terça-feira, 15 de setembro de 2015

Lição 12 — Paulo: missão e mensagem, por Robert J. Wieland



Para 12 a 19 de setembro de 2015

Esta foi a mensagem de Paulo:
O livro de Atos diz porque o evangelho foi tão bem sucedida no tempo dos apóstolos. Um tema recorrente parece emergir: eles diziam ao mundo que tinham rejeitado e crucificado o Filho de Deus. Esta percepção resultou num enorme sentimento de culpa: que pecado ou crime poderia ser pior do que isso?
Por exemplo, no dia de Pentecostes, Pedro disse: “A Esse Jesus, que vós crucificastes, Deus O fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36). Imediatamente veio o grito de coração partido: “Que faremos?” (vs. 37). Então, quando Pedro e João curaram o paralítico, Pedro novamente disse: “Mas vós negastes o Santo e o Justo, . . . e  matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos” (3:14, 15). Não se poderia bocejar e sentar em cima do muro ouvindo uma acusação como essa!
Um vislumbre repentino do significado da cruz converteu Saulo de Tarso (Atos 9: 5, 6; 26: 13-15), e lhe deu o poder para proclamar a verdade mais poderosamente do que qualquer dos onze que haviam testemunhado o evento real.
Uma exceção para o sucesso apostólico é o ministério de Paulo em Atenas, tal como descrito em Atos 17. O fiel servo de Deus sofreu uma humilhante repreensão em sua cruzada evangelística na grande cidade de Atenas. Ele cometeu o erro de tentar igualar filosofia com filosofia, tentar defrontar os estudiosos atenienses em seu próprio terreno. Não houve menção da cruz. O resultado: quase falência em ganhar almas, embora alguns tenham respondido.
Mas a partir de Atenas, Paulo foi para a cidade imoral de Corinto, onde determinou-se a  não saber nada entre [eles] “senão a Jesus Cristo, e Este crucificado” (1ª Coríntios 2: 2). Esta foi a mensagem de Paulo! Uma lição para nós?

Esta é a Mensagem de 1888!:
“Durante o outono de 1882, com a idade de 27 anos, E. J. Waggoner [um dos “mensageiros” de 1888] teve uma experiência que viria a descrever como o ponto de viragem da sua vida. Sentado sob uma tenda de reunião campal em uma melancólia tarde chuvosa em Healdsburg, Califórnia, ouvindo o evangelho apresentado por Ellen G. White, de repente viu uma luz que brilhava sobre ele, e a tenda iluminada como se o sol estivesse brilhando (*La dentro). Ele teve uma distinta “revelação de Cristo Crucificado” para ele. Mais tarde, escreveu que (*ali) foi revelado pela primeira vez em sua vida que Deus o amava, e que Cristo Se entregou por ele pessoalmente — que era tudo para ele. A luz que brilhou sobre ele naquele dia da cruz de Cristo tornou-se o guia em todo o seu estudo da Bíblia. Ele resolveu que o resto de sua vida seria dedicado a descobrir a mensagem do amor de Deus pelos pecadores individuais encontrados nas páginas da Escritura, e tornar essa mensagem simples para os outros (Carta de Ellet Waggoner para Ellen G. White, 22 de outubro de 1900)”.1 Este é o coração e a alma da mensagem de 1888!
Tanto Waggoner quanto o apóstolo Paulo viram que a revelação do amor nos últimos dias era “Jesus Cristo e este crucificado”. Isso não era extremismo; era apenas um “culto racional” que viam como apropriado ao amor extravagante que Cristo tinha-lhes mostrado. Era ágape, não o amor humano comum.2

Paulo não era morno!
O amor (Ágape) de Cristo o constrangia (o compelia). Quando ele disse “Um morreu por todos”, ele argumentou que tinha que significar que “todos morreram”, para que “aqueles que vivem” não possam continuar a viver em paz de consciência “por si mesmos”. São constrangidos, doravante, a “viver para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2ª Cor. 5:14, 15). Paulo viu algo que o incendiou para o Senhor, até aquela última hora na prisão romana Mamertina, quando depositou sua cabeça sobre o bloco diante do carrasco, e morreu por Aquele que morrera por ele. “Deus não permita que eu me glorie, senão na cruz”, ele tinha dito. Nenhum gloriar-se em sua própria resposta, ou sua própria fé, ou sua própria obediência. É por isso que ele escreveu estas palavras:
 “Se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos [no grego muitos significa todas as pessoas]. ... Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. ... Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens (*para justificação de vida)”. (Rom. 5: 15-18).

A palavra “Evangelho”
A palavra “evangelho” é um termo comum que abrange todos os tipos de ideias. Mas o que os apóstolos realmente pregavam era a única ideia autêntica e válida. O que eles disseram deve ser lido em seu próprio contexto, totalmente, não parcialmente lido e distorcido numa definição errada da palavra.
Paulo disse que um entendimento correto da palavra “evangelho”, se crido,  “é o poder de Deus para a salvação” (Rom. 1:16). Esta mensagem converteu muitas pessoas “difíceis” quando Paulo a pregou (1ª Cor. 6: 9, 10).
O que aconteceu em Corinto sob a pregação de Paulo voltará a acontecer em escala mundial na proclamação do alto clamor de Apocalipse 18. Então, vamos descobrir que “evangelho” foi o que Paulo pregou ali.
Ele nos diz:  “Quando eu vim a vós, [a minha mensagem] não foi com excelência de oratória ou sabedoria. ... Decidi não saber nada entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado”. (1ª Coríntios 2: 2. ). Era esta uma “viagem” fanática que pregava em sermões chatos? Se assim for, por que as pessoas se aglomeravam para ouvi-lo e, em seguida, abraçavam o seu “evangelho” com “poder”? Há uma resposta: há algo na “verdade do evangelho” (Gal. 2: 5, 14) da cruz que triunfa sobre toda a imitação, “evangelhos” falsos Satanás pode inventar.
“Cristo crucificado” significava infinitamente mais do que tudo quanto grandes pensadores do mundo pudessem apresentar: a ideia dos apóstolos era de que Ele morreu a segunda morte por todo o mundo. Essa era uma ideia que ninguém jamais havia pensado naquele tempo; ninguém tinha imaginado que havia um amor em qualquer lugar do universo tão grande quanto esse.
Mesmo hoje em dia, entre a grande multidão de cristãos professos, há muito poucos que concebem tal ideia. Mas ela tem movido corações e motivado as pessoas a tomarem a cruz e segui-Lo “onde quer” que Ele conduza.

É uma mensagem vencedora!
Nestes últimos dias, quando o pecado e o egoísmo estão tão desenfreados, o Senhor Jesus será homenageado por “144.000” (figurativos ou literais), que “seguem o Cordeiro [o crucificado, Cristo ressuscitado] onde quer que Ele vá. ... porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus” (cf. Apo. 14: 1-5). Quem quer que sejam, haverá um povo que vai glorificar a Cristo! Podemos ser surpreendidos quanto a quem finalmente comporá esse grupo; caminhemos humildemente diante dEle.
A mensagem que agora deve ir a todo o mundo é a do “Alto Clamor” de Apocalipse 18. Não é apenas uma mensagem de aviso; é uma mensagem de vitória — a de Cristo e Este crucificado.





Redigido a partir dos escritos de Robert J. Wieland

Nota do autor:
1)        “A História do Evangelho Eterno de E.J. Waggoner, por Ron Duffield. (*Ron é um adventista de 5ª geração. Seu tataravô atendeu a conferência de Mineápolis, em 1888. Em 2010 ele publicou a obra: “O retorno da chuva serôdia.” Atualmente êle trabalha como medico fisioterapeuta no Walla Walla College, Universidade Adventista de Walla Walla, no estado de Washington, USA).

Nota do tradutor:

2)        A mensagem de 1888 era uma verdade simples apreendida por pessoas comuns que nunca a tinham ouvido tão claramente antes. Na introspecção da lição 7 deste corrente trimestre (3º de 2015) você pode ler uma pequena resenha dos principais pontos da mesma. Consulte-a em HTTP://agape-edicoes.blogspot.com. Na coluna da direita desça a barra até o mês de agosto de 2015, e então clique na lição 7.
Tenho em mãos uma relação de 374 declarações de Ellen G, White de endosso às pessoas de Ellet J. Waggoner e Alonzo T. Jones, os dois mensageiros de 1888, e sua mensagem. A quem me solicitar enviarei gratuitamente pelo correio. Entretanto está em inglês, O irmão Severino Kull (do “Instituto de Agricultura e Evangelismo,” iage.vidanocampo@gmail.com,) está traduzindo a obra “Materiais de Ellen G. White sobre 1888,” São 4 volumes editados pela Conferência Geral, 1821 páginas A4 xerocopiadas dos próprios originais. Quando o trabalho desta grande tradução estiver concluído, então a referida lista poderá ser editada em português. Assim, para ter esta obra em nossa língua o irmão deverá aguardar até então.


O irmão Roberto J. Wieland foi um pastor adventista, a vida inteira, missionário na África, em Nairobe e Kenia. É autor de inúmeros livros. Foi consultor editorial adventista do Sétimo Dia para a África. Ele deu sua vida por Cristo na África. Desde que foi jubilado, até sua morte, em julho de 2011, aos 95 anos, viveu na Califórnia, EUA, onde ainda era atuante na sua igreja local. Ele é autor de dezenas de livros. Em 1950 ele e o pastor Donald K. Short, também missionário na África, em uma das férias deles nos Estados Unidos, fizeram dois pedidos à Conferência Geral: 1º) que fossem publicadas todas as matérias de Ellen G. White sobre 1888, e 2º) que fosse publicada uma antologia dos escritos de Waggoner e Jones. Estes e sua mensagem receberam mais de 374 recomendações de Ellen G. White. 38 anos depois, em 1988, a Conferência Geral atendeu o primeiro pedido, o que resultou na publicação dos 4 volumes acima referidos: Materiais de Ellen G. White sobre 1888. Quanto ao segundo pedido até hoje não foi o mesmo ainda atendido.
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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Lição 11 — Paulo, seu passado e seu chamado, por Paulo E. Penno



Para 5 a 12 de setembro de 2015

Paulo tinha sido um fanático! Uma armadura de aço envolvia-lhe o coração. Ele provou as profundezas de um ódio infernal ao Messias. Antes de sua conversão, ele havia gasto totalmente as suas energias na luta contra Deus. Na verdade, ele odiava a Jesus Cristo e Seus seguidores, “respirando ameaças de assassinato contra os discípulos do Senhor, ... de modo que, se encontrasse alguns que eram do Caminho, quer homens quer mulheres, os conduziria presos a Jerusalém” ( Atos 9: 1, 2).
Combinado com este zelo persecutório havia uma compreensão intelectual profunda da teologia do judaísmo apóstata. Nessa época, ele era um fanático selvagem nos limites extremos do legalismo. Ninguém pode estar mais longe do Senhor do que um fanático legalista que pensa que é santo e justo por causa de seu legalismo. Paulo não está apenas balbuciando frases polidas de contrição quando diz que é o “principal” dos pecadores (1ª Tim. 1:15), “um abortivo, ... o menor dos apóstolos, porque eu ... perseguia a igreja de Deus” (1ª Cor. 15:8, 9). Ele provou as profundezas de um ódio infernal ao Salvador. Vivendo antes do tempo da Igreja remanescente, ninguém tinha antecipadamente conhecido mais intimamente a ira da peleja do “dragão com a mulher [e] ... o resto de sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apo. 12:17).
No coração da Saulo de Tarso não convertido queimavam os fogos do grande conflito de Satanás contra Cristo; ele estava inteiramente dedicado ao lado de Satanás. Se não tivesse sido convertido quando o foi muito provavelmente teria sido autor dos livros mais diabólicos de ensinos anti-Cristo. Quais poderiam ter sido os ensinamentos de Saulo de Tarso desenvolvidos nos dogmas da Grande Apostasia da Idade das Trevas que ele descreveu em 2ª Tessalonicenses 2:1-10?
Foi divinamente apropriado que este cortesão íntimo de Satanás devesse ser convertido na estrada de Damasco, quando viu “no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 26:13-15).
Assim como Jesus confrontou os judeus apóstatas na casa de Seu Pai (o Templo) algumas semanas antes, a abordagem de Paulo para com eles depois de sua conversão é totalmente de confronto. Em um lampejo, todo o conhecimento de seu passado acadêmico judeu veio em foco: Jesus de Nazaré é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Essa “luz . . . mais brilhante que a do sol” foi uma visão da cruz de Cristo. Cada célula do cérebro foi inundada com uma intensidade de luz brilhante; décadas da verdade bíblica distorcida, pervertida, de repente foram esclarecidas. Um panorama brilhou como um vídeo brilhante diante dos olhos de sua alma — “Cristo e este crucificado”.
A respiração lhe faltou; ele estava paralisado até que a voz celestial disse: “Levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda” (Atos 26:16).
Essa visão na estrada para Damasco explica sua obsessão ao longo da vida com a palavra da cruz. Os onze apóstolos foram, doravante, ricamente abençoados no ministério, mas um novo campeão que nunca tinha visto a Jesus como eles O tinham visto, mas que provavelmente O percebeu mais claramente através dessa visão, estava agora a anunciá-Lo às multidões. E graças a Deus, Cristo foi-nos anunciado.
O Senhor Jesus procurou a alma de Saulo de Tarso, enquanto ele O estava “perseguindo”; durante todo o tempo que o Senhor fez o seu caminho “duro” como golpear contra os aguilhões (Atos 26: 12-15). Que gloriosa boa notícia isto é para toda a alma presa à Terra. Ele está a sua busca como o Bom Pastor busca Sua ovelha perdida para salvá-la de acabar com a sua vida e saúde muito cedo. Podemos ver essa ideia do Bom Pastor no chamado de Cristo a Saulo, muito mais claramente como resultado da mensagem de 1888.1
A ilustração se encaixa, exceto que Jesus não falava de um carneiro como Saulo, lutando contra o Pastor quando veio para resgatá-lo. Difícil de imaginar! Mas isso é o que todos nós temos feito, uma e outra vez. Isso é o que significa ser um pecador — resistir à graça de Deus.
Saulo de Tarso aprendeu, no entanto, e ele nos diz: “Não anulo [KJV] a graça de Deus” (Gál. 2:21). Ele está, afinal, “crucificado com Cristo” (vs. 20). O Bom Pastor busca a Sua ovelha perdida e todos os profetas e apóstolos repreendendo-nos pelo nosso pecado, mesmo dando a sua vida para ser “crucificada com Cristo”, a fim de ser fiel, são idênticos ao ministério daquela graça muito mais abundante de Deus (Rom. 5:20, 21).
O Senhor nos diz, que “não sabemos” o que estamos fazendo (Apoc. 3:17). É hora de tornar-nos conscientes.
Pela Sua cruz erguida e ministério sacerdotal em curso, Cristo está atraindo “todos os homens” para Si mesmo ao arrependimento. O Seu amor misericordioso é tão forte e persistente que o “pecador poder resistir a esse amor, pode recusar-se a ser atraído para Cristo. Se, porém, não resistir, será atraído para Ele; o conhecimento do plano de salvação levá-lo-á ao pé da cruz em arrependimento pelos seus pecados, que causaram os sofrimentos do amado Filho de Deus”.2
Por que isso é verdade? Porque Ele deu a Si mesmo por “todo homem”, sim, Ele Se deu a cada homem.  
Quando Ele morreu na cruz, fez mais do que salvar as pessoas boas. Ele morreu pelos “ímpios”. “Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rom. 5: 6). Pode ser difícil dizer isso, mas inclui os piores pecadores na Terra!
A ideia de que Cristo está dirigindo uma “loja” especial de salvação e permanece dentro como um lojista, até o pecador tomar a iniciativa de vir procurá-lo, não é o que a Bíblia diz! Porque — Cristo é o Bom Pastor, que não espera que a ovelha perdida tente encontrar o caminho de casa novamente; Ele sempre vai em busca da mesma: “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10:11). A ovelha perdida pode estar perdida longe nas colinas numa selvagem noite de tempestade; não importa. O Bom Pastor deixa suas “noventa e nove” e com o risco de sua própria vida sai na tempestade mais selvagem imaginável através das montanhas “até encontrá-la.” Ele vai “após a que se perdeu, até encontrá-la” (Lucas 15: 4). “O Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (19:10).
Não imagine que possa salvar-se a si mesmo, ou que tenha crescido no lado certo e assim está naturalmente quase salvo em seu próprio país. Se o Senhor nos deixasse a virar-nos por nós mesmos, estaríamos irremediavelmente perdidos.
Quando o Senhor Jesus Cristo deu a Sua vida na cruz, Ele não morreu em vão. Ele realmente salvou o mundo. Os samaritanos desprezados tinham razão quando declararam dEle que era “o Salvador do mundo” (João 4:42). Mas como pode ser isso, quando a grande maioria dos seres humanos na Terra não O reconhece assim?
Muitos não sabem disso porque nunca foram informados, de forma clara; e muitos se recusam a acreditar quando lhes é dito. Mas isso não diminui o fato de que por meio de Seu sacrifício, Cristo os comprou, garantindo assim a sua salvação se não resistirem a Ele e O rejeitarem. O mundo inteiro pertence a Ele em virtude do sacrifício de Seu sangue na cruz.
Paul E. Penno
Notas finais:
1)  E. J. Waggoner, “Deus prendeu a Saulo em sua carreira louca de perseguição porque Ele o havia escolhido para ser apóstolo. Assim, vemos que os golpes que Saulo estava dando eram os esforços do Espírito para transformá-lo para o trabalho ao qual ele havia sido chamado” (Signs of the Times, 8 de dezembro de 1898, pág. 771).
[2] Ellen G. White, Caminho a Cristo, pág. 27.          
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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Lição 10 — Filipe como missionário, por Arlene Hill



Para 29 de agosto e 5 de setembro de 2015

Atos 2:44-47 e 4:34-37 não pode ser entendido sem uma compreensão de Atos 2:36-39. As duas primeiras passagens nos capítulos 2 e 4 descrevem a generosidade da Igreja primitiva e sua resultante atividade em ajudar os necessitados. É uma perversão do evangelho pensar que por nos envolvermos em atos altruístas nos tornamos mais justos e ganhamos o favor de Deus. Não há nenhuma evidência para sugerir que os membros da igreja primitiva fossem inicialmente motivados por tal egoísmo, mas isso se introduziu mais tarde.
A sequência do sermão de Pedro registrado em Atos 2:36-39 é a chave. Ele concluiu o seu discurso afirmando sem rodeios, “este Jesus, que vós crucificastes”. Isso não poderia ter sido uma ideia agradável, mas ouvir isso ativou suas consciências (“compungiram-se em seu coração”, vs. 37) e quiseram saber o que fazer. Pedro lhes disse para se arrependerem, ou se afastarem dos seus pecados e recebessem o perdão e o dom do Espírito Santo.
Nunca é demais ressaltar esta sequência porque ações externas motivadas por um medo egoísta de castigo ou esperança de recompensa não são do Espírito Santo. Só a percepção de que nossos pecados crucificaram o Filho de Deus resulta em verdadeiro arrependimento, que é, portanto, um dom de Deus, algo que não acumulamos. Uma vez entendamos esta mudança de coração pelo batismo, Pedro nos diz que vamos receber o Espírito Santo (Atos 2:38). Ele confirma isso no versículo 39, quando diz, “pois a promessa é para vós . . .” A quem está ele falando? O versículo 14 diz que Pedro está falando para “Homens da Judeia e a todos os que vivem em Jerusalém . . .”, judeus e gentios. O que é essa promessa? O versículo 38 torna inconfundível; é o dom do Espírito Santo.
Há alguns que acreditam que o papel do Espírito Santo é produzir justiça em nós pelo processo de santificação, e é esta a justiça que nos salva. Este é um erro sutil, mas perigoso. É a convicção do pecado, sussurrada ao pecador pelo Espírito Santo, que desperta a consciência. A decisão de submeter-se não tem nenhum mérito, e não é o que salva, é o sacrifício de Cristo que salva.
Assim, devemos sempre olhar para a cruz para a nossa salvação, e nada mais. Sendo que a cruz é tão importante até mesmo para levar-nos a ver a nossa necessidade de perdão Satanás sempre procurou confundir o seu apelo. No Jardim do Éden o Criador tinha dito claramente a Adão e Eva que se eles pecassem, “no dia” de sua transgressão “certamente morrereis” (Gên. 2:17). O que Ele disse tem exatamente esse sentido. Foi o diabo que a Ele contradisse categoricamente dizendo-lhes: “Certamente não morrereis” (Gên. 3: 5). Esta ideia tornou-se não só a pedra angular da religião pagã, mas a partir de então, tem-se infiltrado na doutrina de muitas igrejas cristãs. Isso prejudica e encobre a importância da cruz. Contradiz evidentemente as declarações das Escrituras, “Cristo morreu pelos ímpios”, e “Cristo morreu por nós” (Rom. 5:6,8).
Em outras palavras, a forma como Satanás quer que entendamos é que Cristo realmente não morreu por nós de modo algum. Ele simplesmente suportou a dor física em que foi sustentado por todo o evento pela certeza de que nada tinha a arriscar, nada a perder, uma vez que não podia realmente morrer. Se tão logo ao dizer “Está consumado” Ele fosse para o céu, isso não seria um sacrifício tão impressionante.
Mas quando percebemos que Cristo “Se identificou com a humanidade, com laços que jamais podem ser quebrados”, podemos apreciar o que Ele arriscou para no salvar. Esta humanidade foi aquela sobre que Deus disse que “certamente morrerás” se pecasse. Foi essa “segunda morte” que Jesus experimentou. “Ele, pela graça de Deus, provou a morte por todos” (Hebreus 2:9). Uma vez que a provou por todos, este sono a que chamamos de morte não pode ser o que Ele “provou”, porque quase todo mundo prova esse tipo de morte por si mesmo.
Mas ainda assim, o que foi tão diferente sobre essa morte que Cristo estava morrendo para que os pecadores não tenham que prová-la? A taça que Ele bebeu foi algo que nenhum outro ser humano antes ou desde então jamais provou. Ele quase não sentiu a dor física na cruz, tão terrível foi o intenso sofrimento de alma que causou um suor de sangue no Getsêmani e, por último, literalmente partiu-Lhe o coração. “Afrontas me quebrantaram coração, e estou fraquíssimo” (Salmo 69:20). Ao longo da vida terrena de Cristo, Ele recebeu lembretes de Seu Pai celestial de que Ele era amado e aprovado. Mas no final da experiência da cruz, foi-Lhe dado sentir-Se completamente desprezado e rejeitado. Cristo precisou ser deixado para Se sentir abandonado a “pisar o lagar sozinho”, assim temerosamente.
Mas, embora a esperança tenha morrido, o amor resistiu. O Salmo 22 diz como Jesus recorda que Seus antepassados ​​obtiveram respostas quando eles oravam. Por que não podia Ele? Finalmente disse: “Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo. . . . eu clamo de dia, e tu não me ouves” (vs. 4-6, 2). 
Esse é um sentimento terrível, desesperado. Quando você sente que ninguém se importa, especialmente Deus, o desespero é destilado em seu veneno final, mortífero. A raiva para com Deus vem naturalmente. A verdade é que nenhum ser humano, a não ser Cristo, teve que lidar com isso desde o começo do mundo, mas é de pouca ajuda quando se sente haver uma separação irreparável entre você e Deus. Se Cristo tivesse permanecido naquele desespero, poderia ter tomado o conselho da esposa de Jó, “maldize a Deus e morre”. Mas Sua missão era encontrar uma maneira de superar o negro abismo, Ele devia atingir uma expiação, uma reconciliação.
Mesmo que o Pai O abandonasse, Ele não abandonará o Seu Pai. Mais uma vez, o Salmo 22 nos diz o que aconteceu. Sua mente remonta a Sua infância humana em Belém. Embora agora “não ouves”, contudo “Tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-Me confiar, estando aos seios de Minha mãe. Sobre Ti fui lançado desde a madre”. Torturado em espírito, Ele se baseia nos acontecimentos em Sua vida que provam o cuidado do Pai por Ele. Se Deus ouviu as orações de “nossos pais” e se Ele protegeu-Me, certamente Ele não vai se afastar agora.
A pior coisa que Cristo poderia ter feito ao estar pendurado ali, sentindo-Se totalmente abandonado, foi lembrar de todas as coisas dignas que tinha feito durante a Sua vida humana que fariam o Seu Pai considerá-Lo digno de ser salvo. Isso teria sido colocar Sua confiança em si mesmo, e não nas promessas de Seu Pai. Esta é a luta da fé, a fé de Jesus.
A mensagem de 1888 nos diz inequivocamente que a justiça é pela fé somente, não por nossas obras. Quando Satanás estava acusando a Jó, ele disse que Jó O servia somente porque Ele não o tinha abandonado. Ao participar do sofrimento, Jó demonstrou que estava disposto a recordar a maneira pela qual Deus o levou no passado a achar sentido em seu sofrimento.
A Inspiração nos diz que “não temos nada a temer do futuro, exceto se nos esquecermos da forma como o Senhor nos tem guiado, e Seu ensino em nossa história passada” (General Conference Bulletin, 1893, *Boletim da Conferência Geral de 1893, pag. 24).
Todos nós, em algum momento de nossas vidas, defrontamos um momento crítico, grande ou pequeno, que nos faz sentir abandonados por Deus. É nesse ponto que podemos escolher aceitar a ponte que Cristo nos propiciou por Sua fé.

Arlene Hill  

A irmã Arlene Hill é uma advogada aposentada da Califórnia, EUA. Ela agora mora na cidade de Reno, estado de Nevada, onde é professora da Escola Sabatina na igreja adventista local. Ela foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, que se realizou na sua igreja em maio de 2010, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada no endereço: 7125 Weest 4th Street , Reno, Nevada, USA, Telefone  001 XX (775) 327-4545; 001 XX (775) 322-9642. Ela também foi oradora do seminário “Elias, convertendo corações”, realizado nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, na igreja adventista Valley  Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.
Nota: Asteriscos (*) indicam acréscimos feitos pelo tradutor.
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