terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Lição 3 — Deus ou mamom?, por Robert Wieland,


Para 13 a 20 de janeiro de 2018
               
                Uma característica importante nos ensinamentos de Cristo era a frequência e seriedade com que Ele repreendia o pecado da avareza e apontava o perigo das aquisições mundanas e o amor desordenado do ganho. Nas mansões dos ricos, no templo e nas ruas, Ele advertia aqueles que perguntavam sobre a salvação: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza" (*Luc. 12: 15). "Não podeis servir a Deus e a Mammom" (*Mat. 6:24). 
-Ellen G. White, The Retirement Years
(Os anos da aposentadoria) pág. 95
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Uma verdade fundamental está subjacente a toda existência humana. Nenhum ser humano em qualquer lugar pode reivindicar título legítimo até mesmo um dólar como sendo dele ou dela. Este princípio, que é o coração da mensagem de 1888, é ensinado em um verso bem conhecido: "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça" (João 3:16 ). Obviamente, isso significa que "o mundo" estava condenado a "perecer" a menos que Deus desse esse presente. É um reconhecimento contundente e direto de que "o mundo" (todos, não apenas crentes) deve tudo a esse presente divino. Ninguém pode acreditar no evangelho sem reconhecer imediatamente que ele agora se relaciona com dinheiro e coisas materiais de uma maneira nova.
Outro texto afirma o mesmo princípio ainda mais claramente: "O amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se Um morreu por todos, logo todos morreram; e Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou" (2ª Coríntios 5:14,15). O idioma original implica que uma nova compulsão agora agarra o coração, mais forte que a velha compulsão do egoísmo.
Esta poderosa verdade coloca um machado na raiz do nosso caso amoroso com o dinheiro. Se acreditarmos que Cristo "morreu por todos", é o mesmo que dizer que morremos junto com Ele e que se Ele não tivesse morrido por todos, todos estaríamos mortos e, portanto, não teríamos nada.
Ellet J. Wagoner diz: "Faz uma grande diferença a quem servimos. O servo deriva sua importância da dignidade daquele que é servido. [O apóstolo] Paulo serviu ao Senhor Jesus Cristo. Todos podem servir ao mesmo Mestre. ‘Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois seus servos daquele a quem obedeceis?’ (Romanos 6:16). Mesmo o servo comum que obedece ao Senhor é servo do Senhor, e não do homem. ‘Ninguem pode servir a dois senhores; porque há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom’ (Mateus 6:24). Nenhum homem pode servir ao Senhor e ter outro serviço além disso" (Waggoner sobre Romanos, págs. 9 e 10).
Você pode agora estar lutando com alguma tentação de colocar algo de que realmente não precisa, ou alguma pessoa, como o objeto da devoção do seu coração em lugar do seu verdadeiro Salvador.

• Antes que seja tentado a sacrificar sua alma, Deus mostra um vislumbre de quão maravilhoso é o Céu.
• Antes de se aferrar a algumas riquezas terrenas, Ele revela a você a verdadeira riqueza de Sua salvação "em Cristo".
• Antes de adorar um "ídolo" terrestre, Ele mostra quão preciosa é a Sua eterna amizade.
• Antes de buscar a realização em alguma fascinação proibida, Ele mostra a preciosidade eterna do amor verdadeiro.
• Antes que você seja deslumbrado pela "glória" das luzes do Rio, a Cidade Maravilhosa, Ele mostra um vislumbre da glória eterna da cruz de Jesus!
Tudo isso está no abençoado preâmbulo dos Dez Mandamentos: "Eu Sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão" (Êx 20,2). Como podemos ser tão estúpidos para deixar qualquer coisa do "Egito" espiritual confundir e nos desorientar?
Então, o que há de errado e o que é certo sobre o uso do dinheiro? Os Dez Mandamentos, se apreciados e seguidos, há muito tempo resolveriam as dolorosas desigualdades econômicas do mundo. Mas eles não conseguiram. Alguns vírus espirituais continuam a criar vastos abismos entre os "que têm" e os "que não têm".
Aqui está a Boa Nova: Quando entendemos e acreditamos no preâmbulo inspirado, quando apreciamos o que o Filho de Deus fez por nós, a idolatria moderna perde o seu charme. Não são as cruzes de ouro, prata ou madeira em igrejas que cativam nossas almas; é a compreensão do amor de Cristo revelado em Sua cruz. À luz dessa cruz de Cristo, o nosso "ídolo" querido se transforma em "cinzas" mesmo antes de adorá-lo! Todo o brilho que uma vez nos atraiu se ofuscou, e realmente começo a "gloriar-me, [“vangloriar-me,” na Bíblia inglesa revisada] ... na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gálatas 6:14).
Deus nunca nos pede para desistir de algo, a menos que, antes de tudo, nos mostre quão precioso é o presente que Ele já nos deu! Talvez possamos dizer isso dessa maneira: Ele nunca nos pede que desistamos de uma boneca até que nos mostre um precioso bebê vivo em nossos braços. Ele nunca nos pede para desistir de um carro de brinquedo de plástico até que primeiro nos mostre que Ele já nos deu um genuíno carro novo.
Herdar a riqueza do universo "em Cristo" por toda a eternidade — é por isso que você não pode colocar outros "deuses" (mammom) diante do Senhor quando acredita na verdade do evangelho. Não é uma viagem a trabalho. É uma viagem de fé. A fé é como uma dinamite; é poderosa, "funciona". Isso o salva antes de você pecar! Isso o salva do pecado!
A solução de Jesus para o nosso egoísmo não é para envergonhar-nos, mas para compartilhar com todos nós a boa nova de que podemos desfrutar de uma vitória dinâmica e prática sobre o amor ao dinheiro.
Uma grande pequena pepita da verdade está em Gálatas 5:16, 17. Se deixar o Espírito Santo segurá-lo pela mão ao escolher caminhar com Ele, você "não pode fazer as coisas más" que, de outra forma, sua natureza pecaminosa desejaria que fizesse!
A partir dos escritos de Robert J. Wieland, 
e outros, como observado.
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Notas:
Veja, em inglês, o vídeo desta 2ª lição do 1º trimestre de 2018, exposta pelo Pr. Paulo Penno, na internet, no sitio: https://youtu.be/2eRaR8pnOXg

Esta lição em inglês está na internet no sitio: 1888message.org/sst.htm
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 Biografia do autor, Pr. Roberto Wieland:        
O irmão Roberto J. Wieland foi um pastor adventista, a vida inteira, missionário na África, em Nairobe e Kenia. Autor de inúmeros livros. Foi consultor editorial adventista do Sétimo Dia para a África. Ele deu sua vida por Cristo na África. Desde que foi jubilado, até sua morte, em julho de 2011, aos 95 anos, viveu na Califórnia, EUA, onde ainda era atuante na sua igreja local. Ele é autor de dezenas de livros. Em 1950 ele e o pastor Donald K. Short, também missionário na África, em uma das férias deles nos Estados Unidos, pediram à Associação Geral que fossem publicadas todas as matérias de Ellen G. White sobre 1888. 38 anos depois, em 1988, a Associação Geral atendeu o pedido, o que resultou na publicação de 4 volumes com um total de 1821 páginas tamanho A4, com o título Materiais de Ellen G. White sobre 1888.
Asteriscos (*) indicam acréscimos do tradutor.
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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Lição 2 — Vejo, quero, pego, por Arlene Hill

Para 6 a 13 de janeiro de 2018

O subtítulo para as lições deste trimestre sobre mordomia é "Motivos do Coração". O aspecto mais importante da mensagem de 1888 é que tudo depende do que move o coração. A menos que aceitemos que nada podemos fazer para nos salvar, nossos esforços para agradar a Deus apresentam um falso evangelho que é sempre guiado pelo eu. Sem a contínua comunhão com o Espírito Santo, qualquer justiça que pensamos ter é considerada por Deus como trapos de imundícia.
A solução é um novo coração, como Davi anseia no Salmo 51: "Cria em mim. Ó Deus, um coração puro..." (*vs. 10). Ele não pede que Deus remende as partes más num coração, de outra forma, muito bom. Devemos aceitar que Deus nos deu o primeiro corpo que Ele criou para nós no primeiro Adão (veja o argumento de Paulo sobre os dois Adãos em Romanos, capítulo 5) e Ele "nos renasce" no segundo Adão (Cristo) e nos dará um corpo completamente novo na ressurreição. A raça humana precisa de um Criador, não mais programas "funcionais" para nos fazer pensar que estamos ficando melhor.
Deus nos criou corpos e tudo o de que necessitamos para dar a estes suporte físico e emocional. Paulo resumiu toda a questão de nossa mordomia para Deus em Romanos 12: 1: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela misericórdia de Deus, que apresenteis os vossos corpos, em sacrifício vivo, santo e aceitável para Deus, que é o seu culto espiritual de adoração" (New American Standard Bible). Usando essa passagem, Ellet J. Waggoner explica que, devido à infinita sabedoria e poder de Deus, "Ninguém pode acrescentar-Lhe nada. Ninguém pode colocar Deus em obrigações para Si. Ninguém pode dar-Lhe algo pelo qual Ele deve receber alguma coisa em troca".1 É somente o que Deus nos deu que podemos devolver a Ele.
Analisando mais a fundo esta passagem em Romanos, Waggoner chega à conclusão de que, uma vez que  Deus nos criou e providenciou tudo o de que necessitamos, Ele não precisa de nada – isto é "razoável que todos submetam-Lhe seus corpos, para Ele controlar. Ele somente tem a sabedoria e o poder de fazê-lo  apropriadamente".2
A extensão da lógica de dar a Ele nossos corpos inclui tudo o mais que Ele nos deu para dar sustento aos nossos corpos, a mais importante das quais é fé. Em essência, Deus nos criou, equipou e nos habilitou para sermos bons mordomos de tudo o que Ele nos deu. A ideia de mordomia tem se tornado associada somente com a responsabilidade financeira, mas é bem mais do que isso.
Waggoner descreve uma completa mudança de atitude devido ao fato de que o pecado nos acometeu. Depois da queda do primeiro Adão, nossa herança proveniente dele está incorporada no título desta lição: "Vejo, quero, pego". Nascemos com orgulho egocêntrico como motivação para tudo o que fazemos. Isso parece desesperador, mas Deus consagrou um novo e vivo caminho que começa com o renascimento (*Hebreus 10:20. Mas veja também ao que isto nos leva em Salmo 119:45 e Tiago 1: 25). Parece uma solução simples, mas o nosso orgulho não nos deixa facilmente. Não temos a tendência natural da humildade. O orgulho sempre está erguendo sua horrível cabeça, principalmente em descobrir maneiras que melhorem o que Deus chamou de “bom”.
"O Orgulho é o Inimigo da Fé. — Os dois não podem viver juntos. Um homem pode pensar com sobriedade e humildade apenas como resultado da fé que Deus dá. . . . O homem que tem confiança em sua própria força e sabedoria, não irá depender do outro. A confiança na sabedoria e no poder de Deus vem somente quando tomamos conhecimento e reconhecemos nossa própria fraqueza e ignorância.
"Fé, um dom de Deus." (*Efé. 2:8, ú.p.).— Essa fé que Deus concede ao homem está descrita em Apocalipse 14:12: "Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus". Deus não dá fé somente aos santos, como ainda lhes dá os mandamentos, mas os santos mantêm a fé, e outros não. A fé que eles mantêm é a fé em Jesus, portanto é a fé de Jesus que é dada aos homens".3
"Guardar" é geralmente o que os mordomos fazem. Eles guardam o que lhes tem sido dado. O mordomo injusto (Lucas 16:13) foi informado de que ele seria demitido por desperdiçar os bens de seu mestre. O mordomo injusto disse: "Eu vejo, eu quero, então eu levo". Quando o mestre descobriu, ele espertamente concedeu descontos aos devedores do seu mestre, não para garantir algum retorno em potencial de "dívidas incobráveis", mas para gerar boa vontade para que os devedores o acolhessem quando ele fosse demitido. Este mordomo não estava "guardando" nada para o seu mestre, estava era manipulando-o. O mestre o elogiou por sua astúcia, esquecendo-Se das segundas intenções do mordomo.
O que Jesus está ilustrando com esta parábola? Aprendemos que todas as pessoas, não apenas os crentes, recebem fé. Deus nos dá a liberdade de mantê-la ou usá-la para propósitos individuais. Muitos cometem o erro de que, uma vez que recebemos apenas uma "medida da fé” (*Rom 12:3), é nossa responsabilidade cultivá-la através da prática. Em outras palavras, Deus não nos deu fé suficiente, então devemos fazer a nossa parte. Esta é outra maneira de negar o poder e a suficiência de Deus.
"Em que medida? — Vimos que a fé é dada a todo homem. Isso pode ser conhecido também pelo fato de que a salvação é dada a cada homem, e colocada ao seu alcance, e a salvação é somente pela fé. . . .
"A questão é, em que medida Deus deu a todos os homens a fé? Isso é realmente respondido no fato já aprendido, de que a fé que Ele dá é a fé de Jesus. A fé de Jesus é dada no dom do próprio Jesus, e Cristo é dado em Sua plenitude a todo homem. Ele provou a morte por cada homem (Heb. 2: 9). "A graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo" (Efésios 4:7). Cristo não está dividido, portanto, a todo homem é dado tudo de Cristo e a toda a Sua fé. Há apenas uma medida".4
Portanto, nossa mordomia é baseada em guardar a fé de Jesus, que nos foi dada em plena medida sem necessidade de nosso crescimento espiritual. Não é preciso fazer nada além de guardar e apreciar o que Deus nos deu. Ninguém naturalmente tem essa inclinação de "motivos do coração", mas, se nos apegarmos às suas promessas pela fé, teremos a mente de Cristo gradualmente substituindo nosso coração, que só pode ver, querer e pegar.
Arlene Hill
Notas Finais:                                                                       
1) Ellet J. Waggoner, Romanos, pág. 177.
2) Ibidem                                                                               
3) Ídem, pág. 179, enfase adicionada;                                   
4) Ibidem                                                                               
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Notas:                                                                                    
Veja, em inglês, o vídeo desta 2ª lição do 1º trimestre de 2018, exposta pelo Pr. Paulo Penno, na internet, no sitio: https://youtu.be/SUGAa76s9Gs

Esta lição está na internet, em inglês, no sitio: 1888message.org/sst.htm

O Pastor Paulo Penno preparou um estudo sobre Romanos, verso por verso, dos capítulos 14, 15 e 16. Se você quiser recebê-lo envie um e-mail para dailybread@1888message.org; solicitando-o.
Diga: Please send me Paul Penno’s study on Romans chapters 14, 15, e 16.
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