terça-feira, 14 de julho de 2015

Lição 3 — A missionária inesperada, por Arlene Hill



Para 11 a 18 de julho de 2015

A história desta jovem cativa sem nome capta a essência do espírito de evangelismo — o  amor e preocupação com os outros, independentemente de eles merecerem, ou do que hajam feito para você ou às pessoas que lhe são caras. Esta menina poderia facilmente ter nutrido ódio pelo militar responsável pela vitória que levou à sua captura. Sem dúvida, sua educação na infância quanto ao Ágape de Deus a preparou para esse encontro, mas ela ainda tinha uma escolha a fazer. Ser um espólio de guerra também era parte de sua educação o que poderia tê-la levado a uma escolha na direção errada, mas isso não aconteceu. O que fez a diferença? (*Efésios 6: 5-8 tem boa parte da resposta). Como podemos entender essa diferença e aplicá-la a nós mesmos? (*“fazendo de coração a vontade de Deus,” v. 6, ú.p.).
As ideias tão originais da mensagem de 1888 são baseadas numa compreensão adequada de Isaías 53 e sua descrição da palavra do Messias. Seu primeiro trabalho foi convencer o mundo do pecado. Naamã tinha tudo o que um pagão podia desejar. Por causa de sua experiência e destreza em vencer pessoas no campo de batalha, (*também por causa de sua:) posição, reputação, riqueza, poder, vitórias militares, e o que parecia ser uma boa casa, tudo era seu, exceto uma coisa.
Muitas pessoas no mundo que têm uma posição razoável na vida acreditam que devem estar felizes, mas têm uma sensação persistente de que algo está faltando. Televisão, Internet, rádio, até mesmo os nossos telefones nos dizem que podemos preencher esse vazio através da compra de um carro novo ou alguma bugiganga que irá captar o nosso interesse pelo tempo que leva uma criança mimada a enjoar-se de outro brinquedo.
O caminho para chegar a essas pessoas nunca é imitar os métodos do mundo, mas seguir o método de Cristo para convencer o mundo do pecado. A única maneira de efetivamente transmitir esse conceito é reconhecer nosso próprio pecado em apropriada humildade. Como fazemos isso? Muitos passam a vida tentando alcançar a grandeza em vez de aceitar serenamente sua posição na vida, como parte do plano de Deus para o seu testemunho específico. Tivesse nossa menina cativa decidido odiar sua nova "família", ela ainda teria que cumprir a sua parte, mas muitos a aplaudiriam por não deixá-los "fazerem a sua cabeça".
Paulo nos instruiu a "considerar tudo como gozo" quando diferentes provações e desapontamentos acontecem conosco, e contentar-nos. Como isso pode acontecer? É contra tudo em que uma mente centrada em si acredita.
Mais uma vez, é ao pé da cruz onde aprendemos esta lição. Um dos aspectos mais difíceis da mensagem de 1888 é o ensinamento de que Cristo morreu por todas as pessoas que já nasceram na raça humana. Os nossos esforços evangelísticos podem, portanto, ser dirigidos e adaptados às necessidades de cada indivíduo, em vez de utilizarmos uma abordagem padronizada. Tendemos a encontrar o maior auditório para preencher com "pecadores" e oferecer-lhes as 28 crenças fundamentais, e fervorosamente exortá-los a serem batizados. Do ponto de vista humano, isto parece o mais eficiente, mas não era o método de Cristo. Ele vivia e viajava entre as pessoas e as considerava amigos. Sua missão sempre foi baseada no fato de que Sua morte foi por todos e cada um deles individualmente, não coletivamente, assim ele não lidava com eles coletivamente. Ao contrário, Ele os curava um a um.
Se aprendermos a tratar cada pessoa que encontramos como alguém por quem Cristo já pagou a sua pena pelo pecado na cruz, reconhecemos que não são diferentes de nós. Podemos amá-las como família, e deixar a nossa preocupação pelo seu bem-estar fluir de Cristo através de nós para elas.
A comunidade evangélica cristã em geral acredita: "A exigência inicial para a cura de Naamã era fé e obediência. Assim que ele venceu seu orgulho e cumpriu a vontade expressa de Deus banhando-se sete vezes no lamacento Jordão, foi curado".1  A ideia é que se cumprirmos todas as pré-condições de Deus, Ele vai nos considerar favoravelmente e nos curar.
A mensagem de 1888 ensina o contrário. Não podemos vencer o nosso orgulho, mas podemos aceitar a vitória de Cristo sobre ele, por obra do Espírito Santo. Nunca poderemos "dar cumprimento à vontade expressa de Deus" o suficiente, fazendo coisas para chamar a Sua atenção. A cura para o pecado exige o pagamento de sua pena, que é a segunda morte. Deus curou Naamã da lepra, símbolo bíblico do pecado, não porque ele se banhou sete vezes no Jordão, mas porque tão certo como todos pecaram, o Senhor certamente já colocou a iniquidade em Cristo (Isaías 53:6). Em outras palavras, Cristo já pagou a dívida total pelo pecado de todos os homens, que é a morte. Mas o pecador carrega esse fardo em seu coração e consciência pecaminosos, até que alguém lhe fale do evangelho e ele creia na Boa Nova.  
Sobre a face de toda a terra, o Espírito Santo traz convicção de pecado, porque o sacrifício do Cordeiro de Deus tem sido aplicado para expiar toda "maldição". A convicção de pecado só é possível se Cristo já pagou a pena por esse pecado (Zac. 5: 1-4).
Quando Naamã banhou-se no rio Jordão, ele estava demonstrando sua aceitação da atração do Espírito Santo, que o estava convencendo da sua grande necessidade. Naamã decidiu que a cura valia a pena o seu orgulho. A mudança havia ocorrido em sua mente, e suas ações fluiram a partir disso. Quando percebemos quão boas são as boas novas, humildade e gratidão são as respostas naturais. As expressões de gratidão de Naamã foram o seu testemunho do poder de Deus para criar vida a partir da morte.
 “Tudo isso é libertação de acordo com “a vontade de Deus,” nosso Pai. “A vontade de Deus é a nossa santificação” (1ª Tess. 4:3). “Quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1ª Tim. 2:4). E Ele "faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade" (Efésios 1:11). “—Está você querendo ensinar salvação universal?” Alguém poderá perguntar. (*Não) nós tentamos simplesmente apontar o que a Palavra de Deus ensina, que “a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2:11). Deus operou a salvação para todos os homens, e a deu a cada um deles; mas a maioria a rejeita e a lança fora. O juízo revelará o fato de que plena salvação foi dada a cada homem, e que os perdidos deliberadamente lançaram fora a posse do seu direito de primogenitura.”2
 “Os dons oferecidos pelo evangelho não devem ser adquiridos às furtadelas, nem fruídos em segredo. ... Nossa confissão de Sua fidelidade é o meio escolhido pelo Céu para revelar Cristo ao mundo. Temos de reconhecer-Lhe a graça segundo nos é dada a conhecer através dos santos homens da antiguidade; mas o que será mais eficaz é o testemunho de nossa própria experiência. Somos testemunhas de Deus, ao revelar em nós mesmos a operação de um poder que é divino. Cada indivíduo tem uma vida diversa da de todos os outros, uma experiência que difere essencialmente da sua. Deus deseja que nosso louvor a Ele ascenda, com o cunho de nossa própria individualidade. Esses preciosos reconhecimentos para louvor da glória de Sua graça, quando corroborados por uma vida semelhante à de Cristo, possuem irresistível poder, eficaz para salvação de almas.”3
Arlene Hill
Notas:

1) Final da lição de quarta-feira, pág. 33 da edição do professor.
2) Ellet J. Waggoner, The Glad Tidings, [Boas Novas]. Você pode encontrar este livro em português em nosso blog: HTTP://agape-edicoes.blogspot.com, que foi ali postado em 31 de outubro de 2011.
Para localizá-lo clique na coluna da direita do blog na seta que aponta para 2011, depois na de outubro. Este texto está no 1º capítulo. A paginação do original em inglês está entre colchetes em negrito ao longo do texto. A citação acima começa na pág. 13 e termina na 14.
3) Ellen G. White, “O Desejado de Todas as Nações, pág. 347.

A irmã Arlene Hill é uma advogada aposentada da Califórnia, EUA. Ela agora mora na cidade de Reno, estado de Nevada, onde é professora da Escola Sabatina na igreja adventista local. Ela foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, que se realizou na sua igreja em maio de 2010, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada no endereço: 7125 Weest 4th Street , Reno, Nevada, USA, Telefone  001 XX (775) 327-4545; 001 XX (775) 322-9642. Ela também foi oradora do seminário “Elias, convertendo corações”, realizado nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, na igreja adventista Valley  Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.
_________________________________

terça-feira, 7 de julho de 2015

Lição 2— Abraão: o primeiro missionário, por Roberto Wieland



Para 4 a 11 de julho de 2015

Na introspecção da lição da semana passada afirmou-se: Após o pecado ter levado o homem a fugir de Deus, Ele chamou um homem que esteve disposto a ouvir a Sua voz, Abraão: “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” (Gên. 12:1, 2). ... O objetivo desta chamada especial foi fazer de Abraão e sua “nação” uma bênção para todo o mundo: “E em ti serão benditas todas as famílias da terra” (vs. 3).
Sendo que a nossa lição da Escola Sabatina dá um interessante relato da progressão da vida e vocação de Abraão, não vamos repassá-lo aqui. Nosso foco estará nas promessas de Deus a Abraão, e como uma compreensão dos dois concertos tornou-se um dos aspectos mais importantes da mensagem de 1888.
O que impressiona muitas pessoas com a beleza daquela “mui preciosa mensagem” (*TM 91)  é sua visão especial do novo concerto, uma “mui preciosa Boa Nova”. Em termos simples, a visão da mensagem de 1888 é a seguinte: a Nova Aliança (*o Novo Concerto) são as promessas de Deus; o velho concerto foram as promessas do povo.
Herdado de séculos de controvérsia, a visão cristã em geral das duas alianças é de que se tratavam de duas “dispensações”. Presumia-se que Deus havia inventado a Antiga Aliança para estar em vigor até ao tempo de Cristo, quando uma nova “dispensação” iria começar como primeira manifestação da Nova Aliança.
À época da assembleia da Associação Geral de 1888, era difícil encontrar quaisquer dois dentre nossos líderes ministeriais que pudessem concordar sobre os detalhes. Nesse contexto surgiram os “mensageiros especiais” (A. T. Jones e E. J. Waggoner) a quem o Senhor tinha “enviado”. Eles declararam que a ideia “dispensacionalista” não é ensinada na Bíblia. As duas alianças não são questões de tempo, ou dispensações: elas seguem lado a lado por toda a história desde a queda do homem no Jardim do Éden. São questões de convicção do coração. Era possível para as pessoas que viviam ao tempo do Antigo Testamento estar vivendo sob a Nova Aliança se tivessem verdadeira fé em Cristo; é possível que vivamos hoje sob a Antiga Aliança, se não entendermos a Boa Nova do Evangelho.1
O testemunho de Ellen White é vital, mas ela sempre quis que nos baseássemos principalmente na evidência bíblica sobre este importante assunto. Waggoner e Jones tinham sido habilitados pelo Espírito Santo para romper o nevoeiro que se havia fechado sobre esse assunto por muitos séculos. A Bíblia tornou-se clara para eles, uma vez que captaram a importância do tema do grande conflito entre Cristo e Satanás e viram a justificação pela fé sob esta luz. Numa visão dada a ela em 1890 foi-lhe mostrado, “Desde que fiz a declaração de sábado passado de que a visão das alianças como tinha sido ensinada pelo irmão Waggoner era verdade, parece que grande alívio veio para muitas mentes.”2
A promessa original da Nova Aliança era que Deus prometeu em Gênesis 3:15 — um  Salvador que feriria a cabeça de nosso inimigo, Satanás. Deus não fez nenhuma menção de que Adão e Eva teriam que prometer nada em troca.
O apóstolo Paulo cita as promessas de Deus a Abraão como a afirmação mais clara da Nova Aliança (Gál. 3:8-18). Há sete promessas maravilhosas em Gênesis 12: 2, 3, tudo para Abraão e seus descendentes pela fé: (1ª) “Farei de ti uma grande nação; (2ª) e te abençoarei, (3ª) e engrandecerei o teu nome; (4ª) e tu serás uma bênção; (5º) e abençoarei os que te abençoarem, (6ª) e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; (7ª) e em ti todas as famílias da terra serão abençoadas”.
Mais tarde (Gên. 13: 14-17; 15: 5) Deus prometeu dar a Abraão não só a terra de Canaã, mas toda a Terra por sua “possessão eterna”, sobre que Waggoner ironicamente comentou dever incluir também a vida eterna, ou ele não poderia desfrutá-la, e isso significava também que deve incluir a justificação pela fé necessária para herdá-la.3 Em outras palavras, na visão de Waggoner (que, como mencionado anteriormente, Ellen White endossou pela sua visão), a Nova Aliança era a essência do “evangelho eterno”, a justificação pela fé, que é a “terceira mensagem angélica”.
Waggoner e Jones foram impressionados com o fato de que quando o Senhor fez essas sete promessas (e outras) a Abraão, Ele não pediu a Abraão que fizesse promessa alguma em troca. Em vez disso, pediu a Abraão que acreditasse que a Sua palavra viria a se realizar. Eles insistiram que quando o Senhor “faz uma aliança”, é uma promessa unilateral de Sua parte.
“Isso é tudo que podemos fazer — receber. Deus nos promete tudo o de que precisamos, e mais do que podemos pedir ou pensar, como um presente. Nós Lhe damos a nós mesmos, que não é nada. E Ele nos dá a Si mesmo, e isto é tudo. O que constitui todo o problema [aqui ele se refere à oposição que vem recebendo dos irmãos] é que, mesmo quando os homens estão dispostos a reconhecer o Senhor em tudo, querem fazer barganhas com Ele. Querem que seja um negócio de igual para igual — uma transação na qual eles podem considerar-se em pé de igualdade com Deus”.4
“O evangelho foi tão pleno e completo nos dias de Abraão quanto sempre foi e sempre será. Nenhuma adição a ele ou mudança nas suas disposições ou condições poderia ser feita após o juramento de Deus a Abraão. Nada pode ser tirado dele como existia, e coisa alguma pode ser exigida de qualquer homem mais do que o que foi exigido de Abraão”.5
A resposta de Abraão às promessas de Deus foi a simples palavra hebraica  ‘AMEN’, o que implica uma apreciação sentida de coração, um acordo de coração com Deus, um compromisso de coração a Ele, assim como quando dizemos “amém” a algo com que concordamos plenamente. Isso é o que Deus quer de nós, pois Ele sabe que isso também irá produzir toda a obediência que a lei exige.
A Nova Aliança foi o pilar central da “mui preciosa mensagem” de 1888, e são as melhores boas novas para missões que poderia ser dada ao mundo. (*É nosso desejo) que a sua verdade seja ressuscitada na Igreja Adventista do Sétimo Dia.

--Extraido dos escritos de Robert J. Wieland
Notas:



1)             Uma clara apresentação deste assunto é encontrado em dois dos livros de Waggoner : The Glad Tidings,  [Boas Novas], e The Everlasting Covenant [O Concerto Eterno]. Você os pode encontrar em português em nosso blog: HTTP://agape-edicoes.blogspot.com).
“O Concerto Eterno”: Os capítulos 1º até o 43º foram postados em agosto de 2010; os capítulos 44º a 47º em setembro de 2010. O índice geral deste livro foi postado em 15 de setembro de 2010.
“Boas Novas”, foi todo postado em um único dia, em 31 de outubro de 2011.
Para localizar um determinado capítulo, na coluna da direita do blog clique no ano desejado e nos meses acima indicados;
2)             Materiais de Ellen G;. White sobre 1888, vol.2, pág. 623, 2ª página da carta W-30 de 1890, págs. 622 a 626. Veja também a pág. 604 da carta S-59 de 1890, págs. 599 a 605. Em ingles você tem este material (The Ellen G. White 1888 Materials,) postado em 1888mpm.org;

3)             Ellet J. Waggoner, The Glad Tidings, [Boas Novas],  pág. 72;                      
4)             Idem, pág. 71;                                      
5)             Idem, pág. 73.
                                                                    
 

O irmão Roberto J. Wieland foi um pastor adventista, a vida inteira, missionário na África, em Nairobe e Kenia. É autor de inúmeros livros. Foi consultor editorial adventista do Sétimo Dia para a África. Ele deu sua vida por Cristo na África. Desde que foi jubilado, até sua morte, em julho de 2011, aos 95 anos, viveu na Califórnia, EUA, onde ainda era atuante na sua igreja local. Ele é autor de dezenas de livros. Em 1950 ele e o pastor Donald K. Short, também missionário na África, em uma das férias deles nos Estados Unidos, fizeram dois pedidos à Conferência Geral: 1º) que fossem publicadas todas as matérias de Ellen G. White sobre 1888, e 2º) que fosse publicada uma antologia dos escritos de Waggoner e Jones. Eles e sua mensagem receberam mais de 200 recomendações de Ellen G. White. 38 anos depois, em 1988, a Conferência Geral atendeu o primeiro pedido, o que resultou na publicação de 4 volumes com um total de 1821 páginas tamanho A4, com o título Materiais de Ellen G. White sobre 1888. Quanto ao segundo pedido até hoje não foi o mesmo ainda atendido.

Asteriscos (*) indicam acréscimos do tradutor.
____________________________