terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Lição 7 — Os ensinos de Jesus e o grande Conflito, por Arlene Hill



Para 6 a 13 de fevereiro de 2016
“E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus” (Apoc. 12; 7 e 8).
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“Miguel” é Cristo Jesus. O grande conflito começou com o orgulho de Lúcifer e existiu muito antes de a Terra ter sido criada. Adão não começou o grande conflito, mas fez a escolha para os seres humanos se alinharem com o seu lado errado. Pela Sua encarnação, vida sem pecado, cruz e ressurreição, Cristo demonstrou que Satã estava mentindo quando difamava o caráter de Deus. Jesus prometeu estar sempre conosco, até o fim dos tempos, quando a controvérsia termina.
O que há de tão errado sobre o conflito? É um fato inevitável da interação humana. Não deveríamos estar conformados com isso agora? Em Sua oração registrada em João 17, Jesus orou por Seus crentes para “que todos sejam um; como Tu, ó Pai, és em Mim e Eu em Ti, que também eles sejam um em Nós; para que o mundo creia que Tu Me enviaste” (João 17:21).
O que Jesus está dizendo é que Ele e Seu Pai são perfeitamente unidos, e Ele quer isso para nós. Em toda a Bíblia, Deus está tentando nos dizer que a união com Ele é o que se perdeu no Éden. Muitos se rebelam contra esse conceito porque acham que vai privá-los de sua vontade individual. Não percebem que sua vontade foi deformada, inclinou-se para o eu, e não para Deus, pelo que não podem confiar em seus desejos.
Muitos dos que anseiam por algo melhor em suas vidas não entendem que este mesmo desejo vem do conflito que têm com Deus. Muitas vezes, para resolver este conflito, as pessoas pensam que precisam se voltar para a religião. Jesus disse: “Tomai sobre vós o Meu jugo”, assim as pessoas fazem o seu melhor para tomar esse jugo, seja o que isso signifique. Para a maioria, a religião significa guardar a lei, de modo que começou a fazer isso só para sentirem a vaga perturbação de que não a estão observando suficientemente bem. Não é fácil guardar a lei de Deus perfeitamente segundo a própria força.
Quanto mais duramente tente, pior se sente, e finalmente fica bravo com Deus, acusando-O de pedir o impossível. Você raciocina que o “jugo” de Deus é muito pesado, muito difícil. Ele não é razoável. Se cedermos a tais pensamentos, fazemos eco à acusação que Satanás usou quando afirmou que Deus é injusto ao exigir guardar a lei de modo absolutamente perfeito. Em sua mente, você está perpetuando o Grande Conflito.
A bênção da mensagem dada aos mensageiros de 1888 é que guardar a lei nunca traz a justiça, mas a crença e aceitação da justiça de Cristo traz a justiça, repouso e paz com Deus. Em sermões logo após a Assembleia da Associação Geral de 1888, A. T. Jones, um dos “mensageiros”, teve isto a dizer:
 “Quando Israel saiu do Egito, eles não conheciam a Deus, só lembrando que Abraão, Isaque e Jacó tinham um Deus, mas não sabiam nada mais. Para fazê-los entender sua condição e o que era pecado, tomou uma de suas próprias palavras e aplicou-a a seu propósito. Ele tomou uma palavra que significa ‘errou o alvo’ e a empregou para expressar o pecado. Agora temos todos pecado e ficamos aquém — isto é o que Paulo quer dizer ‘—erramos o alvo’. Então, quanto mais justiça da lei um homem tem, pior se acha — mais pecador é ele. ...
 “A justiça é o dom da vida de todo aquele que crê, e Jesus Cristo sempre será o propósito da lei a todos os que creem. É a obediência de Cristo que aproveita e não a nossa, que nos traz justiça. Bem, então vamos parar de tentar fazer a vontade de Deus em nossa própria força. Pare tudo isso. Coloque isso longe de você para sempre. Deixe a obediência de Cristo fazer tudo por você e obtenha a força para puxar o arco de modo a que possa atingir o alvo” .1
Então, por que Deus nos dá a lei? A lei foi dada para nos mostrar os nossos pecados, e nossa total incapacidade de atender às demandas perfeitas de suas reivindicações majestosas. Se a lei não pode nos salvar, mas apenas a crença na justiça de Cristo traz a salvação, como é que chegamos à crença?
 “A fé é a coisa mais fácil e mais natural do mundo. Não há nada de maravilhoso sobre a fé, como alguns pensam, e dizem: ‘—Eu tento crer e se não puder, então como posso?’ Mas podemos crer em Deus com as mesmas faculdades com que cremos em outros. Não tente crer — desista disso — e creia. Ou cremos, ou não cremos — então por que não crer? Creia como uma criança, não tente raciocinar a respeito. A fé antecede a razão, ao conhecimento e a tudo o mais. Na escola, a professora apontou a uma letra e nos disse ‘Isso é [a letra] A’, e essa é toda a evidência que temos dela. Nós acreditamos; agora vamos receber o reino do céu como fizemos quando em criança cremos nas palavras da professora. Se formos raciocinar sobre a fé nunca poderemos crer, porque raciocinar quanto à fé é irrazoável, já que o esforço da razão sempre produz dúvida. ...
 “Agora, Romanos 5: 6-8-10, Cristo morreu por você, porque você é ímpio, e ele morreu pelos ímpios, e você pode ser considerado justo agora se crer. A morte de Cristo reconciliou o mundo com Deus, mas nunca salvou ninguém, nem nunca poderá fazê-lo. A Sua morte satisfez a penalidade da lei, mas somos salvos pela vida de Cristo. Leia Romanos 4:25. Por Sua morte, então, temos a reconciliação, por Sua vida justificação, e pela segunda vinda temos salvação — tudo isso sendo necessário para completar o plano da salvação”.2
Que promessas maravilhosas! Crer é a “coisa mais fácil e natural no mundo”. Por que temos tanta dificuldade em crer? O homem que construiu sua casa sobre a rocha ouviu as palavras de Jesus, de modo que ele estava “bem aconselhado.” A sabedoria resultou em ações que resultaram em sua casa manter-se firme. O Grande Conflito é deflagrado em nossas próprias mentes. Se nossas mentes não estão “bem aconselhadas” na Palavra de Deus, não podemos esperar produzir ações sábias. A boa notícia é realmente melhor do que nós pensamos. Nosso orgulho quer raciocinar, mas “Não tente crer — desista disso — (*simplesmente) creia”.
Arlene Hill

Notas da autora:                                                                                

1) A. T. Jones, “The Sabbath Morning Sermon, Nº 1” [“Sermão nº 1, pregado Sábado de manhã”] numa campal na cidade de Ottawa, estado americano de Kansas, em 11 de maio de 1889.

2) A. T. Jones, “The Sunday Morning Sermon on Righteousness Nº 2” [“Sermão nº 2, de domingo de manhã, sobre justiça”], pregado na mesma campal, em 12 de maio de 1889.

A irmã Arlene Hill é uma advogada aposentada da Califórnia, EUA. Ela agora mora na cidade de Reno, estado de Nevada, onde é professora da Escola Sabatina na igreja adventista local. Ela foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, que se realizou na sua igreja em maio de 2010, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada no endereço: 7125 Weest 4th Street, Reno, Nevada, USA, Telefone  001 XX (775) 327-4545; 001 XX (775) 322-9642. Ela também foi oradora do seminário “Elias, convertendo corações”, realizado nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, na igreja adventista Valley Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919 Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.
Nota: Asteriscos (*) indicam acréscimos feitos pelo tradutor.

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Lição 6 — Vitória no Deserto, por Paulo Penno



Para 30 de janeiro a 6 de fevereiro de 2016.

Atenção: Desculpe-nos, tivemos que postar esta introspecção nesta data antes da lição 7.

Cristo é o novo Cabeça de toda a raça humana. “Todos os homens” estão naturalmente “em Adão” num sentido muito real para todos os descendentes dele — a Bíblia diz que todos nós estamos por natureza, por nascimento, “em Adão”. Mas agora, porque Cristo como o Filho de Deus despediu o primeiro Adão de seu trabalho de cabeça da raça humana e assumiu esse posto como novo cabeça da raça humana, todos estamos num sentido real “em Cristo”.
Um exemplo é visto no batismo de Cristo. Quando Ele saiu todo molhado do Rio Jordão e o Pai disse: “Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo”, o Pai ao mesmo tempo “abraça a humanidade”. Jesus estava colocando o Seus braços em torno de toda a raça humana! “Deus falou a Jesus como nosso representante”.1 Vocês são todos como o Meu Filho amado! Agora são uma família!
Isto significa, em linguagem simples, que quando Cristo morreu na cruz, a lei quebrada de Deus (que exige a morte do transgressor) não tem nenhuma reivindicação sobre você, pois Cristo morreu pelos seus pecados e estava “nEle” quando Ele morreu. E Paulo teve o profundo lampejo de perceber que o que isso significa é que você morreu “em Cristo”. Se Cristo não tivesse morrido em seu lugar, você teria morrido. Esse é o sentido no qual “todos morreram” quando Ele morreu.
Jesus teve uma descrição do trabalho que Lhe foi dado pelo Pai: derrotar Satanás na humanidade; libertar a raça humana desse cativeiro do pecado. Entrar na briga onde estava o problema. Assumir sobre a Sua natureza sem pecado (trazida com Ele do céu) a mesma carne do pecado caída que todos os seres humanos têm (todos tendo sucumbido aos ataques do bombardeio de tentações de Satanás). E sem “exceção” e sem “colete à prova de bala”, Jesus entrou no mesmo campo de batalha onde todos nós perdemos a luta. E bem ali Ele “condenou”, derrotou, esmagou, pisoteou o pecado onde tinha desenvolvido raízes na carne humana. Em nossa mesma carne Ele venceu o grande conflito com Satanás, abriu as portas do céu para crentes pecadores arrependidos, e fez alegrarem-se os corações de todo o céu.
Agora, o que vai acontecer por causa de Sua vitória: “Para que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rom. 8: 4). Esse termo “preceito” é uma palavra no original, dikaiomata, que significa que a justiça, que tem sua origem em Cristo, foi comunicada ao ser humano que crê. Aqui, novamente, está a verdade fundamental da mensagem de 1888: é possível para os seres humanos pela fé em Jesus vencer o pecado, a “condená-los” em nossa carne caída e estar prontos numa geração para a segunda vinda de Jesus — algo que nenhum outro grupo pôde ter alcançado em toda a história passada. Deus pretendia que Cristo devesse retornar na era daquela geração de 1888.
Mas esta não é a heresia de “perfeccionismo”. Esta vitória de superação não será uma obra da carne, nem será motivada pelo medo ou orgulho, ou mesmo por uma esperança egoísta de recompensa. Será a obra da graça que abunda muito mais do que todo o pecado que o diabo possa inventar nestes últimos dias.
Hebreus descreve como isso funciona: “E, visto como os filhos [isto é, nós] participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse [grego, paralisasse] o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. Porque, na verdade, Ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. (Heb. 2:14-16).
Nós nunca nos atrevemos a sugerir que Cristo tinha uma natureza pecaminosa. Ele tinha uma natureza sem pecado; mas Ele “revestiu” essa natureza sem pecado com a nossa natureza pecaminosa.a
Por quê? “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos Seus irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Porque naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Heb. 2: 17-18).
Este é o glorioso evangelho de esperança de 1888 que muitos têm sido impedidos de ver. Mas o Senhor o concedeu aos adventistas do sétimo dia, e Ellen White disse que “Deus ordenou que [esta mensagem] fosse dado ao mundo”.2 Apresentava um Cristo que sabe como o pecador é tentado e pode salvá-lo das profundezas do inferno. “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Heb. 4:15).
Tem sido geralmente presumido que levar a sério a superação significa trabalho duro. Mas a mensagem de 1888 tem uma boa nova. Aqui está um exemplo: “Jesus veio ao mundo, e colocou-Se na carne, exatamente onde os homens estão, e enfrentou essa carne assim como ela é, com todas as suas tendências e desejos; e pelo poder divino que Ele trouxe pela fé , ‘venceu o pecado na carne’, e, assim, trouxe a toda a humanidade aquela fé divina que traz o poder divino ao homem para livrá-lo do poder da carne e da lei do pecado, exatamente onde ele está, e para lhe dar domínio assegurado sobre a carne, assim como ela é”.3
 “Aquele que toma a Deus como parte da sua herança, tem um poder operando nele para a justiça muito mais forte do que o poder das tendências hereditárias para o mal, assim como o nosso Pai celestial é maior do que os nossos pais terrenos”.4
Se um povo deve receber tal mensagem de todo o coração, não iria prepará-los para a trasladação para a vinda de Jesus? (Veja 1ª Tes. 4:16, 17).
Paul E. Penno


Notas do autor:

1) O Desejado de Todas as Nações, pág. 113;

2) Testemunhos para Ministros, pág. 92, 1986, e Materiais de Ellen G. White sobre 1888, Vol 3, pág. 1337;

3) A. T. Jones, Estudos sobre Gálatas. Gál. 5: 16-18”, Review and Herald  (18 de setembro de 1900), pág. 600;

4) E.J. Waggoner, O Concerto Eterno, pág. 66.

Nota do tradutor:
a)       É possível que no passado tenhamos cometido este erro, pessoalmente, em nossos e-mails e neste blog.


Paulo Penno é pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Ele foi ordenado ao ministério há 38 anos. Após o curso de teologia ele fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente ele preparou uma extensiva antologia dos escritos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, a qual está incluída na Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também ele escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia,” e, ao longo dos anos, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de 1888. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Ele foi o principal orador do seminário “Elias, convertendo corações”, nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, realizado na igreja adventista Valley  Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia. Você pode vê-lo, no You Tube, semanalmente, explanando a lição da semana seguinte na igreja adventista de Hayward, na Califórnia, em
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Lição 5 — O conflito continua, por Roberto Wieland



Para 23 a 30 de janeiro de 2016

Neste breve ensaio, não é possível fazer justiça a todas as pessoas no Antigo Testamento mencionadas nesta lição —  David, Golias, Bateseba, Elias, Ezequias, Ester e Neemias. Todos enfrentaram eventos em suas vidas que envolveram controvérsia — lemos muitas vezes suas histórias. No entanto, há um que é sinônimo de uma mensagem que será proeminente nestes últimos dias da história da Terra, uma mensagem que (*Apoc. 18:1 explica, vai) “iluminar a terra com glória” — a mensagem de Elias. Portanto, vamos nos concentrar no profeta Elias nesta introspecção.
Nossa lição para segunda-feira diz que Elias “deve ser um dos personagens mais marcantes da Bíblia”. No entanto, muito mais do que um “personagem” cumprindo um papel numa peça, Elias é o “Próximo Grande Evento no Calendário de Deus”.1
A perspectiva deixa intrigadas pessoas atentas em todo o mundo. Elias foi o homem que, sozinho, confrontou o rei apóstata Acabe e a ímpia rainha Jezabel durante a apostasia brutal no culto a Baal (e isso é controvérsia!). Quando os governantes da nação tentaram matá-lo, ele teve que se esconder num local desconhecido junto ao ribeiro de Querite, e mais tarde como convidado de uma viúva na terra pagã de Sidom.
Elias não está morto — ele foi trasladado sem ver a morte, um tipo das pessoas que vivem hoje e que receberão a Jesus na Sua segunda vinda em glória. A grande promessa de Deus é dada em Mal. 4: 5, 6: “Eis que Eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais, ...”
Mas por que a promessa de Deus não foi cumprida? Ou foi, mas nós não a reconhecemos? O que Elias vai fazer quando chegar? Ele deve ser alguém especial, pois foi escolhido para acompanhar a Moisés ressuscitado num diálogo com Jesus no Monte da Transfiguração (Mateus 17) para dar-Lhe encorajamento ao Ele deparar o horror da Sua cruz.
Onde Elias está no universo ninguém sabe. Se Deus já cumpriu Sua promessa e enviou Elias, e nós não o reconhecemos, teria havido alguns modernos “Acabes” e “Jezabeis” que se opuseram a sua vinda e tentaram matá-lo novamente, ou, pelo menos, silenciá-lo? Está Elias-II sendo forçado a se esconder em algum moderno “ribeiro de Querite” ou como convidado de alguma “viúva de Sarepta” estrangeira que está fora de “Israel”?
Quando Acabe e Jezabel tentaram matá-lo e Elias encontrou refúgio em Sidom, Jesus citou esse fato para o grande embaraço e raiva da verdadeira igreja daquele dia. O que os fez ficar irados foram as palavras de Jesus: “Em verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses e houve grande fome em toda a terra; mas a nenhuma delas foi enviado Elias, exceto para Sarepta, na região de Sidom [uma terra pagã] ... Todos na sinagoga, ao ouvirem estas coisas, se encheram de ira . . .” (Lucas 4:25, 26, 28).
Poderia dar-se que Deus teve de confiar o moderno “Elias” a crentes fora de nossas fileiras? Poderia o nosso pecado ser tão grande quanto o do povo de Deus antigamente? Será que Israel moderno odeia Elias-II, tanto quanto o antigo Israel odiava Elias-I?

ESTA PROMESSA DE NOS ENVIAR ELIAS É SEGURA
Jesus promete: “Eu voltarei”, e acreditamos nisso; por isso é que somos adventistas do sétimo dia. Devemos crer em Sua promessa de nos enviar Elias também! É o próximo grande evento em Seu calendário.
Na verdade, o que o Senhor deseja dizer ao mundo é boa nova, e a mensagem de Elias é uma boa notícia. Ele encoraja os nossos filhos. Ele quer uma motivação do Novo Concerto para substituir o nosso Velho Concerto,a consagrado por tanto tempo.
O trabalho e mensagem de Elias serão encontrados na singular verdade da Igreja remanescente da purificação do santuário celestial. Isso levanta a questão: tem nossa negligência dessa verdade (como povo) forçado a mensagem “de Elias” a refugiar-se com o que chamamos de “estrangeiros” como a “viúva de Sarepta”? Sabemos que a maioria dos verdadeiros filhos de Deus ainda está em “Babilônia”. Também esquecemos facilmente que as mensagens dos três anjos de Apocalipse 14 são principalmente direcionadas às Igrejas observadoras do domingo, onde a maioria do povo de Deus deve ser encontrada.

QUAL FOI PROBLEMA FUNDAMENTAL DO ANTIGO ISRAEL?
Algo chamado “culto a Baal”. Somos inclinados a pensar que as pessoas eram ignorantes em confundir uma falsificação aparentemente desajeitada, como Baal, com sendo o verdadeiro Deus. Mas era extremamente sofisticado e sutil. Não se engane em pensar que você é inteligente demais para não ser enganado. Quase todo mundo foi envolvido, a elite incluída.
Quem era Baal? Existe tal coisa como culto a Baal hoje, que representa um desafio a nós como fez ao antigo Israel? Ellen G. White tem alguns sérios lampejos a respeito. É um momento de crise na obra do Senhor:
 “A infidelidade tem feito suas incursões em nossas fileiras, pois é a forma de afastar-se de Cristo e dar lugar ao ceticismo. Com muitos o clamor do coração tem sido: ‘Nós não queremos que este homem reine sobre nós’ [Lucas 19:14]. Baal, Baal, é a escolha. A religião de muitos entre nós será a religião do Israel apóstata, porque amam o seu próprio caminho, e abandonam o caminho do Senhor. A verdadeira religião, a única religião da Bíblia, que ensina o perdão somente através dos méritos de um Salvador crucificado e ressuscitado, que advoga justificação pela fé do Filho de Deus, foi menosprezada, criticada, ridicularizada e rejeitada”.2
A data dá a esta declaração chocante o seu verdadeiro contexto: Ellen White diz que a mensagem da justiça de Cristo de 1888 foi “em grande medida” rejeitada pelos “nossos próprios irmãos” e “mantida longe do mundo”:
 “Excitando aquela oposição, Satanás teve êxito em afastar do povo, em grande medida, o poder especial do Espírito Santo que Deus anelava comunicar-lhes. O inimigo impediu-os de obter a eficiência que poderiam ter tido em levar a verdade ao mundo, como os apóstolos a proclamaram depois do dia de Pentecostes. Sofreu resistência a luz que deve iluminar toda a Terra com a sua glória [Apocalipse 18:1-4], e pela ação de nossos próprios irmãos tem sido, em grande medida, conservada afastada do mundo”.3
Uma definição simples do culto a Baal, tanto antigo quanto contemporâneo, é esta: o culto de si mesmo disfarçado como a adoração de Cristo. É a assimilação do pensamento das “nações” ao nosso redor na moderna “Babilônia”. O único remédio para isso (*é)    : a crucificação do eu “com Cristo”, mas que só se torna possível ao entendermos o que aconteceu na cruz.
No Monte Carmelo, Elias zomba dos pregadores de Baal, exige que demonstrem diante da multidão a mentira que é o seu culto importado a Baal, e ele faz uma oração que nos dá uma pista do que o moderno “Elias” vai fazer quando vier outra vez: “Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo conheça que Tu és o Senhor Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração” (1º Reis 18:37).
Você entendeu isso? “voltar o seu coração” é a principal preocupação de Elias, e será o seu trabalho para a Igreja e para o mundo, quando ele vier pouco antes do retorno de Jesus. E nós sabemos que transformar corações alienados em expiação é algo que só a mensagem da cruz de Cristo pode realizar. Portanto, conclui-se que a mensagem de Elias vai ser levantar a “Cristo e este crucificado”. Jesus diz algo paralelo ao envio de Elias: “Agora é o juízo deste mundo; agora o príncipe deste mundo será expulso e Eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a Mim”. Isto Ele disse, significando de que morte havia de morrer” (João 12: 31-33).

QUEM É “ELIAS” HOJE, E ONDE ELE ESTÁ?
Deus honrou a fé dos judeus honestos dos dias de Cristo e enviou-lhes de “Elias”, em cumprimento da promessa de Malaquias, porque eles esperavam sinceramente que a vinda de seu Messias seria “o grande e terrível dia do Senhor”. Até mesmo os discípulos perguntaram “quem” era e “onde” o seu “Elias” estava. Jesus lhes disse para não olharem para o seu futuro; ele já tinha chegado na pessoa de João Batista (Mateus 11: 11-14).
Mas os dias de João não foram “o grande e terrível dia do Senhor”. Esse dia é agora. Portanto, podemos esperar que “Elias” venha como uma mensagem da mesma forma que a mensagem de João era o cumprimento da promessa de Malaquias.
Existe evidência bíblica de que Elias entendeu e pregou a graça de Deus, isto é, a justificação pela fé? Era ele severo, duro, sem compaixão? Sabemos disso:
1.                      Deus o enviou (1º Reis 17; 18), e “Deus é amor” (1ª João 4:8).
2.                      Sua mensagem foi destacadamente de reconciliação dos corações alienados na vida doméstica e nacional (Mal. 4:5, 6). Isso requereu “graça ilimitada”.
3.                      Sua oração no Monte Carmelo foi serena, simples, de coração e graciosa.
4.                      O “coração” do povo foi “volta de coração. . .” (1º Reis 18:37).
5.                      O que causou isso foi a aceitação por Deus do sacrifício de sangue claramente prefigurado no sacrifício de Cristo na cruz (vs. 33). Não é demais dizer: Elias pregou à nação um grande sermão na cruz naquele dia.
6.                      As pessoas responderam, acreditaram, humilharam o coração antes dessa revelação divina da graça abundante e do perdão de Deus. Mas os sacerdotes de Baal endureceram o coração contra ele; na rejeição desesperançada, crucificaram a Cristo mil vezes. Esta demonstração foi uma miniatura do julgamento no final do milênio (Apoc. 20:11-15). Executar os sacerdotes de Baal era a escolha do povo, a sua vontade unânime. Era claro: seu pecado era imperdoável.
7.                      O fruto do ministério de Elias? Reforma genuína e avivamento. E Deus o trasladou! (*num redemoinho) (2º Reis 2:11). Muito boa evidência da graça.
Vai ser a melhor notícia de que o mundo ou a Igreja já ouviu falar. Sua mensagem será a “terceira mensagem angélica em verdade”, um conceito mais claro do “evangelho eterno” compreendido desde a mensagem de Pentecostes. Mesmo Ellen Harmon não conseguiu captá-lo até depois do grande desapontamento de 22 de outubro de 1844. Quando estava em seus 60s, ela ansiosamente congratulou-se com a mensagem trazida por dois jovens, A. T. Jones e E. J. Waggoner, b na  Assembléia da Associação Geral de 1888, que foi uma compreensão mais clara da justificação pela fé, o começo do alto clamor de Apocalipse 18.
Agora, em nosso tempo, (*nossa ação deve ser) cooperar com “Elias” neste grande trabalho de proclamar ao mundo esta mensagem de “volta de coração”! Você vai encontrá-lo algum dia; você vai ficar feliz em ter trabalhado com ele.

--From the Writings of Robert J. Wieland


Notas do autor:               
1)                       Título de um artigo escrito pelo Pastor Roberto J. Wieland: “O próximo grande evento no calendário de Deus: “—A Vinda de Elias, o Profeta: Quem? Como?”;
2)                       Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, págs.467, 468; de 1890.
3)                       Ellen G. White, Carta a Uriah Smith, Mensagens Escolhidas, livro 1, págs. 234 e 235; 1896
Notas do tradutor:
a)     A diferença entre o Velho e o Novo Concertos (Alianças) é quem faz a promessa: No Novo Concerto é Deus quem promete, e Ele não pede que ninguém prometa nada em troca; no Velho Concerto temos promessas de homens — Êxodo 19:8, primeira parte, e 24:7, última frase. Foi um concerto de obras. Deus fez este concerto com eles simplesmente para que quando fracassassem, sentissem a necessidade de obedecerem (em Cristo) o Messias.  
b)     Temos uma lista de 374 recomendações de Elem G. White (entre 1888 e 1896) às pessoas e a mensagem daqueles dois jovens pastores. Mas, atenção, está tudo em inglês. Mesmo assim quem quiser pode nos solicitar e a mandaremos. Exceto Cristo ninguém recebeu maiores recomendações dentro da Organização Adventista do que estes dois jovens pastores.

O irmão Roberto J. Wieland foi um pastor adventista, a vida inteira, missionário na África, em Nairobe e Kenia. É autor de inúmeros livros. Foi consultor editorial adventista do Sétimo Dia para a África. Ele deu sua vida por Cristo na África. Desde que foi jubilado, até sua morte, em julho de 2011, aos 95 anos, viveu na Califórnia, EUA, onde ainda era atuante na sua igreja local. Ele é autor de dezenas de livros. Em 1950 ele e o pastor Donald K. Short, também missionário na África, em uma das férias deles nos Estados Unidos, fizeram dois pedidos à Conferência Geral: 1º) que fossem publicadas todas as matérias de Ellen G. White sobre 1888, e 2º) que fosse publicada uma antologia dos escritos de Waggoner e Jones. Eles e sua mensagem receberam mais de 200 recomendações de Ellen G. White. 38 anos depois, em 1988, a Conferência Geral atendeu o primeiro pedido, o que resultou na publicação de 4 volumes com um total de 1821 páginas tamanho A4, com o título Materiais de Ellen G. White sobre 1888. Quanto ao segundo pedido até hoje não foi o mesmo ainda atendido.

Asteriscos (*) indicam acréscimos do tradutor.
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