quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Lição 4 — Ser e Fazer, por Arlene Hill



Para 18 a 25 de outubro de 2014


Tiago 1:22 nos diz: "... sede cumpridores da palavra." A Nova Bíblia Americana Padronizada, traduz "mas mostrai-vos cumpridores da palavra." James Moffatt traduz, "Atue na palavra."
Torne-se "praticantes da Palavra" ou "faça o que a Palavra diz." Qual é a diferença? Não é complicado. É tão simples como o velho e o novo concertos. Quando Israel primeiro prometeu "Tudo o que o Senhor tem falado faremos" (Êxo 19: 8) eles tinham acabado de chegar ao Sinai, mas o Senhor ainda não tinha dado os Dez Mandamentos. Eles realmente não tinham ideia do que Deus estava pedindo deles, mas o que quer que fosse eles achavam que eles é que iriam fazê-lo.
Isto parece pateticamente ingênuo considerando como a história de Israel demonstra que eles falharam miseravelmente. Suas promessas foram estimuladas pela sua mentalidade de escravos. Um escravo ordinariamente age de acordo com as ordens de seu mestre, independentemente da sua própria vontade. O velho ditado "a razão não é nossa, mas apenas o fazer ou morrer,"1 descreve um escravo. Quando os seres humanos pensam de Deus como um senhor de escravos, há um conflito constante entre a vontade de Deus e a vontade do ser humano. Quando nossos primeiros pais escolheram fazer as coisas à sua maneira, no Jardim do Éden, este conflito foi incorporado à nossa herança genética. Adão e Eva tinham estado em paz com Deus antes de sua escolha, mas depois, o conflito foi inevitável.
Nós não compreenderemos Tiago enquanto pensarmos de sua epístola "como" um livro de dicas úteis para a vida cristã feliz. Nós interpretamos sua instrução sublime para se tornar "praticantes" da Palavra como "execute a palavra." Nós acreditamos que ele está dando instruções sobre o que fazer, quando ele está realmente nos dizendo o que ser.
Quando os irmãos se reuniram no Concilio de Jerusalém, em 51 d. C., foi Tiago, irmão de Cristo, que "presidiu" a reunião (Atos 15:13). Ele permitiu todos terminarem de falar, então fez um sumário e ofereceu uma solução. A questão era se os novos conversos gentios precisavam ser circuncidados para serem salvos. Paulo e Barnabé resistiram aos promotores desta ideia como trazendo um evangelho diferente. A controvérsia foi entre o evangelho verdadeiro e um falso. Ele recomendou que a circuncisão não fosse necessária, mas que os novos conversos se abstivessem: de comida oferecida aos ídolos; da prostituição; de comer animais mortos por estrangulamento, e de comer sangue. Isto pareceu bem aos irmãos, mas o assunto não morreu. Durante todo o ministério de Paulo, os judeus subversivos prosseguiram, tentando dar às pessoas um evangelho falso.
Há pelo menos duas maneiras principais de falsificar o evangelho puro da liberdade em Cristo. Uma delas é a alegação de que a liberdade significa que não há restrições, de modo que o crente não precisa cooperar com o Senhor na recriação dos nossos corações pecaminosos. Nós podemos continuar pecando até que Jesus venha e então, uma mudança mágica acontecerá num piscar de olhos.
A outra falsificação é o legalismo comum envolto em termos mais cristãos do que judaicos. Estes cristãos legalistas cometem o mesmo erro que os judeus fizeram ao pensarem que, se formos exteriormente corretos Deus não vai notar que não temos dado a Ele o nosso coração.
Tomando um exemplo do tempo de Paulo, vamos imaginar que alguém traga comida oferecida aos ídolos para o junta-panelas da trivial festa Ágape. O primeiro diácono sabe de onde a comida veio, assim ele calmamente a remove. A pessoa que trouxe a comida ainda não entende a restrição, e mesmo que a ação do diácono o tenha impedido de comer o alimento proibido, ele estava fazendo a vontade do diácono, não a sua própria. A questão é que Deus quer que nossas ações ou abstenções brotem de um coração recriado. Ele não pode aceitar até mesmo ações corretas que fluem de uma mente sem arrependimento tentando enganar as pessoas e Deus para levá-los a pensar que as ações são genuínas.
Isto torna a maioria das pessoas nervosas. Elas perguntam: "não temos que fazer alguma coisa enquanto esperamos por Deus mudar o nosso coração?" É verdade que existe alguma coisa, mas esta coisa não é tentar esforçadamente ser bom.
Ellet J. Waggoner, um dos dois “mensageiros” de 1888, expressou estes conceitos de maneira clara e simples em um artigo de 1980 publicado na revista Signs of the Times:
"No décimo sexto verso do terceiro capítulo de Colossenses ocorre esta exortação: ‘A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria.’ Este texto, corretamente entendido, resolve o problema da vida cristã. ... Que existe um poder na palavra de Deus, muito acima do de qualquer outro livro, não se pode duvidar. ... A palavra escondida no coração protege contra o pecado. ... A palavra do Senhor é a semente pela qual o pecador nasce de novo. ... Enquanto aqueles que são de Cristo, são nascidos do Espírito, a palavra de Deus é a semente da qual eles são desenvolvidos em novas criaturas, em Cristo. A Palavra, então, tem o poder de dar vida ... Isto é afirmado muito claramente pelo próprio Jesus em João 6:63: "O Espírito é que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que Eu vos disse são espírito e vida." Isso mostra que o poder do Espírito de Deus habita na palavra de Deus.
"Com o conhecimento de que a palavra de Deus é a semente pela qual os homens são gerados para uma nova vida, e que o esconder a palavra no coração guarda um homem de pecar, podemos facilmente compreender 1ª João 3: 9: "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a Sua semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus." ... É claro que a palavra pode fazer isso apenas para aqueles que a recebem com fé simples. Mas a palavra não perde nenhum de seu poder. Se a alma, nascida de novo mantém essa poderosa palavra sagrada, pelo qual ele foi gerado, vai mantê-lo ainda uma nova criatura. É tão poderosa para preservar, quanto o é para criar. ... O Espírito é dado para trazer a verdade à lembrança, na época da provação; mas o que não se aprendeu não se pode lembrar. Mas se ele escondeu a palavra em seu coração, o Espírito, na hora da tentação, trará à sua lembrança exatamente a parte que vai frustrar o tentador.
"Muitas pessoas sinceramente anseiam por Cristo vir habitar em seus corações, e elas imaginam que a razão por que Ele não o faz é porque elas não são boas o suficiente, e elas sem sucesso tentam tornar-se tão boas de modo que Ele possa condescender em vir. Essas pessoas se esquecem de que Cristo vem ao coração, não porque está livre do pecado, mas, a fim de livrá-lo do pecado; e eles, possivelmente, nunca percebem que Cristo é a palavra, e aquele que torná-la uma companheira constante, irá render-se à sua influência, terá Cristo habitando . Aquele que tem escondida a palavra em seu coração, que nela medita de dia e de noite, e que crê nela com a fé simples da infância, tal pessoa tem Cristo habitando em seu coração pela fé, e vai experimentar Seu potente e criativo poder."1

--Arlene Hill

Nota (a 1ª é do tradutor):

1) Uma simplificação do ditado citado acima seria, “Nossa obrigação é simplesmente executar o que nos é dito para fazer, ainda que morramos em razão disto.” Este velho ditado é de um poeta inglês, da época Vitoriana, Alfred Tennyson (1809-1892). Geralmente lembrado como o poeta mais representativo da era Vitoriana.
 [2] Extraído de Cristo e Sua Justiça, do capítulo "O Espírito Santo Opera Através da Palavra," págs. 152-157, edições Glad Tidings; originalmente publicado em "Signs of the Times, de 14 de julho de 1890.

A irmã Arlene Hill é uma advogada aposentada da Califórnia, EUA. Ela agora mora na cidade de Reno, estado de Nevada, onde é professora da Escola Sabatina na igreja adventista local. Ela foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, que se realizou na sua igreja em maio de 2010, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada no endereço: 7125 Weest 4th Street , Reno, Nevada, USA, Telefone  001 XX (775) 327-4545; 001 XX (775) 322-9642.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Lição 3 - Suportando a Provação, por Daniel Peters



Para 11 a 18 de outubro de 2014

A "Mensagem de 1888" não é outra mensagem, em adição a todas as outras mensagens, mas é a Escritura pura e nada mais que isso. Esta mensagem apresenta justificação mediante a fé em Jesus; ela convida a todos para receber a justiça de Cristo, que se manifesta na obediência a todos os mandamentos de Deus. Esta a mensagem do terceiro anjo."1
A justiça de Cristo é a obediência a todos os mandamentos de Deus. Só Cristo pode fazer isso e só Cristo pode nos impedir de pecar.
O título de Nossa lição desta semana está alinhado com o poder desta mensagem e começamos com o verso principal da nossa lição: "Bem-aventurado o homem que suporta perseverantemente, a tentação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida a qual o Senhor prometeu aos que O amam." “Portanto ... receba com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas" (Tiago 1:12, 21).
A "bênção" do homem é definida da seguinte forma: "Deus tendo ressuscitado a Seu Servo Jesus, enviou-O para o abençoar, no apartar, a cada um de vós, das vossas maldades" (Atos 3:26). Assim, uma pessoa que se converteu de suas iniquidades, não peca ou, nas palavras do texto de nossa lição, "Bem-aventurado o homem que suporta a tentação."
Uma breve palavra sobre suportar a tentação: Se a "palavra implantada" é recebida com mansidão, o homem suporta a provação e é guardado de pecar pois esta palavra é Jesus e Ele é o único que é capaz de salvar as nossas almas. Um homem que humildemente recebe esta Palavra é justificado pela fé, porque a Palavra só pode ser recebida pela fé."
"Cristo é, principalmente, a Palavra de Deus, a expressão do pensamento de Deus, e as Escrituras são a Palavra de Deus, simplesmente porque elas revelam Cristo."2
Antes de Jesus nascer, um anjo do Senhor apareceu a José em um sonho e disse: "E chamarás o Seu nome Jesus, porque Ele salvará o Seu povo dos pecados deles" (Mateus. 1:21). Agora, Jesus salvar "o Seu povo dos seus pecados" é o mesmo que dizer que Jesus nos impede de pecar sendo "atraído e engodado pela [nossa] própria concupiscência" (Tiago 1:14). Ele faz essa ação somente a partir de dentro e nunca de longe. (Observe que o texto de Mateus não diz que vai "tentar salvar o seu povo," mas que Ele vai salvá-los!)
A "palavra implantada" é o próprio Jesus Cristo. Ele é o Evangelho a Boa Nova, o Salvador do mundo todo. O homem só é capaz de resistir à tentação por causa da humanidade de Cristo e Seu sacrifício como sendo nós e por nós. "Na busca de nós, Cristo veio para onde nós estamos, tomando sobre Si "a semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, condenou o pecado na carne." Assim, Ele é o Salvador ao "alcance da mão, e não de longe” Ele é o Salvador de todos os homens," até mesmo "o principal dos pecadores." Mas os pecadores têm a liberdade de recusar-Lo e rejeitá-Lo."3
Da lição de sexta-feira, lemos: "O plano da redenção visa a nossa completa libertação do poder de Satanás. Cristo separa sempre do pecado a alma contrita. Veio para destruir as obras do diabo, e tomou providências para que o Espírito Santo fosse comunicado a toda pessoa arrependida, para guardá-la de pecar.” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, pág. 311).
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós." (João 1: 1, 14). Habitou entre nós é o mesmo que dizer habita em nós - por isso, é "Cristo em vós, a esperança da glória", que é a palavra implantada.
"E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou das mesmas coisas" (Heb. 2:14). Observe o texto apenas diz que Jesus era um participante da carne e do sangue dos "filhos" nós somos os filhos. "Por isso, em todas as coisas Ele tinha de ser feito como nós.” "Porque naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados" (Heb, 2: 1, 18). Porque é Jesus que "sabe livrar os piedosos da provação" (2ª Pedro 2: 9).
"Já estou crucificado com Cristo, e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim" (Gal. 2:20). Cristo vivendo "em mim" é o evangelho na sua totalidade. É o mistério de Deus, que enviou o Seu Filho para salvar o Seu povo de ceder à tentação.
Aqueles que resistem a tentação são de Cristo e "crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências" (Gal. 5:24). Alonzo T. Jones, um dos dois mensageiros de 1888, escreveu: "O Espírito de Deus é gratuitamente dado a todos os crentes para que sejam guiados pelo Espírito; a carne, que está sempre presente, não pode fazer as coisas que naturalmente faria, porque o Espírito a mantém em sujeição. Numa vida guiado pelo espírito, Deus governa e faz com que "o fruto do Espírito" apareça em vez de "obras da carne"4
"A única razão para a qual Deus dá a um indivíduo poder sobre-humano, é para resistir à tentação."5 "Através do Espírito Santo, Cristo nos inaugurou um novo e vivo caminho através de nossa carne, para que toda alma, apesar de todas as paixões, cobiças, desejos e inclinações da carne, possa" herdar o reino de Deus."6
O nosso texto afirma que aquele que suporta a provação, quando ele for aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que O amam." A aprovação aqui é a mesma aprovação mencionada em Gênesis 1:31 quando "Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom." O sábado selou a criação e é um sinal do poder de Deus para nos livrar do pecado. Assim, a redenção e a criação são a mesma coisa e o sábado é o sinal de cada uma.
"Também lhes dei os Meus sábados, para servirem de sinal entre Mim e eles, para que soubessem que Eu Sou o Senhor que os santifica" (Eze. 20:12). Santificação é a remoção e a proteção contra o pecado. O sábado é a prova disso.
Agora, "nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, o mistério de Deus seria consumado" (Apocalipse 10: 7). Este mistério é: "Cristo em vós, a esperança da glória" — Sua purificação e guardar-nos de pecar. Este mistério está terminado nos santos que suportaram tentações e foram estabelecidos e aprovados por Deus selado por Deus, como evidenciado por terem "a fé de Jesus" e, assim, "guardam os mandamentos de Deus" (Apoc. 14:12) .
Jesus "em tudo foi tentado como nós, mas sem pecado" (Heb. 4:15). "E Ele nos dá a Sua própria "a fé de Jesus" que é capaz de apagar todos os dardos inflamados do inimigo. Ela tem feito isso; essa fé é a vitória que vence o mundo."7
"Vamos, então, quando as tentações nos revelarem o que está em nossos corações, não perder a coragem, e cair em desespero" pois  "Deus nos dá poder para viver, mesmo em carne pecaminosa livre do pecado como Ele mesmo."8

 

--Daniel Peters
Notas:
 [1] Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, págs. 91 e  92.
 [2] A 1ª frase do E. J. Waggoner de "Experiência Pessoal" (escrito pouco antes de sua morte 28 de maio de 1916). Veja: http://www.1888mpm.org/blog/personal-experiência-escrito-dr-ej-carroceiro
 [3] Do Pastor Roberto J. Wieland, em “Dez Grandes Verdades do Evangelho que Tornam a Mensagem de 1888 Original," Verdade do Evangelho de nº 5".
 [4] Alonzo T. Jones, "Estudos em Gálatas Gal. 5: 22-26." Advent Review and Sabbath Herald, 2 de outubro de 1900.
 [5] Jones, "Notas", American Sentinel, 26 de maio de 1898, págs. 321 e 322.
 [6] op cit. (Jones, "Estudos em Gálatas Gal 5:. 22-26.").
 [7] Ellet J. Waggoner: "Cada Tentação", The Present Truth, 26 de abril de 1894, pág. 263
 [8] Waggoner, "Por que Deus permite a Tentação," The Present Truth, 11 de outubro de 1900, pp. 645, 646.’

O irmão Daniel Peters vive na parte leste da cidade de Los Angeles, Estado da Califórnia, EUA, e trabalha como Conselheiro Oficial ante drogas e álcool para mães e mulheres grávidas. O seu coração foi sensivelmente tocado pela “mui preciosa mensagem” (Test. p/ Ministros, págs . 91 e 92) e sua vida tem sido apaixonadamente dedicada a esta mensagem que Deus outorgou à Sua igreja em 1888. Ele e sua família são membros da igreja adventista do sétimo dia de Whittier, uma cidade a 19 kms ao sul de Los Angeles, localizada no nº 8841 na Calmada Avenue, Whittier, Ca. 90605, EUA. Ele é tataraneto de Ellet J. Waggoner. O irmão Daniel é um ardoroso estudante da Bíblia e do Espírito de Profecia e de toda literatura relativa à mensagem de 1888. Ele foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, realizado em 21 e 22 de maio de 2010) na Igreja Adv. Do 7º Dia da cidade de Reno, estado de Nevada, localizada na 7125 Weest 4th Street.

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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Lição 2 - O aperfeiçoamento da fé, por Paulo E. Penno



Para 4 a 11 de outubro de 2014
Temos a tendência de pensar da justificação pela fé como uma extravagante teologia teórica. Mas, com a dinâmica da mensagem de 1888, é a alegria de nossa presente vida cristã com Deus. Somos convidados a ver essa perspectiva preciosa no livro de Tiago.
Quando a nossa "carne do pecado" é tentada a duvidar e (*e somos assaltados por) desânimo pelas provações da vida, a resposta que Tiago dá é ligar "fé", "paciência" e "perfeição" com a "sabedoria" de Deus. "A prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma. E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto; e ser-lhe-á dada" (Tiago 1: 3-5).
Em Tiago 2:21, 24, 25, ele discute a justificação pela fé e obras. "Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé" (vs.24). No capítulo um Tiago apresenta como a fé que justifica trabalha em meio a provações. Genuína justificação pela fé pacientemente tolera as provações, e o resultado final é a perfeição do caráter cristão. É um dom de Deus discernido por Sua "sabedoria." Deus, em Sua misericórdia, enviou o início desta "sabedoria" para nós em nossa história de 1888.
Por que as provações surgem em nosso caminho? São as provações que estragam o que seriam os nossos bons antecedentes? Se você viveu em algum lugar que não foi tão estimulante, não seria mais fácil viver uma vida melhor? De onde vêm as tentações? Não vêm as tentações todas do nosso redor? No entanto, não vêm tentações também de dentro de nós mesmos? Será que não surgem estas de dentro da nossa mente e depois, eventualmente, manifestam-se no dia-a-dia da nossa vida? Alguns arrazoam que Deus é o culpado por tudo isso. Afinal, não nos fez Ele desta maneira? Então, como Ele pode exigir de nós a perfeita obediência? Nós somos apenas humanos, então tudo o que nós podemos esperar é fraqueza e contínua queda em pecado.
Se este for o caso, então é Deus injusto dar-nos os dez mandamentos? Não é o evangelho de Jesus Cristo poderoso o suficiente para vencer o pecado na carne pecaminosa? Se este for o caso, então há uma separação entre o evangelho e a lei. Nas formas mais sutis a lei é diminuída ou abolida. Satanás se alegra. Ele alcançou o seu propósito. Ele minou o governo de Deus. Cada um é lei para si mesmo.
O objetivo para as provações não é atrapalhar os nossos registros. As provações nos revelam o que já existe em nossa carne que não sabíamos que existia. O pecado desconhecido é revelado por provações e tentações. Digamos que eu tenha um jarro de vidro cheio de água. A água é clara como cristal. Se eu tomar uma colher e misturar a água, o assentamento de sedimentos na parte inferior, que tinha passado despercebido, seria agitado e faria com que a água se torne escura. Agora a água já não é mais cristalina.
Esta é a maneira que acontece com as provações; elas não introduzem algo na vida que não existia antes. Limitam-se a agitar o que já está lá. Por exemplo, você pode ser calmo e tranquilo durante dias a fio, pensando que suas emoções estão sob controle. Mas eis que se alguém te cortar no trânsito, de repente você incendeia-se e solta alguns palavrões. O incidente não introduziu algo novo em sua personalidade. Ele simplesmente revelou o que já estava lá e agora você sabe que ele continua a existir.
O trabalho de conversão e de mudança de coração introduzido pelo Espírito Santo é um milagre do alto. É-lhe dado um novo coração, o que significa uma nova mente ou caráter. É a mente de Cristo, que é altruísta. Considerando que, antes do novo nascimento você foi egoísta, agora você recebeu uma nova natureza caracterizada por Ágape. O Espírito Santo muda a sua mente. Mas a sua "carne" continua a mesma. O novo nascimento não muda sua natureza pecaminosa. A nova personalidade comunicada a você pelo Espírito Santo permite que você escolha a vontade de Deus para sua vida e diga "não" a sua carne pecaminosa.
Dia a dia, hora a hora, é o Espírito que desenvolve o seu caráter. Mas é escolha sua continuar conectado à videira, Cristo Jesus. Como um ramo sua vida só é sustentada pela seiva que dá vida que é fornecida pelo Tronco da Videira. Assim, é possível para o caráter amadurecer ao continuamente escolhas certas serem feitas. Estas escolhas são todas promovidas pelo Espírito Santo. Este é o processo da justificação pela fé.
A perfeição do caráter cristão está crescendo na apreciação do amor de Deus manifestado na cruz. É Cristo quem nos dá Ágape, que motiva nossas escolhas de fé. Assim, estamos em um esforço cooperativo com nosso Salvador.
Ensina a Bíblia a possibilidade de viver sem pecado em nossa natureza pecaminosa? Esta pergunta só pode ser respondida por ver quão perto o Salvador chegou até nós.
Se Cristo foi enviado por Deus "em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, condenou o pecado na carne, para que a justiça da lei se cumprisse em nós" (Rom. 8: 3 e 4), então, a resposta óbvia é "Sim." Cristo é tanto o nosso Substituto como Exemplo capacitador. Ele demonstrou isto uma vez por todas. Ele "não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em Sua boca" (1ª Pedro 2:22). E do Seu povo tem de ser dito, eventualmente, "Em sua boca não se achou engano, porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus" (Apoc. 14:5). Eles vão vencer "assim como Eu venci" (Apocalipse 3:21), diz Jesus. Nenhum santo nunca vai vencer, exceto por meio da fé no Grande Vencedor, "o autor e consumador da nossa fé." Os vencedores não adquirem nenhum mérito para si mesmos, mas eles ganham tudo por sua fé. Cristo "também é capaz de salvá-los até ao fim ... porque um sumo sacerdote tal tornou-Se nós, que é santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus" (Heb. 7:25, 26).1
Se nós eliminarmos o ministério sumo sacerdotal de Cristo no segundo compartimento, distinto do primeiro, essa ideia de preparação para a segunda vinda desaparece, e o impacto do movimento do Advento é reduzido a um eco da  mensagem das igrejas evangélicas populares.
Nossa mensagem peculiar centra-se no ministério de Cristo no santuário: Quando Cristo vier pela segunda vez, Ele vai encontrar um grupo de pessoas de quem honestamente se pode dizer: "Aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus"?
Se o Senhor quiser, Ele pode realizar a preparação de um povo para a segunda vinda de Cristo. Pela primeira vez na história da humanidade, um anúncio divino é feito em relação a um grupo corporativo de pessoas de "toda nação, tribo, língua e povo": "Aqui está a paciência dos santos: aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus" (Apoc. 14:12). Ante a inspeção exaustiva do universo não caído, eles passam no teste. O Senhor é honrado neles. E o próximo evento é a Sua vinda (Apocalipse 14:14).

--Paul E. Penno

Nota:

[1] Ellet J. Waggoner na abertura do livro Cristo e Sua Justiça, página 7 (edição Glad Tidings), resume bem o seu conceito de viver sem pecado. Este é um resumo em poucas palavras de sua mensagem em Minneapolis pregada apenas algumas semanas antes de artigos serem publicados na revista Sinais:
"No primeiro verso do terceiro capítulo de Hebreus temos uma exortação que compreende todas as ordens dadas ao Cristão. É a seguinte: "Por isso, irmãos santos, que participais da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão." Fazer o que a Bíblia ordena, considerar a Cristo continuamente e de forma inteligente, assim como Ele é, transformará uma pessoa em um perfeito cristão, pois "pelo contemplar somos transformados".
O ensino de A. T. Jones estava em plena harmonia com Waggoner. Em O Caminho Consagrado para a Perfeição Cristã, em artigos publicados pela primeira vez na Review and Herald em 1898 e 1899, ele afirma isto de forma simples e poderosa:
"Em Sua vinda na carne — tendo sido feito em todas as coisas, como nós, e tendo sido tentado em todos os pontos como nós somos — Ele identificou-Se com cada alma humana exatamente onde esta alma está. E de onde cada alma humana está, Ele consagrou para aquela alma “um novo e vivo caminho” (*Heb. 10:20, grifamos), através de todas as vicissitudes e experiências de uma vida inteira, e até mesmo através da morte e do túmulo, até o Santíssimo, à mão direita de Deus para todo o sempre . ...
"E este ‘caminho’ Ele consagrou para nós. Ele tornando-Se um de nós, tornou este caminho o nosso caminho; ele pertence a nós, Ele dotou cada alma com direito divino de andar neste caminho consagrado; E por Ele ter feito isso a Si mesmo na carne — em nossa carne — Ele tornou possível sim, Ele deu a garantia real, que cada alma humana pode andar neste caminho, em tudo o que este caminho é e, através dele, entrar, plena e livremente, para dentro do Santíssimo. ...
"Ele fez e consagrou um caminho pelo qual, nEle, cada crente pode neste mundo, e por toda a vida, viver uma vida santa, inocente, imaculada, separado dos pecadores, e como consequência ser feito com Ele maior do que os céus" (O Caminho Consagrado à Perfeição Cristã, edição Glad Tidings, págs. 87, 88).

Paulo Penno é pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Ele foi ordenado ao ministério há 38 anos. Após o curso de teologia ele fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente ele preparou uma extensiva antologia dos escritos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, a qual está incluída na Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também ele escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia,” e, ao longo dos anos, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de 1888. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Você pode vê-lo, no You Tube, semanalmente, explanando a lição da semana seguinte na igreja adventista de Hayward, na Califórnia, em http://www.youtube.com/user/88denver99
Atenção, asteriscos (*…) indicam acréscimos do tradutor.
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