuasse sobre o coração de Abrão. Vivendo entre uma multidão de deidades silenciosas e impotentes, havia Um que, com crescente clareza, falou com Abrão através de sua consciência. "A fé em Cristo não é obra da natureza, mas sim operação de Deus sobre o espírito humano, efetuada na própria alma pelo Espírito Santo, que revela a Cristo, como Cristo revelou o Pai".1
"Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai da tua terra, e da tua parentela e da casa de teu pai, para uma terra que Eu te mostrarei ... Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito" (Gênesis 12: 1, 4). "Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia" (Heb. 11: 8).
Obediência inquestionável, essa é a característica da fé verdadeira. A fé "funciona" em oposição da natureza humana, ou do que o "senso comum" nos diz para fazer. O senso comum teria sido manter-se, exatamente onde a família de Terá empre vivia. O senso comum teria questionado aquela "voz mansa e suave" que chamava Abrão da terra fértil e próspera ao longo do rio Eufrates, dizendo que fosse para uma terra onde seria "um estrangeiro e peregrino" o resto de sua vida (Heb. 11: 8-10, 13). Abrão teve que ser removido de sua "zona de conforto" para que pudesse estar preparado para o que Deus queria fazer com ele. Teve que ser levado à condição espiritual de total dependência da palavra de Deus, ou ele nunca se tornaria o "pai dos fiéis".
Uma série de provações lhe sobrevieram que testaram a confiança de Abraão na palavra criadora de Deus antes de estar "totalmente persuadido" do poder inerente à palavra de Deus. Só então pode ser verdadeiramente dito de Abraão: "O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois já era de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara; E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, E estando certíssimo de que o que Ele tinha prometido, também era poderoso para o fazer. Assim isso lhe foi também imputado como justiça"(Romanos 4: 18-22).
No início de sua jornada espiritual, Abraão não tinha evidência de que o que Deus lhe prometeu (ter um filho e tornar-se herdeiro do mundo) se tornaria uma realidade. Mas o dom de Deus da medida da fé (Romanos 12: 3) foi apreciado por Abraão e, como ele a exercitou, cresceu em força. O conhecimento remanescente de que o Deus de Sete era o verdadeiro Criador, em oposição a todos os outros deuses, como Sin, foi a chave para o desenvolvimento espiritual de Abraão.
"O que diremos, pois,ter alcançado Abraão, nosso pai, segundo a carne?" (Romanos 4: 1). O que foi que Abraão "alcançou"? "Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua sua posteridade, mas pela justiça da fé" (Romanos 4:13). Abraão "alcançou" justiça por crer na Palavra de Deus. "E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isso por justiça" (Gên. 15: 6). Abraão não podia "ganhar" essa justiça por meio da guarda da lei, nem pelo rito da circuncisão. "E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que crêem" (Romanos 4:11). O rito da circuncisão não fez Abraão, nem nenhum dos seus descendentes, justo. "Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor" (Gálatas 5: 6).
A justiça de Abraão não era "de dívida", como se fosse por suas próprias "boas obras" Deus devia a salvação a ele. Nada que possamos fazer colocará Deus em obrigação para conosco. Ellet J. Waggoner, um dos "mensageiros" de 1888, entendeu este conceito: "Se alguém pudesse fazer algo pelo Senhor para o qual o Senhor lhe seria obrigado, então tudo não seria dele. Quer dizer, a idéia de justificação pelas obras se opõe ao fato de que Deus é o Criador de todas as coisas. E, inversamente, o reconhecimento de Deus como Criador é o reconhecimento de que a justiça vem dEle somente".2
E assim, o descanso sabático sagrado de Deus é o sinal e o selo da justiça dno povo remanescente final que reconhece o Criador como a única fonte de poder para vencer o pecado e desenvolver caracteres semelhantes a Cristo (Apocalipse 14: 6-12). Através da fé testada e comprovada de Jesus Cristo — o dom de Deus para nós — nossos corações são rendidos, nossa vontade submetida e nossas afeições são firmemente fixadas sobre o Salvador, e tudo neste mundo perde sua atratividade. A justiça pela fé é o dom de Deus através de Cristo, o Autor e Consumador daquela fé.
A justiça pela fé depende da palavra de Deus apenas para realizar o que prometeu: que ela pode criar nos seres humanos caídos o que não existe sem o Seu poder e presença na vida. "A fé é a expectativa de que a própria Palavra de Deus faça o que a palavra diz, e dependendo da própria palavra para fazer o que a palavra diz. Como a palavra de Deus é, por si só, criativa e, assim, é capaz de produzir e fazer aparecer o que de outra forma nunca existiria nem seria visto, e uma vez que a fé é esperar que a palavra de Deus apenas faça exatamente essa coisa e, dependendo da "única palavra" para fazê-la, é claro que a fé é "a prova das coisas que se não vêem."3 " Assim é a palavra de Deus que deve operar em você para agir. ... Você não deve operar para fazer a palavra de Deus: a palavra deve trabalhar em você para agir. ... A palavra de Deus sendo viva e cheia de poder, quando é permitida atuar na vida, será poderosa para obrar naquele indivíduo".4
Considere agora a promessa de Deus de que Abraão seria "herdeiro do mundo" (Romanos 4:13). Do que Paulo fala aqui? "E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão" (Gên. 17: 8). Em seu testemunho perante o Sinédrio, Estêvão falou um fato bem conhecido sobre Abraão e a possessão da terra, que Deus "E não lhe deu nela herança, nem ainda o espaço o suficiente para colocar o pé" (Atos 7: 5; NKJV). Como reconciliar essa aparente contradição?
"Primeiro, notemos o fato de que a herança prometida é uma herança eterna. O próprio Abraão deve tê-lo por uma possessão eterna. Mas o único modo pelo qual Abraão e sua semente podem ter a possessão eterna de uma herança é ter a vida eterna. Portanto, vemos que, nesta promessa a Abraão, temos a garantia da vida eterna para desfrutar a possessão".5
"Não se esqueça de que o concerto e a promessa são a mesma coisa, e que transmitem a terra, mesmo a terra inteira feita nova, a Abraão e seus filhos [espirituais]. Lembre-se também de que, uma vez que somente a justiça habitará nos novos céus e na nova terra, a promessa inclui tornar justos todos os que crêem".6
"Deus não disse que, se acreditarmos em certas declarações e dogmas, Eele, em troca, nos dará uma herança eterna. A herança é de justiça e, como a fé significa a recepção da vida de Cristo no coração, juntamente com a fé de Deus a justiça, é evidente que não existe outra maneira pela qual a herança possa ser recebida".7
"E isso nos leva à conclusão do assunto, a saber, que a promessa a Abraão e à sua semente de que eles seriam herdeiros do mundo, é a promessa da vinda de Cristo ... E então entendemos que nós temos grande interesse pela promessa a Abraão como ele próprio tinha. Essa promessa ainda está aberta para todos aceitarem. Ela abraça nada menos do que uma vida eterna de justiça na terra tornada nova como era no início. A esperança da promessa de Deus aos pais era a esperança da vinda do Senhor para ressuscitar os mortos, e assim dar a herança".8

 
Notas finais:                                                            

1) Ellen G. White, “Nos Lugares Celestiais”, pág.  51;
2) Ellet J. Wagoner, “Waggoner  sobre Romanos,” pág. 81;
3) Alonzo T. Jones, Review and Herald, de 3 de janeiro de 1899; Jones e Wagsoner, “Lições de Fé”, pág. 19;
4) Idem, pág. 108;
5) Ellet J. Wagoner, “Waggoner  sobre Romanos,” pág. 84;
6) Ellet J. Wagoner, Boas Novas”, um estudo verso por verso de Gálatas, pág. 72, edição CFI (2016); Gal. 3:29;
7) Ellet J. Wagoner, “Waggoner  sobre Romanos,” pág. 88;
8) Idem, págs. 86, 87.
 
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Notas:                                                                    

O vídeo do pastor Paul Penno, em inglês, desta lição está na Internet em: https://youtu.be/x_hffE_NaD0

Esta lição, em ingles, está na Internet em: http://1888message.org/sst.htm

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Biografia da autora, Anna Walper

A irmã Ana Walper é uma adventista dedicada à pesquisa bíblica e às atividades da igreja. Atualmente ela é diretora dos departamentos de liberdade religiosa; escola sabatina; saúde e temperança, e é coordenadora de uma das unidades evangelizadoras da escola sabatina. É também ativa instrutora bíblica. Profissionalmente é enfermeira padrão, e durante as férias escolares ela trabalha como enfermeira voluntária em acampamentos da juventude adventista nos estados de Tenneessee e Kentucky nos EUA. Ela é também escritora independente já por 16 anos em jornais de sua cidade sobre as boas novas de Cristo e Sua Justiça.

Atenção: Asteriscos (*) indicam acréscimos do tradutor.
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Lição 5 — A fé de Abraão, por Paul Penno



Para 28 de out. a 4 de nov. 2017

O evangelho de "—tudo que você tem que fazer é crer" e Deus vai ajustar as suas contas no céu, é "graça barata" que torna sem efeito a lei de Deus. O evangelho de "—confiar e obedecer" é "legalismo" e elimina a lei de Deus também. O apóstolo Paulo é totalmente contra a abolição da lei de Deus. Ele escreve: "Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei" (Rom. 3:31). Então, como devemos entender a relação entre a fé e a lei? 
Através dos séculos, os cristãos têm lutado com a salvação guardando a lei ou crendo. A histórica idéia católico-romana era que a salvação é pela graça que é recebida pelo participante da santa ceia através dos sacramentos da Igreja, o que, por sua vez, permite que ele preste a Deus obras aceitáveis, a fim de que os pecados sejam perdoados. A lei de Deus, e o sábado em particular, eram de pouca importância. A descoberta de Lutero da justificação pela fé foi o começo de uma restauração do amor de Deus para os pecadores, perdoando os pecados constantes de seu registro (*nos livros do céu). Distinta da justificação pela fé foi a busca de viver para Deus, mas a verdade do sábado e da lei de Deus eram de importância secundária.
O que Ellen White ouviu da mensagem de 1888 foi o perfeito casamento entre a justificação pela fé e a lei de Deus.1 Em outras palavras, a justificação pela fé é a experiência de ver o crucificado Salvador, e apreciar o fato de que "se Um morreu por todos, logo todos morreram" (2ª Cor. 5:14), ou seja, todos estariam mortos se Alguém (*Cristo) não tivesse morrido por todos. Esse eficaz dom do maravilhoso perdão de Deus em Cristo é dado ao pecador e reconcilia o coração de um inimigo de Deus, para que a alma receba a expiação.
Disto resulta que não se pode ser reconciliado com Deus sem se reconciliar com a Sua santa lei. "Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei” (Rom. 3:31). Portanto, se nós somos reconciliados com Deus, deveremos ter prazer em obedecer a todos os Seus dez mandamentos, incluindo o quarto. Sim, vamos obedecer o sétimo também, a justificação pela fé cura alienados corações feridos no casamento.
Paulo fornece duas ilustrações da justificação pela fé do Antigo Testamento. "O nosso pai Abraão" foi um gentio (*pagão), quando Deus proclamou a cruz para ele (Gálatas 3:8). O amor abnegado de Deus, de auto-doação, venceu o coração de Abraão, e ele “creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça" (Rom. 4:3). Aquele que pretende ser "justificado pelas obras" supre a justiça em que se gloria, mas todas essas obras auto-motivadas nada são "diante de Deus." É a fé que é ativada pelo Ágape criador de Deus que conta como justiça, e não há egocentrismo envolvido nela.
Quando alguém é motivado pelo interesse próprio, trabalha por salários (*a serem) auferidos, mas a graça não pode ser conquistada. Graça é dom de Deus aos pecadores. A fé genuína é centrada na cruz, onde o pecador se identifica com Cristo. Deus justifica o ímpio só a partir de dentro para fora. Isto é o que Paulo quer dizer quando ele escreve, "sua fé lhe é imputada como justiça" (vs. 5).2
A segunda ilustração de Paulo da justificação pela fé é David. A “bem-aventurança" de David tem duas partes: a imputação da justiça de Deus, e o perdão dos pecados (vs. 6 e 7). David escreveu da abençoada experiência de Deus remover seus pecados (Salmo 32:1, 2). Igualmente importante é a felicidade pessoal de Deus em tornar alguém justo (v. 8).
"A falsa visão de justificação pela fé declara que a justiça verdadeira deve sempre ser imputada vicariamente (*indiretamente), que nunca pode ser realmente transmitida. Qual é a diferença? Uma senhora veste um casaco de pele de leopardo, mas nunca é uma parte dela, é delegada, imputada. O leopardo usa um casaco de pele de leopardo, como parte de si mesmo. A visão falsa diz que o pecado nunca pode ser erradicado (*da vida de uma pessoa) até que nós vejamos o Senhor nas nuvens do céu e Ele nos transforme. Mas a Bíblia ensina que a justiça imputada vicária deve e irá também se tornar justiça compartilhada.3
Assim é que, a fé, motivada por Ágape, estabelece a lei. "Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça" (Rom. 4:16). O dom da cruz é o sentido último (*máximo) da expiação, que é perfeita harmonia com a lei de Deus.
A lei, divorciada da graça, provoca a inimizade natural nascida do coração. Essa inimizade é rebeldia, que visa acabar com o pecado (3:15). Qualquer conceito de justificação pela fé, que não consegue lidar com a inimizade do coração é antinomianismo (*aversão à lei). Se a justificação pela fé é um assentimento mental de uma operação (*contábil) no livro do céu, anos-luz de distância do crente, pela qual Deus ajusta as contas de alguém no céu, sem haver reconciliação do coração, é uma volta ao redor da cruz. Se o egocentrismo não é crucificado com Cristo, a lei é anulada.
Deus não nos pede que guardemos os Seus mandamentos a fim de sermos salvos. Seu amor nos constrange a crer em Suas promessas – o concerto eterno. O evangelho de Paulo proíbe toda e qualquer possibilidade de "justiça" “pela lei" (Gal. 3:21). "As promessas de Deus" foram dadas a Abraão 430 anos antes de seus descendentes receberam os Dez Mandamentos escritos em tábuas de pedra (Gal. 3:17). O propósito de Deus em dar a lei foi apresentar uma descrição perfeita da justiça. Mas os que são motivados pelo medo são "guardados debaixo da lei", presos por um oficial correcional, para que a lei possa conduzi-los "para aquela fé que se havia de manifestar" (Gal. 3: 23).
Paulo não está escrevendo sobre a sequência histórica dos judeus do Sinai à cruz, mas a respeito da função da lei, por força do Espírito Santo, de convencer o coração "do pecado e da justiça" (João 16:8). "Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes" (Gal. 3:22).
A “fé de Jesus" é a fonte da nossa fé nEle. É o fato dEle tomar o nosso "eu" (*nossa natureza caída) e negá-lo continuamente durante Sua vida terrena, culminando em Sua cruz. Seu último ato de fé, foi quando pendurado na cruz, abandonado por Deus, Ele levou nossa maldição da segunda morte e ainda proclamou a Sua fé, "Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito: e, havendo dito isso, expirou" (Lucas 23:46). Sua fé ligou o pecador ao Pai através do abismo, e isto é a expiação.
Nós apreciamos a "fé de Jesus" e "cremos" nEle. Experimentamos a reconciliação do coração a Deus, que está em perfeita harmonia com a Sua lei de amor manifestada na obediência a todos os Seus mandamentos.

--Paul E. Penno


Notas do Autor:

1) "Em Sua grande misericórdia, enviou Senhor uma mui preciosa mensagem a Seu povo por intermédio dos Pastores Waggoner e Jones. Esta mensagem devia pôr, de maneira mais preeminente diante do mundo, o Salvador crucificado, o sacrifício pelos pecados de todo o mundo. Apresentava a justificação pela fé no Fiador; convidava o povo para receber a justiça de Cristo, que se manifesta na obediência a todos os mandamentos de Deus" (Testemunhos Para Ministros, págs. 91 e 92, grifamos).
2) "O último versículo do terceiro capítulo de Romanos nos diz que, pela fé, nós estabelecemos a lei. Além disso, o próprio termo" justificação" mostra que a fé cumpre a exigência da lei. Fé torna o homem um obediente à lei, pois esse é o significado do termo "justificação pela fé" (E. J. Waggoner, "Estudos em Romanos. A bênção de Abraão," The Signs of the Times, de 13 de fevereiro de 1896, pág. 2).
3) Robert J. Wieland, Dial Daily Bread ( de 14 de fevereiro, 1998).

Nota do tradutor:
Não devemos esperar obter quaisquer boas obras por nós próprios. Temos tentando, mas já falhamos e sabemos que continuaremos a falhar. Ouça, nunca haverá qualquer coisa boa em nós, de qualquer tipo, de agora até o fim do mundo, exceto se forem ali criadas pelo próprio Criador, por Sua Palavra, que tem nela energia criadora. Não se esqueça disso. Se desejamos andar em boas obra isso somente se realizará se formos criados em Cristo Jesus para aquelas boas obras, Efésios 2: 10. Paremos de tentar. Olhemos para o Criador e recebamos a Sua palavra criadora. "Que a Palavra de Cristo habite em vós abundantemente" (Col. 3:16), então aquelas boas obras aparecerão. Ele lhe diz que somos "feitura dEle, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Efésios 2:10).  Então reconheçamos as boas obras que são criadas em nós, não dando nenhuma atenção a qualquer obra que não seja ali criada, porque nada há bom a não ser o que é criado pelo Senhor. Veja que o verbo está no tempo presente, "somos feitura dEle". Somos criados em CRISTO JESUS para as boas obras. ... Creiamos no Senhor. Ele fala de perdão. Ele fala de um coração limpo. Ele fala de santidade; Ele a cria. Permitamos que Ele a crie em nós, ... permitamos que a palavra criadora opere em nós aquilo que a Palavra profere,
Na criação: “Deus falou e tudo se fez”, não demorou nem uma fração de segundos entre Deus ter falado e a coisa acontecer. A palavra criadora de Deus teve cumprimento imediato. Deus fala e a Sua palavra se cumpre ato contínuo. A palavra de Deus diz: “Cria em mim um coração puro” (Salmo 51:11). Quando nós cremos na criadora Palavra de Deus, Ela se cumpre de imediato em nós, criando o principio da coisa falada em nossa vida e “Aquele que começou boa obra em nós há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fil. 1:6).
Quando Jesus disse ao leproso: “Fica limpo”, houve criação imediata completa, pois a palavra criadora de Deus se cumpriu imediatamente de maneira completa. Não houve necessidade de o leproso entrar em um processo de tratamento de cura; a palavra criara a cura imediata e completa.
A Palavra de Deus diz: ”perdoados estão os teus pecados”. Quando cremos na criadora Palavra de Deus, somos perdoados imediata e completamente. Não há necessidade de sermos perdoados continuamente por aquele mesmo pecado, a não ser que não confiemos na Palavra de Deus que diz: “vai e não peques mais”. “Sede perfeitos”, “sede santos”.
Na vida cristã tudo depende da palavra de DEUS. A palavra de DEUS nos impede de pecar. "Quanto ao trato dos homens, pela palavra dos Teus lábios eu me guardarei das veredas do destruidor" (Salmo 17: 4). "Escondi a Tua palavra no meu coração, para não pecar contra Ti” (Salmo 119: 11). Esta é a "forma" determinada por DEUS para a vitória sobre o pecado.
"Ele é poderoso para vos guardar de tropeçar" (Judas 1: 24). "Eu  te sustento com a destra de Minha justiça" (Isaías 41: 10). "Poderoso é Deus para o firmar" (Romanos 14: 4). "Porque a palavra de DEUS é viva e eficaz" (Hebreus 4: 12).   
Justificação pela fé, portanto, é justificação que vem pela palavra de DEUS. "Justificados [tornados jus­tos], pela fé [por esperar e depender somente da Palavra de Deus], tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5: 1). “Mediante a fé estais guardados na virtude de Deus" (1ª Pedro 1: 5). Confiemos nessa palavra, dependamos dela e descobriremos o seu poder mantenedor.
A ‘fé de Jesus’, remove as montanhas de dificuldade de controlar o nosso ego!  E, assim cumprir-se-á na Terra )Apocalipse 14.12).
Ao sermos cristãos verdadeiros, aprenderemos e confiaremos correta e devidamente que a Palavra do Senhor tem poder de criar justiça – perfeita obediência à Lei de Deus. Lembremo-nos de que o inimigo de Deus afirma que nos é impossível vencer perfeitamente e está acusando nosso Pai de injusto, por estar aguardando perfeita vitória sobre o mal; de mentiroso, por afirmar que nos é possível; e de falho, por ter feito uma lei muito além de nossa capacidade.
Então, é por amor ao Pai que buscamos a VITÓRIA perfeita – a justiça de Cristo pela fé, isto é, ‘a terceira mensagem angélica’! Essas calúnias satânicas devem ser anuladas, irrefutavelmente! Busquemos, pois, alcançar essa vitória pela fé, tendo ‘fome e sede’ dela! E o coração de nosso querido Pai vai se encher de alegria!
Esta nota foi elaborada com base em um sermão sobre as três mensagens angélicas, a justificação pela fé no poder criador da palavra de Deus, estando em nós, e operando por, e, mediante nós, como DEUS CONOSCO, intitulado "Está Escrito", proferido pelo pastor Alonzo T. Jones, um dos dois mensageiros de 1888, em 21 de fevereiro de 1899.



Lição 5 — A fé de Abraão, por Jerry Finneman



Para 28/10 a 4/11/2017

A justificação faz referência à lei moral de Deus. Justificação é o oposto de condenação. Condenação vem por causa da incredulidade (João 3:18), que é o pecado, a transgressão da lei de justiça de Deus (Romanos 14:23).
Ninguém pode ser justificado pela guarda da lei, nem é uma pessoa justificada sem a guardá-la. Nós somos justificados, a fim de guardá-la. Nós não usamos a lei como um meio de justificação, nem usaremos a justificação pela fé para nos livrarmos da lei.
Em Romanos 3:31, Paulo pergunta e responde à questão da relação entre a justificação pela fé e a lei: "Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes estabelecemos a lei." A lei não é anulada pela fé. A justificação pela fé sempre defende a lei. Como Waggoner explica: "Justificação estabelece a lei no coração. Justificação é a lei encarnada em Cristo, posta dentro do homem, por isso é encarnada no homem" (E. J. Waggoner," Boletim da Conferência Geral", de 12/03/1891, pág. 85).
A versão Novo Século (2005), traduz Romanos 3:31 desta maneira: "Então, destruímos a lei por seguir o caminho da fé? Não! A fé nos faz ser o que a lei verdadeiramente quer."
Ellen White escreveu que a mensagem enviada do céu através de Waggoner e Jones, “apresentava a justificação pela fé no Fiador; convidava o povo para receber a justiça de Cristo, que se manifesta na obediência a todos os mandamentos de Deus" (E. White, Testemunhos para Ministros, págs. 91 e 92).
A doutrina bíblica da justificação pela fé sempre faz da pessoa um cumpridor da lei. Depois que um pecador é justificado pela fé em Cristo, a justa lei de Deus permanece como testemunha de sua justificação, Salmo 119:172 e Romanos 3:21. Esta lei testifica a favor do pecador que crê no Tribunal Supremo do universo. Por outro lado, qualquer pessoa que viola a lei de Deus nunca pode ser justificada.
A cruz, a lei e a Justificação
Tanto a justificação como a lei foram ampliadas com a morte de Cristo no Calvário. Nossas transgressões da lei colocaram Cristo na cruz. Sua obediência até à morte de cruz (Filipenses 2:8), é o meio pelo qual nós somos justificados (Romanos 5:19).
A morte de Cristo não é importante para nós apenas por causa dos nossos pecados, mas também importante para nossa justificação. Além disso, a cruz exalta a lei de Deus. A cruz era necessária para magnificar tanto a justificação como a lei. Isso é o que faz o Calvário tão importante.
Justificação e a lei se encontraram no Calvário. Tanto a justificação e a lei foram magnificadas sobre a cruz. A obediência de Cristo até a morte é a nossa justificação (Filipenses 2:8; Romanos 5:19, 5:9). Ela é recebida pessoalmente pela fé em Cristo (Romanos 5:1). Na Sua morte na cruz, Jesus exauriu a pena que era contra nós, enquanto, ao mesmo tempo, Ele exaltou a lei, mostrando que Deus não mudou e não poderia mudar sua lei para salvar Jesus, nosso Representante e Substituto, de sua pena.
Ilustrações de Justificação pela Fé extraídas da experiência de Abraão e Davi.
Em Romanos 4:1-8 estes dois personagens do Antigo Testamento, um mentiroso e o outro adúltero e assassino, são utilizados para ilustrar a justificação de Deus, que segue as condições de arrependimento para com Deus e a fé em Cristo e Sua justiça.
Abraão mentiu duas vezes sobre Sara. Ele disse para Sara falar ao faraó do Egito, que ela era sua irmã. Esta meia-verdade foi um encobrimento da verdade que ela era de fato sua esposa! (Gênesis 12:10-20). Esta mentira levou Sara ser tomada por Faraó como uma concubina. Abraão cometeu esse mesmo pecado mais uma vez em Canaã, com o Rei Abimeleque (Gênesis 20). Deus teve de intervir em ambos os casos, para salvar os reis de consequências terríveis.
E depois também, a Abraão foi prometido que ele seria "pai de muitas nações" (Romanos 4:17). No entanto, a fim de ser pai de muitas nações, Abraão precisava primeiro ser pai de uma criança. Embora Deus tenha feito a promessa de um filho a ele, ele achou que teria que ajudar a Deus em cumprir Sua promessa. Com o tempo, Abraão se arrependeu e, finalmente, creu em Deus.
A outra pessoa do Velho Testamento usada para ilustrar a justificação pela fé é Davi. Davi foi um adúltero e um assassino. Ele, também, foi levado a um profundo arrependimento de seus pecados e a crer em Cristo por justiça.
Observe o que Deus disse a Salomão sobre Davi depois que este morreu: "Se andares nos Meus caminhos, guardando os Meus estatutos e os Meus mandamentos, como andou David teu pai, também prolongarei os teus dias" (1º Reis 3:14). Em seguida, a Jeroboão, Deus disse: "Meu servo David ... guardou os Meus mandamentos e ... e andou após Mim com todo o seu coração para fazer somente o que era reto aos Meus olhos" (1º Reis 14:8). Depois de Abraão e Davi se arrependerem e crerem em Deus, Ele os tratou como se nunca tivessem pecado. Depois que creram do fundo do coração, Deus não mencionou nenhuma palavra sobre os seus terríveis pecados. Isto, então, nos leva a uma forma simples mas eficaz de lembrar o que justificação e lei são, do ponto de vista de Deus. Justificado: Assim como se eu nunca tivesse pecado. Assim como se eu sempre tivesse crido. É como se eu sempre obedecesse.
Como acontece com David e Abraão, quando nos arrependemos e cremos, Deus olha para nós como se nunca tivéssemos pecado. Ele nos vê como se tivéssemos sempre obedecido! Ele diz a você: "Eu, Eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados não Me lembro” (Isaías 43:25). Então ele escreve Sua lei sobre o coração justificado e a mente, trazendo assim justificação e a lei em conjunto na experiência do crente.

Jerry Finneman


O irmão Geraldo L. Finneman é um pastor adventista, já tendo atuado nos estados de Michigan, Pensilvânia e Califórnia nos EUA. Ele prepara materiais para encontros evangelísticos, incorporados com os conceitos de Boas-Novas, da Mensagem de 1888, de Justificação pela fé. Além de pastor da IASD ele também já foi presidente do Comitê de Estudos da Mensagem de 1888. Já há alguns anos não me encontro com ele, mas, me parece que, devido à idade, está para, ou, já se aposentou, mas ouvi dizer que continua trabalhando por boa parte do dia, atualmente na área de Battle Creek, a cidade que abrigava a antiga sede da igreja. Há um excelente livro escrito por ele, "Christ in the Psalms” [Cristo nos Salmos], infelizmente não está traduzido para o português.

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