quarta-feira, 22 de julho de 2015

Lição 4— A Saga de Jonas, por Mary Chun



[Ou, “Fora com a Saga de Jonas, e, Viva o Arrependimento das Eras — A Lição de Jonas”]

Para 18 a 25 de julho de 2015

Saudamos Mary Chun de volta como redatora de introspecções às lições da Escola Sabatina. Mary realizou um grande esforço de investigação em seu (*neste?) tópico, por isso gostaríamos de compartilhar sua pesquisa com vocês, embora esta dissertação fique um pouco mais longa do que o habitual.
     __________________________                                                                                                       
Jonas é um livro singular por causa de sua mensagem e mensageiro. Ao contrário de outros livros do Antigo Testamento, gira exclusivamente em torno uma nação gentia. Deus se preocupa com os gentios, como também com o povo do concerto, Israel. Vemos o mensageiro de Deus, Jonas, como um profeta relutante que não quer proclamar Sua mensagem por medo de que os assírios fossem reagir e ser poupados pelo Deus compassivo de Israel. Há pontos importantes nesse livro — a tempestade, o lançamento de sortes, os marinheiros, o peixe enorme, os ninivitas, a planta, o verme, e o vento leste. Somente o profeta Jonas não consegue ouvir o chamado de Deus. Todos estes foram usados ​​para ensinar a Jonas uma lição de compaixão e obediência. Vemos expressa a mensagem de 1888 do amor eterno de Deus mais e mais neste livro. Há infinita misericórdia de Deus para todos os povos; e nossa relutância humana em compartilhar Sua misericórdia.
Pensem no fato de Jonas ter sido contemporâneo de Jeroboão II de Israel que ministrou depois da época de Eliseu e pouco antes do tempo de Amós e Oséias. Israel sob Jeroboão II estava desfrutando de um período de ressurgimento e prosperidade. Durante estes anos, a Assíria estava num período de certo declínio. Governantes fracos tinham subido ao trono, mas a Assíria continuava a ser uma ameaça. Na época de Jonas, a crueldade assíria tornara-se lendária. Descrições realistas do tratamento cruel de prisioneiros por eles foram encontradas em registros assírios antigos, durante o nono e sétimo séculos AC.
Deus estava chamando Jonas para ir a Nínive. Vejamos onde está localizada Nínive — a nordeste de onde Jonas estava. A cidade de Nínive foi durante muitos anos a capital do poderoso império assírio. Era considerada uma "grande cidade", uma das cidades mais antigas do antigo Oriente Próximo. Reis assírios eram cruéis e implacáveis. Essa nação pagã tinha invadido e saqueado a pátria dos israelitas em diversas ocasiões antes de Jonas visitar Nínive. O profeta queria que a cidade fosse destruída, e não salva, por causa de sua maldade. Mas as pessoas se arrependeram e foram poupadas por um Deus compassivo, como visto no capítulo 3, versículo 10. O amor de Deus para com o mundo pagão era mais profundo do que Seu mensageiro podia entender ou aceitar.
O amor de Deus pelos gentios não é só revelado no Novo Testamento, o é também no Antigo Testamento. Deus comissionou o profeta hebreu Jonas para proclamar uma mensagem de arrependimento aos assírios. O nacionalismo egoísta de Jonas cegou-lhe o seu propósito como instrumento do plano de salvação de Deus. O livro de Jonas é uma das manifestações mais claras em toda a Escritura do amor e da misericórdia de Deus para com toda a humanidade.
Jonas é parte da coleção dos doze Profetas Menores. Todos os outros livros desta coleção transmitem profecias por profetas genuínos, históricos. Ao colocar Jonas nesta coleção, o compilador dos Profetas Menores considerou o livro de Jonas um relato histórico. Então Jonas é considerado uma figura histórica real, mencionado como um profeta durante o reinado de Jeroboão II de Israel em 2º Reis 14:25, sendo ele apresentado como o filho de Amitai. Yonah (Jonas) é palavra hebraica que significa “Pombo, filho de Minha Verdade". Os pombos sugerem duas coisas para os escritores bíblicos: são facilmente assustados (Sal. 55: 6; Eze. 7:16; Oséias 11:11) e choram (Isa. 38:14; 59:11) (*Na Almeida o verbo empregado é “gemer”).
Sob Jeroboão, as fronteiras de Israel foram expandidas "de acordo com a palavra do Senhor, Deus de Israel, que tinha falado através de Seu servo Jonas, filho de Amitai, o profeta que era de Gate-Hefer" (2º Reis 14:25) . Vamos verificar onde Gate-Hefer está localizada; fica a cinco km ao norte de Nazaré, na Baixa Galileia, tornando Jonas um galileu e profeta do Reino do Norte. Pode-se ver que os milagres no livro de Jonas não são impossíveis para o Deus da Bíblia. E acima de tudo, Jesus, em Mateus 12: 39-41 e Lucas 11: 29-32, falou de Jonas como estando num peixe enorme e pregando em Nínive como se fossem fatos reais. Jesus declarou que "os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a proclamação de Jonas" (Mat. 12:41). Jonas é o único profeta com quem Jesus Se comparou.
Há uma mensagem significativa encontrada no livro de Jonas como indicado no artigo de E. J. Waggoner, "Um livro”, em "The Signs of the Times”, 13 de novembro de 1893: "Tomemos o relato do profeta Jonas. Muitas pessoas sentem-se quase insultadas se lhes fosse dado a entender serem tão simples para nele acreditar. Dizem que isso nunca aconteceu realmente; que o grande peixe não engoliu Jonas, e que teria sido impossível que vivesse três dias em sua barriga. Mas Cristo disse: "Assim como Jonas esteve três dias e três noites na barriga de um grande peixe, assim será com o Filho do Homem: estará três dias e três noites no coração da terra" (Mat. 12:40). Agora, se Jonas nunca esteve no ventre da baleia, e não poderia ter estado, então temos o Salvador comparando a Sua morte e ressurreição a uma impossibilidade. Portanto, negar a história de Jonas é negar o fundamento do evangelho".1
Os quatro capítulos no livro de Jonas são resumidos como segue:
Capítulo 1—A primeira comissão de Jonas, e sua fuga de Deus, resulta em desobediência. Jonas não quer ver Deus poupando os assírios notoriamente cruéis. Pregar uma mensagem de arrependimento para eles seria como ajudar o inimigo de Israel. O "eu" em Jonas, em conjunto com o seu patriotismo, colocava o seu país à frente do seu Deus e recusou-se a representá-Lo em Nínive. Em vez de seguir 800 km a nordeste rumo a Nínive, Jonas tenta ir 3.500 km a oeste para Társis (Espanha), onde paga sua viagem, tomando um navio para a direção oposta. Deus, o criador do mar e da terra, criou uma grande tempestade para perturbar o percurso de Jonas. O seu dormir durante a tempestade provocou o caos para o capitão e marinheiros do navio que temeram por suas vidas, e lançaram sortes para ver quem seria causador da terrível tempestade. A atenção deles voltou-se para Jonas, o indivíduo diferente do grupo, e interrogaram Jonas para descobrir quem ele realmente era e de onde era. Jonas testemunhou-lhes sua identidade como hebreu que estava fugindo do Senhor, e que a tempestade foi causada por seu afastamento da direção de Deus. A tripulação do navio jogou Jonas ao mar, mas eles oraram por misericórdia ao Deus de Jonas ao lançarem-no ao mar para acalmar a tempestade; o que os fez crentes no Senhor. Isso não foi o fim de Jonas, como era esperado; Deus criou um grande peixe para engolir Jonas e impedi-lo de se afogar. Ele esteve no ventre do grande peixe por três dias e três noites. Isto simboliza Cristo em Jonas; antecipa a morte e ressurreição de Cristo, e mostra que a salvação está disponível a todas as pessoas.
Por favor, notem, ao recapitularmos o que é o grande peixe, que, em algumas traduções, é descrito como uma baleia. Agora, uma baleia não é peixe, mas um mamífero. A Bíblia foi escrita em hebraico, aramaico e grego, não em português. E tanto "baleia" quanto "grande peixe" são traduções para o português das palavras originais. A palavra grega traduzida como "baleia" é ‘ketos’ e significa "um grande peixe" de boca escancarada para a rapina.
Capítulo 2—Deus tem uma série criativa de medidas para alcançar o Seu resultado desejado. Enquanto Jonas está dentro da barriga do grande peixe, aquele se torna o seu lugar de oração para passar tempo com Deus, onde profere a sua oração de lamento e ação de graças ao Senhor dos salmos. O Salmo 130 estava na mente de Jonas: "Das profundezas a Ti clamo, ó Senhor" (vs. 1). Pode-se imaginar Jonas orando ao Senhor quando estava no ventre do grande peixe que o engoliu quando fez uma confusão de sua vida, fugindo ao seu dever para com Nínive: "Do ventre do inferno gritei, e Tu ouviste a minha voz. ... Lançado estou de diante dos teus olhos . . .  mas tu fizeste subir a minha vida da perdição, ó Senhor meu Deus” (Jonas 2:2, 4, 6). Deus ouve suas orações e ordena que o grande peixe vomite Jonas para a terra seca, de volta para o lugar onde Deus queria que ele fosse, Nínive. Então, todo esse tempo no ventre do grande peixe, Deus tinha ordenado que o grande peixe navegasse para Nínive. Na verdade, Jonas recebeu transporte grátis para Nínive, cortesia de Deus.
Capítulo 3—A palavra do Senhor veio pela segunda vez a Jonas para ir a Nínive, o que requeria viagem de três dias para o coração da cidade.2 Deus preparou Jonas para dizer apenas cinco palavras em hebraico, que haveria mais 40 dias, e Nínive seria subvertida! Palavras incríveis, um sermão de uma sentença que levou convicção ao povo de Nínive. Fez com que volvessem de seus maus caminhos, e proclamassem um jejum. O profeta é um exemplo ambulante de lição breve de Deus, sua pele sem dúvida esbranquiçada por sua estadia no peixe, convencendo as pessoas a crer. As palavras de Jonas de juízo vindouro são seguidas por uma proclamação real do soberano da cidade para jejum e arrependimento. Essa mensagem alcançou toda a cidade. É um ato incrível ver que todos se voltaram para Deus com arrependimento e jejum, volvendo dos seus maus caminhos. Examinem os versos seguintes (5 e 6): "E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiram-se de saco, desde o maior até ao menor. Esta palavra chegou também ao rei de Nínive; e ele levantou-se do seu trono, e tirou de si as suas vestes, e cobriu-se de saco, e sentou-se sobre a cinza”. Por causa de sua grande misericórdia, “Deus se arrependeu do mal que Ele tinha dito que traria sobre eles" (vs. 10). Isso também se reflete em 2º Crôn. 7:14: "Se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a Minha face e se converter dos seus maus caminhos; então, Eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”.
Capítulo 4—O amor e graça eternos de Deus são contrastados com a raiva e a falta de compaixão de Jonas. Ele está descontente com os bons resultados de sua mensagem, e como isso poderia ser tão crível, porque ele sabe que Deus vai poupar Nínive. Deus emprega suas formas criativas através de uma planta: um verme, e um vento para ensinar a Jonas uma lição de compaixão. As emoções de Jonas mudam de ira (vs. 1), para desânimo (vs. 3), em seguida, dominante alegria (vs. 6), e, daí, desespero (vs. 8) após Deus enviar um verme quando amanheceu o dia seguinte para atacar a planta e esta se secar (vs. 7). Num relato bem-humorado, mas significativo, Jonas é forçado a ver que tinha maior preocupação com a morte de uma planta do que com 120.000 pessoas (vs. 11). A falta de uma perspectiva divina de Jonas faz do seu arrependimento um problema maior do que o arrependimento de Nínive. Se Jonas pudesse ter sido compassivo com as pessoas gentias, poderíamos nos beneficiar com uma lição de arrependimento corporativo, e um ato altruísta do perdão.
Quando as coisas em nossas vidas estão mudando, seja murchando ou ganhando força, nada podemos ver como o culpado, ou como a solução para consertar o problema. Precisamos volver nossos olhos aos céus. A mão e os propósitos de Deus muitas vezes podem passar despercebidos e não reconhecidos, se não tivermos cuidado de considerar Sua participação em eventos da vida.
Romanos 11:33 sugere que conhecer a vontade e perspectiva de Deus está além do alcance de meros seres humanos. Conquanto os Seus caminhos sejam insondáveis ​​e Seus métodos estejam além da nossa capacidade de compreender, Ele graciosamente vai levantar os véus que causam cegueira e dar revelação àqueles que vêm em humildade de coração aberto para ouvirem e receberem a Sua Palavra.
Não percam de vista a preocupação, cuidado de Deus, e atenção aos detalhes quando Ele elaborava os métodos específicos para ensinar a Jonas. A planta não era apenas de qualquer tipo; tinha que ser substancial o suficiente para formar um abrigo e proporcionar sombra. Embora muitos animais pudessem ter tornardo a estadia de Jonas desconfortável, Deus escolheu um verme para prejudicar a planta. Por fim, o vento quente veio do leste. De acordo com Jonas 4: 5, o profeta tinha ido para o leste da cidade. Isso significa que ele não poderia ter-se beneficiado de qualquer proteção que a enorme cidade murada poderia ter-lhe oferecido no outro lado. Deus foi estratégico e detalhado com os métodos utilizados para retransmitir os propósitos divinos à Seu amado profeta.
Toda dificuldade não vem de Deus, mas temos de considerar as implicações divinas de nossas dificuldades. Se a gente só vê os aspectos físicos, podemos perder as verdades espirituais mais profundas que nosso Pai está nos ensinando. Deus deseja o mesmo de nós como de Jonas, uma intimidade com Ele que molda os nossos corações à Sua imagem. Mesmo que requeira uma tempestade, um peixe, uma planta, um verme, e um vento leste quente, Ele vai reverter as coisas para obter o cumprimento do que tem de ser feito.

–Mary Chun



Notas do tradutor:
1)        A inspiração Juvenil de 1987, “Começando com Deus,” de Eric B. Hare, CPB, Tatuí, São Paulo, à pág. 228, relata a história publicada na revista Literary Digest (a revista Seleções?), de 4 de abril de 1896, “que mostra a possibilidade de um homem ser engolido por uma baleia comum e ainda viver. Em fevereiro de 1891  o navio pesqueiro de baleias, “Star of the East”, lançou dois pequenos barcos com homens  e arpões à caça de uma grande baleia que estava não muito distante. Os homens foram bem sucedidos em arpoar a baleia e capturá-la, mas em sua luta, um dos barcos foi atingido pela cauda da baleia e feito em pedaços. Os homens foram lançados ao mar. Finalmente, todos, exceto dois homens foram salvos pelos companheiros do outro barco, e mais tarde foi encontrado o corpo de um dos dois homens desaparecidos. Porém o outro, Tiago (James) Bartley, não pôde ser encontrado em lugar nenhum. Levou um dia e meio para eles levarem a enorme baleia para o convés e retalhá-la. Ao abrir o seu grande ventre, lá estava Tiago Bartley, inconsciente, porém, ainda vivo. Por muitos dias ele ficou delirando, e levou três semanas para recobrar a razão e poder contar a respeito de sua terrível experiência.”
Agora, colhido da internet (http://www.sobrenatural.org/materia/detalhar/8036/engolido_por_uma_baleia/):
  James Bartley “lembrava-se de poucas coisas além da abertura de mandíbulas enormes e de ter escorregado para dentro de um tubo comprido em direção ao estômago da baleia, onde permaneceu por quinze horas, conforme atesta declaração assinada pelo médico de bordo e por todos os outros tripulantes. A declaração de Bartley após sua recuperação foram surpreendentes: ‘Me pareceu que a baleia me tragava ... Me rodeava um muro de carne [...] Me encontrei em um saco muito maior que meu corpo, estava completamente às escuras. Apalpei em volta e toquei diversos peixes. Alguns pareciam estar vivos pois escapuliam por entre meus dedos ... Senti uma forte dor de cabeça e minha respiração se havia tornado muito difícil. Ao mesmo tempo sentia um calor que me consumia. Um calor que ia aumentando. Em todo momento eu estive convencido que ia morrer no estômago da baleia. O tormento era irresistível e o silêncio ali era absoluto. tentei virar-me, mover os braços, as pernas, gritar.  Mas era impossível, minhas idéias estavam perfeitamente claras e a compreensão de minha situação era plena. Por fim, graças a Deus, perdi a consciência’. “A visão de Bartley ficou afetada por essa experiência e sua pele perdeu a cor normal. Passou o resto de seus dias em terra, e morreu com a idade de 39 anos. Fonte: tradução das declarações por Charles Berlitz”. Colhido do site Engolido por uma Baleia | Sobrenatural.org.

2)        “A declaração do capítulo 3, verso 3 de que ‘Nínive era uma cidade muito grande, de três dias de caminho’ provavelmente signifique que tomaria a um homem três dias para cobrir todo o seu território caminhando para baixo e para cima pelas suas ruas, se ele quisesse contatar todas as pessoas que viviam dentro de seus muros” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 4, pág. 1001, escrito em 1953, e revisado em 1976 e 1978).

A irmã Maria Chun é uma enfermeira padrão (com as graduações: RN e BSN), graduada pela Universidade Adventista Andrews, e vive na área de Loma Linda. Ela é membro ativa da igreja da Universidade de Loma Linda, e é a diretora do ministério de Saúde da Universidade de Loma Linda — CHIP = Coronary Health Improvement Project   (Projeto de Melhora da Saúde Coronária). Maria cresceu no sul da California, em cultura chinesa de crenças místicas, mas converteu-se ao adventismo do sétimo dia e agora gosta de estudar a "mui preciosa mensagem" da Justiça de Cristo.

Asteriscos (*) indicam acréscimos do tradutor.
________________________

terça-feira, 14 de julho de 2015

Lição 3 — A missionária inesperada, por Arlene Hill



Para 11 a 18 de julho de 2015

A história desta jovem cativa sem nome capta a essência do espírito de evangelismo — o  amor e preocupação com os outros, independentemente de eles merecerem, ou do que hajam feito para você ou às pessoas que lhe são caras. Esta menina poderia facilmente ter nutrido ódio pelo militar responsável pela vitória que levou à sua captura. Sem dúvida, sua educação na infância quanto ao Ágape de Deus a preparou para esse encontro, mas ela ainda tinha uma escolha a fazer. Ser um espólio de guerra também era parte de sua educação o que poderia tê-la levado a uma escolha na direção errada, mas isso não aconteceu. O que fez a diferença? (*Efésios 6: 5-8 tem boa parte da resposta). Como podemos entender essa diferença e aplicá-la a nós mesmos? (*“fazendo de coração a vontade de Deus,” v. 6, ú.p.).
As ideias tão originais da mensagem de 1888 são baseadas numa compreensão adequada de Isaías 53 e sua descrição da palavra do Messias. Seu primeiro trabalho foi convencer o mundo do pecado. Naamã tinha tudo o que um pagão podia desejar. Por causa de sua experiência e destreza em vencer pessoas no campo de batalha, (*também por causa de sua:) posição, reputação, riqueza, poder, vitórias militares, e o que parecia ser uma boa casa, tudo era seu, exceto uma coisa.
Muitas pessoas no mundo que têm uma posição razoável na vida acreditam que devem estar felizes, mas têm uma sensação persistente de que algo está faltando. Televisão, Internet, rádio, até mesmo os nossos telefones nos dizem que podemos preencher esse vazio através da compra de um carro novo ou alguma bugiganga que irá captar o nosso interesse pelo tempo que leva uma criança mimada a enjoar-se de outro brinquedo.
O caminho para chegar a essas pessoas nunca é imitar os métodos do mundo, mas seguir o método de Cristo para convencer o mundo do pecado. A única maneira de efetivamente transmitir esse conceito é reconhecer nosso próprio pecado em apropriada humildade. Como fazemos isso? Muitos passam a vida tentando alcançar a grandeza em vez de aceitar serenamente sua posição na vida, como parte do plano de Deus para o seu testemunho específico. Tivesse nossa menina cativa decidido odiar sua nova "família", ela ainda teria que cumprir a sua parte, mas muitos a aplaudiriam por não deixá-los "fazerem a sua cabeça".
Paulo nos instruiu a "considerar tudo como gozo" quando diferentes provações e desapontamentos acontecem conosco, e contentar-nos. Como isso pode acontecer? É contra tudo em que uma mente centrada em si acredita.
Mais uma vez, é ao pé da cruz onde aprendemos esta lição. Um dos aspectos mais difíceis da mensagem de 1888 é o ensinamento de que Cristo morreu por todas as pessoas que já nasceram na raça humana. Os nossos esforços evangelísticos podem, portanto, ser dirigidos e adaptados às necessidades de cada indivíduo, em vez de utilizarmos uma abordagem padronizada. Tendemos a encontrar o maior auditório para preencher com "pecadores" e oferecer-lhes as 28 crenças fundamentais, e fervorosamente exortá-los a serem batizados. Do ponto de vista humano, isto parece o mais eficiente, mas não era o método de Cristo. Ele vivia e viajava entre as pessoas e as considerava amigos. Sua missão sempre foi baseada no fato de que Sua morte foi por todos e cada um deles individualmente, não coletivamente, assim ele não lidava com eles coletivamente. Ao contrário, Ele os curava um a um.
Se aprendermos a tratar cada pessoa que encontramos como alguém por quem Cristo já pagou a sua pena pelo pecado na cruz, reconhecemos que não são diferentes de nós. Podemos amá-las como família, e deixar a nossa preocupação pelo seu bem-estar fluir de Cristo através de nós para elas.
A comunidade evangélica cristã em geral acredita: "A exigência inicial para a cura de Naamã era fé e obediência. Assim que ele venceu seu orgulho e cumpriu a vontade expressa de Deus banhando-se sete vezes no lamacento Jordão, foi curado".1  A ideia é que se cumprirmos todas as pré-condições de Deus, Ele vai nos considerar favoravelmente e nos curar.
A mensagem de 1888 ensina o contrário. Não podemos vencer o nosso orgulho, mas podemos aceitar a vitória de Cristo sobre ele, por obra do Espírito Santo. Nunca poderemos "dar cumprimento à vontade expressa de Deus" o suficiente, fazendo coisas para chamar a Sua atenção. A cura para o pecado exige o pagamento de sua pena, que é a segunda morte. Deus curou Naamã da lepra, símbolo bíblico do pecado, não porque ele se banhou sete vezes no Jordão, mas porque tão certo como todos pecaram, o Senhor certamente já colocou a iniquidade em Cristo (Isaías 53:6). Em outras palavras, Cristo já pagou a dívida total pelo pecado de todos os homens, que é a morte. Mas o pecador carrega esse fardo em seu coração e consciência pecaminosos, até que alguém lhe fale do evangelho e ele creia na Boa Nova.  
Sobre a face de toda a terra, o Espírito Santo traz convicção de pecado, porque o sacrifício do Cordeiro de Deus tem sido aplicado para expiar toda "maldição". A convicção de pecado só é possível se Cristo já pagou a pena por esse pecado (Zac. 5: 1-4).
Quando Naamã banhou-se no rio Jordão, ele estava demonstrando sua aceitação da atração do Espírito Santo, que o estava convencendo da sua grande necessidade. Naamã decidiu que a cura valia a pena o seu orgulho. A mudança havia ocorrido em sua mente, e suas ações fluiram a partir disso. Quando percebemos quão boas são as boas novas, humildade e gratidão são as respostas naturais. As expressões de gratidão de Naamã foram o seu testemunho do poder de Deus para criar vida a partir da morte.
 “Tudo isso é libertação de acordo com “a vontade de Deus,” nosso Pai. “A vontade de Deus é a nossa santificação” (1ª Tess. 4:3). “Quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1ª Tim. 2:4). E Ele "faz todas as coisas segundo o conselho de Sua vontade" (Efésios 1:11). “—Está você querendo ensinar salvação universal?” Alguém poderá perguntar. (*Não) nós tentamos simplesmente apontar o que a Palavra de Deus ensina, que “a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2:11). Deus operou a salvação para todos os homens, e a deu a cada um deles; mas a maioria a rejeita e a lança fora. O juízo revelará o fato de que plena salvação foi dada a cada homem, e que os perdidos deliberadamente lançaram fora a posse do seu direito de primogenitura.”2
 “Os dons oferecidos pelo evangelho não devem ser adquiridos às furtadelas, nem fruídos em segredo. ... Nossa confissão de Sua fidelidade é o meio escolhido pelo Céu para revelar Cristo ao mundo. Temos de reconhecer-Lhe a graça segundo nos é dada a conhecer através dos santos homens da antiguidade; mas o que será mais eficaz é o testemunho de nossa própria experiência. Somos testemunhas de Deus, ao revelar em nós mesmos a operação de um poder que é divino. Cada indivíduo tem uma vida diversa da de todos os outros, uma experiência que difere essencialmente da sua. Deus deseja que nosso louvor a Ele ascenda, com o cunho de nossa própria individualidade. Esses preciosos reconhecimentos para louvor da glória de Sua graça, quando corroborados por uma vida semelhante à de Cristo, possuem irresistível poder, eficaz para salvação de almas.”3
Arlene Hill
Notas:

1) Final da lição de quarta-feira, pág. 33 da edição do professor.
2) Ellet J. Waggoner, The Glad Tidings, [Boas Novas]. Você pode encontrar este livro em português em nosso blog: HTTP://agape-edicoes.blogspot.com, que foi ali postado em 31 de outubro de 2011.
Para localizá-lo clique na coluna da direita do blog na seta que aponta para 2011, depois na de outubro. Este texto está no 1º capítulo. A paginação do original em inglês está entre colchetes em negrito ao longo do texto. A citação acima começa na pág. 13 e termina na 14.
3) Ellen G. White, “O Desejado de Todas as Nações, pág. 347.

A irmã Arlene Hill é uma advogada aposentada da Califórnia, EUA. Ela agora mora na cidade de Reno, estado de Nevada, onde é professora da Escola Sabatina na igreja adventista local. Ela foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, que se realizou na sua igreja em maio de 2010, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada no endereço: 7125 Weest 4th Street , Reno, Nevada, USA, Telefone  001 XX (775) 327-4545; 001 XX (775) 322-9642. Ela também foi oradora do seminário “Elias, convertendo corações”, realizado nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, na igreja adventista Valley  Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.
_________________________________

terça-feira, 7 de julho de 2015

Lição 2— Abraão: o primeiro missionário, por Roberto Wieland



Para 4 a 11 de julho de 2015

Na introspecção da lição da semana passada afirmou-se: Após o pecado ter levado o homem a fugir de Deus, Ele chamou um homem que esteve disposto a ouvir a Sua voz, Abraão: “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” (Gên. 12:1, 2). ... O objetivo desta chamada especial foi fazer de Abraão e sua “nação” uma bênção para todo o mundo: “E em ti serão benditas todas as famílias da terra” (vs. 3).
Sendo que a nossa lição da Escola Sabatina dá um interessante relato da progressão da vida e vocação de Abraão, não vamos repassá-lo aqui. Nosso foco estará nas promessas de Deus a Abraão, e como uma compreensão dos dois concertos tornou-se um dos aspectos mais importantes da mensagem de 1888.
O que impressiona muitas pessoas com a beleza daquela “mui preciosa mensagem” (*TM 91)  é sua visão especial do novo concerto, uma “mui preciosa Boa Nova”. Em termos simples, a visão da mensagem de 1888 é a seguinte: a Nova Aliança (*o Novo Concerto) são as promessas de Deus; o velho concerto foram as promessas do povo.
Herdado de séculos de controvérsia, a visão cristã em geral das duas alianças é de que se tratavam de duas “dispensações”. Presumia-se que Deus havia inventado a Antiga Aliança para estar em vigor até ao tempo de Cristo, quando uma nova “dispensação” iria começar como primeira manifestação da Nova Aliança.
À época da assembleia da Associação Geral de 1888, era difícil encontrar quaisquer dois dentre nossos líderes ministeriais que pudessem concordar sobre os detalhes. Nesse contexto surgiram os “mensageiros especiais” (A. T. Jones e E. J. Waggoner) a quem o Senhor tinha “enviado”. Eles declararam que a ideia “dispensacionalista” não é ensinada na Bíblia. As duas alianças não são questões de tempo, ou dispensações: elas seguem lado a lado por toda a história desde a queda do homem no Jardim do Éden. São questões de convicção do coração. Era possível para as pessoas que viviam ao tempo do Antigo Testamento estar vivendo sob a Nova Aliança se tivessem verdadeira fé em Cristo; é possível que vivamos hoje sob a Antiga Aliança, se não entendermos a Boa Nova do Evangelho.1
O testemunho de Ellen White é vital, mas ela sempre quis que nos baseássemos principalmente na evidência bíblica sobre este importante assunto. Waggoner e Jones tinham sido habilitados pelo Espírito Santo para romper o nevoeiro que se havia fechado sobre esse assunto por muitos séculos. A Bíblia tornou-se clara para eles, uma vez que captaram a importância do tema do grande conflito entre Cristo e Satanás e viram a justificação pela fé sob esta luz. Numa visão dada a ela em 1890 foi-lhe mostrado, “Desde que fiz a declaração de sábado passado de que a visão das alianças como tinha sido ensinada pelo irmão Waggoner era verdade, parece que grande alívio veio para muitas mentes.”2
A promessa original da Nova Aliança era que Deus prometeu em Gênesis 3:15 — um  Salvador que feriria a cabeça de nosso inimigo, Satanás. Deus não fez nenhuma menção de que Adão e Eva teriam que prometer nada em troca.
O apóstolo Paulo cita as promessas de Deus a Abraão como a afirmação mais clara da Nova Aliança (Gál. 3:8-18). Há sete promessas maravilhosas em Gênesis 12: 2, 3, tudo para Abraão e seus descendentes pela fé: (1ª) “Farei de ti uma grande nação; (2ª) e te abençoarei, (3ª) e engrandecerei o teu nome; (4ª) e tu serás uma bênção; (5º) e abençoarei os que te abençoarem, (6ª) e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; (7ª) e em ti todas as famílias da terra serão abençoadas”.
Mais tarde (Gên. 13: 14-17; 15: 5) Deus prometeu dar a Abraão não só a terra de Canaã, mas toda a Terra por sua “possessão eterna”, sobre que Waggoner ironicamente comentou dever incluir também a vida eterna, ou ele não poderia desfrutá-la, e isso significava também que deve incluir a justificação pela fé necessária para herdá-la.3 Em outras palavras, na visão de Waggoner (que, como mencionado anteriormente, Ellen White endossou pela sua visão), a Nova Aliança era a essência do “evangelho eterno”, a justificação pela fé, que é a “terceira mensagem angélica”.
Waggoner e Jones foram impressionados com o fato de que quando o Senhor fez essas sete promessas (e outras) a Abraão, Ele não pediu a Abraão que fizesse promessa alguma em troca. Em vez disso, pediu a Abraão que acreditasse que a Sua palavra viria a se realizar. Eles insistiram que quando o Senhor “faz uma aliança”, é uma promessa unilateral de Sua parte.
“Isso é tudo que podemos fazer — receber. Deus nos promete tudo o de que precisamos, e mais do que podemos pedir ou pensar, como um presente. Nós Lhe damos a nós mesmos, que não é nada. E Ele nos dá a Si mesmo, e isto é tudo. O que constitui todo o problema [aqui ele se refere à oposição que vem recebendo dos irmãos] é que, mesmo quando os homens estão dispostos a reconhecer o Senhor em tudo, querem fazer barganhas com Ele. Querem que seja um negócio de igual para igual — uma transação na qual eles podem considerar-se em pé de igualdade com Deus”.4
“O evangelho foi tão pleno e completo nos dias de Abraão quanto sempre foi e sempre será. Nenhuma adição a ele ou mudança nas suas disposições ou condições poderia ser feita após o juramento de Deus a Abraão. Nada pode ser tirado dele como existia, e coisa alguma pode ser exigida de qualquer homem mais do que o que foi exigido de Abraão”.5
A resposta de Abraão às promessas de Deus foi a simples palavra hebraica  ‘AMEN’, o que implica uma apreciação sentida de coração, um acordo de coração com Deus, um compromisso de coração a Ele, assim como quando dizemos “amém” a algo com que concordamos plenamente. Isso é o que Deus quer de nós, pois Ele sabe que isso também irá produzir toda a obediência que a lei exige.
A Nova Aliança foi o pilar central da “mui preciosa mensagem” de 1888, e são as melhores boas novas para missões que poderia ser dada ao mundo. (*É nosso desejo) que a sua verdade seja ressuscitada na Igreja Adventista do Sétimo Dia.

--Extraido dos escritos de Robert J. Wieland
Notas:



1)             Uma clara apresentação deste assunto é encontrado em dois dos livros de Waggoner : The Glad Tidings,  [Boas Novas], e The Everlasting Covenant [O Concerto Eterno]. Você os pode encontrar em português em nosso blog: HTTP://agape-edicoes.blogspot.com).
“O Concerto Eterno”: Os capítulos 1º até o 43º foram postados em agosto de 2010; os capítulos 44º a 47º em setembro de 2010. O índice geral deste livro foi postado em 15 de setembro de 2010.
“Boas Novas”, foi todo postado em um único dia, em 31 de outubro de 2011.
Para localizar um determinado capítulo, na coluna da direita do blog clique no ano desejado e nos meses acima indicados;
2)             Materiais de Ellen G;. White sobre 1888, vol.2, pág. 623, 2ª página da carta W-30 de 1890, págs. 622 a 626. Veja também a pág. 604 da carta S-59 de 1890, págs. 599 a 605. Em ingles você tem este material (The Ellen G. White 1888 Materials,) postado em 1888mpm.org;

3)             Ellet J. Waggoner, The Glad Tidings, [Boas Novas],  pág. 72;                      
4)             Idem, pág. 71;                                      
5)             Idem, pág. 73.
                                                                    
 

O irmão Roberto J. Wieland foi um pastor adventista, a vida inteira, missionário na África, em Nairobe e Kenia. É autor de inúmeros livros. Foi consultor editorial adventista do Sétimo Dia para a África. Ele deu sua vida por Cristo na África. Desde que foi jubilado, até sua morte, em julho de 2011, aos 95 anos, viveu na Califórnia, EUA, onde ainda era atuante na sua igreja local. Ele é autor de dezenas de livros. Em 1950 ele e o pastor Donald K. Short, também missionário na África, em uma das férias deles nos Estados Unidos, fizeram dois pedidos à Conferência Geral: 1º) que fossem publicadas todas as matérias de Ellen G. White sobre 1888, e 2º) que fosse publicada uma antologia dos escritos de Waggoner e Jones. Eles e sua mensagem receberam mais de 200 recomendações de Ellen G. White. 38 anos depois, em 1988, a Conferência Geral atendeu o primeiro pedido, o que resultou na publicação de 4 volumes com um total de 1821 páginas tamanho A4, com o título Materiais de Ellen G. White sobre 1888. Quanto ao segundo pedido até hoje não foi o mesmo ainda atendido.

Asteriscos (*) indicam acréscimos do tradutor.
____________________________