quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Lição 7 — Honestidade para com Deus, por Paulo E. Penno



Para  10 a 17 de fevereiro de 2018


Existe uma palavra melhor do que “mordomia” ao descrever nossa relação para com Jesus em Sua obra de proclamar o evangelho “a toda criatura”? A mensagem de 1888 nos ajuda a ver a alegria da comunhão com Jesus em dar e servir ao mundo.
Destacando-se como a contribuição mais significativa da mensagem de 1888 é: a motivação para se dar e servir a Cristo. Por que nós guardamos o sábado, devolvemos nosso dízimo, trabalhamos como missionários, etc.? Porque queremos ser salvos. Não queremos nos perder; queremos ir para o céu. Ideia muito boa, mas se a questão nunca ultrapassa isso, vem a ser a raiz do legalismo. Toda motivação própria é “debaixo da lei”, velho concerto, e certamente falhará na crise final. Grande parte do nosso evangelismo público baseia-se nesse apelo egocêntrico, o que estaria bem numa compreensão infantil.
Mas a Bíblia fala frequentemente de um processo de crescimento. Efésios 4 diz que devemos crescer para que não sejamos mais meninos, ... antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo nAquele que é a cabeça, Cristo.” De fato, devemos chegar “a uma [pessoa madura], à medida da estatura completa de Cristo” (v. 14, 15, 13).]
A mensagem de 1888 nos aponta para uma nova motivação que esquecemos: um interesse por Jesus, pelo qual Ele receba Sua recompensa, para que seja coroado Rei dos reis (não que nós “usaremos uma coroa na casa do nosso Pai”, como diz o cântico), que honremos a Ele, que este fardo de tristeza que Ele sente por um mundo que se aprofunda no sofrimento possa ser reerguido, que Ele veja a luta de Sua alma e fique satisfeito.
Esta nova motivação é gerada em nossos corações pecaminosos, mundanos, egoístas pela introdução de algo que a Bíblia chama de Ágape (Romanos 5: 8). Esta é também uma ideia fundamental da mensagem de 1888. É um conceito de amor muito diferente do que os seres humanos normalmente assimilam, ou que as Igrejas Protestantes e Católica Romana em geral entendem. É um conceito de amor de acordo com a ideia bíblica da não-imortalidade da alma.
Aqueles que acreditam na imortalidade natural acham impossível compreender o comprimento, a largura, a profundidade e a altura desta ideia bíblica de Ágape. Ellen White deixa claro em sua própria abordagem simples que este conceito de Ágape é hoje unicamente ministrado a partir do lugar Santíssimo do Santuário Celestial. Portanto, esta é uma ideia tranquilizadora do evangelho de que é possível para as pessoas proclamarem àqueles quem não entendem a natureza do homem ou o ministério do Sumo Sacerdote no segundo compartimento desde 1844.1 Envolve a proclamação do Cordeiro de Deus e Sua cruz em um realismo de alta fidelidade nunca compreendido claramente pelos adventistas do sétimo dia e pelo próprio mundo.
O elemento importante da mensagem de 1888 que merece nosso estudo cuidadoso é a relação entre a obra final de expiação de Cristo na purificação do santuário celestial e a verdade bíblica da justificação pela fé.
A visão bíblica da justificação pela fé traz um refrigério diferente da visão tão comum. A mensagem de 1888 vê a justificação pela fé como experiencial; isto é, em si mesma é uma mudança de coração. Quando uma pessoa é justificada pela fé, é reconciliada com Deus e, ao mesmo tempo, está de fato reconciliada com a santa lei de Deus. Alegremente Ellen White disse que esta mensagem de justificação pela fé “é manifestada em obediência a todos os mandamentos de Deus”.2
Isto foi o que a fez feliz em ouvir, porque ela disse que não ouviu nada parecido com o apresentado publicamente nos 45 anos anteriores. Felizmente, isso é justificação pela fé — não minimiza a santificação. Tenha em mente que ela declara que esta é “a mensagem do terceiro anjo em verdade”.3 Este é um chamado sério para que possamos estudar, aprender, compreender. O que frequentemente dizemos que é santificação, é na realidade a experiência da justificação pela fé.
Existe uma linda progressão lógica da verdade nesta mensagem de 1888. Segue o pensamento de que a justificação pela fé deve repousar em algum fundamento mais forte do que os sentimentos ou obras do crente, ou mesmo a escolha de crer. Efésios 2 claramente diz que somos salvos "pela graça ... por meio da fé" (vs. 8). Onde foi manifestada essa graça? Tito 2: 11-14 diz que quando Cristo "Se deu a Si mesmo por nós, para nos remir..." foi na cruz que a Sua graça se manifestou e o sangue dEle foi derramado pelo mundo.
É por isso que os “mensageiros” de 1888, A. T. Jones e E. J. Waggoner, viram que, no sentido puramente legal ou objetivo, o mundo inteiro foi justificado na cruz. A justificação pela fé não pode ser uma realidade pessoal sem apreciar o que Cristo realizou através do Seu sacrifício. Ellen White viu essa verdade como um elemento da luz que ainda irá iluminar a terra com a sua glória (*Apoc. 18;1).

Paul E. Penno
_____________________________________

Notas Finais:                                  

1) Ellen G. White, Primeiros Escritos, págs. 55, 56.
2) Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, pág. 92.
3) Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, livro 1, pá. 372; Review and Herald, de 1º de Abril de 1890.
_____________________________________

Notas:                                                               

Veja, em inglês, o vídeo desta 7ª lição do 1º trimestre de 2018, exposta pelo Pr. Paulo Penno, na internet, no sitio: https://youtu.be/jVT_ypKUrsY
Esta lição em inglês está na internet no sitio: 1888message.org/sst.htm
_____________________________________

Biografia do autor, Pastor Paulo Penno:
Paulo Penno foi pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Foi ordenado ao ministério há 42 anos e jubilado em junho de 2016, Após o curso de teologia fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente preparou uma Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia.” (Este livro postamos, por inteiro, no nosso blog Ágape Edições (agape-edicoes.blogspot.com) em 1º de agosto de 2017). Ao longo dos anos o Pr. Paulo Penno, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de justificação pela fé segundo a serva do Senhor nos apresenta em livros como Caminho a Cristo, DTN, etc. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Ele foi o principal orador do seminário “Elias, convertendo corações”, nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, realizado na igreja adventista Valley Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.
  
    Atenção, asteriscos (*…) indicam acréscimos do tradutor.
­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­
_____________________________________

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Lição 6 — Marcas de um mordomo, por Arlene Hill



Para 3 a 10 de fevereiro de 2018 

A soberania de Deus significa que Ele possui tudo. Os seres humanos só têm como custódia o que Deus propiciou. A característica principal dos mordomos é que entendem claramente isso e agem segundo isso. Este é um conceito simples, mas o orgulho humano o perverteu quase além de reconhecimento para a maioria das pessoas que vive hoje. Independentemente do que pensemos da soberania de Deus, Ele é soberano e nossas percepções não mudam isso. Podemos entender a Deus em algum nível, mas temos que recorrer à Sua palavra e deixar nossas ideias preconcebidas sobre Ele.  
É fácil cair na armadilha egocêntrica que naturalmente se apresenta aos seres humanos. Sempre queremos possuir, seja coisas materiais ou intangíveis tal como poder e influência. Esforçar-se por ter qualquer coisa pertencente a este mundo nos leva ao ponto em que os dons de Deus agora tomam o lugar de Deus. A marca de um bom mordomo é que ele ou ela nunca esquece que nada pode tomar o lugar de Deus.
"Jesus disse aos Seus discípulos: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-Me. Porque ... quem perder a vida por amor de Mim, achá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa de sua alma?" (Mateus 16: 24-26). É aí que a maioria dos descrentes erra; pensam que têm algo a oferecer em troca de suas almas.
O que significa carregar nossa cruz? Muitos pensam que a nossa cruz consiste nas várias tribulações que nos sobrevêm. Frequentemente, ouvimos os pais suspirando que a sua cruz é algo que seu filho ou filha está ou não está fazendo. Isso desnecessariamente causa a culpa da criança, porque se torna mais sobre o pai controlando o comportamento do filho ou filha. Na realidade, foi-nos dito "tende grande gozo" (*Tiago 1:2) quando as provações nos acometem, é a maneira de como Deus refina o nosso caráter. Talvez Deus esteja tentando ensinar aos pais que eles somente receberam a supervisão da criança, e Ele cuidará de Seus filhos no Seu caminho e tempo. Nossa cruz é a mesma que Jesus teve. Ele disse: "Na verdade, na verdade, vos digo, que o Filho por Si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não o vir fazer o Pai; porque tudo quanto Ele faz, o Filho o faz igualmente" (João 5:19). Nossa cruz, como a da cruz de Jesus, consiste em dar tudo a Deus sem reservas.
A pessoa que perdeu completamente a confiança na carne, na conquista de coisas deste mundo, entende o que significa ser pobre, como Jesus usava essa palavra. Os abençoados que têm o Reino de Deus são aqueles que se desapegaram de tudo e vieram a compreender que não podem possuir nada. Eles se tornam como um mendigo comum, que aceitou o fato de que ele ou ela não tem esperança de possuir coisa alguma. Que lugar maravilhoso de se estar, onde Jesus prometeu suprir todas as nossas necessidades. Mordomia significa que você não deve ser o comandante sobre o que é mordomo. Seu único trabalho é proteger, cuidar e gerenciar de forma responsável o que recebeu.
Isso se aplica às lições que Deus nos deu e nos ensinou no passado. A responsabilidade mais importante que um mordomo possa ter é receber uma mensagem do evangelho que seja "mui preciosa", como nossa Igreja recebeu "por intermádio dos pastores Waggoner e Jones".1 Nós alteramos, ignoramos ou desprezamos tal mensagem com perigo para as nossas almas, especialmente para aqueles que tiveram a oportunidade especial de estudar a mensagem de justificação pela fé dada a nossa igreja em 1888. Isso foi há muitos anos, ainda assim, ouvimos pessoas que mal entendem a mensagem e discutem se a devemos estudar.

Tiago pergunta: "De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerream? ... Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (4: 1, 4).
Em nossa querida Igreja, ainda há muitas pessoas sinceras que estão em conflito com a mensagem da justificação pela fé, e discutem sobre o que é, muitas vezes sem um estudo adequado. Tiago diz que a fonte dessas brigas e conflitos são vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam”
No versículo 4, ele conta o que estes "prazeres" podem ser. O adultério só pode ser cometido por pessoas casadas. Se você não é casado, pode cometer fornicação, mas não adultério. Tiago está tentando dizer aos crentes que se tornaram parte da noiva de Cristo, e qualquer amizade com o mundo é deslealdade e infidelidade para com o marido. Uma esposa que não aprecia seu relacionamento com seu marido, Cristo, está cometendo adultério espiritual.
Uma citação da lição da semana passada também é apropriada para esta semana: "O mordomo identifica-se com o patrão. Aceita as responsabilidades de um mordomo, e age em lugar do dono da casa, fazendo o que ele faria se estivesse presidindo. Os interesses do senhor se tornam seus. A posição do mordomo é de dignidade, porque o patrão confia nele. Se, de algum modo, ele atua egoísticamente, e reverte em proveito próprio as vantagens obtidas pela negociação com os bens de seu senhor, trai a confiança nele depositada.” Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, vol. 9, pág. 246."2
As pessoas que querem ser a noiva de Cristo, "morreram todas em Cristo". Waggoner explica isso: "Agora vemos como é que estamos mortos para a lei. Morremos em Cristo e fomos criados nEle. Agora que a união com Cristo foi efetuada, servimos em novidade de espírito e não na velhice da lei. No casamento, a mulher deve se sujeitar ao marido. Portanto, quando estávamos unidos ao pecado, estávamos em todas as coisas sujeitos ao pecado. Por um tempo, era serviço voluntário; mas quando vimos o Senhor, e fomos atraídos a Ele, o serviço tornou-se irritante. Tentamos guardar a lei de Deus, mas estávamos presos e não podíamos. Mas agora estamos livres. O pecado já não nos impede, e nosso serviço é liberdade. Prestamos a Cristo todo o serviço que a lei exige de nós. Realizamos esse serviço por causa da perfeita união entre nós. Sua vida é nossa, já que fomos criados somente pelo poder de Sua vida. Portanto, nossa obediência é simplesmente Sua lealdade e fidelidade por nós ".3
As marcas de um mordomo são lealdade, fidelidade, confiabilidade e obediência; tudo o que é impossível sem a morte para si mesmo e ressurreição em Cristo. Nosso Noivo, Jesus, demonstrou todos esses traços em relação à Sua igreja e Ele nos dará os mesmos traços se estivermos dispostos a recebê-los.
--Arlene Hill
_____________________________________

Notas finais:                                                                                               

1)Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, pág. 91.
2) Guia de estudos das lições da Escola Sabatina deste trimestre, edição do professor, pág. 56
3) Ellet J. Waggoner, Waggoner sobre Romanos, Glad Tidings ed. (Edição Boas Novas,1997), págs. 119, 120.
_____________________________________
Notas:                                                               
Veja, em inglês, o vídeo desta 6ª lição do 1º trimestre de 2018, exposta pelo Pr. Paulo Penno, na internet, no sitio: https://youtu.be/0_nSpNRSrBE
Esta lição em inglês está na internet no sitio: 1888message.org/sst.htm
_____________________________________

Biografia da autora:

A irmã Arlene Hill é uma advogada aposentada da Califórnia, EUA. Ela agora mora na cidade de Reno, estado de Nevada, onde é professora da Escola Sabatina na igreja adventista local. Ela foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, que se realizou na sua igreja em maio de 2010, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada no endereço: 7125 Weest 4th Street, Reno, Nevada, USA, Telefone  001 XX (775) 327-4545; 001 XX (775) 322-9642. Ela também foi oradora do seminário “Elias, convertendo corações”, realizado nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, na igreja adventista Valley Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919 Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia, telefone: +001 XX 760-749-9524

Nota: Asteriscos (*) indicam acréscimos feitos pelo tradutor.
_____________________________________

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Lição 5 — Mordomos após o Édem, por Paulo Penno



Para 27 de janeiro a 3 de fevereiro de 2018 

Devemos começar a fazer as perguntas certas no momento certo. E o momento certo é o tempo da purificação do santuário celestial, enquanto nosso grande Sumo Sacerdote está completando Sua obra de expiação final. Cristo deve realizar uma obra única na história humana, desde que o pecado começou. Embora nenhum filho de Deus jamais reivindique ter vencido todo o pecado e, embora seja igualmente verdade que não podemos julgar qualquer indivíduo presente ou passado (exceto Cristo) que tenha vencido como Ele venceu, isso não significa que o ministério de Cristo no Santíssimo do Santuário não conseguirá alcançar tais resultados. No entanto, ainda que muito no passado ou no presente que não tenhamos conseguido vencer, dizer que ser impossível vencer o pecado através da fé no Redentor é realmente justificar e encorajar o pecado e permanecer do lado do grande inimigo.
Nossa lição diz: “Nós somos mordomos de coisas que não entendemos completamente. . . . Nossa maior administração é viver ‘como servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus’ (1 Coríntios 4: 1, NKJV).1 Bem, é hora de crescer e “fazer . . . entender completamente” nossa administração “dos mistérios de Deus”.
As perguntas corretas a serem feitas são: é o sacrifício de Cristo como Cordeiro de Deus e é o Seu ministério como grande Sumo Sacerdote, poderoso o suficiente para salvar o Seu povo de (não em) seus pecados? Ele é realmente capaz de salvar ao máximo [completamente] aqueles que vêm a Deus por Ele? Haverá de ser verdadeiramente bem sucedido “como fundidor e purificador de prata . . . purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; então ao Senhor trarão oferta em justiça” (Mal 3: 3)?
Se o Senhor quiser, Ele pode criar “uma coisa nova sobre a terra”, diz Jeremias (31:22); e o que Ele quer realizar é a preparação de um povo para a segunda vinda de Cristo. Quando Cristo vier pela segunda vez, encontrará um povo de quem pode ser dito honestamente: “Aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (Apocalipse 14:12)? Pela primeira vez na história humana, este anúncio divino é feito. Tais são “os mistérios de Deus”.
Dizer que esses santos realmente não guardam os mandamentos, mas Deus finge que o fazem, é violar o contexto das mensagens dos três anjos. O céu declara que essas pessoas são “virgens.   .  . . Eles . . . seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá . . . Na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus” (Apocalipse 14: 4, 5). Sabemos que eles  são pecadores por natureza, “porque todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). Mas para que esse pronunciamento tenha sentido, a fé de Jesus funcionou, e eles devem ter deixado de continuar pecando. Venceram assim como Cristo venceu (Apocalipse 3:21). Tentar inserir esse vislumbre profético para pessoas que venceram no futuro pós-Segundo Advento é violar completamente o contexto. É claro a partir de Apocalipse 15: 2 que este mesmo grupo obteve a vitória antes do fim da terminação da graça para a humanidade.
As gerações anteriores nunca conseguiram entender claramente a verdade da perfeição cristã sem cair nos erros do perfeccionismo, pelo fato de que a hora da purificação do santuário celestial ainda não havia chegado. No entanto, quando chegamos aos “dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas seus servos” (Apocalipse 10: 7).
Aqui está a contribuição especial que os adventistas do sétimo dia devem fazer para a conclusão da grande Reforma e o cumprimento da comissão do evangelho. Deve haver uma união da verdade da purificação do santuário celestial e da verdade da justificação pela fé. E é aqui que começamos a sentir o significado real da mensagem de 1888 como o Senhor enviou a Seu povo.
A mensagem de 1888 era uma esperança gloriosa, livre tanto do fanatismo quanto dos erros do perfeccionismo. Ambos os “mensageiros” (A. T. Jones e E. J. Wagoner), desde o início da era de 1888, eram claros e enfáticos de que a vida sem pecado é possível, “o mistério de Deus”, que o povo de Deus pode vencer assim como Cristo venceu e que a chave para esta gloriosa possibilidade reside na fé de Seu povo no ministério do Sumo Sacerdote no Santíssimo.
As primeiras três frases de Waggoner no livro “Cristo e Sua Justiça” resumem bem seu conceito de vida sem pecado. Eles são a semente de uma verdade que cresceu em um poderoso carvalho: “No primeiro verso do terceiro capítulo de Hebreus, temos uma exortação que compreende todas as injunções dadas ao cristão. É isto: “Por isso, santos irmãos, participantes do chamado celestial, considere o Apóstolo e Sumo Sacerdote de nossa profissão, Cristo Jesus. ‘Para fazer isso como a Bíblia exige, considerar Cristo de forma contínua e inteligente, tal como Ele é, transformará uma pessoa em um cristão perfeito, pois “por contemplarmos somos trnsformados” (*2ª Cor. 3:18).2
Construído de forma segura no conceito de justificação de Lutero pela fé, Jones e Waggoner juntos estabeleceram três elementos essenciais da singularidade das mensagens dos três anjos. Aqui é onde a mensagem de 1888 vai mais longe do que os reformadores do século XVI puderam ir em seus dias:
Primeiro, o crente é chamado a “considerar a Cristo Jesus o . . . Sumo Sacerdote de nossa confissão” (*Heb. 3:1) em Sua obra de purificação do santuário no Antitípico Dia da Expiação que começou em 1844.
Em segundo lugar, considerar Cristo de forma contínua e inteligente, tal como Ele é, é considerar o verdadeiro ensinamento do Novo Testamento que o Seu papel como Substituto e Exemplo exigiu que Ele tomasse a natureza do homem caído, na semelhança da carne pecaminosa sendo, portanto, capaz para socorrer os que são tentados.
Em terceiro lugar, a fé num Salvador e Sumo Sacerdote transformará uma pessoa num cristão perfeito. Waggoner usou a palavra transformar. Não somente o crente verdadeiro será contado ou legalmente considerado assim; ele se tornará um cristão perfeito pela fé.
Somos advertidos pelo apóstolo Paulo: “Guardando o mistério da fé numa consciência pura.  . . . E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus Se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória”(1ª Timóteo 3: 9, 16). Certamente, “uma consciência pura” indica a perfeição do caráter cristão. O amor perfeito é o mistério da piedade. Mas falta o verdadeiro Amor por Cristo. É por isso que, claro, a piedade real em Laodiceia também está faltando.
Então, quando Ellen White ouviu esta mensagem, ela reconheceu nela o poder e a força do evangelho que prepararia o povo de Deus para permanecer com um caráter puro no dia da segunda vinda de Cristo. Seriam um testemunho vivo para Deus durante a hora da crise. Eles seriam parte dos 144.000 a serem trasladados sem ver a morte em Seu retorno. Seriam um testamento vivo do poder de Deus para a salvação do pecado. Vivendo em carne pecaminosa, tentada, provada e aflita, o mistério da piedade seria revelado neles - “Cristo em vós, a esperança da glória” (*Col. 1:27).
--Paul E. Penno
_____________________________________
Notas finais:                                                   
1) Guia de estudos deste trimestre,

2) Boas Novas, pág. 7, edição de 1999.
_____________________________________
Notas:                                                               
Veja, em inglês, o vídeo desta 5ª lição do 1º trimestre de 2018, exposta pelo Pr. Paulo Penno, na internet, no sitio: https://youtu.be/STPwUDgsMIc

Esta lição em inglês está na internet no sitio: 1888message.org/sst.htm

_____________________________________
Biografia do autor, Pastor Paulo Penno:
Paulo Penno foi pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Foi ordenado ao ministério há 42 anos e jubilado em junho de 2016, Após o curso de teologia fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente preparou uma Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia.” (Este livro postamos, por inteiro, em Ágape Edições (agape-edicoes.blogspot.com) em 1º de agosto de 2017). Ao longo dos anos o Pr. Paulo Penno, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de justificação pela fé segundo a serva do Senhor nos apresenta em livros como Caminho a Cristo, DTN, etc. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Ele foi o principal orador do seminário “Elias, convertendo corações”, nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, realizado na igreja adventista Valley Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.
   
Atenção, asteriscos (*…) indicam acréscimos do tradutor.
­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­_____________________________________