sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Lição 9 – Metáforas da Salvação

Nos lampejos desta semana vamos inverter a ordem dos tópicos diários. Este método segue uma série de passos numa ordem definida, indo do amor motivador de Deus (lição de quinta-feira) até o resultado final que é a reconciliação (lição de segunda-feira). A redenção (lição de domingo) finalizará com uma ilustração das duas fases da emancipação.

Lição de quinta-feira—A Demonstração do Amor de Deus: Há um significado especial com respeito à declaração do amor de Deus nas primeiras três palavras do primeiro capítulo de Patriarcas e Profetas, e as três últimas palavras do último capítulo de O Grande Conflito. As três palavras são “Deus é amor”. Este é o principal tema no conflito dos séculos entre Cristo e Satanás. Pelo fim do conflito, como declarado nas últimas (*tres) palavras de O Grande Conflito, um coro de vozes vindo de “todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor”. (GC 678).

A cruz do Calvário é a eterna declaração do céu do imutável e incondicional amor de Deus. Paulo claramente apresenta o amor de Deus como revelado na morte de Cristo: "Deus prova o Seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores". Isto foi enquanto éramos "fracos,... ímpios,... inimigos” (Rom. 5: 8, 6, 11. O centro de atração não só da Terra, mas também do céu, é a cruz onde Cristo crucificado é revelado no meio do trono como um “Cordeiro que havia sido morto” (Apo. 5:6).

Por meio da cruz aprendemos sobre a iniciativa e amor motivador de Deus. “Considerai a cruz do Calvário. É uma fiança que se ergue assinalando o ilimitado amor, a imensurável misericórdia do Pai celestial” (MS 154, 1897; Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 156). Esse amor é fundamental na dádiva de Cristo como o sacrifício expiatório para a nossa salvação.

Quarta-feira—Sacrifício Expiatório: O termo expiatório está envolvido no ato de Cristo de fazer expiação pelo sacrifício de Sua morte. Um sacrifício expiatório significa o ponto em que termina. Por Sua morte no Calvário, Jesus suspendeu legalmente a condenação e culpa em que incorreu Adão e a raça caída pelo pecado. O último respirar de Cristo (“nas Tuas mãos entrego o Meu espírito1”) foi um testemunho de Sua fé em Deus de que uma fase da expiação se tinha completado.

A morte de Jesus propiciou a base legal para a salvação. Em Romanos três ocorre o mais concentrado pensamento nas Escrituras tratando da obra de Deus de libertação do poder e efeitos do pecado. Consideremos três metáforas da salvação como alistadas nesse capítulo. Essas três—propiciação, redenção e justificação—procedem do santuário, do mercado e do tribunal.

A propiciação é o “enfoque sobre os meios pelos quais os pecados são perdoados, tendo poder expiatório, operando a reconciliação”. Esta figura de linguagem é também o enfoque “sobre o lugar onde os pecados são perdoados por meio do sangue de um sacrifício expiatório colocado ali (o) local do perdão, lugar onde Deus perdoa os pecados, geralmente (*em português) traduzido como propiciatório2 (Hebreus 9:5). Friberg, T., Friberg, B., & Miller, N. F. (2000). Vol. 4: Analytical Lexicon of the Greek New Testament (destaques do original).

O propiciatório2 era a peça mais importante do mobiliário dentro do lugar santíssimo do tabernáculo e, mais tarde, do Templo. Era uma cobertura de ouro colocada sobre a arca da aliança. Ali ficava no local onde a expiação coletiva (corporativa) era feita por Israel no Dia do Juízo, ou Dia da Expiação. Era por meio do sangue do sacrifício expiatório que a expiação era cumprida. Aqueles dois tipos vinham juntos no santuário—o sangue do sacrifício e o propiciatório simbolizavam ambos a Cristo. Jesus é tanto nosso Sacrifício como nossa Propiciação, nossa cobertura expiatória. Foram necessários os dois símbolos para ilustrar a obra expiatória de Cristo. Essa obra consiste de justificação e purificação. Em Romanos 3:25 a palavra original para reconciliação é empregada com relação aos meios da justificação expiatória, enquanto em Hebreus 9:5 o termo é empregado como o lugar da expiação. Esses dois versos assumem o escopo da expiação como o serviço típico ilustrava.

Terça-feira—Justificação, Segunda-feira—Reconciliação: A justificação é um termo legal. Em Romanos 3:24 Paulo apresenta a justificação divina pela graça como um dom a todos. A atividade justificadora de Deus é universal em escopo, como apresentada ali em relação ao “todo” do verso anterior, ou seja, todos quantos “pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Essa é uma justificação legal e coletiva em natureza nestes versos. Aqueles que são justificados no vs. 24 são “todos” que pecaram no vs. 23.

No plano de salvação há somente uma justificação, mas com duas fases. A primeira foi a obra de Deus em Cristo sobre a cruz pela qual Ele legalmente suspendeu a merecida condenação da raça caída (Rom. 5: 9,18). (Compare isto com o pensamento de que Cristo é o “Salvador do mundo”, João 4:42; 1 João 4:14. Contudo, isso não significa que todos serão salvos incondicionalmente. O Salvador do mundo deve ter permissão de morar dentro de uma pessoa que então experimenta pessoalmente a salvação). A segunda fase da justificação é cumprida quando as condições de fé e arrependimento são exercidas pelos indivíduos que ouvem as boas novas do evangelho juntamente com as reivindicações da lei que sonda o coração (Rom. 5:1; 2:4; 10:16,17)

A genuína fé e arrependimento sempre conduzem à obediência a todos os mandamentos de Deus (1 João 5:3; 2 João 6). É verdade que a lei não pode justificar (Rom 8:2). Ela convence do pecado e aponta a Cristo como nossa justiça justificadora. A lei testifica da justiça de Deus (Rom 3:21). Essa justiça, em Cristo, nos vem de Deus por meio da fé em Cristo—“a fé de Jesus” (Rom. 3:22). Mediante a fé do Representante da raça humana, a justiça de Deus alcança a todos do primeiro “todos” de Rom. 3:23, bem como o do segundo “todos”. (O manuscrito empregado pela Versão King James está correto aqui ao designar duas categorias de pessoas pelo duplo emprego de “todos”). É em razão de que a justiça justificadora de Deus alcança a cada um que “todos” vivem. Sem ela ninguém poderia possivelmente existir. Mas há muito mais. Deus não deseja que a Sua justiça se limite a propiciar mera proteção e vida temporárias. Ele deseja que todos sejam não meramente protegidos por Sua justiça justificadora. Assim, Ele a coloca dentro do “todos” quantos crêem. A justiça de Deus é uma justiça objetiva que deve ser experimentada subjetivamente por aqueles que crêem.

Como na justificação, há dois aspectos de reconciliação. O primeiro ocorreu na morte de Cristo, o segundo envolve o receber essa reconciliação. A primeira parte da fórmula é “Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo”, ou seja, “quando éramos inimigos”. A segunda é receber essa reconciliação, como Paulo escreveu, “ser reconciliados com Deus” (2ª Cor. 5:19; Rom. 5:9; 2ª Cor. 5:20).

Justificação e reconciliação são a mesma coisa. Ambas ocorreram quando Cristo morreu (Rom. 5:9, 10; 2ª Cor. 5:19-21), mas em nosso pensamento, a justificação precede a reconciliação. A razão é: a condenação legal, por causa de nossa culpa a condenação legal tinha que ser suspensa antes que pudesse ocorrer reconciliação. O pecado que separou Deus do homem primeiro teve que ser confrontado antes que a reconciliação tivesse lugar. O fato de que Deus “não enviou o Seu filho ao mundo” para o condenar (João 3:17), é revelado por Paulo em suas palavras derradeiras de Romanos 5:18: “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida”. (ou, como em outra versão, “... justificação que concede vida”, ou ainda “... que transmite vida”).

Domingo-Redenção: Em conclusão, como a justificação e a reconciliação, a redenção tem dois aspectos. O primeiro é o ato legal de redimir ou adquirir (1ª Cor. 6:20; 1ª Pedro 1:18, 19); o segundo é a resposta de crer no primeiro aspecto. Assim como o Presidente Lincoln inicialmente fez vigorar a Proclamação de Emancipação, destarte colocando legalmente os escravos em liberdade, o escravo tinha que crer nas boas novas da determinação legal e devia agir em conformidade com o fato, a fim de experimentar liberdade pessoalmente3.

Gerald L. Finneman

Tradução de Azenilto Guimarães Brito.

Edição e acréscimos, marcados com asteriscos, de João Soares da Silveira

Notas do editor:

Notas do editor:

1) Lucas 23: 46, é também a profecia de Salmo 31: 5 cumprida;

2) Propiciatório, (“mercy seat” em inglês, literalmente, assento, ou, lugar de misericórdia), “em heb. kapporeth; em Gr hilastérion, ‘um meio (ou lugar) de reconciliação, a tampa, ou cobertura da arca do concerto, embaixo da qual estavam depositadas as taboas da lei, Exodo 25:17, e Deut. 10:2. A lei e o evangelho— justiça e misericórdia—eram assim intimamente associados no antigo serviço do santuário” (Dicionário Bíblico, Vol. 8 da série SDABC, pág. 729, 2ª coluna. Grifos do original).

3) Igualmente no Brasil, a princesa Isabel assinou, em 13 de maio de 1888, a lei que pôs em liberdade todos os escravos, mas tanto nos EUA bem como no Brasil, os escravos tinham que crer nesta boa nova e caminhar para fora das fazendas destemidamente para que efetivamente desfrutassem a liberdade.

A seguir um resumo do artigo Redenção em Cristo, do pr. Geraldo Finneman, publicado na Newsletter de julho-agosto de 1996,

"REDENÇÃO EM CRISTO"

O principal tema de Paulo é, sempre, "Cristo e Este crucificado" (1ª Cor. 2:2).

A grande mensagem adventista é a de que Cristo morreu por toda a humanidade. Muitos universalizam o pecado, enquanto querem particularizar a justificação realizada por Cristo. Mas, ao contrário, a morte de Cristo causou um maior impacto à raça humana do que o pecado de Adão.

As bênçãos espirituais "em Cristo", (Ef. 1:3-14) advieram a toda a humanidade, crentes e incrédulos, por um só ato de justiça na cruz do Calvário, passiva e independentemente, isto é, toda a humanidade foi beneficiada, sem opção pessoal de qualquer um de seus elementos.

O pronome pessoal "nós", e as formas verbais na 3ª pessoa do plural, que aparecem, num total de cerca de 10 vezes neste texto, referem-se a toda a humanidade.

Cristo por Sua morte, não poderia justificar um único indivíduo, legalmente, sem também incluir toda a raça humana numa única justificação forênsica (legal) universal.

Se Ele, legalmente, não justificou a todos, teria que ter morrido individual e separadamente por cada um. Mas não, Ele morreu "uma única vez" (1ª Pedro 3:18) e por todos, sem qualquer ato volitivo (o exercício do livre-arbítrio) deles, isto é, não tivemos escolha, como também não decidimos mergulharmo-nos no lamaçal da natureza humana pecaminosa pelo ato de Adão.

Mas, porque "... todos pecaram...", isto é, porque cada um de nós escolheu repetir o ato de desobediência, a exemplo dele, todos estamos "...destituídos da glória de Deus" (Rom 3:23), e somos culpados perante o grande Doador da lei.

A lei moral de Deus, é universal, e igualmente o pecado se generalizou entre nós. Entretanto não há justificação pela lei, "ninguém será justificado diante dEle pelas obras da lei" (Rom 3:20).

Na Almeida este termo "ninguém", ou ("nenhuma carne", "no flesh" na KJV) é, igualmente, universal, e, como em Efésios, refere-se a toda a humanidade.

A justificação legal, histórica, "uma vez por todas", é fundamental para a mensagem da justificação pela fé. É objetiva, real, e teve existência independente de qualquer experiência subjetiva na mente do crente.

Quando o crente: a) entende o sacrifício feito pela majestade do céu, em dar-Se (João 3:16); b)contempla Sua vida de renúncia e sofrimento, especialmente no Getsêmani e Calvário, e, c) crê, pela fé "em Cristo", na eficácia de Sua morte, em expiação pela culpa de cada pecado que cometeu, a sincera resposta de seu coração será de gratidão e apreciação a Deus por Sua bondade para com ele (crente) em dar Seu Filho como o representante da raça humana, o 2º Adão, o Salvador da raça caída, para expiar, totalmente, a sua penalidade, ao morrer a 2ª morte por ela.

Assim, o ato objetivo, universal, legal, histórico, de Cristo torna-se subjetivo, individual, expiatório e fato presente na vida de cada um de nós em particular, ao, dia-a-dia, sermos santificados para Sua honra e glória.

A justificação legal (forênsica) levada a efeito no Calvário, não nos vem pela lei, nem pela fé, mas tão somente pela graça, e nos é dada gratuitamente. É "em Cristo" (Rom 3:24). Não pode ser separada dEle. Ele foi dado à raça humana. É uma justificação unilateral e universal. Todos: 1º) "pecaram" (Rom. 3:23); 2º) "estão destituídos da glória de Deus” (idem), e, 3º) são justificados gratuitamente (vs. 24).

A mudança de caráter, "em Cristo", vem quando alguém crê. Isto é chamado de "justificação pela fé". Tanto a justificação e a fé, ambas, são dadas a todos, exatamente como Cristo foi dado a todos.

Então, por que nem todos se salvarão? Porque recusam crer. Se todos acreditassem na eficácia do que Deus fez por eles, "em Cristo", todos seriam salvos, porque, então, não haveria coração algum que não se derreteria em gratidão e apreciação pelo Seu grande e "misterioso" ato.

A maioria despreza tal presente de Deus. Um dia será revelado que Deus, em Cristo, deu justificação e fé a todos os homens, em todos os lugares, mas a raça humana, em geral, rejeitou a Deus e Seu dom "em Cristo".

O perdão de Deus é gratuito, mas não é o ensinamento da "graça barata".

É de graça, mas foi terrivelmente custoso. Seu preço é infinito.

Uma vez seja apreciado no coração do receptor, será extremamente difícil desviar-se de Deus.

"A palavra "gratuitamente", em Romanos 3:24 é um termo legal. Significa grátis, livremente, não reservadamente, é "sem causa". É usada por Jesus em João 15:25: "Odiaram-Me sem motivo", "sem causa". Igualmente justificação legal, universal, é gratuitamente dada "sem causa". Isto também é odiado "sem causa" por aqueles que a recusam. Não há outra causa porque a justificação legal do Calvário seja odiada além de que é pelo fato de que Jesus é odiado.


OS TRÊS PASSOS BÁSICOS (rodapé da parte de 5ª feita, 13 de outubro de 05) isto também é do pastor Finneman

"No Calvário Jesus assinou, com Seu próprio sangue, a emancipação da raça Humana" ("A Ciência do Bom Viver", pág. 90). Quando a serva do Senhor escreveu esta frase, era grande o uso da palavra "emancipação" nos Estados Unidos da América do Norte, devido à libertação dos escravos naquele país, decretada pelo presidente Abraão Lincoln em 1º de Janeiro de 1863.

Tivemos, no Brasil, similar ocorrência quando, em 13/05/1888, a Princesa Isabel assinou a lei de emancipação dos escravos no Brasil, e ordenou a libertação deles. Como lá, também aqui no Brasil, por aquele simples ato cada escravo foi legalmente declarado livre.

Mas, de fato eles não foram libertados, continuaram trabalhando "o látego fogoso nos dorsos a estralar" (Castilho). O ato legal levou um só momento, mas antes que o aspecto experiencial fosse colocado em moção diversos fatos tinham que ocorrer:

1º) Cada escravo teria que ouvir as boas novas.

O conhecimento do ato legal de sua libertação era essencial, não os seus sentimentos.

2º) O escravo tinha que crer nas boas novas, caso contrário não teria sequer ânimo de enfrentar seu senhor.

Efésios 1:13 mostra estes dois primeiros passos na primeira parte do verso: 1º) "ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação...", e , 2º) "...tendo nele crido..." A última parte do verso conclui: "fostes selados com o Espírito Santo da promessa".

Este é o 3º evento para efetivação da libertação: tendo ouvido a boa nova de sua libertação, e crido nela, o escravo, possuído "de Cristo", pelo poder de Deus, caminha audaciosamente para fora dos domínios do implacável senhor.

Na mensagem de 1888 você encontra uma magistral afirmação:

"As portas da prisão estão abertas, saiam!!!"

Assim, o crente, "em Cristo", impulsionado pelo Espírito Santo, conscientizado de que a boa nova é efetiva e verdadeira, trazendo consigo mesma poder para realizar nele aquilo que afirma, pois é a própria "palavra de Deus"; recusa permanecer sujeito à escravidão, ousadamente afirma sua liberdade do antigo senhor, confiado no "selo" do ato emancipatório Divino (do Poder Judiciário do Império do Brasil, na pessoa da Princesa Isabel, no exemplo acima), não confia em seus próprios sentimentos, e marcha destemidamente para a liberdade.

Nós temos que confiar na autoridade e poder de Deus como nosso "selo" e "garantia", à nossa retaguarda, e em frente de nós, por baixo, por cima, e conosco, ao recusarmos, pela fé, e "em Cristo", à subseqüente escravidão ao inimigo da liberdade.

Ser emancipado segue-se ao ato emancipatório. Esta é a raiz, aquele o fruto. Um inicia, o outro participa. A ordem seqüencial é vital. Não é a emancipação que vem primeiro, assim como não nasce o fruto e depois cresce a raiz.

A obra de Cristo por nós é infinitamente maior do que o ato de Adão. Enquanto afirmando e proclamando a universalidade do pecado, sua volição (o aspecto da mente envolvida na decisão de cometê-lo ou não), sua subjetividade, seu fato momentâneo, presente; não devemos negligenciar ou negar a universalidade também do ato forênsico de Deus da Justificação na Cruz. Aqui houve uma decisão da Divindade, tomada "antes da fundação do mundo", de dar-Se pela raça caída, um ato objetivo e histórico.

Normalmente pensamos da Justiça de Deus como ato que proíbe nossa justificação.

Não é assim. Deus demonstrou Sua justiça "no tempo presente" em que é "Justo e Justificador" (Rom.3:26) daquele que tem fé em Jesus.

Assim o homem é deixado sem escusa para gloriar-se em si mesmo. Vanglória é lançada fora pela vinda da justificação pela fé. Jactância é a evidência da descrença em um coração pecaminoso.

Enquanto a descrença desarraiga a lei do coração, a fé a estabelece. Nós não somos justificados pela obediência, mas para obedecer.

—João Soares da Silveira.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Lição 8 – Nascido de mulher – Expiação e Encarnação.

O Gnosticismo1 é fundado no princípio grego de uma existência dualista que separa a matéria do espírito, o primeiro sendo inerentemente mal, e o último divino. Supõe que todas coisas materiais vieram à existência por um semi-deus caído (demiurge), que regia o mundo imperfeito, que, por sua própria existência, é antagônica ao espírito divino. No entanto, de acordo com esta crença, ocasionalmente entra na constituição de alguns homens uma centelha divina que pode ser desenvolvida por gnosis e prática de ritos especiais. Por gnosis, este indivíduo especial podia escapar do mundo material e torna-se inteiramente "espiritual".

O tal conceito circulava entre as primeiras congregações na Ásia, desafiando a verdade da natureza que Cristo assumiu na Sua encarnação. Para o cristão gnostico, a função de Cristo não era vir como Salvador para fazer uma expiação pela humanidade caída, e a redimir do pecado, mas era entrar neste mundo de mal e trazer gnosis à humanidade. Por aprender este "conhecimento" místico e seguindo Seu exemplo, uma "unidade" com Deus podia ser obtida. A idéia inteira estava no "relacionamento" ao invés do problema do pecado e sua repugnância a um Deus santo.

Na sua primeira carta, João falou às congregações, "ouvistes que vem o anticristo" e este "ouvir" veio pela segunda carta de Paulo aos Tess. (2:1-12), que largamente circulava entre as primeiras congregações. Depois da libertação do João de Patmos, ele viajou entre as igrejas de Ásia, sem dúvida testemunhando pessoalmente da introdução de filosofias gnósticas nas verdades pregadas pelos apóstolos. Uma das verdades que foi desafiada por ensino gnóstico, foi a natureza que Cristo assumiu na Sua encarnação. Negar a realidade da encarnação gerou um libertinismo entre os primeiros crentes que discutiam a verdade de vencer o pecado nesta vida, o que resultou em perda comum de religiosidade. Assim a verdade da santificação e vitória sobre o pecado caía em descrédito. Por tal ensino, a expiação de Cristo foi tornada de nenhum efeito.

João explicitamente abordou este problema nas suas cartas quando declarou que os enganadores circulando entre as igrejas negavam que Jesus veio "na carne" (sarx no grego). Ele escreveu: "Amados, não creiais a todo espírito [isto é, pessoa, ou "alma vivente"], mas provai se os espíritos são de Deus: porque muitos falsos profetas têm se levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne [sarx] é de Deus: e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne [sarx] não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes [pelo ensino de Paulo] que deve vir e eis que já está no mundo" (I João 4:1-3). Qualquer um que ensinou que Jesus não assumiu a real natureza caída do Seu antepassado Adão era "anticristo," (*isto é assim) claro e simples.

Antes da pregação de Cristo e Sua justiça numa mais plena medida, como A. T. Jones e E. J. Waggoner apresentaram na sessão (*da assembléia) da conferência geral de 1888, em Minneapolis, a natureza que Cristo assumiu era somente um assunto teológico secundário. Entretanto, desde que o ponto central do Evangelho é trazer à humanidade a verdade do poder de Deus sobre Satanás e o pecado, a natureza que Cristo assumiu tomou uma nova dimensão importante na pregação do Evangelho. Na edição de 1888 de The Bible Readings for the Home Circle, Leituras Bíblicas para o Lar (*o antigo Estudos Bíblicos em inglês) não havia nenhuma menção da natureza de Cristo, mas, na edição 1914 E. J. Waggoner deu uma contribuição significativa ao assunto no novo capítulo "Uma Vida Sem Pecado”:

"A idéia de que Cristo nasceu de uma mãe imaculada ou sem pecado, não herdando nenhuma tendência para pecar, e por esta razão não pecou, O retira da esfera de um mundo caído, e do exato lugar onde ajuda é necessária. No Seu lado humano, Cristo herdou exatamente o que cada filho de Adão herda—uma natureza pecaminosa. No lado divino, desde Sua exata concepção, Ele foi gerado e nascido do Espírito. E tudo isto foi feito para colocar a humanidade em um terreno vantajoso, e demonstrar que, da mesma maneira, cada um que é 'nascido do Espírito' pode ganhar iguais vitórias sobre o pecado em sua própria carne. ... Deus, em Cristo, condenou o pecado, não meramente sentenciando contra ele, como um juiz sentado no tribunal, mas por vir e viver na carne, em carne pecaminosa, entretanto sem pecar. Em Cristo, Ele demonstrou que é possível, por Sua graça e poder, resistir à tentação, vencer o pecado, e viver uma vida sem pecado em carne pecaminosa" (pagina 174; ênfase no original)2.

A. T. Jones, no seu livro O Caminho Consagrado para a Perfeição Cristã, concordou (*com a idéia acima de Waggoner) dizendo: "Somente por submete-Se à lei de hereditariedade3 podia Ele vencer o pecado na plena e verdadeira medida como o pecado verdadeiramente é. ... Assim defrontou o pecado na carne que Ele tomou, e triunfou sobre ele, como está escrito: 'Deus enviando o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado, condenou o pecado na carne'" (*Romanos 8:3). Abordando o ponto inteiro da expiação, Jones declara: "Se Ele não fosse da mesma carne como são os que Ele veio redimir, então não haveria nenhuma utilidade de Ele ter sido feito carne de modo algum" (págs. 48, 41, e veja também a pág. 42; ênfase em original).

O Guia de Estudos deste Trimestre, (*edição do) Professor (*pág. 101) faz uma pergunta bem pertinente: "Quais são as implicações de ser Cristo o segundo Adão"? Esta pergunta nos traz à mente a verdade da natureza que Cristo assumiu pelos pecadores atolados no lamaçal de pecado e rebelião. Porque Cristo tomou sobre Ele a natureza caída de Adão e "em tudo foi tentado, mas sem pecado" temos a garantia de vencer "assim como Ele venceu". Este é o ponto crucial das boas-novas do Evangelho! Nós não temos um "salvador" que mora em algum lugar alto e grandioso, longe, fora do problema de pecado, mas antes temos um sumo sacerdote que “pode compadecer-Se de nossas fraquezas” (*na KJV se lê:"tocado com o sentimento de nossas enfermidades") que sabe como "socorrer aos que são tentados". Assim quando tentados, não importa por quê, nós podemos “vir com confiança ao trono de graça" e "em tempo oportuno” (*ou “em tempo de necessidade”, KJV) podemos achar graça, misericórdia, e poder sobre o pecado (Heb. 4:15-16; Apoc. 3:21; Heb. 2:18) (*e Heb. 4: 15 e 16).

Porque Jesus tomou sobre Si a natureza do Adão depois da queda, e nessa natureza "condenou o pecado na carne" (Rom. 8:3), Ele provou que as reivindicações de Satanás contra a lei de Deus são falsas. Então, em conformidade com o concerto que Ele tinha feito com Seu Pai “antes da fundação do mundo” (Apoc. 13:8), Cristo, como a humanidade corporativa, levou aquela natureza caída à cruz e pagou o preço final pela redenção do pecado, crucificando “o nosso velho homem" de pecado, e pondo a humanidade livre de condenação (Rom. 8:1-4; 6:5-17; Gal. 2:20).

Como poderiam as "boas-novas" ser melhor que isto?

Ann Walper

Tradução e acréscimos, marcados com asteriscos, de João Soares da Silveira.

Notas do Tradutor:

1) O nome “gnosticismo” é dado a todas as diferentes teorias que professam ser cristãs mas incorporaram também elementos helenísticos (tradições filosóficas gregas), e ensinavam uma cosmovisão dualista. A alma humana é parte da divindade que caiu na escuridão e mundo mal da matéria. Cada seita gnóstica diz ter um “conhecimento” (gnosis) especial para comunicar, pelo qual a alma pode obter libertação da matéria e ganhar sua volta ao mundo superior. A maioria dos gnósticos eram fortemente anti-judeus e apresentavam o Deus do Velho Testamento como um Ser inferior, demiurgo (artesão em grego) que criou o mundo material “mau”, hostil ao Deus Supremo do Novo Testamento. Este “conhecimento” capacita a alma a escapar. O gnosticismo está na base filosófica e religiosa de muitos movimentos e seitas como a Nova Era, o espiritismo, o hinduísmo, etc.

2) Como a autora salientou acima, a edição de The Bible Readings for the Home Circle da qual ela colheu o texto apresentado por Ellet José Waggoner, é de 1914, sendo que na edição de 1888 não havia nenhuma menção à natureza que Cristo assumiu na encarnação.

Assim, analise a evolução desta doutrina na Igreja Adventista:

A mensagem da Justiça de Cristo nos veio em 1888 (Testemunho para Ministros, pág. 91 em diante) ano em que a primeira edição já havia aparecido.

Na edição de 1914, um dos dois mensageiros de 1888, E. J. Waggoner, deu a contribuição acima transcrita.

As edições de 1916 da Pacific Press, e a de 1944 da Soutthern Publishing House, mantiveram-se inalteradas neste capítulo. A que tenho é da Review and Herald, Washington D,C, de 1951, revisada em 1949. (Ver nestas edições em inglês as págs. 120 e 121).

À pág. 121 temos a pergunta, “Em Sua humanidade, de que natureza Cristo participou?

Resposta: “Visto como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo” (Hebreus 2:14).

Pergunta: Quão completamente Cristo partilhou de nossa comum humanidade?

Resposta: “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (verso 17).

Na versão para o português, levou o título de “Estudos Bíblicos”. Das edições da CPB, na 3ª edição, pág. 151, e nas duas que temos, uma de 1972 e outra de diversas décadas antes (sem data), às págs. 140 e 141, temos a mesma Pergunta: Até que ponto partilhou Jesus de nossa humanidade comum?

A resposta é a mesma acima, Hebreus 2:17. e a nota diz:

“Em Sua humanidade, Cristo participou de nossa natureza pecaminosa, caída. Senão, não seria então ‘em tudo semelhante aos irmãos,’ não seria como nós em tudo ... tentado, não venceria como nós temos de vencer, e não seria, portanto, o completo e perfeito Salvador que o homem necessita e deve ter para ser salvo. A idéia de que Cristo nasceu de uma mãe imaculada ou isenta de pecado, sem herdar tendências para pecar, e por isso não pecou, põe-nO à parte do domínio de um mundo caído, e do próprio lugar onde é necessário o auxílio. De Sua parte humana, Cristo herdou exatamente o que herda todo filho de Adão—uma natureza pecaminosa. Do lado divino, desde a própria concepção, foi gerado e nascido do Espírito. E tudo isso foi feito para colocar a humanidade num plano vantajoso, e demonstrar que, da mesma maneira todo que é ‘nascido do Espírito’ pode obter idênticas vitórias sobre o pecado, mesmo em sua pecaminosa carne. Assim cada um tem de vencer como Cristo venceu. Apoc. 3:21. Sem este nascimento, não pode haver vitória sobre a tentação, nem salvação do pecado. João 3: 3-7.”

Até a década dos anos 1950 nossa igreja cria desta maneira, como os pioneiros receberam nossas doutrinas por inspirada outorga divina, isto é, Cristo, na encarnação, assumiu a nossa natureza caída. Confira isto em diversas citações do Esp. de Profecia, como O Desejado de Todas as Nações, pág. 49, e em outras publicações antigas.

No Brasil nossas edições desta obra aderiram a este erro mais de 3 décadas depois, somente na edição de 1995 o parágrafo acima, em vermelho, (nota da pergunta 6) foi omitido. Entretanto veja a pergunta 7 (pág. 152 da edição de 1995, 141 da edição de 1972:

Pergunta 7: “Onde, em Cristo, condenou Deus o pecado, e nos ganhou a vitória sobre a tentação e o pecado?

Resposta: “Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne(Rom. 8:3). E o revisor que omitiu a nota acima, em vermelho, tanvez esqueceu-se de omitir esta nota que diz:

“Deus, em Cristo, condenou o pecado, ... vindo e vivendo na carne, na pecaminosa carne, sem todavia pecar. Em Cristo Ele demonstrou que é possível, por Sua Graça e poder, resistir à tentação, vencer o pecado e viver uma vida sem pecado na pecaminosa carne.”

Temos, traduzido e gravado em CD e fita K7, e imprimido, um sermão feito pela Sra. White com o título “Cristo Tentado Como Nós”, publicado por ela. Se desejar possuir este “kit”, entre em contato conosco. Este sermão nunca foi impresso pela nossa organização. Quem me afirmou isto, foi o maior teólogo adventista em Cristologia, segundo me recomendou um dos lideres da Divisão Sul Americana ao telefone, anos atrás. Por coincidência este teólogo, que me foi recomendado para me ensinar sobre cristologia foi meu colega de sala no velho IAE, hoje UNASP I. Quando ele aqui esteve em Belo Horizonte almoçamos juntos em minha casa. Na ocasião eu exibi a ele o original impresso do sermão em inglês, e lhe fiz esta indagação e ele me respondeu com um categórico “—NÃO”, isto é, tal folheto não havia sido publicado pela organização. E ele completou: “—Mas isto é fácil de se confirmar, vou pesquisar no ‘Centro White’, e lhe informarei”. Nenhuma depreciação ou afirmação de falsidade da publicação foi expressa por ele, embora não o tenha folheado. Entendi, deste incidente, que ele o conhecia detalhadamente, pela clara e incisiva resposta ante o simples olhar que lançou ao exemplar do original sem mesmo folheá-lo; (mas posso estar enganado quanto a esta minha percepção). Até hoje estou aguardando a pesquisa prometida.
À pág. 212, de “Estudos Bíblicos”, em português, no capítulo “A Queda da Moderna Babilônia” lemos: “Pelo dogma da imaculada conceição da virgem Maria (*a igreja de Roma) nega haver Deus em Cristo assumido a mesma carne do homem caído, exatamente como o fazia Babilônia antiga” (O nosso Salvador é “Deus Conosco. Os deuses de Babilônia não habitam com os homens, Daniel 2:11).

3) a Lei da Hereditariedade é encontrada estabelecida para os seres vivos na criação pelo próprio Criador, em Gênesis 1 na expressão “... conforme a sua espécie ...”, vs. 12, 21, 24, 25, etc. “Esta expressão ocorre 10 vezes no primeiro capítulo de Gênesis, e num total de 30 vezes nos livros de Moisés, especialmente em Gênesis 1, 6 e 7; Lev.11, e Deut. 14. A referência é a tipos de animais e plantas, não a seus comportamentos reprodutivos. É, entretanto, um fato da natureza que os seres vivos reproduzem outros seres que se assemelham a seus pais. Variações com certos limites são possíveis, mas estes limites estão longe de criar novos tipos de animais e plantas. Veja Gen. 6:20; 7:14; Lev. 11:14-16, 29; Deut. 14:13-15.” Comentário Bíblico, vol. 1 da série SDABC, pág. 212, 2ª Coluna.

À pág. 214, 1ª Coluna, é repetida a primeira parte do que acima transcrevemos e então acrescenta: “ aqui a expressão ‘conforme a sua espécie’ explicitamente indica que os distintos tipos de animais que vemos vieram à existência na criação e não através de um processo de desenvolvimento como os evolucionistas afirmam.”

Na pág. 215, 1ª coluna, sobre a expressão ‘conforme a sua espécie’ lemos: “A declaração se refere a todas as três classes de seres vivos, cada qual tendo seus distintos tipos. Estas palavras inspiradas refutam a teoria da evolução que declara que formas superiores de vida se desenvolvem de inferiores, o que sugere que é possível produzir seres vivos de elementos terrestres inanimados. ...” [mas] “os cientistas nunca foram capazes de produzir, a partir de matéria sem vida, uma única célula que fosse capaz de viver e reproduzir sua espécie.”

À pág. 754, 2ª coluna, a expressão de Lev. 11:14, “‘segundo a sua espécie’ indica todos os membros dos tipos básicos, tendo asas pontudas e calda bifurcada.(veja vs. 15 e 16).”

À pág. 1001, 1ª coluna, a expressão de Deut. 14:14, falando sobre o corvo, ao dizer “segundo a sua espécie” diz que vem da raiz que significa “que é de cor preta”, como é a cor do corvo. Não poderia ser diferente. É a lei da hereditariedade.

Enfim, a “lei da hereditariedade” que Cristo assumiu foi assim analisada por Ellen G. White em O Desejado de Todas as Nações, pág. 49: Como qualquer filho de Adão, aceitou os resultados da operação da grande lei da hereditariedade. O que estes resultados foram, manifesta-se na história de Seus ancestrais terrestres. Veio com essa hereditariedade para partilhar de nossas dores e tentações, e dar-nos o exemplo de uma vida impecável.”

O que vê você na “história de Seus ancestrais terrestres”? somente erros e pecados os mais variados.

“Por conseguinte, tanto pela herança, como pela imputação, foi Ele ‘carregado com os pecados do mundo’, e, apesar de estar carregado com esta imensa desvantagem, passou triunfantemente sobre a terra, onde, não havendo qualquer sombra de desvantagem, o primeiro par caiu” (O Caminho Consagrado para a Perfeição Cristã, pág. 40 e 41).