segunda-feira, 23 de maio de 2016

Lição 9 — Ídolos da alma (e outras lições de Jesus), por Arlene Hill



Para 21 a 28 de maio de 2016

Quando Adão e Eva se rebelaram contra a instrução de Deus de não comer da árvore, eles ergueram o primeiro ídolo. Decidiram fazer as coisas “a seu modo”, não o de Deus. A raça humana tem estado adorando o ídolo do eu desde então. A história do jovem rico capta a essência dessa adoração de ídolos, que é a base de todo o pecado. Vamos colocar sua história num contexto moderno para compreendê-la melhor. Vamos chamá-lo de “Rico”.
Rico estava buscando canais de TV e aconteceu num programa de saúde. Ele já sabia muito sobre o assunto, duvidava que esse médico da TV pudesse acrescentar-lhe qualquer coisa. O médico tinha doutoramento adicional em química nutricional e medicina homeopática. Ele está falando sobre plantas de trigo que foram geneticamente modificadas para amadurecer mais rápido. No entanto, isso também torna as plantas mais susceptíveis a pulverização com pesticidas.
Surpreendido e alarmado com o fato de que esse médico sabe algo que ele não sabe, Rico ordena que os funcionários em sua casa eliminem todos os alimentos que contenham trigo e pesticidas. Eles devem ler cuidadosamente os rótulos e abster-se de comprar qualquer coisa que não aprovaria. Ele lança um programa de pesquisa intensa para aprender tudo sobre os perigos que se escondem nos alimentos. Previsivelmente, os servos ficam confusos e algo proibido é introduzido despercebidamente. Rico fica enfurecido e os pune severamente. Então, um dos servos pergunta educadamente se eles poderiam sentar-se com Rico e escrever uma lista dos ingredientes agora proibidos. Horrorizado, ele exclama: “Você não sabe que ficar sentado é tão mau quanto fumar? Proíbo qualquer um dos meus servos de se assentar”.
A lista de alimentos e ingredientes proibidos fica mais longa e mais complicada. Aos poucos, a família torna-se, obviamente, desnutrida e constantemente doente. A enfermeira da escola finalmente os visitas e diz-lhes que, a menos que a sua saúde melhore em breve, ela vai entrar em contato com o Juizado de Menores e fazê-los perder a custódia dos filhos. Furioso com o fato de uma burocrata ignorante estar tentando lhe dizer alguma coisa, ele ordena a seus servos começarem imediatamente a ensinar os filhos em casa.
Rico se orgulha de seu conhecimento superior e é verdade que tem tomado decisões certas para a sua família, mas a ameaça de perder seus filhos o torna muito incomodado. Rico quer encontrar alguém que o aprecie e o admire por seu conhecimento e controle sobre a sua família. Um novo professor escreveu um livro e fez uma série de vídeos postados no YouTube, então Rico decide interrogá-lo. Quando se encontram, Rico lhe pergunta: “Sei que a lei nos obriga a considerar os nossos corpos o templo de Deus. Tenho guardado todas as leis de saúde conhecidas desde a minha juventude. O que mais devo fazer para que Deus me veja como piedoso de modo a levar-me e a minha família para o céu?”
Rico inicialmente sentiu-se confuso com a resposta do Mestre: “Renuncie a todo o seu conhecimento e força de vontade de sua iniciativa e peça a Deus para dar-lhe a bênção da crença, e então será obediente”. Isso não poderia estar certo. Rico tinha trabalhado duro para obter esse conhecimento. Ele tinha vencido muitos argumentos que mostram às pessoas como elas estavam erradas. O seu ministério tornara-se uma espécie de evangelismo de saúde. Isso tinha que contar para alguma coisa. Qualquer um podia crer, o que era fácil de dizer. A prova está no fazer. Rico não percebe que tem o Evangelho às avessas.
Observe a sequência na síntese de E. J. Waggoner: “Assim, pois, os que são da fé são guardiões da lei; pois os que são da fé são abençoados, e aqueles que praticam os mandamentos são abençoados. Pela fé eles obedecem os mandamentos. Sendo o evangelho contrário à natureza humana, nós nos tornamos cumpridores da lei não por cumpri-la, mas por crer. Se trabalharmos para obter a justiça, estaríamos exercendo apenas a nossa própria natureza humana pecaminosa, e assim não chegaríamos para mais perto de justiça, mas para mais longe dela. ... Todos estão debaixo da maldição [da lei], e quem pensa em sair [de debaixo da maldição] por suas próprias obras, lá permanece. Uma vez que a ‘maldição’ consiste em não continuar em todas as coisas que estão escritas na lei, portanto, a ‘bênção’ significa perfeita conformidade com a lei” (E. J. Waggoner, The Glad Tidings, pp. 56, 57, Glad Tidings ed.)
Muitos de nós temos problemas com o conceito de que primeiro aceitamos a bênção de crer, que, por sua vez, faz com que naturalmente nos conformemos perfeitamente com a lei. Vemos nossos traços de caráter, os hábitos que tentamos deter, mas nada funciona. Alguns podem pensar que, mesmo que você seja capaz de ir para um ambiente completamente novo, o caráter que você herdou vai deixar a sua marca em você até a sepultura. Dizem que isso é apenas a maneira como sempre serei. Estou preso nisso, então por que tentar?
Para aqueles que tenham assim pensado, a mensagem de 1888 tem uma notícia maravilhosa. Jesus estava tentando transmitir isto a Nicodemos, quando Ele disse que é necessário nascer de novo. Jesus reescreveu nossa história condenada quando levou a raça humana nEle para a cruz. Não precisamos de ir a um ambiente completamente novo, precisamos acreditar e aceitar que somos criados de novo em Cristo, quando Ele nos redimiu na cruz.
“Alguém pode levianamente dizer: ‘Então, estamos bem em tudo quanto fazemos no que concerne à lei, uma vez que estamos redimidos’. É verdade que todos estão redimidos, mas nem todos aceitaram a redenção. Muitos dizem de Cristo, ‘não queremos que este homem reine sobre nós’ (*Lucas 19: 14), e lançam para longe a bênção de Deus para eles. ... Pare e pense no que isso significa. Permita que a força total do anúncio impressione a sua consciência.
“Cristo nos resgatou da maldição da lei” (*Gál. 3: 13) — de  nossa incapacidade em permanecer em todas as suas exigências justas. Não precisamos pecar mais! Ele cortou as cordas do pecado que nos prendiam de modo que temos apenas que aceitar a Sua salvação a fim de sermos livres de todo pecado que assedia” (Ibid., p. 61).
Parece bom demais para ser verdade, mas é verdade. Não temos senão que aceitá-la.

--Arlene Hill
Notes:

Notas:
O vídeo em inglês do Pr. Paulo Penno desta lição está na internet em:https://www.youtube.com/watch?v=V8Hy2hn6Dakå
Esta lição em inglês está no site http://1888mpm.org

A irmã Arlene Hill é uma advogada aposentada da Califórnia, EUA. Ela agora mora na cidade de Reno, estado de Nevada, onde é professora da Escola Sabatina na igreja adventista local. Ela foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, que se realizou na sua igreja em maio de 2010, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada no endereço: 7125 Weest 4th Street, Reno, Nevada, USA, Telefone  001 XX (775) 327-4545; 001 XX (775) 322-9642. Ela também foi oradora do seminário “Elias, convertendo corações”, realizado nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, na igreja adventista Valley Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919 Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.

Nota: Asteriscos (*) indicam acréscimos feitos pelo tradutor.
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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Lição 8 — Pedro e a Rocha, por Roberto Wieland



Para 14 a 21 de maio de 2016

O imenso prestígio e poder transmitido pelo Templo em Jerusalém inspirava a devoção das multidões quando Jesus as defrontou dizendo: “Eis que a vossa casa vos ficará deserta” (Mat. 23:38), mas uma voz mansa e delicada na história bíblica de Jesus de Nazaré se destaca na consciência. Estes ensinamentos de Jesus chamam a nossa atenção reverente hoje. 
Ele esperou até muito perto do fim de Seus três e meio anos de ministério antes de desafiar Seus discípulos com a pergunta final: “Quem dizeis vós que Eu sou?” (Mateus 16:15). Era-lhes claro que Ele é o Messias esperado, mas quem é Ele?
Deus quer que todos tenhamos perfeita liberdade para decidir a respeito dEle. Lemos em Mateus 16:13 que Cristo perguntou aos discípulos: “Quem os homens dizem ser o Filho do homem?” Os discípulos responderam que as pessoas estavam divididas sobre Ele. Alguns diziam que Ele era João Batista que voltara dentre os mortos, ou o profeta Jeremias, ou outro dos profetas. João nos diz que algumas das pessoas alegavam: “Ele é um bom homem; outros diziam: não; mas ele engana o povo” (João 7:12). Parece bem como é hoje, não é? “Havia uma divisão entre o povo por causa dele” (João 7:43).
Mas quando Jesus perguntou aos discípulos: “Quem dizeis que eu sou?” eles ficaram em silêncio por um momento, e parecia que ninguém se atrevia a falar. Tinham muitas vezes se perguntado quem Ele era. Perceberam que nenhum outro homem era como Ele. O que os maravilhava não era tanto os milagres que Ele realizava, mas o amor perfeito expresso em tudo o que Ele dizia e fazia. Finalmente, Pedro falou para o grupo: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16).
Jesus felicitou-o pela coragem de suas convicções, “Bendito és tu, Simão Barjonas, porque carne e sangue não revelou a ti, mas Meu Pai que está nos céus. E eu te digo que tu és Pedro [petros], e sobre esta pedra [petra; rocha sólida, verdade tão grande como o granito Pré-Cambriano] edificarei a Minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (v. 17, 18).
Petros é uma pequena pedra que se pode lançar ao redor; petra é a pedra fundamental, como é o próprio Cristo. Após o pobre e instável Pedro ter negado a Cristo por três vezes e, portanto, desqualificando-se a si próprio para ser um apóstolo, ele se arrependeu. Todo pensamento de sua importância foi renunciado: ele disse à igreja de seus dias que somente Cristo é “a Rocha” (1ª Pedro 2: 8, Petra). Sabia que não era nada mais do que um petros.

Tem a Igreja do Senhor Sempre Sido Um Corpo Organizado?
Os primórdios da igreja verdadeira podem ser atribuídos ao eterno (ou novo) concerto que o Senhor fez com Abraão há muito tempo: “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei. E Eu farei de ti uma grande nação, . . . e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gên 12:1-3). Assim, o Senhor começou a organizar o Seu povo para ser uma família visível, designada, uma  “nação”. O Seu propósito era que testemunhassem no mundo.
Os descendentes de Abraão foram eleitos para serem o antigo equivalente da igreja organizada de hoje. Deviam publicamente compartilhar e exemplificar a sua fé. Sua nacionalidade era para demonstrar que é possível para os seres humanos funcionarem numa unidade organizada, perfeitamente dedicada à orientação do Senhor.
Essa nação veio a ser conhecida como Israel. Sua história registra uma série de altos e baixos, com muitos episódios sombrios de fracasso corporativo. (Os “baixos” foram o resultado direto da velha ideia de pacto que tinham abraçado por conta própria) (*O velho concerto ded Exodo 19:8 e 24:7). Mas será que suas rebeldias terríveis cancelam a eleição original de Deus? A resposta tem de ser NÃO.
Apesar de terem sido severamente punidos por suas apostasias (especialmente a adoração a Baal), nem Israel nem Judá jamais se tornam Babilônia. Mesmo enquanto estavam cativos em Babilônia permaneceram Israel. A adoração a Baal era uma doença que afligia a corporação, mas não a transformou em Babilônia.

Quem é o “Israel” hoje?
No início do Seu ministério Cristo escolhe os discípulos e ordenou-lhes, exortando-os a proclamarem o evangelho ao mundo. “'Ele nomeou doze' .. . . O primeiro passo devia ser dado agora na organização da igreja que, depois da partida de Cristo, O devia representar na Terra“ (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, pp. 290, 291). “Sobre esta Pedra [sua fé expressa em nEle] edificarei a Minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mat. 16:18). Ele os comissionou a serem uma “corporação” disciplinada e unida: “Como o Pai Me enviou, assim também Eu vos envio” (João 20:21-23). Eles não eram um grupamento desconjuntado de “almas fiéis”. O Espírito Santo continuou a organizar e conduzir os membros em relação à perfeita unidade e coesão.
Quando os judeus finalmente crucificaram a Cristo e rejeitaram os Seus apóstolos em 34 dC, o Senhor não abandonou Seu concerto original; Ele permitiu um “abalo” para testar o Seu professo povo. Dois grupos se tornaram distintos e separados. Os crentes entre eles permaneceram como a Sua verdadeira igreja, e os incrédulos foram sacudidos e lançados fora. Para os judeus incrédulos o Senhor tinha a dizer: “O reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê [produza] os seus frutos“ (Mat. 21:43). A “nação“ era a igreja continuando a ser o verdadeiro Israel.
Também em 34 dC, a nação física de Israel foi rejeitada, mas o verdadeiro Israel arrependeu-se no Pentecostes por causa da fé em Cristo, pois “se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa“ (Gál. 3:29). É assim que aqueles crentes contritos se tornaram o novo Israel, a igreja, a verdadeira “nação a produzir frutos”. A igreja não era um apêndice ou desdobramento de Israel; eram os verdadeiros descendentes de Abraão (Mat. 21:42-45, etc.).
É geralmente aceito entre nós que a moderna Igreja Adventista do Sétimo Dia tem repetido seriamente a história do antigo Israel. Ellen White disse muitas vezes que a nossa rejeição “em grande medida” da mensagem de 1888, mais de um século atrás, era uma repetição da rejeição de Cristo pelos judeus. (*Veja Mensagens Escolhidas, Livro 1, págs. 234 e 235).
Mas a nossa história de 1888 é diferente da dos apóstolos os apóstolos e os anciãos da igreja foram responsivo à liderança do Espírito Santo. O que “o Espírito Santo nos disse“ não fizemos! Mas agora chegou o momento em que devemos responder tão prontamente à Sua liderança como fizeram os apóstolos. O mesmo Espírito Santo que organizou os apóstolos ainda está vivo hoje.

O Que Mantém a Igreja Unida
Quando a igreja primitiva funcionava como em disciplinada coordenação como uma corporação sob a orientação do Espírito Santo, o Senhor respeitou sua organização. Por exemplo, quando Saulo de Tarso foi convertido, o Senhor o fez entrar em comunhão imediata com Sua igreja organizada.
A ideia é bela Boa Nova. Cristo é a “cabeça”, cada crente é automaticamente um membro importante no funcionamento do corpo. Nenhuma organização humana, seja política ou de outra natureza, pode desfrutar tal unidade perfeita, onde cada membro se vê como especialmente criado para preencher uma necessidade. Nada a alimenta como a associação “corpo de Cristo” vivo. Cada pessoa crente descobre nela a sua alegria eterna e seu verdadeiro sentido de auto-identidade e realização.
Bem mais de cem anos depois de Minneapolis e 1888, é chegado o tempo para cumprirmos a visão de Paulo de uma igreja perfeitamente coordenada onde cada membro se sente necessário. Por quase dois mil anos a imagem paulina de genuíno e duradouro “crescimento da igreja“ tem aguardado o seu pleno cumprimento:
 “Não devemos ser mais crianças atiradas de um lado para outro por todo vento de doutrina, ... mas, falando a verdade em amor [Ágape], cresçamos em tudo naquele que é a cabeça — Cristo — do qual todo o corpo, bem ajustado e consolidado por todas as juntas, segundo a operação eficaz pela qual cada segmento cumpre a sua parte, levando ao crescimento do corpo para a sua própria edificação em amor [Ágape]” (Efé. 4:14-6, NIV).
É natural que alguns temam que a igreja e as suas instituições sejam agora muito grandes e complicadas e que nunca será bem sucedida. Mas a Bíblia não dá nenhuma pista de que o crescimento do corpo faça com que a obra do Espírito Santo se torne difícil ou impossível. No geral, a ideia é que o que vai unificar a igreja é a verdade pura, promulgada incondicionalmente e sem reservas por sua liderança. O que aconteceu em 1888 deve ser repetido, mas desta vez num santificado sentido inverso. 
—From the writings of Robert J. Wieland

Notas:

O video do Pr. Paulo Penno desta lição em inglês está na internet em:

Também esta introspecção da lição da Escola Sabatina desta semana está na internet em: http://www.1888mpm.org   

O irmão Roberto J. Wieland foi um pastor adventista, a vida inteira, missionário na África, em Nairobe e Kenia. É autor de inúmeros livros. Foi consultor editorial adventista do Sétimo Dia para a África. Ele deu sua vida por Cristo na África. Desde que foi jubilado, até sua morte, em julho de 2011, aos 95 anos, viveu na Califórnia, EUA, onde ainda era atuante na sua igreja local. Ele é autor de dezenas de livros. Em 1950 ele e o pastor Donald K. Short, também missionário na África, em uma das férias deles nos Estados Unidos, fizeram dois pedidos à Conferência Geral: 1º) que fossem publicadas todas as matérias de Ellen G. White sobre 1888, e 2º) que fosse publicada uma antologia dos escritos de Waggoner e Jones. Estes e sua mensagem receberam mais de 374 recomendações de Ellen G. White. 38 anos depois, em 1988, a Conferência Geral atendeu o primeiro pedido, o que resultou na publicação de 4 volumes com um total de 1821 páginas tamanho A4, com o título Materiais de Ellen G. White sobre 1888. Quanto ao segundo pedido até hoje não foi o mesmo ainda atendido.

Asteriscos (*) indicam acréscimos do tradutor
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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Lição 7, Senhor de judeus e gentios, por Paulo Penno




Para 7 a 14 de maio de 2016


Milhões de adventistas do sétimo dia ao redor do mundo estão estudando sobre como um rapaz desconhecido e os discípulos alimentaram mais de 5.000 judeus e 4.000 gentios com “pão”. Você diria, pensei que fosse Jesus quem alimentou as multidões com “pão”. Sim, mas Ele não poderia ter feito isso sem a ajuda deles.
A criação ex nihilo terminou no sétimo dia no Princípio. Se Jesus não pudesse transformar pedras em pão para aliviar Sua fome no deserto, tampouco poderia criar pão a partir do nada para alimentar os milhares.
 As regras do grande conflito exigem que a Sua fé seja recompensada pela resposta e cooperação daqueles que acreditam nEle. O Seu ministério de Ágape terá sucesso por inspirar o serviço desinteressado de pecadores anteriormente egocêntricos que se tornaram discípulos. Assim, a acusação de Satanás de que é impossível que pecadores separados de Deus revelem compaixão e amor para com o próximo, como exigido pela lei de Deus, se comprovada falsa. A graça muda os corações humanos.
 Jesus disse aos discípulos: “dai-lhes vós [os judeus] de comer” (Mat. 14:16). André encontrou um menino desconhecido que estava disposto a dar o seu almoço constituído por cinco pães de cevada e dois peixes a Jesus (João 6: 8-9). Isso revelou uma negação louvável do eu por um menino faminto, não é mesmo? Foi ele motivado pelo amor de Cristo?
 Jesus aceitou o sacrifício do menino, agradeceu ao Pai pela dádiva tão singela em Suas mãos, orou pedindo Sua bênção sobre ela (João 6:11). Pense nisso, agradecer a Deus por uma fonte tão inadequada de alimentos necessários!
 Então Ele partiu o pão, deu-o a cada um dos discípulos e continuou dando o pão que se multiplicava em Suas mãos segundo eles iam distribuindo — não uma grande pilha de cada vez, só momento a momento, segundo a necessidade se tornava evidente. Assim, os mais de 5.000 judeus foram alimentados com pão.
 No caso dos “quatro mil” gentios (Mat. 15:38, 32), quando Ele expressou compaixão pelas pessoas que estavam tão famintas que poderiam até fraquejar em sua jornada rumo a suas casas, Ele primeiro perguntou aos discípulos: “Quantos pães vocês têm?” (Mat. 15:34). Aparentemente, eles conferiram entre si para dar a resposta à indagação,  “Sete, e uns poucos peixes”. Muito bem, agora Ele podia fazer algo: “Ele tomou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os e deu-os aos discípulos [Ele precisava deles para servirem como garçons!] E os discípulos os deram à multidão” (Mat. 15:36).1
 Como Filho de Deus, Jesus era cheio do Espírito Santo desde o Seu nascimento. Certamente Ele deve ter sido a personificação viva da mensagem dos três anjos. Como? Ele falou e viveu o evangelho eterno. Sua vida foi um constante apelo para que os indivíduos se arrependessem e saíssem do mundo e se separassem para Deus.
 Após trinta anos de trabalho comum na obscuridade, Jesus — o Filho do homem — foi levado pelo Espírito à experiência de conversão.2
 Jesus como o Representante portador dos pecados teve nosso pecado removido e a substituição foi o batismo do Espírito Santo — chuva serôdia. “Ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele” (Mat. 3:16). Jesus foi ungido como o Apóstolo [enviado] de Deus para “iluminar a terra com a Sua glória” (Apo. 18:1). Ele deu testemunho do caráter amoroso de Deus, que procura e salva o perdido. Deus não condena o pecador mas, sim, o convence do pecado, da justiça e do juízo — um verdadeiro ministério de conforto para os “pobres”.
No Seu sermão inaugural na sinagoga sábado pela manhã, Jesus usou como texto de Isaías 61:1-3. “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas ... aos mansos ... a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do Senhor, para que Ele seja glorificado”. E a mensagem para os caminhos e atalhos, as ruas e becos da cidade, é enfaticamente o levar o evangelho aos pobres.
 Esta mensagem e obra de Jesus foi o quarto anjo combinado com a mensagem do terceiro anjo. Ele ensinou os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. Ele ministrou a remissão dos pecados e transmitiu o poder para uma vida restaurada a Deus. Cristo declara que “o pão que Eu darei é a Minha carne ... Eu darei pela vida do mundo”.3 Assim, “não temos nenhuma vida”, exceto a que é comprada por Sua “carne” e “sangue” (João 6:51, 53).
 Jesus deu “pão” às multidões judaicas, que incluíam o povo comum e os líderes da Igreja, chamando assim todos a um arrependimento corporativo. Mas os líderes rejeitaram a Jesus, o verdadeiro Pão.
 Ele deu o pão para todos, incluindo a multidão comum, indiferente, que O via como o Libertador longamente esperado e até formaram um movimento populista para coroá-Lo. Mesmo os Doze se empolgaram com isso no momento. Foi por esta razão que Jesus os enviou para seguirem num barco pelo lago, e ficou para trás para dispersar as multidões (Mat. 14:22).
 Jesus Cristo enviou o Espírito Santo para levantar o Grande Movimento do Segundo Advento. Jesus batizou esse movimento com o Espírito Santo. Individualmente, podemos experimentar o batismo do Espírito Santo e Sua plenitude contínua ao longo de toda a jornada. Mas também é verdade que para nós como um povo devemos juntos experimentar o batismo do Espírito Santo — a chuva serôdia.
 Isto é o que está previsto. “Eu vi outro anjo descer do céu, que tinha grande poder [o batismo do Espírito Santo], e a terra foi iluminada com a sua glória E ele clamou com alta voz [o alto clamor].” (Apo. 18:1).
 Outro anjo nos leva de volta a Apocalipse 14, àqueles três anjos que têm feito um trabalho maravilhoso desde 1831, quando Guilherme Miller apresentou o seu primeiro estudo bíblico sobre as profecias, 185 anos atrás.
 O Senhor Jesus nos enviou “Pão”, o início da chuva serôdia, em 1888 por meio de Seus mensageiros A. T. Jones e E. J. Waggoner.4 Jesus é “pão” para a “vida do mundo” (João 6:33) — judeus e gentios.5 A justificação, perdão dos pecados, é dada a todos, por iniciativa de Deus. Para todos os que comem/recebem este “Pão” Jesus reconcilia com Deus o coração endurecido pelo pecado; e não se pode ser reconciliado com Deus e não ser reconciliado com os Seus mandamentos. Assim, o “pão” é a justificação pela fé coerente com a ideia adventista singular da verdade da purificação do santuário.
Devemos “nós” recuperar em nossa história a ideia singular do “Pão” de 1888 e dá-lo ao mundo? Jesus precisa de “garçons” para que vença no grande conflito.

-Pr. Paulo Penno

Notas finais:

[1] “O alimento se multiplicava em Suas mãos; e as mãos dos discípulos, alcançando ao próprio Cristo, o Pão da Vida, nunca estavam vazias. A pequena quantidade foi suficiente para todos” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, págs. 369, 370 — original em inglês).
[2] “Após Cristo ter dado os necessários passos em arrependimento, conversão e fé em benefício da raça humana, Ele foi até João para ser batizado por ele no Jordão” (Ellen G. White, The General Conference Bulletin (Boletim da Conferência Geral) April 4, 1901, p. 36).
[3] A palavra grega signifca a raça humana inteira e todo o planeta. Mantemos que “pão” é a justificação da vida, que Jesus concedeu a todos, judeus e gentios. Com referência a “pão”, a pena inspirada escreve: “Ele desejou que O reconhecêssemos em Seus dons, para que possam ser, como Ele intenciou, uma bênção para nós. Devia cumprir este propósito a fim de que os milagres de Cristo fossem realizados. ... Nada devia se perder. ... Nem uma palavra que diga respeito a sua salvação eterna devia cair sem utilidade ao chão” O Desejado de Todas as Nações, pág. 368 — original em inglês).
[4] “A mensagem do Senhor mediante os irmãos [E. J.] Waggoner e [A. T.] Jones”, “a luz que é para iluminar toda a terra com sua glória foi resistida, e pela ação de nossos irmãos tem sido em grande medida afastada do mundo” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, Livro 1, págs. 234, 235).
[5] João 6:33-35 não é citado na lição com respeito à alimentação de judeus e gentios. Assim, pode-se procurar em vão pela ideia singular da mensagem de 1888. Deus concede a Jesus, o Pão da Vida, pela justificação do mundo.

Paulo Penno é pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Ele foi ordenado ao ministério há 38 anos. Após o curso de teologia ele fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente ele preparou uma extensiva antologia dos escritos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, a qual está incluída na Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também ele escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia,” e, ao longo dos anos, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de 1888. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Ele foi o principal orador do seminário “Elias, convertendo corações”, nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, realizado na igreja adventista Valley  Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia. Você pode vê-lo, no You Tube, semanalmente, explanando a lição da semana seguinte na igreja adventista de Hayward, na Califórnia, em
Atenção, asteriscos (*…) indicam acréscimos do tradutor.
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