quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Lição 1 – A Natureza de Deus: base da expiação.

INTRODUÇÃO

"Expiação" é uma palavra teológica que espanta algumas pessoas; não é usada em conversa cotidiana costumeira. Significa "reconciliação".

Mas "reconciliação" é também uma palavra bastante longa para conversas do dia-a-dia. Para ser "em um" é a idéia; mas significa ser "em um" depois de haver separação de coração devido a hostilidade.

Em nosso caso, a inimizade é totalmente nossa; Deus nunca cessou de ser “um" conosco em coração. O Pai "amou o mundo de tal maneira que deu Seu único Filho gerado... ," E desde então foi "um" conosco.

Você dirá, "Mas nós somos pecaminosos, em pensamento, em palavra, e em ato! Como pode Deus ser 'um' conosco antes de nós tornarmos 'um' com Ele pela conversão"?

A resposta: porque o divino Filho de Deus tomou todos os nossos pecados sobre Si, e suportou a dor da culpa do mundo inteiro ("Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo"! diz João batista; John 1:29).

Vamos pesquisar o que João diz:

O Filho de Deus fez algo pelo mundo que é muito além do que meramente fazer uma oferta ao mundo (*Deus não está dizendo para nós: "—Eu farei isso ou aquilo SE você primeiramente fizer algo... !"). Não; o Filho de Deus tomou sobre Si o pecado do mundo inteiro e já suportou sua culpa total, que O matou. O que Ele fez o fez unicamente por iniciativa própria.

Não há nenhuma maneira que possamos entender o sentido disto exceto compreendendo que Cristo deu, não meramente ofereceu, a cada pecador o que a Bíblia diz ser um "veredicto judicial de absolvição" do pecado. Paulo conta a história em Romanos tão claramente que é como um feixe de luz do sol num quarto escuro:

"Porque todos igualmente pecaram, e estão destituídos da glória de Deus; e todos são justificados gratuitamente pela Sua graça somente, através do Seu ato de redenção na pessoa de Cristo Jesus. Pois Deus o designou para ser o meio de expiar o pecado pela Sua morte...”1

"O ato da graça de Deus é fora de toda proporção (*com) a injustiça de Adão. Porque se a injustiça deste homem trouxe morte sobre tantos, seu efeito é vastamente excedido pela graça de Deus e o presente que veio a tantos pela graça de um Homem, Jesus Cristo. E outra vez, o dom de Deus [não Sua mera oferta!] não é para ser comparado, em seu efeito, com aquele pecado do homem; pois a ação judicial, seguindo a ofensa [de Adão] resultou numa sentença de condenação, mas o ato da graça, seguindo por tantos delitos, resultou numa decisão de absolvição. ...

"Segue então, que, como o resultado de um delito foi condenação para todas as pessoas, então o resultado de um ato justo é absolvição e vida para todos" (Romanos 5:15-21, REB2).

[Nota: desde que o mundo começou, houve apenas um único "ato justo," a dádiva de Si mesmo pelo sacrifício de Jesus]!

Mas uma pergunta perturba a muitos: se acreditarmos no que Paulo diz, que Cristo deu a cada homem esse "veredicto judicial de absolvição," não irão os pecadores tirar vantagem dele e continuar pecando muito mais? Não é o temor do inferno um método saudável para fazer as pessoas pararem de pecar?

Pode parecer que sim; mas só porque o Velho Concerto lida com a motivação do temor. As pessoas que tentam guardar os mandamentos do Deus porque são motivadas pelo temor são o que a Bíblia chama (*como estando) "sob a lei," mas não "sob a graça". A motivação de temor pode produzir uma mudança temporária de reforma de prática de vida; mas esta motivação de temor do Velho Concerto, nunca poderá preparar um povo para estar pronto para a trasladação na segunda vinda de Jesus, quando "o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz do arcanjo, e com a trombeta de Deus e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens a encontrar o Senhor nos ares" (I Tess. 4:16, 17). Uma melhor motivação do que o temor deve ser encontrada!

E qual é a "limitação" do amor (Ágape) de Cristo que torna impossível para a pessoa que aprecia esse amor e o que custou ao Filho de Deus para salva-lo, continuar a viver para si? Por que ele "doravante" é "restringido" ou motivado para viver para Aquele que morreu por ele e ressuscitou outra vez? (veja II Cor 5:14, 15).

Não é um "peso" servir o Senhor Jesus! Nenhum sacrifício por Ele é "penoso" (veja I João 5:3).

A "verdade presente" (*é uma) Boa nova? (Veja II Peter 1:12, para essa expressão).

Ao redor do mundo em cada nação e cultura das pessoas, o Espírito Santo está agora preparando um "remanescente" que tem vencido a velha motivação egocêntrica de justiça própria, e recebido nos seus corações alegremente a nova motivação da graça.

Quem são eles? São as pessoas simbolizadas pela história dos "144.000" que, pela graça de Deus, neles "não se achou engano," que "seguem o Cordeiro [o Cristo crucificado] para onde quer que vai" (veja Apoc. 14:1-5).

Há lugar entre eles para você e para mim?

Sim, por esta incomparável graça de nosso Salvador, Jesus Cristo! Sejamos agradecidos que a porta da graça ainda não se fechou..

Robert J. Wieland

Tradução e acréscimos, marcados com asteriscos, de João Soares da Silveira;

Notas do tradutor:

1) Romanos 3: 23 a 25;

2) O Pr Wieland usou aqui a versão Revised English Bible (REB) (Bíblia Revisada Inglesa) que é de 1989, uma atualização da versão New English Bible (Nova Bíblia Inglesa) de 1970, ambas publicadas pela imprensa das universidades de Oxford e Cambridge. Sugerimos que você a compare com uma versão Almeida, de preferência a Almeida Corrigida e Revisada Fiel, da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil (Adquira uma. Peça a mais completa, que vem com referência, concordância e mapas. Fone: 0800 12 4008).

Lição 1 – A Natureza de Deus: base da expiação

COMENTÁRIOS

O autor destas lições teve bom "objetivo" ao escrever estas lições—para que possamos ser conduzidos a "um compromisso maior" para com Aquele que fez tanto por nós.

Neste tempo da purificação do santuário celestial, o objetivo do Senhor é que Seu povo torne-se plenamente reconciliado com Ele de modo que estejam prontos para trasladação na segunda vinda de Jesus.

Ele quer vir logo, por várias razões:

(1) Seu amor por Sua igreja é o de um Noivo que anseia a vinda do dia do casamento. Qualquer noivo humano estaria profundamente constrangido se sua noiva continuasse adiando o casamento.

(2) Foi da vontade do divino Noivo que "o casamento do Cordeiro" (*Apoc. 19:7) tivesse ocorrido no ano de 1888.

(3) Este é o real significado da nossa “história de 1888 ". E não era somente que esta pequena igreja Adventista do Sétimo Dia devia conhecer o destino glorioso da proclamação da mensagem. Muitos dos fieis seguidores do Senhor estavam dispersos no vasto número das igrejas guardadoras do domingo; a "mui preciosa mensagem " que o Senhor "nós" enviou na era de 1888 os teria acordado e sacudido1. A "terra" teria sido "iluminada" com a glória da mensagem de justificação (*Apoc. 18:1). "O que talvez teria ocorrido" merece alguma reflexão e reconstrução cuidadosa em nossas mentes. Nós não queremos cometer o mesmo erro outra vez!

(4) Não mais iriam os sinceros cristãos guardadores do domingo afirmar que os adventistas pregam "a lei, a lei, mas não pregam Cristo"; eles teriam sido chocados ao deparar com as belas verdades de justificação que o Senhor os deu na mensagem 1888.

(5) De acordo com a profecia, no livro de Apocalipse (18:1-4), mesmo hindus e budistas teriam se maravilhado ao entender como Cristo comprou o karma2 do mundo inteiro; uma avenida de luz teria sido aberta no coração destas religiões Orientais (há corações sinceros ali).

(6) A "mente" do mundo está, por natureza, em "inimizade" com Deus; mas a idéia de 1888 de justificação é, em si, um ministério de reconciliação. Lemos que "Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo" (II Cor. 5:19).

(7) Mas esse maravilhoso trabalho de reconciliação foi realizado (ou devia ter sido) pela simples proclamação da nova idéia original de justificação que o Senhor deu a Alonzo T. Jones e a Ellet. J. Waggoner para proclamar.

(8) O coração de Jesus ansiava que esses sinceros cristãos guardadores do domingo tivessem suas mentes totalmente mudadas a respeito dos adventistas do sétimo dia!

(9) Não só estava "Deus em Cristo, reconciliando o mundo consigo," mas Paulo diz que Ele "pôs em nós a palavra da reconciliação" (II Cor. 5:19).

(10) Não desde que os santos anjos proclamaram nas planícies de Belém suas “boas novas de grande alegria, que será para todo o povo” (Lucas 2:10), teve qualquer mensageiro, anjo, ou homens, palavras tão alegres para proclamar.

(11) Este simples "divertimento" que nossos queridos irmãos de há 120 anos perderam foi um prejuízo catastrófico para eles. (Não se pasme porque eu disse que fazer o trabalho do Senhor é "divertimento", essa é a melhor palavra moderna (*em inglês “fun”) para descrevê-lo se o seu coração está reconciliado com Ele)!

(12) Esta alegria não está retirada do mundo desta geração; peçamos simplesmente que o querido Senhor nos conceda "fome e sede de justiça" (Mat. 5:6); o Senhor será deleitado em concedê-lo, porque Ele escolheu como especialmente "abençoados" esses que o têm.

Robert J. Wieland

Tradução e acréscimos, marcados com asteriscos, de João Soares da Silveira

Notas do tradutor:

1) Veja Testemunhos Para Ministros, págs. 91 em diante.

2) Karma, ou carma no induísmo e no budismo era a totalidade das ações de uma pessoa durante a sua existência... Posteriormente foi adotada também pela Teosofia, espiritismo e Nova Era para expressar um conjunto de ações dos homens e suas conseqüências.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

INTRODUÇÃO AO TEMA DA EXPIAÇÃO

Ágape o Alicerce da Expiação.

Glorioso tema para este novo trimestre–A Doutrina da Expiação,

A Introdução do nosso guia de estudos (no meio da pág. 2), nos diz:

”A doutrina bíblica da expiação está fundamentada no amor de Deus pelas criaturas pecaminosas e rebeldes.”

No original grego a palavra para amor é “Ágape (= Amor altruísta, abnegado, infinito, desinteressado, incondicional, essencial, etc...) A própria essência de Deus.

A seguir lhes passo, à guisa de INTRODUÇÃO AO TEMA DO TRIMESTRE um artigo escrito pelo pastor Robert J. Wieland, autor de inúmeros livros. Ele foi consultor editorial adventista do sétimo dia para toda a África e foi missionário em Nairobe e Kenia quando escreveu este artigo. Ele deu sua vida pela África.


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A Palavra que Alvoroçou o Mundo


Como pôde uma palavra transformar milhões de pessoas no mundo, em elementos desejosos de morrer por suas convicções, e mudar outros milhões de indivíduos em sanguinários perseguidores, ansiosos por erradicar aqueles que creram no poder desta palavra?



“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver Ágape,serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

“Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé a ponto de transportar montes, se não tiver Ágape, nada serei.

“E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres, e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver ágape, nada disso me aproveitará” (1ª Cor. 13: 1-3).

“Amados, ... Ágape vem de Deus. Todo aquele que ama (com Ágape) é um filho de Deus e conhece a Deus, porque Deus é Ágape. E Deus mostrou Seu Ágape para conosco enviando Seu único Filho ao mundo, para que tenhamos vida por meio dEle. Isto é o que Ágape é: não é que nós tenhamos amado a Deus, mas que Ele amou-nos e enviou Seu Filho para ser o meio pelo qual nossos pecados são perdoados...

“Deus é Ágape, e aquele que permanece em Ágape vive em união com Deus e Deus vive em união com ele. ‘Agape é aperfeiçoado em nós a fim de que nós tenhamos confiança no dia do julgamento... Não há medo no Ágape; antes o perfeito Ágape lança fora o medo. Assim, portanto, Ágape não é aperfeiçoado em ninguém que tenha medo, porque o medo está relacionado com punição.

“Nós amamos (com Ágape) porque Ele nos amou primeiro” (1ª João 4: 7-19).

“Oro para que vocês possam estar alicerçados e fundados em Ágape.... Sim, possam vocês vir a conhecer o Seu Ágape, – embora ele não possa ser completamente conhecido – e ser completamente cheio da própria natureza de Deus” (Efésios 3: 17-19)

Ágape, A Palavra que Alvoroçou o Mundo.

O mundo foi uma vez poderosamente sacudido por um grupo de homens da Palestina, que traziam notícias corporificadas em uma, talvez, obscura palavra. Seus aterrorizados inimigos em Tessalônica (uma cidade hoje localizada na atual Grécia) confessaram o impacto desta pregação: Estes homens que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui” (Atos 17:6). Eles eram os inflamados mensageiros, apóstolos de Cristo, especialmente Paulo e seu colega João.

A palavra que provocou esta grande façanha era pouco conhecida no mundo greco-romano—o termo grego Ágape. Significava “amor”; mas trouxe um forte impacto espiritual que subjugou a mente de multidões, polarizando a humanidade em dois campos, um a favor e outro contra a idéia. Aqueles que eram a favor foram transformados, da noite para o dia, em precipitados alegres seguidores de Jesus, prontos a perder propriedades, ir presos, ou mesmo morrerem torturados por causa dEle. Aqueles catalisados contra ela (idéia), com a mesma velocidade tornaram-se cruéis, sequiosos e sanguinários perseguidores daqueles que viam luz no novo conceito de amor. Ninguém que ouviu as novas sobre Ágape podia ficar neutro.

O misterioso explosivo nesta bomba espiritual foi uma radicalmente diferente idéia de amor, daquela que foi sonhada pelos filósofos e professores de ética do mundo, uma nova invenção que pegou de surpresa amigos e inimigos. Não é que os antigos não tivessem nenhuma idéia da palavra amor. Eles falavam dela plenamente. Em verdade, os gregos tinham quatro2 palavras para amor (as línguas modernas, como o português, geralmente têm somente uma). Mas o tipo de amor que veio a ser expresso pela palavra Ágape impiedosamente expôs todas as outras idéias de amor como negação do amor, ou como o oposto do amor.

De repente a humanidade deu-se conta de que o que eles estavam chamando de amor, era, na verdade, egoística adoração. A psicologia humana foi despida pela nova revelação. Se você acolheu alegremente a revolução espiritual, você revestiu-se com Ágape, mas se ela o fez enraivecer, despindo-o da sua capa de piedade, tornou-o um irado contra a nova fé. E ninguém podia voltar o relógio atrás, porque Ágape era uma idéia para a qual a plenitude do tempo chegara.

Quando João pegou a sua pena para escrever a famosa equação “Deus é amor” (1ª João 4:8), ele teve que escolher entre as diversas palavras gregas que descreviam amor. A comum, diariamente usada —eros— foi violentamente rechaçada por si mesma. Algo misterioso e poderoso, eros era a fonte de toda a vida. Foi levada como que pela enxurrada de uma represa estourada, sobre todos os obstáculos dos desejos e sabedoria humanos, uma onda de emoção comum a toda a humanidade. Se uma mãe amava seu filho, seu amor era eros, nobre e puro. Igualmente, também, o amor dependente de uma criança por seus pais e o mutuo amor de amigos entre si. Posteriormente, o mútuo amor de um homem e uma mulher foi um profundo mistério para se entender.

É Deus eros? Perguntavam os antigos pagãos, —Sim! respondiam os filósofos, incluído o grande Platão, porque eros é mais forte do que a vontade humana. Produz o milagre de bebês. Faz famílias e amizades. E existe, naturalmente em todos. Portanto deve ser a centelha da divindade.

Para os antigos, amor era quase o mesmo que é para nós hoje: “o doce mistério da vida”, o elixir que torna possível suportar uma existência de outro modo intolerável. Platão esperou transformar o mundo com uma espécie de amor que ele considerava “divino eros”. Palavras derivadas de eros hoje têm um exclusivo significado sexual, mas Platão tentou tirar o mundo para fora desta armadilha através de uma idéia espiritualmente enlevante, algo nobre e inspirador. Era baseado em elevar-se mais alto, saindo do lamaçal da mera sensualidade física, sendo atraído para um bem melhor para a alma.

Mas João não poderia deixar-se levar pela idéia de escrever que Deus é eros. Ele deixou perplexos os pensadores de seus dias ao dizer que Deus é Ágape. E entre estas duas idéias de amor estende-se um grande abismo, maior do que a distância entre o oriente e o ocidente.

A idéia do apóstolo era revolucionária em, pelo menos, três modos:

1º. Se alguém ama com Ágape, ele tem “confiança no dia do juízo” (1ª João 4:17). Sem ele alguém mergulha em terror quando confrontado com o julgamento final; com Ágape, ele caminha sem temor, na presença de Deus passando por todos os Seus santos anjos, completamente franco e confiante.

2º. No amor (Ágape) não há temor, antes o perfeito amor (Ágape) lança fora o temor; porque o temor está relacionado com punição, e o que teme não é perfeito em amor (Ágape).” (v.18). Medo com sua acessória ansiedade é a essência da existência humana em todas as eras. Medo muito profundo para se entender pode tornar-nos doentes, corroendo a essência da alma, até que os órgãos físicos enfraqueçam na sua resistência à doença. Anos podem passar antes que possamos ver ou sentir a doença, mas afinal o órgão mais fraco do corpo cede, e médicos entram em ação para tentar concertar o que Ágape teria prevenido.

3º. Cada sublime alvo ético e moral da humanidade, nada é sem Ágape, diz Paulo no seu famoso capítulo 13 de 1ª Coríntios. Alguém pode “falar as línguas dos homens e dos anjos”, “ter poderes proféticos, e conhecer todos os mistérios e toda a ciência”, ter “fé a ponto de remover montanhas”, “distribuir tudo o que tenho, e ... entregar o corpo para ser queimado” e ainda não ter o mais importante ingrediente: Ágape. Ele termina “nada sendo”. E Ágape tem uma qualidade fenomenal de suportar “todas as coisas” pois Ágape nunca acaba”.

Como Ágape se diferenciou tanto da idéia comum de amor? Como a idéia dos apóstolos poderia ser uma ameaça para o nobre conceito de Platão? A resposta é encontrada em vários nítidos contrastes entre as duas idéias:

A) O amor humano normal é dependente da beleza e bondade do seu objeto. Nós naturalmente escolhemos aqueles que são bons para nós, que nos agradam. Apaixonamos-nos com o nosso oposto sexual que seja bonito, feliz, inteligente e atrativo, e nos afastamos do feio, vil, ignorante, ou ofensivo.

Em contraste, Ágape não é despertado por beleza e bondade do seu objeto. Mantêm-se em pé sozinho, soberano, independente. Os antigos tinham uma lenda que ilustrava o mais sublime conceito de amor que possuíam. Admeto era um jovem rei, bonito, com todas as qualidades pessoais de excelência. Ele contraiu uma doença que o oráculo dos deuses sentenciou que seria fatal, a menos que alguém pudesse ser encontrado que morresse em seu lugar. Seus amigos foram de um a outro, inquirindo, “estaria você desejoso de morrer por Admeto?” Todos concordaram que ele era um maravilhoso jovem, mas, “desculpem, nós não poderíamos morrer por ele.” A seus pais foi perguntado e eles disseram, “Oh, nós amamos nosso filho, mas desculpem, nós não poderíamos morrer por ele.” Finalmente os seus amigos perguntaram à linda jovem Alceste, que o amara, “Sim,” ela disse, “porque ele é um homem tão bom, e porque o mundo necessita tanto dele, estou pronta a morrer por ele!”

Gritaram os filósofos: “Isto é amor – pronto a morrer por um bom homem!” Imagine o choque que eles levaram quando os apóstolos vieram e disseram que aquilo não era amor de maneira alguma. Alguém com dificuldade morrerá por um homem justo – entretanto, talvez, por um bom homem alguém ousará até mesmo morrer. Mas Deus mostra seu amor (Ágape) por nós, em que, quando nós éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós, “enquanto nós éramos inimigos” (Rom. 5: 7, 8, 10).

Uma mensagem como esta ou torna a sua alma cativa, ou lhe torna num implacável inimigo.

B) O natural amor humano baseia-se no senso de necessidade.3 Sente-se, pobre e vazio em si mesmo e necessita de um objeto para enriquecer a própria vida. Um esposo ama sua esposa porque necessita dela, e a esposa ama seu esposo pela mesma razão. Dois amigos amam um ao outro porque necessitam um do outro. Cada um sente-se vazio e sozinho sem seu companheiro.

Infinitamente rico em si mesmo, Ágape de nada necessita. Os apóstolos disseram que a razão pela qual Deus nos ama, não é porque Ele precisa de nós, mas porque, – bem, Ele é Ágape, “você conhece a graça do nosso senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que por sua pobreza vos tornásseis ricos”. (2ª Cor. 8: 9). Até hoje estamos confusos com a idéia de um amor que “não busca os seus interesses” (1ª Cor. 13: 5). Até mesmo igrejas parecem atraídas, quase irresistivelmente, para representar o amor de Deus como buscando interesses próprios, uma motivação inspirada por um instinto de aquisição divina. Supõe-se que Deus viu um valor oculto em nós, e Ele estava simplesmente fazendo um bom negócio quando nos comprou.

Nos assemelhamos ao que adoramos, portanto multidões professam adorar tal Deus porque eles também estão à busca de um bom negócio. A religião deles é a alma da ganância—o que eles querem adquirir é o céu e as suas recompensas—e um motivo centralizado em si mesmos é o que os mantém avançando. Quando Ágape penetra neste ambiente a reação é quase igual à que aconteceu quando adentrou no mundo antigo.

C) O amor natural humano baseia-se em um sentido de valor. Muitos africanos continuam seguindo o antigo sistema de noiva-preço, o qual, sinceramente, reflete as mais sutis bases de todas as nossas outras culturas também. O total do preço da noiva a ser pago é proporcional à despesa de educação que os pais da jovem investiram nela. Umas poucas vacas são suficientes para uma jovem que apenas sabe rabiscar o seu nome; elevadíssimos dotes são exigidos por jovens que freqüentaram as universidades de Oxford ou Cambridge. Nós, também avaliamos uns aos outros. Poucos tratam o lixeiro cortes e atenciosamente como tratamos uma elevada autoridade. Se, como a água que procura o seu próprio nível, “amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais?” Jesus pergunta (Mat. 5: 46, 47). “Os homens te louvarão quando fizeres o bem a ti mesmo” (Salmo 49: 18).

Em contraste, Ágape é agradavelmente diferente. Ao invés de ser dependente do valor do Seu objeto, Ele cria valores no Seu objeto.

Suponhamos que eu tenha uma pedra bruta em minha mão. Eu a peguei num campo. Se eu tentar vendê-la ninguém me daria nem mesmo um centavo por ela. Isto não é porque a pedra é em si mesma ruim, mas porque ela é tão comum que não tem valor.

Mas, suponhamos que enquanto eu seguro esta pedra bruta em meus braços, eu pudesse amá-la como uma mãe ama o seu bebê. E suponha que meu amor pudesse funcionar como alquimia e transformá-la em uma peça de ouro puro. Eu estaria rico.

Isto é uma ilustração do que Ágape faz por nós. De nós mesmos não valemos nada mais do que o duvidoso valor químico dos ingredientes de nosso corpo. Mas o amor de Deus nos transforma em um valor equivalente ao do Seu próprio Filho: “Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir” (Isaias 13: 12).

Sem dúvida que você conheceu algum exemplo de trapos humanos que foram transformados em pessoas de infinito valor. João Newton (1725-1807) foi um desses. Ele era um marinheiro que negociava com o tráfico de escravos africanos. Tornou-se um bêbado miserável, que caiu vítima do povo que ele tentou escravizar. Com o tempo Ágape tocou seu coração. Largou seu vil negócio, e transformou-se em um honroso mensageiro de boas novas. Milhões lembram-se dele pelo seu hino que mostra o “fino ouro” em que ele se transformou:

“Oh, graça excelsa de Jesus!

Perdido, me encontrou!

Estando cego, me fez ver;

Da morte me livrou!

A graça libertou-me assim,

E meu temor levou.

Oh! quão preciosa é para mim

A hora em que me achou.5

D) O amor natural humano vai em busca de Deus. Todas as religiões pagãs são baseadas na idéia de Deus como sendo tão impalpável como a cura para o câncer. As pessoas imaginam que Deus está brincando de esconde-esconde e ocultou-Se dos seres humanos. Apenas alguns são suficientemente sábios e inteligentes para descobrir onde Ele Se escondeu. Milhares vão em longas caminhadas para Meca, Roma, Jerusalém, ou outros santuários, em busca dEle. Os antigos gregos sobrepujaram a todos nós na construção de magnificentes templos de mármore nos quais eles achavam que deveriam procurar a Deus.

Outra vez, Ágape demonstra ser o oposto. Não são humanos procurando Deus, mas Deus procurando o homem: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Luc. 19: 10). O pastor deixou as 99 ovelhas que estavam seguras e arriscou sua vida para achar a que estava perdida; a mulher ascende uma candeia e procura em sua casa até achar a moeda perdida; o Espírito de Deus procura pelo coração do filho pródigo e o traz de volta à casa. Não há, em toda a Bíblia, nenhuma história de uma ovelha perdida, da qual se exige que vá em busca do pastor.

Paulo estava obcecado com esta grande idéia: “Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo.) Ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo.) Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos” (Rom. 10: 6-8).

A “palavra da fé” é tão intimamente relacionada com Ágape como a face do tipo gráfico o é à matriz de fundição. Fé é a resposta de um coração humano contrito a esta tremenda revelação do Ágape; e a ênfase de Paulo é que esta tremenda “palavra está perto de você.” É a evidência de que Deus já lhe procurou aonde você se escondeu. O Bom Pastor está sempre em safári nos “caçando”.

E) Nosso amor humano está sempre procurando subir cada vez mais alto. Cada aluno do primeiro ano quer passar para o segundo; um menino de onze anos diz que em breve terá doze. Ninguém que procure emprego quer demissão ao invés de promoção. O político estadual sonha em fazer parte dos bastidores federais, e, possivelmente, cada senador, alguma vez, sonhou com a idéia de chegar à presidência.

Quem alguma vez ouviu de um presidente voluntariamente renunciar a fim de se tornar um cidadão comum? A Idéia de Platão sobre o amor nunca poderia imaginar tal coisa. Nem mesmo nós o poderíamos.

O que tornou sóbrio o mundo antigo estava à vista de Alguém mais importante do que um presidente descendo cada vez mais baixo, até que Ele, voluntariamente submeteu-Se à torturante e lacerante morte de um criminoso. No que é, provavelmente, um resumo da passagem favorita de Paulo, Fil. 2:5-8, podemos rastrear sete distintos passos descendentes que Cristo tomou mostrando-nos o que é Ágape:

1º) Embora “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação o ser igual a Deus”. Quando nós atingimos altas posições em política, negócios, ou até mesmo na igreja, é da nossa natureza preocuparmo-nos em não cair. “Preocupada torna-se a cabeça que tem uma coroa”. Mas o Filho de Deus abdicou de Sua coroa, voluntariamente, motivado por Ágape.

2º) Ele "esvasiou-Se, ou “Se fez sem reputação”. Nós humanos lutaremos até à morte para manter nossa honra ou nossa reputação. E destemidos feitos de valor nem sempre são o mesmo que “esvaziar-Se,” como Cristo fez, pois alguém pode dar seu “corpo para ser queimado”, e ainda não ter Ágape. Quando Paulo disse que Cristo esvaziou-Se,” ele estava falando a respeito de uma voluntária entrega de Si mesmo pela eternidade de tudo que tinha valor para Si, algo completamente impossível fora de Ágape.

3º) Ele tomou “a forma de Servo [escravo]”. Pode você imaginar uma mais desanimadora vida, do que sempre ser forçado a trabalhar sem salários e agradecimentos? Anjos são chamados de servos, “espíritos ministradores” enviados para nos servir (Heb. 1: 14); Se o filho de Deus Se tornasse como um deles, isto teria sido uma grande condescendência da Sua parte, porque Ele era o Comandante deles. Mas Ele desceu ainda mais baixo;

4º) Ele “nasceu semelhante aos homens”, “inferior aos anjos” (veja Sal. 8: 5). Não o coroado sol, com esplendor majestoso com que Gênesis diz ter Adão sido criado, mas no nível degradante do homem caído, na degradação do abismo humano, comum ao mundo greco-romano. Nenhum ser humano caiu jamais tão baixo, mas o Filho de Deus veio à profundidade suficiente para alcançá-lo. E uma vez que permitamos este Ágape achar guarida em nossos corações, todos hesitantes traços de espírito, que fazem nos considerarmos mais santos do que os outros, se dissolvem na presença dEle, e nós também descobrimos ser possível atingir os corações de outros.

5º) “E achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo”. Em outras palavras, Ele não nasceu em berço de ouro, quer no palácio de César ou de Herodes. Ele nasceu em um mal cheiroso abrigo de gado, e Sua mãe foi forçada a enrolar seu pequenino em trapos e a deitá-Lo em uma manjedoura. Sua vida tornou-se a de um camponês fatigante. Mas isto não foi suficiente:

6º) “Sendo obediente até à morte”. Esta marcante frase significa algo diferente do que o pulo suicida de um louco no escuro. Nenhum suicida é, jamais, “obediente até à morte”. Se ele fosse, ele ou ela, iria aguardar e encarar a realidade. O suicida é desobediente. O tipo de morte à qual Cristo foi “obediente”, não foi uma fuga da responsabilidade. Não foi como Sócrates bebendo a sua cicuta. Foi uma jornada para o inferno: a viva condenação da consciência de cada célula de um ser, tudo sob o presumido ou compreendido olhar de Deus. O sétimo condescendente degrau que Ele tomou torna isto mais claro;

7º) “E morte de cruz”. Nos dias de Jesus, a morte de cruz era a mais humilhante e desesperante possível. Não somente era ela a mais cruel jamais inventada, não unicamente a mais vergonhosa — sendo amarrado despido ante à escarnecedora turba que olhava sua agonia com alegria. A morte na cruz carregava um intrínseco horror mais profundo do que tudo isto. Significava que o céu te amaldiçoou.

O respeitável escritor antigo, Moisés, tinha declarado que qualquer um que morre “no madeiro é maldito de Deus” (Deut. 21:23). E, sem dúvida, todo mundo cria nisto. Se um criminoso condenado fosse sentenciado para ser morto com uma espada ou mesmo queimado vivo, ele poderia, ainda assim, orar e confiar que Deus o perdoaria, e olharia para ele amavelmente. Ele podia sentir algum suporte em sua morte.

Mas se o juiz dissesse, “você tem que morrer no madeiro”, toda esperança se esvaia. Todos achavam que Deus tivesse voltado Suas costas ao desgraçado para sempre. Eis porque Paulo diz que Cristo foi feito “maldição por nós, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gal. 3:13). O tipo de morte que Jesus morreu foi a do perdido que deveria finalmente morrer em desespero e sem esperança, o que Apocalipse chama de “a segunda morte” (*Apoc. 20:6 e 21:8). Sem dúvida foi um milhão de vezes pior para Cristo suportar do que será para eles, porque Sua sensibilidade para com o sofredor foi infinitamente maior do que para cada um de nós.

Imagine um homem crucificado numa cruz ... Multidões vêm para escarnecer dele, como nós hoje nos reunimos para um jogo de futebol. Como um velho carro danificado, que crianças apedrejam, ele é um humano descartado, abandonado para ser zombado, abusado em horror inexprimível. Você não deve sentir ou expressar simpatia por ele, porque, se você o fizer, estará em desacordo com o julgamento de Deus a respeito dele. Você está ao lado de Deus se lhe atirar ovos e tomates estragados. Assim o povo pensava.

Esta foi a morte a que Jesus tornou-Se “obediente”. No Seu desespero Ele clamou, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mat. 27: 46). Fique parado e reverente enquanto você pensa nisto. Você e eu somos os que teríamos que passar por aquilo se Ele não tivesse tomado o nosso lugar.

A idéia de Ágape tem sido apagada entre muitos professos seguidores de Cristo devido a uma noção pagã que se infiltrou na mente deles. Eu me refiro à doutrina da imortalidade natural da alma. Se não há tal coisa como a morte real, então Cristo não morreu realmente. Se Ele foi para o paraíso o dia em que Ele esteve na cruz (como muitos erroneamente crêem ao lerem uma mal colocada vírgula em Luc. 23:43), então não houve um verdadeiro esvaziamento de Si mesmo, uma morte verdadeira na cruz, o morrer equivalente à segunda morte, a qual é a grande realidade.

A doutrina da imortalidade natural da alma transforma o sacrifício de Cristo em uma fraude, um drama fingido—tolerar a ira de Deus por pecadores, quando de fato Ele era sustentado, do começo ao fim, por confiança da recompensa. Mas quando a escuridão O surpreendeu no Calvário, a luz da face de Seu Pai foi, em realidade, completamente ocultada. Seu clamor: “por que Me desamparaste?” (*Mat. 27:46; Mar. 15:34), não foi uma lamuria teatral. Isaias estava certo: “Ele derramou a Sua alma na morte” (Isaias 52:12), a saber, “a segunda morte” (Apoc. 2:11).

A infiltração desta falsa idéia do antigo paganismo começou cedo depois do tempo dos apóstolos, pois Jesus adverte a primeira das sete simbólicas igrejas de Apocalipse: “deixaste o teu primeiro amor [Ápape]” (vs. 4). Quando o inimigo de Deus viu o poder contido na idéia de amor, ele levou a primitiva igreja à apostasia neste ponto essencial. Nós podemos documentar, passo a passo, o progressivo abandono da idéia de Ágape pelos pais da igreja. Agostinho elaborou uma síntese de Ágape e (*um) amor centralizado em si mesmo que tornou-se o fundamento do catolicismo medieval. Lutero tentou restaurar Ágape ao seu lugar certo, mas, é triste dizer, seus seguidores retornaram à doutrina da imortalidade natural, e, outra vez, (*a idéia de) Ágape quase se apagou. O mundo agora está maduro para Sua chegada.

A esta altura nós podemos, possivelmente, começar a sentir o abismo que separa o amor humano de Ágape. A menos que enriquecido com Ágape, o amor humano é, realmente, egoísmo disfarçado. Mesmo o amor paternal pode ser uma mera busca do que nos interessa.

Nossa presente epidemia de infidelidade conjugal é evidência suficiente do aspecto egocêntrico do amor sexual. Frequentemente o amor de amigos, um pelo outro, é baseado em motivações egocêntricas. Em contraste, Ágapenão busca os seus interesses” e “nunca falha” (1ª Cor. 13:5 e 8).

Tendo dito tudo isto, resta ainda um contraste adicional entre o amor humano e amor de DeusO natural amor humano deseja a recompensa da imortalidade: Ágape ousa renunciá-la. Isto foi o que revolucionou todos os antigos sistemas de valores.

Deus não escreveu um artigo de enciclopédia para nós com a exposição sistemática de Ágape. Ele, entretanto enviou Seu Filho para morrer numa cruz para que possamos ver este amor. O verdadeiro sentido deste sacrifício é que ele é infinito, completo e eterno. Cristo foi ao túmulo por nós, não porque Ele o merecia, mas porque nós o merecíamos. Naquelas últimas poucas horas ao Ele estar pendurado lá nas trevas, Cristo sorveu as derradeiras fezes da taça da miséria humana4. A brilhante luz do sol na qual Ele andou quando esteve na terra se foi. Todo pensamento de recompensa fugiu de Sua mente. Deus é Ágape, e Cristo é Deus, e lá está Ele—padecendo a morte que nós merecemos. (O fato de que o Pai O chamou de volta à vida ao terceiro dia, de modo algum diminui a realidade de Seu cometimento na cruz em nosso favor).

Agora chegamos a algo perturbador. Não é suficiente que eu diga, “—Ótimo, estou feliz por Ele ter passado por isto; mas está você dizendo que eu tenho que aprender a amar com Ágape? Impossível!”

Nós pecadores, mortais centralizados em nós mesmos, podemos aprender a amar com Ágape, pois João diz: “o amor [Ágape] é de Deus; e qualquer que ama [com Ágape] é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama [com Ágape] não conhece a Deus; porque Deus é amor [Ágape](1ª João 4: 7 e 8).

Moisés é um primordial exemplo de alguém que aprendeu isto.

Um dia o Senhor deu a ele um teste. Israel quebrara o concerto ao adorar o bezerro de ouro, e Ele propôs a Moisés que Ele os exterminaria com uma “bomba-H” divina, e começaria de novo com um novo povo—os descendentes de Moisés. Moisés teve a idéia de que o pecado de Israel era tão grande desta vez para ser perdoado. A tentação de tomar o lugar de Abraão, Isaque, Jacó era muito real. Ele viu-se como em face de um Deus irado que gostava dele, mas que já estava saturado com Israel. Pareceu ser vão para Moisés implorar o perdão para Israel. Assim o que ele fez? Aceitaria a honrosa oferta e deixaria Israel perecer?

Moisés estava profundamente deprimido. Ele nunca chorou tanto em sua vida. Ouça, ao, em quebrados soluços, este mortal como nós, tentar mudar a mente de Deus:

“Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado—” Aqui Moisés para; ele não pode finalizar a sentença (Este é o único travessão em toda a versão King James!) Ele vislumbra o horror de um eterno inferno (*ou, de uma morte eterna, a segunda mote) se ele partilha a sorte de Israel. Mas ele está decidido. Ele escolhe estar perdido com eles: “... e se não, risca-me, peço-Te, do Teu livro, que tens escrito” (Êxodo 32:31 e 32).

Moisés passara no teste. Eu posso imaginar o Senhor lançando seus braços de amor em volta de Seu pesaroso servo—Ele havia achado um homem de acordo com o Seu coração.

Paulo encontrou o mesmo Ágape em Seu coração, pois ele também desejou ser amaldiçoado de Cristo por causa de seu perdido povo (Romanos 9:1-3). Cada qual que vê a cruz como ela verdadeiramente é, e crê, encontra o milagre de Ágape reproduzido em seu próprio coração. Assim é como o mundo vai ser alvoroçado novamente,Porque o amor [Ágape] de Cristo nos constrange,” que nós “não mais vivamos para [nós mesmos] mas para Aquele que morreu e ressuscitou [por nós]” (2ª Cor.5:14 e 15).

Nós perdemos a essência do Novo Testamento se não enxergarmos Ágape nele. Nós também permanecemos nas trevas sobre o que fé é, pois a fé no Novo Testamento é uma apreciação humana de coração da “largura, e comprimento, e altura, e profundidade do Ágape de Cristo” (Ef. 3:18 e 19). Não pode haver Justificação pela fé sem uma verdadeira apreciação de coração de Ágape!

Ao os apóstolos se inflamarem contando a história, a cruz se tornou o momento da verdade do mundo. Naquele luminoso fleche de revelação, cada homem viu-se julgado. A cruz tornou-se a definição final de amor; e eis aí porque a palavra Ágape alvoroçou o mundo. Deixe que ela transforme a sua vida também.

Robert Wieland6

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Tradução e acréscimos, marcados com asteriscos, de João Soares da Silveira.



Notas do tradutor:

1) Título do original em inglês: The Word That Turned The World Upside Down. (A Palavra que Virou o Mundo de Pernas para o Ar, expressão de Atos 17:6, na versão King James). Colhido da revista These Times (Estes Tempos), de Setembro de 1982

2) Em português temos apenas uma palavra para amor. Mas quatro são as palavras gregas:

Eros, philos, Ágape e storge.

Eros (ρως) é atração física, amor apaixonado, com desejo e apetite sensuais. Eros é a forma nominal, ou seja, o substantivo, o verbo é ereo. A palavra grega moderna “erotas” significa “o amor (romântico)”. Eros não é encontrado no Novo Testamento. O eros pode ser interpretado como o amor por alguém que você ama mais do que com o amor de philos, da amizade.

A philos de philia (φιλία), amizade no grego moderno, um amor virtuoso, desapaixonado, um conceito desenvolvido por Aristóteles. Inclui a lealdade aos amigos, à família, e à comunidade, e requer a virtude, a igualdade e a familiaridade. Ela é a que mais se aproxima do uso atual que fazemos da palavra amor, inclusive em termos compostos, como filantropia, amor pela humanidade, e filosofia, amor pela sabedoria. Em textos antigos, a philia denota um tipo de amor global, usado como amor entre a família, ente amigos, um desejo ou a apreciação de uma atividade, bem como ente amantes. Ágape e philia são as únicas palavras para “amor” usadas nos textos antigos do Novo Testmento.

O agápē de ágape (γάπη), no grego moderno, significa o “amor”. Antes de o Novo Testamento ser escrito esta palavra não é encontrada não é encontrada em nenhuma literatura secular, embora existisse. Na literatura bíblica, seus significados são ilustrados como auto-sacrifício, dando o amor a todos—amigos e inimigos. A forma nominal é usada por volta de 120 vezes, e a verbal, agapao, mais de 130. Exemplos: Em Mateus 22:39, “ame seu próximo como a si mesmo,” e em João 15:12, “O Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei,” e em 1ª João 4:8, “Deus é amor.” Em 2ª Timóteo 4:10 a palavra é usada em sentido negativo. “Demas me abandonou, por amo (agapao) das coisas do presente século ...” Ágape é um substantivo e não adjetivo como muitas vezes se vê na literatura cristã. É redundância dizer-se “amor Ágape”, significaria “amor, amor”. De autor desconhecido temos a definição: “Ágape é o amor por outro ser que se caracteriza pelo desejo de fazer o que é melhor para o ser amado.”

Storge (στοργή) era usada para a lealdade a um governante ou a uma nação ou até a um ídolo doméstico pagão. É o nome da divindade grega da amizade. Um excelente exemplo desse tipo de lealdade encontra-se em 2º Samuel 21:10 e 11, onde Rispa montou guarda ao lado dos corpos de seus dois filhos e outros parentes, espantando dali aves de dia e animais do campo à noite. Em duas ocorrências no Novo Testamento aprece com um prefixo negativo (a + storge) e é traduzida por “sem afeição natural” (Rom. 1:31) e “desafaiçoados” (2ª Timóteo 3:3). Há uma ocorrência no sentido positivo, num composto que combina a forma verbal com filia. Essa combinação é traduzida por “amar cordialmente”: “Amai-vos cordialmente uns aos outros” (Romanos 12:10);
3) Nós amamos a Deus porque necessitamos dEle. Deus nos ama, por isso necessita de nós;

4) Ver O Desejado de Todas as Nações, pág. 756 (757 no original);

5) Hinário Adventista nº 208;

6) O pastor Roberto Wieland, autor de inúmeros livros, foi consultor editorial adventista do sétimo dia para a África e missionário em Nairobe e Kenia quando escreveu este artigo. Ele deu sua vida pela África.


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Lição 13 – O Profeta Isaías—“Eis-me aqui, envia-me a mim”

Isaías foi grandemente abençoado com o fato de que tinha um chamado positivo, bem direto, para seu ministério profético. Ele não tinha razão para abrigar dúvidas quanto a se o Senhor o havia chamado.

Às vezes nós, nos tempos modernos, pomos em dúvida se o Senhor nos tem chamado. “Mestre, tens uma obra para mim?” é o título de um antigo hino que costumávamos cantar quando eu era criança. É um grande incentivo para um jovem ser-lhe dito, por um respeitável ancião que Deus o está chamando para algum lugar em Sua obra. Eu me recordo! Foi 75 anos atrás.

Mas o chamado do Senhor a Isaías não foi de um modo em que desejaria contar para todos, a ponto de fazerem uma festa em sua honra celebrando isso. “Viva! Isaías tem um trabalho de atuar na obra do Senhor!”

Não, o jovem profeta foi dominado por um senso de sua própria indignidade—e de modo bem penoso. Antes que pudesse apreciar o seu ministério profético tinha que reconhecer o seu ministério pastoral. Sua primeira preocupação foi com a língua—seus lábios eram “impuros.” Como poderia ministrar a palavra de Deus com lábios impuros?

Ele reconheceu que de si mesmo estava gerando algumas mensagens não-santificadas, inconscientemente mundanas, espalhando descrença e mundanismo entre o povo de Deus. “Lábios impuros”! Sentiu-se profundamente convencido do pecado básico do seu coração.

Quem dera a visão de Isaías pudesse ser compartilhada por todos nós hoje! Nenhum sermão devia ser pregado de um púlpito sagrado mediante “lábios impuros”. Nenhuma lição da Escola Sabatina devia ser ensinada por “lábios sujos”. Se confiarmos em nossa educação na faculdade ou no Seminário Teológico, muito provavelmente estaremos falando com “lábios impuros”—não que (*necessariamente) a educação em si tenha sido defeituosa, mas o fato é que o orgulho tem inconscientemente sido misturado com a nossa “educação”, que agora foi transformada num programa de obras. Desse modo nossa condição laodiceana de orgulho espiritual pode desenvolver-se. Sem o sabermos, isso ocorre inconscientemente, até que sejamos iluminados pelo Espírito Santo mediante o Seu dom do arrependimento.

Que ninguém julgue que se estivermos profundamente convencidos de nossa pecaminosidade interior, tal fato nos desqualifica para o serviço do Senhor; a experiência de Isaías no capítulo 6 nos incentiva a perceber que pelo menos somos estudantes do “seminário teológico” real de ensino do Espírito Santo: Sua convicção do pecado desce fundo até onde convencimento importa. Estas são boas novas!

A experiência de Isaías será a dos 144.000 de Apocalipse 14:1-5. Uma profunda convicção do pecado representa boas novas, porque significa que a vitória sobre o pecado está tendo lugar; aqueles que se apresentam perante o trono de Deus “sem culpa” foram grandes pecadores, convencidos pelo mesmo Espírito Santo que convenceu o jovem Isaías. Ele sentiu no íntimo o “ai de mim”! Esses 144.000 receberão a mesma convicção de pecado com gratidão de coração, e é por isso que encontraram o seu lugar de honra em Apocalipse 14!

Estas palavras, “Ai que mim! Estou perdido!” devem ser proferidas somente ao Senhor em profunda privacidade da oração secreta. Não devem ser pronunciadas apressadamente enquanto corremos para assistir à TV. E você não irá conseguir “pontos” se espera e espera sobre os joelhos até que essa convicção de pecado se torne dominante em sua consciência; o Senhor está operando em seu coração! O salmista declara, “esperei e esperei e esperei pelo Senhor, e Ele inclinou para mim e ouviu meu grito" (Salmo 40:1. No original hebraico não ocorre a expressão “com paciência”—o verbo é meramente repetido diferentes vezes). (*A Almeida fiel diz: “Esperei com paciência no SENHOR, e ele Se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”).

Você não estará “esperando” como se fosse num consultório de um médico muito ocupado agora para vê-lo; você está esperando e esperando no “consultório” do Senhor, porque o seu coração carece de ser desviado de seu natural amor pelo eu e pelo mundo.

Como pecadores, precisamos aprender a “conhecer o Senhor”, e isso leva tempo. Não o façamos com impaciência.

É tempo bem gasto!
—Robert J. Wieland

Tradução de Azenilto Guimarães Brito.
Edição e acréscimos, marcados com asteriscos, de João Soares da Silveira.



O Elias de Hoje também deve combater a Apostasia

Leia da lição de sexta-feira, 26 de setembro de 2008, o texto de Profetas e Reis, p. 320, onde a serva do Senhor diz que “As exortações do profeta [Elias] ... não foram em vão. Houve alguns que deram fervorosa atenção, e que voltaram de seus ídolos para o culto a Jeová.”

Jezabel era uma patrona zelosa da escola teológica de Baal. (Wm. Covert, “Jezebel,” The Advent Review and Sabbath Herald, de 15 de Out. de 1901, págs. 666, 667.) Israel tinha estado se movendo por sobre um século na esfera de influência religiosa de seus vizinhos ao norte—Sidon. Embora o baalismo e a promessa perpétua do concerto de Jeová fossem opostos, nos dias de Acabe a acomodação tinha se tornado completa, de tal modo que poucos podiam fazer a distinção. Jezabel era a princesa filha de Etbaal, rei de Sidon. Quando Acabe tomou-a por sua esposa não havia nenhum matiz de diferença entre a verdade e o erro, entre Jeová e Baal e nenhum protesto na terra contra esta apostasia, exceto o que lemos de Elias, pois muitos reis tinham estabelecido um precedente, a ponto de isto tornar-se prática comum.

Desde os dias do profeta Samuel, o Senhor tinha estabelecido as escolas dos profetas por toda a terra para educar as pessoas nos princípios verdadeiros da lei e do evangelho. Jezabel empreendeu uma política sistemática de exterminação dos seletos professores do Senhor e importou sacerdotes e profetas de Baal. Ela fez isto tão eficientemente que Elias pensou que ele era o único leal a Jeová que restara. Estes educadores e coadjutores, ao todo oitocentos e cinqüenta, eram sustentados pela rainha, e instalados por todo o reino. Suas atividades de re-educação solidificaram a predominância do baalismo em Israel e bem de perto sinalizou a extinção do conhecimento do Deus verdadeiro.

Em nossos dias a religião de Baal, ou do eu, não está morta de modo algum. "É tão fácil fazer um ídolo de falsas doutrinas e teorias como talhá-lo de madeira ou pedra. ... Embora numa forma diferente, idolatria existe no mundo cristão hoje tanto quanto existiu entre o antigo Israel nos dias de Elias. O deus de muitos professos sábios homens, de filósofos,... de muitas faculdades e universidades, mesmo de algumas instituições teológicas—pouco melhor é do que Baal, o deus-Sol da Fenícia. (Ellen G. White, O Grande Conflito, pág. 583).

Os ensinos predominantes de justificação pela fé do ambiente religioso contemporâneo são confirmados pela serva do Senhor. "Os preconceitos e opiniões que prevaleceram em Minneapolis não estão mortos de modo algum; as sementes semeadas lá em alguns corações estão prontas para saltar à vida e produzir uma colheita semelhante. Os topos foram cortados, mas as raízes nunca foram desarraigadas, e eles ainda suportam seu ímpio fruto para envenenar o julgamento, perverte as percepções, e cegar o entendimento dos com quem você se liga, a respeito da mensagem e mensageiros. ... A infidelidade tem estado fazendo invasões em nossos campos; pois é moda afastar-se de Cristo, e dar-se lugar ao cepticismo. Para muitos o grito do coração tem sido, 'Nós não teremos este homem reinando sobre nos'. Baal, Baal, é a escolha. A religião de muitos entre nós será a religião do Israel apostata, porque amam o próprio caminho, e abandonam o do Senhor. A religião verdadeira, a única religião da Bíblia, que ensina perdão só pelos méritos de um Salvador crucificado e ressureto, que advoga justiça pela fé do Filho de Deus, foi desprezada, combatida, zombada, e rejeitada. ... Que tipo de futuro está perante nós se falharmos em vir à unidade da fé [de 1888]?” (Ellen G. White, carta B-24 "À Conferência Geral," escrita em 1889, e que você pode ver na série de 4 volumes, publicada pela Conferência Geral em 1998: Materiais de Ellen G. White sobre 1888, vol. 1, págs. 444, 445)

Destas palavras solenes torna-se aparente que a igreja de Laodicéia permitiu Jezabel ensinar baalismo a seus filhos. A mensagem de Elias agora vem para converter os corações dos pais aos filhos, e os corações dos filhos aos pais. "Quando Elias estava aqui em pessoa, seu trabalho maior era derrotar Jezabel e seu sistema de ensino, e em seu lugar reinstalar os profetas do Senhor em seu trabalho nas escolas dos profetas. Ele está agora a fazer o mesmo bom trabalho entre os laodiceanos. A Laodicéia Acabe diz—“Segue Jezebel, minha esposa". O Senhor diz, "Ouvi vós a mensagem de Elias, e segue-Me.

A matéria acima foi adaptada do que o pastor da igreja Adventista
da cidade de Hayward, na Califórnia, EUA,
Paul Peno, comentou da lição 11.3T.07,
"Acabe e Jezabel: Abuso de Autoridade"

Tradução e edição de João Soares da Silveira.



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Hoje convivemos em nossa igreja com a NOVA TEOLOGIA

Na década de 1950 algumas modificações na nossa teologia que fora recebida através dos nossos pioneiros por estudo, oração e revelação do Esp. de Profecia, foram alteradas, por influência de dois pastores evangélicos, para evitar que a denominação fosse considerada seita.
Entre elas estavam temas como algumas questões da marca da besta. A lição da Escola Sabatina de 1958, 2º trimestre, que se propôs tratar do livro de Apocalipse, capítulo por capítulo, simplesmente omitiu o capítulo 13. Do 12 pulou para o 14. Tal foi a mudança que nenhum adventista de então aceitaria a Nova Teologia. A solução foi não se estudar tal capítulo. (Se alguém tiver ou localizar uma destas lições do 2º Trim. de 1958, apreciaria se me fornecesse uma cópia completa daquele trimestre).
Outra modificação daquela década foi na cristologia adventista, notadamente no que concerne à natureza que Cristo assumiu na encarnação. O plano da redenção está firmado no caráter de um Deus altruísta, que Se deu completamente a nós, amplamente revelado nas Escrituras: João 3:16, Rom. 8: 32, etc. Dizer-se, como passou a ser ensinado pela Nova Teologia, que o CRISTO encarnado foi isento de qualquer das paixões que corrompem os homens, ainda que esta isenção fosse a simples sombra de um único grau de imunidade, seria: apresentar-se um DEUS egoísta; dar a Satanás razão a seus argumentos contra Deus, e nulificar por completo o plano da salvação. E Deus não deixou ao léu nem mesmo os mais incultos e humildes cristãos sinceros. Basta ouvir-se um pregador e esperar que mencione este assunto da maneira correta como advertido em 1ª João 4: 2 e 3 onde nos é dada a regra áurea para identificarmos os verdadeiros mensageiros de Deus: “Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo...” e o vs. 6, ú. p., diz, “Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro.” É muito simples, não acha? Mas lembre-se que o conceito de carne no Novo Testamento é a nossa natureza pecaminosa. Pesquise com uma concordância bíblica, e você verá que não há referência alguma a carne santa. A glória e majestade do Salvador é sua humilhação em descer ao nosso nível.
Esta é, também, uma prova de discipulado. Releia o texto, ore e medite.
Até a década dos anos 1950 nossa igreja cria como os pioneiros receberam nossas doutrinas por inspirada outorga divina, isto é, Cristo, na encarnação, assumiu a nossa natureza caída. Confira isto em diversas citações do Esp. de Profecia, como O Desejado de Todas as Nações, pág. 49, e em outras publicações como as antigas edições de Estudos Bíblicos, págs. 140 e 141, em português. Em inglês: “Bible Readings for the Home Circle”, edições como a de 1916 da Pacific Press, e a de 1944 da Soutthern Publishing House. A que tenho é da Review and Herald, Washington D,C, de 1951. (ver nestas edições em inglês as págs. 120 e 121).
No Brasil nossas edições desta obra aderiram a este erro mais de 3 décadas depois, na edição de 1995; nela o referido capítulo foi simplesmente omitido sem explicação alguma. Temos em mãos duas antigas edições da CPB, a primeira, de meu sogro, da qual não consta a data da edição, mas ele me afirmou que já a possui por mais de 50 anos, e a minha, a 4ª edição, de 1972. Em todas estas edições, você encontra, no capítulo “Vida Sem Pecado”, às págs. 140 e 141 o seguinte:

“Em Sua humanidade, Cristo participou de nossa natureza pecaminosa, caída. Senão, não seria então ‘em tudo semelhante aos irmãos,’ não seria como nós em tudo ... tentado, não venceria como nós temos de vencer, e não seria, portanto, o completo e perfeito Salvador que o homem necessita e deve ter para ser salvo.”

O texto de João, acima citado, ao falar de quem crê na tese oposta, o chama obreiro do anticristo, e na mesma página lemos:

“A idéia de que Cristo nasceu de uma mãe imaculada ou isenta de pecado, sem herdar tendências para pecar, e por isso não pecou, põe-nO à parte do domínio de um mundo caído, e do próprio lugar onde é necessário o auxílio.”
À pág. 212: “Pelo dogma da imaculada conceição da virgem Maria [a igreja de Roma] nega haver Deus em Cristo assumido a mesma carne do homem caído, exatamente como o fazia Babilônia antiga” (O nosso Salvador é “Deus Conosco. Os deuses de Babilônia não habitam com os homens, Daniel 2:11).

Voltando às págs. 140 e 141, “De Sua parte humana, Cristo herdou exatamente o que herda todo filho de Adão—uma natureza pecaminosa. Do lado divino, desde a própria concepção, foi gerado e nascido do Espírito. E tudo isso foi feito para colocar a humanidade num plano vantajoso, e demonstrar que, da mesma maneira todo que é ‘nascido do Espírito’ pode obter idênticas vitórias sobre o pecado, mesmo em sua pecaminosa carne. Assim cada um tem de vencer como Cristo venceu. Apoc. 3:21. Sem este nascimento, não pode haver vitória sobre a tentação, nem salvação do pecado. João 3: 3-7.”
Temos, traduzido impresso e gravado em CD, um sermão feito pessoalmente pela Sra. White com o título “Cristo Tentado Como Nós”, publicado por ela. Se desejar possuir este “kit”, entre em contato conosco. Este sermão nunca foi impresso pela nossa organização. Quem me afirmou isto, foi o maior teólogo adventista em Cristologia, segundo me recomendou um dos lideres da Divisão Sul Americana ao telefone, anos atrás. Por coincidência este teólogo, que me foi recomendado para me ensinar sobre cristologia foi meu colega de sala no velho IAE, hoje UNASP I. Quando ele aqui esteve em Belo Horizonte almoçamos juntos em minha casa. Na ocasião eu exibi a ele o original do pequeno livreto em inglês, e lhe fiz esta indagação e ele me respondeu com um categórico “—NÃO”, isto é, tal folheto não havia sido publicado pela organização. E ele completou: “—Mas isto é fácil de se confirmar, vou pesquisar no “Centro White’, e lhe informarei. Nenhuma depreciação ou afirmação de falsidade da publicação foi expressa por ele, embora não o tenha folheado. Entendi, deste incidente, que ele o conhecia detalhadamente, pela clara e incisiva resposta ante o simples olhar que lançou ao exemplar do original; (mas posso estar enganado quanto a esta minha percepção). Até hoje estou aguardando a pesquisa prometida.

Voltando à página 141: “Deus, em Cristo, condenou o pecado, ... vindo e vivendo na carne, na pecaminosa carne, sem todavia pecar. Em Cristo Ele demonstrou que é possível, por Sua Graça e poder, resistir à tentação, vencer o pecado e viver uma vida sem pecado na pecaminosa carne.” ‘Deus enviando a Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne.’ Rom. 8:3.

Agora irmãos, o que devemos fazer ante esta apostasia, tão similar à ocorrida nos dias de Acabe, Jezabel e Elias, que se instalou em nossa teologia nestas últimas 5 décadas?

Apenas algumas sugestões:

1º) Devemos orar por nossos lideres;
2º) Sair da igreja e fundar outro movimento? NÃO !!! Não existe uma 8ª igreja em Apocalipse. Esta é a igreja de Deus, como o era ISRAEL no tempo de Elias, e o presidente da Associação Geral daquela época era o casal imperial apóstata. A noiva vai estar pronta antes que o Noivo CELESTIAL volte (Apoc. 19:7), não necessariamente a Organização, mas com certeza há de ser um significativo e grande grupo de membros, O CORPO DE CRISTO.
3º) Estar cientes de que, como Deus respondeu a Elias, nós não estamos sozinhos no entendimento e observação da nossa original verdade que nos foi revelada através dos pioneiros.. Creio que existem hoje muitas e muitas vezes “7.000 que não dobraram seus joelhos a Baal” em todos os níveis da nossa igreja, desde a Conferência Geral, uniões, associações, missões, instituições as mais diversas, pastores, anciãos e demais irmão leigos, etc.. que têm ciência desta apostasia e não a apóiam.
4º) Devemos estudar estes assuntos, com jejum e oração. Há diversas publicações de livros traduzidos para o português que nos esclarecem tais dúvidas. São protestos contra os erros como fez Elias. Não são críticas à organização e sim puramente asseveração do que vem ocorrendo nestes últimos 50 anos em nossa organização com o fim de que haja reforma. Temos que fazer distinção entre crítica e protesto, caso contrário nunca se poderia falar nada, nem mesmo dos maiores absurdos. Todos estes assuntos vêm sendo expostos pelos canais competentes à organização, na Conferência Geral, desde os anos 50, por estes e outros pastores e demais escritores, bem como este que vos escreve.
Estive pessoalmente nos escritórios da Conferência Geral, em Silver Spring, Maryland, e fiz ali minha protestação de profissão de fé ao departamental competente para ouví-la. Também no campo local, Associação Mineira Central, há tempos, com o presidente. Na minha congregação local, igreja central de Belo Horizonte, com todos os pastores que por ela passaram nestas últimas décadas, para manter a transparência, sempre declarei meu irrestrito endosso às doutrinas nas quais afirmei crer quando do meu voto batismal.
O atual pastor, com quem eu já havia falado da minha posição conservadora, em junho deste ano, por recomendação da comissão da igreja, foi à minha casa e me convidou para ser o diretor do Departamento do Ministério Pessoal. Eu disse a ele que entendia que EVANGELISMO É MENSAGEM, A mensagem de justificação pela fé "é a mensagem que Deus manda proclamar ao mundo" (Test. p/ Ministros, p. 92) e que eu aceitaria a incumbência se tivesse “carta branca” para imprimir no departamento evangelístico da igreja o espírito de PREGAÇÃO DA VERDADE DO EVANGELHO ETERNO, tal qual nossos pioneiros a receberam POR INSPIRADA OUTORGA DIVINA (ídem pág. 91). A comissão da igreja, em reunião de 8 de junho de 2008 elegeu outro irmão para o cargo.
Enfim, A VERDADE NÃO MUDA, cada nova revelação divina é uma confirmação da verdade anterior. Casei-me com uma linda jovem da minha igreja e fiz os juramentos de praxe; se a legislação do país, ou mesmo da igreja, passarem a permitir que eu a repudie, isto não invalidará o meu compromisso com ela perante Deus; eu continuarei a ser-lhe fiel. Igualmente um dia uni-me à igreja, a noiva de Cristo; professei crer nas suas verdades. Se eu aceitar qualquer mudança substancial de doutrinas, mormente na cristologia, etaria negando o meu Mestre. (Leia à pág. 96, da obra acima citada, sobre a "Advertência Contra Desprezar a Mensagem de Deus").

Prezado irmão, estude cuidadosamente a Bíblia e os seguintes livros com oração e jejum:

“No Deserto da Tentação”, de Ellen G. White, CPB, Tatuí, 2002.

“Caminho A Cristo”, de Ellen G. White, CPB, Tatuí,

“The Ellen G. White 1888 Materials", (Materiais de Ellen G. White sobre 1888). É uma compilação xerocopiada feita pelo Patrimônio dos Escritos de Ellen White de tudo que ela escreveu sobre 1888, editada no aniversário do centenário da assembléia de Mineápolis, (1998), que resultou em 4 volumes, com um total de 1821 páginas grandes, tamanho A4, xerocopiadas frente e verso. Foram duas edições, 200 coleções em outubro de 1987 e 200 em janeiro de 1988. Não creio que poderá, tão cedo, haver tradução deste material todo e impressão em português.

Pesquise também nos demais escritos do Espírito de Profecia.

“Cristo Nossa Justiça”, Escrita pelo Pr Arthur Grosvernor Daniells, Enciclopédia Adventista, págs. 373 e 374 da edição que tenho. Ele foi testemunha ocular do que ocorreu em Minneapolis. Ele assumiu a presidência da Conferência Geral em 1901. Este livro é uma visão pioneira da Justificação pela Fé, ele mostra a coerência dos escritos de Ellen G. White a respeito desse importante tema, antes e depois de 1888. Editado pela CPB, Tatuí, 1990, 150 páginas.

“Cartas às Igrejas”, do pr Millian Lauritz Andreassen, que, segundo a Enciclopédia Adventista (à pág. 43 da edição R&H, 1978) foi a maior autoridade que a igreja já teve na doutrina do Santuário. Há uma edição em português, feita por irmãos nossos, da Publicações Folhas de Outono, Caixa Postal 95023, CEP. 25240-971, Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias, Rj.

“Como Ser Realmente Feliz”, Editado por irmãos nossos: Caixa Postal 1047, CEP.: 85884-000. Este livro expõe todas as nossa doutrinas de modo como nossos pioneiros a receberam com estudo, jejum e oração através da revelação divina. Anualmente tem sido reeditada. Milhares deste volume já foram distribuídos. Em 2008 foram duas edições. Veja a propaganda do mesmo na coluna direita deste blog com uma oferta imperdível.

“Tocado por nossos Sentimentos”, do Pr. Jean R. Zurcher, Ph.D., recentemente falecido, que viveu como obreiro todos estas décadas, e “protestou”, junto à C.G., contra as mudanças acima descritas. Ele foi presidente da Comissão de Pesquisa Bíblica da Divisão Euro-Africana da IASD, bem como secretário da mesma divisão. Você não o encontrará na Enciclopédia Adventista pelo fato de ter ele falecido recentemente. Em futuras edições da referida enciclopédia temos certeza de que há de alí figurar. Espero. Seu livro é uma pesquisa histórica do conceito adventista sobre a natureza humana de Cristo. 308 páginas no original. Há uma tradução em português (endereço acima), impressa em caracteres menores, com 250 páginas. Veja uma oferta do mesmo, aqui, na margem direita do nosso Blog.

“Mineápolis, 1888”, do pastor W. Meyer. 102 páginas. Em português houve uma publicação também pelo grupo do endereço acima.

“The Word Was Made Flesh”, (O Verbo Feito Carne) pelo pastor Ralph Larson. Ele é um pastor adventista aposentado, tendo exercido cargos como secretário da Divisão Euro-Africana, professor de teologia em nossos seminários e escolas e departamental do Seminário Teológico Adventista do Oriente. Ele graduou-se e defendeu sua tese na Universidade de Andrews. Dele a última notícia que tive é que vive atualmente na cidade de Chery Valley, na Califórnia. Este seu livro é uma pesquisa e compilação exaustiva de 100 anos da Cristologia adventista, isto é, de 1852 a 1952. Transcreve tudo que se publicou dentro da igreja Adventista naqueles 100 anos sobre as naturezas humana e Divina de CRISTO.. Não Tenho notícia de que tenha sido traduzida para o português. Se alguém tiver qualquer informação a respeito me avise, eu gostaria de adquirir tal preciosidade. Para você adquirir esta obra em inglês escreva para The Cherrystone Press, P.O. Box 3180, Cherry Valley, Califórnia, 92223, USA. Vai lhe custar U.S.$ 11,95 (onze dólares e noventa e cinco centavos de dólar). Mas é melhor você solicitar instruções quanto ao custo da postagem.

“A Mensagem, o Mistério e os Equívocos de 1888” do pastor Joe W. Gresham. Estive com ele a última vez na conferência Geral de Toronto no Canadá. Ele é um pastor adventista nos EUA de grande influência. Este livro foi preparado com o intento de responder a algumas intrigantes questões formuladas por numeroso contingente do moderno povo de Deus, com referência às coisas que se tornaram conhecidas em 1888. Todavia, uma vez que os assuntos são tão multifacetados, esta obra é simplesmente um apanhado geral das matérias envolvidas, apresentado com o veemente desejo e a fervente oração de que ela conduza o leitor a um mais profundo estudo de grandes verdades. Você pode copiar o inteiro teor deste livro (38 páginas) da internete, digitando o tíitulo do livro em português e/ou o nome do autor.

Tenha um feliz sábado, lhe deseja o irmão em Cristo,

João Soares da Silveira