quarta-feira, 22 de abril de 2015

Lição 4 — O chamado para o discipulado, por Paul E. Penno

Para 18 a 25 de abril de 2015

Os irmãos Pedro e André com os seus parceiros Tiago e João tinham passado a noite pescando com arrastão. A parte da noite era a melhor para pesca na Galiléia, mas o árduo trabalho deles nada rendeu por seus esforços. Então, ao amanhecer, eles ancoraram junto à praia seus barcos e passaram a remendar as redes.
O prelúdio para todo o discipulado é o chamado amoroso de Jesus ao pecador. Tal amor atrativo leva ao arrependimento genuíno. Separado de Jesus através da sua labuta noturna, o coração dos discípulos tinha se endurecido na incredulidade. Por conseguinte, não havia nada a mostrar de seus árduos esforços. Mas quando os seus trabalhos se uniram à presença de Cristo, foi Sua palavra que reuniu os peixes do mar.
Até aquele ponto, os discípulos não tinham deixado as suas ocupações para seguirem o Mestre. Jesus fez-lhes o chamado profético: “E Jesus disse a Simão: Não temas; de agora em diante serás pescador de homens” (Lucas 5:10). Embora Pedro e os outros não tivessem qualificações acadêmicas para o serviço evangelístico, o simples fato de que Cristo os escolheu era tudo o de que precisavam. Assim como a palavra de Jesus reunira os peixes, Ele “podia igualmente impressionar corações humanos, atraindo-os com as cordas de Seu amor, de maneira que Seus servos se tornassem ‘pescadores de homens’”.1 Ali estava o Senhor de peixes e pescadores, o Senhor da natureza, o Senhor dos homens e do seu trabalho diário. Todos os seus desejos se tornaram realidade.
A multidão começou a se ajuntar em torno de Jesus. Depois que Ele entrou no barco de Pedro se afastaram um pouco da praia de modo que a multidão crescente pudesse melhorar “ouvir a palavra de Deus” (Lucas 5: 1). Ele falou a “palavra de vida eterna”. Ele falou de “paz aos corações humanos”. “As próprias palavras ... vinham a eles como uma mensagem de esperança na provação, de conforto na dor, de celeste luz em meio as trevas”.2
Jesus era um carpinteiro das elevadas colinas de Nazaré. Pedro e seus companheiros eram pescadores experientes que sabiam quando e onde ir para encontrar peixes. Então, quando Jesus os instruiu a saírem para maior profundidade e lançarem as redes, houve uma reticência inicial por causa da experiência da noite anterior. Eles tinham voltado de mãos vazias.
Mas o “amor por seu Mestre levou os discípulos a obedecer” o Seu comando: “lançai as vossas redes para pescar” (Lucas 5: 4). Imaginem o espanto de Pedro e André quando içaram as redes cheias de tantos peixes que tiveram de pedir a Tiago e João para ajudarem com o seu barco. Os dois barcos estavam transbordando e prestes a “ir a pique”.
Pedro sentiu-se na presença do Criador da natureza. O Espírito Santo impressionou no seu coração o amor de Jesus manifestado no milagre. “A presença da divindade revelou-lhe a própria ausência de santidade. O amor por seu Mestre, a vergonha por sua própria incredulidade, gratidão pela complacência de Cristo, e, sobretudo, o sentido da sua impureza na presença de pureza infinita, tudo o subjugou”.3
Pedro teve um momento intenso, como é descrito pelo apóstolo Paulo: “Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém” (Rom. 12:3). Você e eu não estamos dispensados ​​de escutar isso.
Mas Jesus através de Paulo não pára no meio dessa frase. Ele continua: enquanto eu devo pensar em mim de uma forma humilde, devo também “pensar com moderação, conforme a medida de fé que Deus repartiu a cada um” [inclusive eu!]. Não importa o quanto eu pequei, quão indigno eu sou, Deus me deu um presente pessoal adequado de fé. Ele respeita e honra a minha personalidade (Salmo 139: 5-18). Ele já morreu a minha segunda morte (Heb. 2: 9). Ele me elegeu para a salvação eterna (Efé. 1: 4-6), não querendo que eu pereça (1ª Tim. 2: 4). Cristo já é o nosso “Salvador, ... principalmente” se “acreditarmos” (1ª Tim. 4:10; João 4:42). Portanto, fui convidado para o grande banquete da “ceia das bodas do Cordeiro,” e há um convite com lugar reservado com o meu nome nele — tudo em virtude do sacrifício de Cristo na cruz, quando Ele foi para o inferno para me encontrar.
Será que isso significa que vou continuar vivendo em pecado, rebelião e transgressão da santa lei de Deus? Se o amor (Ágape) de Cristo me constrange e me motiva, não posso viver para mim mesmo, 2ª Cor. 5:14, 15, pois o Espírito Santo é mais forte do que a minha própria natureza pecaminosa com a qual nasci (Gal. 5:16, 17), e a graça de Cristo muito mais abundante é mais forte do que o abundante pecado do mundo (Rom. 5:20).

DISCIPULADO DE 1888
Todos sabemos que um “discípulo” é alguém que segue um professor. Portanto, a lição final em “discipulado” é o que os “144.000” nos ensinam: são os que “estão no monte Sião, . . . tendo o nome do Pai escrito nas suas testas, . . . e seguem o Cordeiro onde quer que vá” (Apoc. 14: 1, 4). “Monte Sião” é a Igreja, o mesmo que “Igreja remanescente” de 12:17. O “Cordeiro” que “está no Monte Sião”, portanto, é Cristo e seu povo totalmente reconciliado; o sacrifício de Cristo será finalmente plenamente vindicado nessas pessoas.
A mensagem de 1888 é sobre o ministério de Cristo no Santíssimo do santuário celestial. Ele ministra ao Seu povo dos últimos dias a “expiação” neste tempo final do ministério sumo-sacerdotal; toda raiz enterrada de inimizade contra Deus ou alienação dEle (cf. Rom. 8: 7) terá sido limpa de seus corações; Seu povo finalmente será “um” com Ele. Este é o significado da profecia de Daniel 8:14: “Então, o santuário será purificado”.
A. T. Jones foi claro quanto ao santuário no céu não poder ser “purificado”, até que primeiro todos os corações do Seu povo na terra sejam “limpos”. Assim, a história dos 144.000 é a da vitória final sobre o pecado — uma vitória conseguida apenas pela fé, não pelas obras.
E aqui é onde a mensagem da justiça de Cristo vem a foco: a santificação é realizada nos corações dos crentes pelo ministério da verdade. “Santifica-os [Teu povo] na Tua verdade; a Tua palavra é a verdade”, o próprio Jesus orou (João 17:17). A isso é que o coração dos 144.000 têm-se submetido.
Assim, a mensagem de 1888 esclarece a verdade do juízo investigativo. O menor sinal do Espírito Santo de que algo na vida está em oposição à “verdade de Deus” levará o crente a isso renunciar com prazer. Como as batidas do coração saudável leva o sangue a ser bombeado por todo o corpo, assim o Espírito Santo está operando por toda a Igreja remanescente. O povo de Deus não perderá tempo ou energia lutando contra a direção do Espírito Santo. Não há nada desse negativo “espírito de 1888”, que constantemente se oponha à liderança do Espírito Santo.
Os 144.000 chegam ao ponto onde pode ser honestamente dito deles, “Estes são os que seguem o Cordeiro [Cristo crucificado] para onde quer que vá” (*Apoc. 14:4). Será que vai ser esta geração que abrirá o coração a esta liderança do Espírito Santo?

Paul E. Penno
Notas:                                                                                  
1) Ellen G. White, em O Desejado de Todas as Nações, pág. 249;
    2) Ídem, pág. 245;
3) Ìdem, pág. 246;
Nota adicional: Esta introspecção desta semana e o vídeo do Pr. Paulo Peno está na internet em http://1888mpm.org 
Paulo Penno é pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Ele foi ordenado ao ministério há 38 anos. Após o curso de teologia ele fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente ele preparou uma extensiva antologia dos escritos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, a qual está incluída na Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também ele escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia,” e, ao longo dos anos, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de 1888. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Ele foi o principal orador do seminário “Elias, convertendo corações”, nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, realizado na igreja adventista Valley  Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia. Você pode vê-lo, no You Tube, semanalmente, explanando a lição da semana seguinte na igreja adventista de Hayward, na Califórnia, em http://www.youtube.com/user/88denver99
Atenção, asteriscos (*…) indicam acréscimos do tradutor.

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Lição 3– Quem é Jesus Cristo?, por Robert J. Wieland

Para 11 a 18 de abril de 2015

A Dinâmica da Mensagem de 1888: Em busca de nós, Cristo veio todo o caminho até onde estamos, tomando sobre Si a “semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, condenou o pecado na carne” (*Rom. 8:3). Assim, Ele é um Salvador (*que está sempre) “perto, à mão, não distante” (* Emanuel”, Isa. 7:14, este nome significa “Deus conosco”, Mat. 1:23). Ele “é o Salvador de todos os homens” (*1ª Tim. 4:10) até mesmo do “principal dos pecadores” (*1ª Tim. 1:15).
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Nossa lição desta semana aborda uma pergunta frequente sobre Jesus: Quem é Ele? Esta pergunta tem absorvido as mentes dos teólogos e pastores sinceros pela maior parte de vários séculos. Centenas, talvez milhares de livros foram escritos para responder a esta pergunta, mas a mensagem de 1888 fornece uma resposta que traz Jesus para fora da neblina teológica — para a luz do sol.
Quem é Ele? “O Filho de Deus” sim, 100% verdade, mas há mais.
Ele estava entre nós, aqui neste planeta cerca de 2.000 anos atrás. “Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O conheceu” (João 1:10). Será que o mundo O conhece melhor hoje? Esperamos que sim; há pessoas no mundo todo que pregam sobre Ele.
Em seu livro The Glad Tidings (pág. 10), Ellet J. Waggoner escreveu: “Todo o ensino do evangelho é baseado na divindade de Cristo. Os apóstolos e profetas estavam tão plenamente imbuídos dessa verdade que isso aparece em todos os lugares em seus escritos. Jesus Cristo é ‘a imagem do Deus invisível’ (Col. 1:15), ‘sendo o resplendor da Sua glória, e é a expressa imagem da Sua pessoa’ (Heb. 1: 3). ‘No princípio ... estava com Deus e o Verbo era Deus’ (João 1: 1)  ‘antes que o mundo existisse’ (João 17: 5). ‘Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele’ (Col. 1:17)”.
Mas pensem no povo de Nazaré; outrora eles amavam Jesus como o bebê de Maria e como uma criança, não sabendo, logicamente, quem Ele era. As mulheres O tratavam carinhosamente como um bebê, e O admiravam como adolescente. Ele voltou uma ocasião para visitá-los e para pregar durante o seu culto do sábado. Anunciou-lhes a Sua “especialidade médica”: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu para pregar o evangelho [Boas Novas] aos mansos, enviou-Me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos [escravos], e restaurar a vista aos cegos [um supremo oftalmologista] e pôr em liberdade os oprimidos” (*Isa. 61:1).
Mas todo aquele amor ao próximo da vizinhança que outrora sentiam por Ele tornou-se azedo e amargo, e tentaram jogá-Lo de sobre um penhasco e matá-Lo, quando Ele lhes anunciou que era o Messias (cf. Luc. 4: 16-29). O que antes fora amor havia se transformado em amargo ódio! Se você provou mesmo um pouquinho disso, pode simpatizar-se com Jesus pela dor que Ele teve de sentir.
A identidade de Cristo
Reconhecer a Sua identidade ainda divide a Igreja em quase todos os lugares. Estamos todos de acordo quanto a Sua divindade: Ele é o Filho divino do Pai, o Criador do universo, absolutamente sem pecado. Mas quem é Jesus em relação a sua encarnação?  
Em geral, (*todos) estamos unidos em vê-Lo como o descendente de Adão; mas o problema é — que Adão? O sem pecado, antes de ele e Eva caírem? Ou é Ele o descendente do Adão caído?
A questão não é se Jesus era ou não perfeitamente sem pecado em Sua encarnação: não temos dúvida quanto à perfeita impecabilidade de Jesus em Sua natureza como ser humano, em Sua encarnação. A questão é: teve Jesus que enfrentar, e condenar o pecado, em Sua natureza humana? Esta é a luta que todos temos. Ou era Jesus “isento” dessa luta, de modo que não tinha nenhuma batalha com o pecado a “vencer”?
Mas Jesus também é “o Filho do homem”. O Pai “enviou” o Seu Filho em “semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, condenou o pecado na carne” (Rom. 8: 3). Ele tornou-Se um de nós, eternamente, para suportar a nossa natureza humana, bem como Sua natureza divina. Isso também é 100% verdadeiro. Mas o que Ele realizou por essa grande condescendência e sacrifício?
O Pai deu a Jesus a “descrição do trabalho” (*que Ele deveria realizar:) — Salve o Mundo Perdido.  A “Descrição de trabalho” de Jesus”, quando o Pai O enviou a este mundo escuro, foi: salve o mundo perdido! (Veja Rom. 8: 3):
1. Derrote Satanás na humanidade;
2. Entre na briga onde o problema está;
3. Tome sobre Sua natureza sem pecado (trazida do céu), a mesma caída, carne e natureza pecaminosas que todos os seres humanos têm;
4. Em seguida, condene ou derrote o pecado ali, no seu último esconderijo no universo;
5. Livre a raça humana desse cativeiro de pecado, (*e)
6. Triunfe no “grande conflito” sobre Satanás.
Sem “exceção”, nem “colete à prova de bala”, Jesus entrou na mesma arena onde todos nós perdemos a batalha. E aqui, em nossa carne e natureza humanas, Ele “condenou”, derrotou, destruiu o pecado. Ele veio aonde o pecado tinha raízes — na carne humana. Em nossa mesma carne Ele ganhou o grande conflito com Satanás, abriu as portas do céu para os pecadores crentes, arrependidos, e alegrou os corações de todo o céu. Cristo fez a Sua obra; Ele realmente “salvou o mundo”.
Mas tanto “Babilônia” quanto Laodiceia não conseguem entender que Jesus morreu a segunda morte de cada pessoa que já nasceu: Ele, “pela graça de Deus provou [a segunda] morte para cada pessoa” (Heb. 2: 9). Não apenas o nosso “sono” (*a primeira morte). O sacrifício na cruz era infinitamente maior do que temos sido capazes de ver. O ensino da imortalidade natural diz que Jesus não morreu realmente a morte real, o nosso salário do pecado — a morte! Assim Ele não “pagou tudo isso”.
Romanos 8: 4 diz o que vai acontecer agora: “Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Aqui está a verdade fundamental da mensagem de 1888: os seres humanos (*quando da volta de Jesus, a última geração) pela fé em Jesus vão vencer o pecado, “condená-lo” em nossa carne decaída, e estarão prontos para a segunda vinda de Jesus — algo que nenhum outro grupo corporativo realizou em toda a história passada.
A Transfiguração
Lucas dá um relato vívido da Transfiguração. Jesus foi glorificado no Monte da Transfiguração, conversando com Moisés e Elias. Luz celestial.
Mas agora Ele retorna para a Sua vida diária de ministério pelas pessoas que sofrem. Ele continua o Seu trabalho no Santuário Celestial. Como nosso Sumo Sacerdote está fazendo “intercessão” por nós (Rom. 8:34.); e João compara Cristo a “um advogado para com o Pai” (1ª João 2: 1). Em outras palavras, Jesus é um advogado de defesa a pleitear o nosso caso “junto ao Pai”. Nosso advogado divino está trabalhando em nosso favor.
Em misericórdia para com a Igreja remanescente (e o mundo), “o Senhor, em Sua grande misericórdia, enviou uma mui preciosa mensagem ao Seu povo”, há mais de 120 anos atrás, que contava a verdade salvadora de uma forma clara e tão simples que uma criança pode entender. Cristo tomou sobre Sua natureza sem pecado a nossa natureza caída e pecaminosa para que pudesse salvar a raça humana do pecado. “Tentado em todos os pontos como nós somos [tentados], mas sem pecado” (Heb. 4:15), Ele livrou toda a raça humana do cativeiro do pecado. Ele disse a Seu Pai que tinha “consumado a obra que Me deste a fazer” (João 17:4).
Mas isso não é tudo da Boa Nova: Ele terá um povo que recebe Sua fé e vai vencer também, “assim como [Ele] venceu” (*Apoc 3:21). Serão aqueles trasladados na segunda vinda de Jesus (cf. 1ª Tes. 4:16, 17).
Na última página da Bíblia, a mais feliz de todas, eu e você somos convidados: “O Espírito [Santo] e a esposa dizem: Vem! E quem ouve, diga: Vem; e quem tem sede, venha; e quem quiser tome de graça da água da vida” (Apoc. 22:17).


Redigido a partir dos escritos de
Robert J. Wieland

O irmão Roberto J. Wieland foi um pastor adventista, a vida inteira, missionário na África, em Nairobe e Kenia. É autor de inúmeros livros. Foi consultor editorial adventista do Sétimo Dia para a África. Ele deu sua vida por Cristo na África. Desde que foi jubilado, até sua morte, em julho de 2011, aos 95 anos, viveu na Califórnia, EUA, onde ainda era atuante na sua igreja local. Ele é autor de dezenas de livros. Em 1950 ele e o pastor Donald K. Short, também missionário na África, em uma das férias deles nos Estados Unidos, fizeram dois pedidos à Conferência Geral: 1º) que fossem publicadas todas as matérias de Ellen G. White sobre 1888, e 2º) que fosse publicada uma antologia dos escritos de Waggoner e Jones. Eles e sua mensagem receberam mais de 200 recomendações de Ellen G. White. 38 anos depois, em 1988, a Conferência Geral atendeu o primeiro pedido, o que resultou na publicação de 4 volumes com um total de 1821 páginas tamanho A4, com o título Materiais de Ellen G. White sobre 1888. Quanto ao segundo pedido até hoje não foi o mesmo ainda atendido.

Atenção: Asteriscos (*) indicam acréscimos do tradutor.
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Lição 2 — O Batismo e as Tentações, por Arlene Hill

Para 4 a 11 de abril de 2015


A Dinâmica da Mensagem de 1888: Batismo simboliza morte para o eu e humilde aceitação do poder do Espírito Santo para resistir à tentação. Sem esse poder, a tentação não pode ser resistida.
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Não foi por acaso que o Espírito Santo dirigiu Jesus a apresentar-Se ao batismo antes de ser levado para o deserto para ser tentado. O batismo é uma demonstração de uma escolha que a pessoa fez de não viver mais para si, mas ser morto simbolicamente para si mesmo e viver só em Cristo Jesus.
A. T. Jones, um dos “mensageiros” de 1888, descreve o batismo desta forma: “Ser uma pessoa batizada em Seu nome significa muito mais do que simplesmente ter a frase recitada sobre ela, seguindo-se o sepultamento na água. Ser batizado em nome do Senhor realmente significa que, assim como a pessoa está sepultada, submissa e foi perdida de vista na água, assim também é a pessoa sepultada, submissa e perdida de vista no nome, caráter, natureza do Senhor. Significa que a velha natureza e caráter originais dessa pessoa não deverão mais ser vistos no mundo, mas, em seu lugar, a natureza e o caráter do Senhor. Significa que ela não deve mais manifestar-se no mundo, mas Deus, ao invés de si mesma, é que será manifestado no mundo nela.1
Por que o batismo seria necessário para o imaculado Cordeiro de Deus, como João Batista deixou implícito quando questionou o pedido de Cristo? “Quando Jesus veio a ser batizado, João reconheceu nEle uma pureza de caráter que nunca tinha antes percebido em qualquer homem. ... Como poderia ele, um pecador, batizar o Inocente? E por que Ele, que não precisava de arrependimento Se submetia a um rito que era uma confissão de culpa a ser lavada?”2 “Por que Jesus precisa ser sepultado, submisso e perdido de vista”, como A. T. Jones descreve acima?
Compreender a natureza que Jesus assumiu em Sua encarnação é a chave. Há dois pontos de vista comuns sobre a natureza de Cristo. A maioria dos teólogos que têm considerado a questão crê que Cristo deve ter a natureza de Adão antes de pecar no Jardim do Éden. Essa natureza “pré-queda” era necessariamente sem pecado. Se o batismo significa “que a velha natureza e caráter original dessa pessoa não deverão mais ser vistos no mundo,  ...” e Cristo veio na natureza pré-queda, Ele não teria nenhuma necessidade de batismo. O ponto de vista dos mensageiros de 1888 é que a única razão pela qual morremos para o eu como indicado pelo batismo é que nós temos uma natureza que é pecaminosa e merece ser “sepultada, submissa, e perdida de vista.”
Porque Jesus veio “em semelhança da carne do pecado” e teria que vencer as tentações nessa carne, Ele foi batizado para significar que estava Se submetendo ao poder do Espírito Santo para cumprir a Sua missão. É importante lembrar que Cristo meramente “assumiu” ou veio “em semelhança” da carne do pecado, Ele não Se tornou pecaminoso. Qual é a diferença, e que importa isso?
Com relação à afirmação de que Deus enviou o Seu Filho “em semelhança da carne do pecado”, Waggoner afirma: “Há uma ideia comum de que isso significa que Cristo simulou a carne pecaminosa, que Ele não tomou sobre si a carne do pecado real, mas apenas o que parecia ser tal”.
Em refutação, Waggoner cita Heb. 2:17 que afirma que Jesus tinha “de ser feito semelhante a Seus irmãos, para que pudesse ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, para expiar os pecados do povo.
Para estabelecer a razão para a vinda de Cristo na semelhança da carne do pecado Waggoner coloca lado a lado Romanos e 2ª Coríntios. Rom. 8: 3, 4 diz que Cristo foi enviado à ‘semelhança da carne do pecado’”, para que a justiça da lei se cumprisse em nós. 2ª Cor. 5:21 diz que Deus ‘O fez pecado por nós’, embora Ele não conhecesse pecado, “para que possamos ser feitos justiça de Deus nEle.’” ...
Para se certificar de que seu público estava claro no ponto, Waggoner insistiu, “o Verbo Se fez carne perfeita em Adão, mas em Cristo era o Verbo feito carne caída. Cristo vai até o fundo, e aí está a carne do Verbo, carne do pecado”.
Num artigo em Signs of the Times, intituladado “Deus manifestado em carne”, Waggoner estipula que os nossos pecados não foram lançado sobre Cristo de uma forma simbólica, mas foram realmente depositados sobre Ele”.3
A pergunta permanece, por que Cristo insistiu em ser batizado? Ele disse a João “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu”. (Mat.3:15). Jesus não recebeu o batismo como uma confissão de culpa por Sua própria conta. Ele Se identificou com os pecadores tomando as medidas que temos de tomar, fazendo o trabalho que temos de fazer. Sua vida de sofrimento e paciência depois de Seu batismo foi também um exemplo para nós.”4 Sendo que Cristo tinha tomado a natureza decaída que precisava de um redentor, Ele precisava simbolizar Sua morte para essa natureza através do batismo. Estamos seguindo o Seu exemplo em espírito e ação.
A Tentação de Cristo                                                                 
“Depois de tentar o homem a pecar Satanás reclamou a terra como sua e denominou-se o príncipe deste mundo. Após ter conformado com a sua própria natureza o pai e a mãe de nossa raça, (*Satanás) pensou estabelecer aqui o seu império”.5 Essa última frase é importante. Quando Adão e Eva escolheram o pecado isso mudou a sua natureza da imagem de Deus para a imagem de Satanás. Deus afirmou ser Todo-poderoso, mas Satanás alegou que Ele tinha perdido o poder sobre a raça humana e que agora a ele pertencia. Também alegou que era impossível para eles observar a lei de Deus e esperava demonstrar isso ao tentar Cristo a ceder ao pecado.
Em certo sentido, Satanás tinha um ponto. Uma vez que Adão caiu, era-lhe impossível observar a lei de Deus em seu próprio poder. Na conversa entre Deus e os dois que caíram no jardim, Deus prometeu “a inimizade entre ti [Satanás] e a mulher, entre a tua descendência e a sua descendência” (Gn 3:15). Sem isso, a mudança na sua natureza teria tornado impossível serem atraídos para outra coisa senão o que fosse egocêntrico e perverso.
Logo após as tentações do deserto “Jesus voltou para a Galiléia no poder do Espírito Santo” (Lucas 4:14). Ele estava ensinando nas sinagogas e veio a Nazaré, Sua cidade natal. Ele leu as palavras de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, pois que Me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-Me a curar os quebrantados do coração, a pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a por em liberdade os oprimidos, a anunciar um ano favorável do Senhor” (Lucas 4:18, 19).
A. T. Jones comentou sobre este evento enfatizando que Jesus não estava usando o Seu próprio poder divino (Ele colocou isso de lado. Ver Filipenses 2) (*“esvaziou-Se”, vs. 7), mas estava vivendo uma vida sem pecado na natureza pecaminosa que havia assumido. “Tenha em mente também estas palavras que Jesus leu naquele dia na sinagoga, e que disse que estavam naquele dia se cumprindo, começando assim: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim’;  e que apenas alguns dias antes disso Ele havia sido batizado com o Espírito Santo, a fim de fazer o que, portanto, estava diante Dele no último período de Sua obra na Terra. . . .
 “No entanto, foi essencial para a conclusão da obra de Deus, naquele dia, que Ele fosse batizado com o Espírito Santo. Nesse período de encerramento de Sua obra houve provações, perseguições, tentações, e a cruz a enfrentar, o que Ele não poderia cumprir com êxito sem este batismo do Espírito Santo. Assim também é essencial para a conclusão da obra de Deus em nossos dias que sejamos batizados com o Espírito Santo. Neste período de encerramento do nosso trabalho há provas, perseguições, tentações e cruzes para enfrentarmos, o que não se pode cumprir com sucesso sem esse mesmo batismo do Espírito Santo.
 “Não só precisamos disso, não só temos de tê-lo, mas graças ao Senhor podemos tê-lo. Deus anseia que o recebamos. O Pai nos ama tanto quanto ama a Jesus. E louve o Seu santo nome quando Ele colocar diante de nós a mesma obra que estava diante de Jesus. Ele nos concede o mesmo Espírito Santo na medida certa para nos preparar para essa obra, assim como Ele a deu a Jesus.
 “Graças a Deus pelo Seu dom inefável, por Seu terno amor, e por Sua liderança suave de Seu povo”.
Arlene Hill

Notas:
1)  A. T. Jones, The Adventist Review and Sabbath Herald, 1º de out. de 1895 (as ênfases são do original).
2) Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, pág.110.
3) J. R. Zurcher, Tocado por Nossos Sentimentos, págs. 74, 75 (Review and Herald Publishing Association, 1999).
4) Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, pág.111.
5) Obra citada, pág. 114                                                                                                                          
6) A. T. Jones, em The Advent Review and Sabbath Herald, de 12 de out. de 1897 (as ênfases são do original).

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