quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lição 6 — Pecado

“Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no Meu trono; assim como Eu venci, e Me assentei com Meu Pai no Seu trono” (Apoc. 3:21).

Todos prontamente identificarão esta citação como a última mensagem de Cristo a Sua igreja remanescente. É uma promessa, assim como um apelo de nosso Sumo Sacerdote. Nós a lemos; a memorizamos; e a repetimos uns aos outros. Mas entendemos o que diz? “O que vencer" será o recipiente da benção de sentar-se com Jesus no Seu trono. Que promessa fantástica!

Nossa pergunta crucial é: O que quer dizer "vencer"? Vencer o que? A lição desta semana é focalizada no pecado, e a esperança é que a lição nos ajude a entender como livrar-se do pecado em nossa vida. Nossa meta deve ser descobrir como vencer o pecado e viver justamente pela fé no poder do nosso Salvador. Seguramente, este é o ponto crucial da verdadeira mensagem do Evangelho que Jesus nos exortou a pregar a todo o mundo (Mat. 24;14; Lucas 24:47). É a culminação das três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12, que, finalmente, permite que Deus declare: "Aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus, e a fé de Jesus".1

Vencer o pecado é a exata fundamentação da principal doutrina da Igreja Adventista do Sétimo Dia—a purificação do santuário. No entanto, o santuário não pode ser limpado enquanto pecados continuam a ser despejados nele. No dia típico de expiação, "O limpar do santuário, tanto quanto o próprio santuário, era o tirar para longe do santuário toda a transgressão do povo que, pelo serviço dos sacerdotes, tinha sido trazida para dentro do santuário durante o serviço anual. E esta torrente de pecado devia ser parada em sua fonte—os corações e vida dos adoradores, antes que o santuário pudesse ser purificado. Portanto o primeiro trabalho de purificação do santuário era a purificação das pessoas” (A. T. Jones, O Caminho Consagrado, pág. 120). Como era no típico, assim deve ser no ministério anti-típico de Cristo. O "exato primeiro trabalho" deve ser parar a torrente de pecado "em sua fonte, nos corações e vidas dos crentes”.

Nossos pioneiros descobriram a gloriosa verdade de que esse ministério final de Cristo no dia antitípico da expiação incluía tornar justo todos quantos criam (Boas Novas, pág. 72; cf. Waggoner em Romanos, pág. 88). Esta bendita verdade, que nós podemos vencer todo pecado, agora mesmo, nesta vida, é a promessa do concerto eterno (Mat. 1:21; Ezequiel 36:25-29; Heb. 8:10). É por isto que Jesus morreu, não só para pronunciar você inocente por alguma misteriosa contabilidade celestial, mas realmente fazê-lo justo. "... Descobrimos que quando Cristo nos cobre com o manto da Sua própria Justiça, Ele não nos fornece uma capa para (*cobrir o nosso) pecado mas remove o pecado. E isto mostra que o perdão dos pecados é algo mais que uma mera forma, algo mais que um mero lançamento ou estorno nos livros de registro do céu, com o efeito de que o pecado foi cancelado. O perdão dos pecados é uma realidade; é algo tangível, algo que vitalmente afeta o indivíduo. Realmente limpa-o da culpa, e se ele é purificado da culpa, é justificado, é feito justo, ele certamente sofreu uma mudança radical. É, de fato, outra pessoa, porque ele obteve a justiça para a remissão dos pecados, em Cristo". (E. J. Waggoner, Cristo e Sua Justiça, pág. 74).

O (*nosso) Guia (*de Estudos) usa a definição padrão para pecado: "Transgressão da lei" (1ª João 3:4). A lei é um transcrito do caráter de Deus. Portanto, continuar em pecado é rejeitar Seu caráter, e continuamente rebelar-se contra Sua vontade para nós. Deus quer que todos "venham a arrepender-se" (2ª Pedro 3:9). O desejo do nosso Pai e o propósito da morte dos Jesus era trazer "liberdade aos cativos” — a raça humana atolada em pecado (Isa. 61:1; Lucas 4:18; Col. 1:13; Isa. 42:5-7).

É uma noção oximorônica (*de aparência sarcasticamente contraditória2) reivindicar que somos "salvos" se continuamos a viver uma vida de (*continuo) pecar e arrepender-se, esperando que na volta de Cristo, magicamente seremos libertados do nosso hábito odioso de rebelião.

O que "um homem" fez em trazer todo o mundo sob condenação por rebelião contra Deus, foi desfeito por "um Homem" Cristo Jesus. Este é o foco da mensagem de Cristo e Sua justiça que o Senhor enviou ao mundo em 1888. Com este "único ato justo" na cruz, nosso Salvador tanto redimiu quanto reconciliou o perdido mundo a Deus. (Rom. 5:18; 2 Cor. 5:14, 19; Atos 13:38, 39).

Nas notas da lição da terça-feira nós somos lembrados do debate teológico complexo que se seguiu por mais de 1700 anos. É o pecado o que nós somos, ou o que nós cometemos? Ou seria o pecado ambos, o que nós somos e o que nós fazemos? Se o pecado, pelo qual nós somos condenados, é o que nós somos por nascimento na raça humana, então toda esperança de vencer o pecado deve ser abandonada. Nós não podemos mudar nossa natureza física caída. Não há absolutamente nenhuma verdade na idéia de "carne santa". Nunca foi meta do Cristo aperfeiçoar a carne com que nós nascemos—essa carne foi crucificada. Nossa casa carnal pode ser crucificada com Ele, agora; será transformada "num piscar de olhos" na segunda vinda de Cristo (Gal. 2:20; 1ª Cor. 15:51-54). A "casa" em que nós vivemos não é nenhuma desculpa para pecar continuadamente. Ao tomar nossa natureza caída sobre Si mesmo, Cristo provou ser isto verdade. Em carne pecaminosa caída, Cristo venceu cada tentação com que Satanás pode imaginar assaltá-Lo, e em cada ponto, Cristo venceu pela fé no poder do Seu Pai. Ele "como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado" (Heb. 4:15).

Eis porque "a humanidade do Filho de Deus é tudo para nós" (Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 244). "Cristo veio a esta terra para mostrar que na humanidade Ele podia guardar a santa lei de Deus. Ele disse: 'Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai' (*João 15:12). O Salvador propôs restabelecer os princípios de dependência humana de Deus e cooperação entre Deus e o homem" (Manuscript Releases, vol. 5, pág. 114).

Por que Cristo nos adverte a vencer como Ele mesmo também venceu? Porque Ele provou que é possível parar a corrente de pecado em sua exata fonte—os nossos corações e mentes. A transformação Cristo procura negociá-la com nossa mente. "Deixa estar em você esta mente que estava também em Cristo Jesus" (Phil. 2:5, KJV); e "sede transformados pela renovação da vossa mente" (Rom. 12:2, KJV e NVI). É uma transformação radical de nosso caráter que nos recria à "semelhança de Cristo" (veja Eventos Finais, pág. 183, ú. p. do 3º §; A Fé Pela Qual Eu Vivo, pág. 150; e Mensagens aos Jovens, pág. 160).

"O sangue precioso de Jesus é a fonte preparada para purificar a alma da mancha do pecado. Quando você determinar tomá-Lo como seu amigo, uma nova e duradoura luz brilhará da cruz de Cristo. Um verdadeiro sentido do sacrifício e intercessão do querido Salvador quebrantará o coração que tornou-se endurecido em pecado; e amor, gratidão, e humildade virão à alma. A rendição do coração a Jesus subjuga o rebelde num arrependido, e então a linguagem da alma obediente é: "as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (*2ª Cor. 5: 17). Esta é a verdadeira religião da Bíblia. Tudo além disto é um engano. (Ellen G. White, Testimonies, vol. 4, pág. 625).

Em destaque no final da lição de terça-feira há um enigma. "Suponha você que houvesse chegado a um ponto em que tivesse alcançado verdadeiramente vitória sobre o pecado" e "suponha que você refletisse ‘perfeitamente’ o caráter de Jesus"—o que mais Deus está pedindo de nós? (sic.3) O maior desejo de Deus é que permitamos que Ele realize isto em nós. Quando nós alcançarmos este ponto, nós ainda necessitaremos um Salvador? Sem dúvida! Iremos sempre e eternamente depender do poder de nosso Salvador.

Nós nunca poderemos "caminhar sozinhos" quando confrontados pelo ardiloso inimigo. A Santificação é de fato a "obra da vida inteira," mas não tomará a “vida inteira” antes de nós podermos alcançar perfeição de caráter. Quando a semente cai no chão, é perfeita. Quando brota, é um broto perfeito; ao ele crescer é uma planta perfeita e produz frutos perfeitos. Em cada etapa no processo de crescimento da planta, ela está vivendo tudo que o Criador planejou para ela ser (Parábolas de Jesus, págs. 82-84)4. Então pode estar conosco em nosso processo cristão de crescimento. Ao nós, momento a momento, submetermos nossa vontade à vontade do Pai, iremos continuamente contar com o poder de nosso Salvador para nos livrar do pecado. Pela fé nEle e plenamente rendidos a Ele, nós reconheceremos nossa dependência total de Cristo em tudo. Nós não podemos viver sem Ele; Ele é nossa própria existência e fonte de toda força. A promessa de Cristo a nós é, “a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2ª Cor. 12:9). Vencendo o pecado em "cada ponto" e "perfeitamente refletindo o caráter de Jesus" não é uma negação de nossa necessidade do Salvador. Longe disto. É uma declaração a viva voz de que nós somos totalmente dependentes e dedicados a Ele todos os dias e em cada maneira. Os que dizem que vencer o pecado é perto do impossível são os mesmos que negam sua necessidade do poder do Salvador.

Qual é a resposta ao problema de pecado? Fé firme no poder de Cristo sobre o pecado e Satanás. "Aqui está a fé: 'Onde não há somente uma crença na Palavra de Deus, mas uma submissão da vontade a Ele; onde o coração é cedido a Ele, os afetos fixos sobre Ele'. Agora, estas são expressões pesadas; vale a pena considerá-las. 'A submissão da sua vontade foi rendida a Ele? Está sua vontade submetida a Ele para nunca ser tomada de volta, nem ser exercida ao seu próprio modo, nem para si? Está Sua vontade rendida a Ele? ... “Cristo não pode entrar plenamente, a menos que haja uma total submissão a Ele. Deixe que haja efetiva morte aqui. Deixe que haja real morte do eu. Isso é o que significa; significa morte". (A. T. Jones, Boletim da Conferência Geral de 1893, pág. 299, paginação original). Santificação e perfeição de caráter significa morte do eu e de tudo o que o eu deseja. O propósito de dia antitípico de Cristo do ministério de expiação é a perfeição de nossos caracteres. Deixemos apressar Seu trabalho, submetendo-nos plenamente à Sua vontade para nós.

—Ann Walper

Notas do tradutor:

1) Após o pré-lapsarianismo ter-se alastrado majoritariamente no nosso arraial ASD—a partir dos anos 50—tem-se ouvido, de maneira crescente, muitos dos nossos ensinadores e pregadores propalarem as idéias dos 'irmãos evangélicos': “—para alguém estar na vida eterna depende exclusivamente da obediência de Cristo que lhe é creditada, imputada! A obediência de Cristo é tudo o de que necessitamos, e ela nos basta para nos garantir um lugar na pátria celestial ! ! !”

E se alguém se aventura a considerar que, além da obediência de Cristo, faz-se necessário também a nossa obediência ... eis que se alcunha o tal de legalista! E debocha-se dele, chamando de retrógrado, extremista, etc.

Que diz o Espírito de Profecia a respeito da necessidade da nossa obediência? Eis alguns textos:

"Logo no início da vida cristã, deve ensinar-se aos crentes seus princípios fundamentais. Deve-se-lhes ensinar que não serão salvos somente pelo sacrifício de Cristo, mas que também devem tornar a vida de Cristo a sua vida e o caráter de Cristo o seu caráter. Ensine-se a todos, que precisam levar fardos e renunciar às inclinações naturais" (Patriarcas e Profetas, págs. 57-58).

"Há esperança para cada um de nós, mas de uma só maneira - apegando-nos a Cristo e empregando toda energia para obter a perfeição de Seu caráter. Essa religião piegas que faz pouco do pecado, e só realça o amor de Deus pelo pecador, encoraja os pecadores a crer que Deus os salvará enquanto continuarem no pecado, sabendo que é pecado. É isso que estão fazendo muitos que professam crer na verdade presente. A verdade é mantida à parte de sua vida e essa é a razão pela qual não mais tem o poder de convencer e converter a alma. Deve haver um esforço de cada nervo, fibra e músculo para deixar o mundo, seus costumes, práticas e modas. " (EGW, Cristo Triunfante -- MM 2002, pág. 80).

"A salvação do pecador depende... de deixar de transgredir, e de obedecer a essa lei transgredida. Ninguém deveria abusar da misericórdia de Deus, sentindo-se livre para pecar tanto quanto tenha vontade." (EGW, Cristo Triunfante -- MM 2002, pág. 76).

Deveria ser unânime a conclusão de que, para alguém vir a ter parte na vida eterna, não basta que Jesus tenha sido justo, correto, altruísta, etc. Pensar que estaremos lá ainda que permaneçamos conscientemente cedendo e alimentando as nossas tendências ao egoísmo é um dos enganos que o inimigo de Deus tem usado com êxito crescente em nosso meio ... lamentavelmente.

Mas ... não é isso o que acontece com todos! Felizmente!

2) Como diz a irmã Ana Walper esta é uma noção oximorônica (*de aparência sarcasticamente contraditória, termo derivado em português de oximoro ou oximoron), reivindicar que somos "salvos" se continuamos a viver uma vida de pecar e arrepender-se, pecar e arrepender-se, esperando que na segunda vinda magicamente sejamos libertados do nosso odioso hábito de rebelião.

No ano passado o irmão Creig Barnes, na introspecção da lição 2 do último trimestre (de 2008), Crise Cósmica: Ruptura da Ordem Universa, usou o mesmo termo assim: “Adão, como o primeiro homem e pai da raça humana, nos vendeu à prisão, por assim dizer, e deu a esta raça pecado e morte na caída, pecaminosa natureza humana—tanto carne como mente. Assim a felicidade da inocência foi retirada da humanidade. O homem, que previamente conhecia unicamente o bem, agora aprendeu o mal.

Como aquela lição apresentava, este pensamento foi desenvolvido na mente de Satanás, enquanto estava ainda no paraíso celestial. Uma mente sem pecado concebeu pecado—isto é um oximoro (*uma aparente contradição). Entretanto, obviamente, é possível para uma mente sem pecado cometer pecado.”

3) Esta última frase “—o que mais Deus está pedindo de nós?” é como está no guia de estudos da lição original em inglês. Em nosso guia de estudos em português ela foi substituída pela seguinte pergunta: “Por que, mesmo assim, você ainda precisaria de um Salvador cuja justiça seria a única a lhe permitir apresentar-se sem ‘condenação’ (Rom. 8:1) diante de Deus?).

4) Transcrevemos, a seguir inspiradores §§ de Parábolas de Jesus, págs. 82 – 84:

“Em tudo quanto tende à manutenção do homem vemos a cooperação do esforço Divino e do humano. Não poderá haver colheita, se a mão humana não fizer sua parte no semear a semente. Mas sem as forças naturais, que Deus provê, dando sol e chuva, orvalho e nuvens, não haveria multiplicação. Assim é em todo ramo de trabalho, em todo setor de estudo e Ciência. Assim é no terreno espiritual, na formação do caráter e em toda esfera de serviço cristão. Temos que fazer nossa parte, porém o poder da divindade precisa unir-se ao nosso, pois de outro modo nossos esforços serão inúteis.

Sempre que o homem realiza alguma coisa, seja espiritual, seja material, deverá reconhecer que somente o consegue pela cooperação do seu Criador. É-nos muitíssimo necessário reconhecer nossa dependência de Deus. Deposita-se demasiada fé nos homens, e confia-se muito nas invenções humanas. Há pouquíssima confiança no poder que Deus está pronto a proporcionar-nos. "Somos cooperadores de Deus." I Cor. 3:9. Enormemente inferior é a parte do instrumento humano, mas, se estiver ligada à divindade de Cristo, pode fazer todas as coisas pelo poder que Cristo lhe comunica.

O desenvolvimento gradual da planta contida na semente, é uma lição objetiva na educação das crianças. Tem-se "primeiro, a erva, depois, a espiga, e, por último, o grão cheio na espiga". Mar. 4:28.

Aquele que deu esta parábola, criou a tenra semente, deu-lhe as propriedades vitais e ordenou as leis que lhe governam o crescimento. E as verdades que ensina a parábola tornaram-se uma viva realidade em Sua própria vida. Tanto em Sua natureza física como na espiritual, obedecia à ordem divina do crescimento, ilustrada pela planta, como deseja que todo adolescente faça. Embora fosse a Majestade do Céu, o Rei da glória, tornou-Se uma criancinha em Belém e, durante algum tempo, representou o indefeso menino sob os cuidados da mãe. Na infância, procedia como criança obediente. Falava e agia com a sabedoria de criança e não de homem, honrando os pais, e cumprindo-lhes os desejos em coisas úteis, de acordo com sua aptidão infantil. Mas, em cada fase de Seu desenvolvimento, era perfeito, com a graça simples e natural de uma vida inocente. De Sua infância diz o relatório sagrado: "E o Menino crescia e Se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele" (Luc. 2:40). E de Sua juventude, é narrado: "E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens" (Luc. 2:52).

Aqui nos é sugerido o dever dos pais e mestres. Seu empenho deve ser cultivar as tendências dos adolescentes para que em cada fase de sua vida representem a beleza natural apropriada a esse período, desenvolvendo-se naturalmente como as plantas no jardim. São mais atrativas as crianças naturais e inocentes. Não é prudente dar-lhes atenção especial, e recordar diante delas seus ditos vivazes. Não se deve animar a vaidade, louvando-lhes o olhar, suas palavras ou os feitos; tampouco devem ser vestidas com roupas caras e vistosas. Isto lhes inspira orgulho e provoca inveja no coração de seus companheiros.

Os pequenos devem ser educados com simplicidade infantil.

Cumpre serem exercitados a contentar-se com os pequenos e úteis deveres, e com os prazeres e experiências próprios da sua idade. A infância corresponde à erva da parábola, e a erva tem em si uma beleza peculiar. Não se deve obrigá-los à maturidade precoce, mas conservar-lhes, tanto quanto possível, o frescor e graça dos seus primeiros anos.

Podem as criancinhas ser cristãs, tendo uma experiência de acordo com sua idade. Isto é tudo quanto Deus delas espera. Necessitam de ser educadas nas coisas espirituais; e os pais devem dar-lhes toda oportunidade para que formem caráter semelhante ao de Cristo.

Nas leis de Deus na Natureza, o efeito segue à causa com certeza infalível. A colheita testificará do que foi a sementeira. O obreiro negligente é condenado por sua obra. A sega dá testemunho contra ele. Assim é nas coisas espirituais: a fidelidade de cada obreiro é medida pelos resultados do trabalho. O caráter de sua obra, quer diligente quer lerdo, é revelado pela colheita. Assim é decidido o seu destino para a eternidade.

Toda semente lançada produz uma colheita segundo sua espécie. O mesmo se dá na vida humana. Necessitamos todos, lançar as sementes da compaixão, simpatia e amor; porque o que semearmos isso colheremos. Toda característica de egoísmo, amor-próprio, estima própria, todo ato de condescendência consigo mesmo produzirá fruto semelhante. Aquele que vive para si, está semeando na carne, e da carne brotará corrupção.

Deus não destrói a ninguém. Todo aquele que for destruído ter-se-á destruído a si mesmo. Todo aquele que sufoca as admoestações da consciência está lançando as sementes da incredulidade, e estas produzirão uma colheita certa.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O PECADO ORIGINAL

O primeiro ato de desobediência de Adão foi a causa de todos herdarmos a natureza pecaminosa que temos, pelo simples fato de ser ele o pai e cabeça da nossa raça. Ao ser vencido pelo inimigo transferiu Adão a ele o controle temporário deste mundo, e deveria morrer ato contínuo, juntamente com sua companheira por quem o pecado entrou no mundo.

Isto só não ocorreu porque houve Alguém que “havia sido morto desde a fundação do mundo.” A pulsação seguinte dos corações daqueles nossos primeiros ancestrais foi possível unicamente pelo poder redentor e restaurador de Cristo, que passou a ser o novo cabeça da raça humana, o 2º Adão e seu 2º Pai, a própria humanidade, que é o que, em verdade, o nome Adão significa1.

Ele interceptou as conseqüências do pecado (Gen. 3:15), dando a cada um, individualmente, uma nova oportunidade de decidir se serviria à lei de Deus ou à lei do egoísmo, a nova natureza que passamos a ter. Paulo entendeu este dilema—lhe competia escolher: crer no poder redentor do Messias ou rejeitá-Lo (Rom. Cap. 7).

Veja o artigo “O Que é o Pecado” postado antes deste, e que, na sequência deste blog, vem a seguir.

A primeira frase da lição de hoje, 05/05/09, diz: “Frequentemente os teólogos fazem diferença ente os atos pecaminosos que cometemos e a natureza pecaminosa que temos.” Nos parece que o nosso guia de estudos deveria firmar bem qual é a posição da nossa igreja concernente ao “Pecado Original”, mas pelo estudo da Bíblia, do Esp. de Profecia e da mensagem da justiça de Cristo, que nos foi outorgada em 1888, temos aprendido sobejamente que com o pecado de Adão herdamos a natureza pecaminosa, não a culpa dele. Eu não sou responsável pelo pecado de Adão, somente pelos meus. Pecado é escolha, não “estado.” Eu não peco porque sou descendente dele mas quando escolho repetir seu ato de rebelião.

O título de nossa lição de hoje, terça-feira, 05/05/09, é uma expressão cunhada por Santo Agostinho. Embora não adotemos todos os pontos de vista, nem a ênfase em alguns pontos dos irmãos Standish, o que eles dizem sobre o pecado original é esclarecedor. Está no livro Deceptions of the New Theology (Decepções da Nova Teologia), págs. 12 e seguintes:

“Agostinho (*não conseguia vencer o indomável libido e) repetidamente transgredia o 7º mandamento, tendo mesmo tido um filho ilegítimo, passando então a procurar uma desculpa para seu fracasso. Ele declarou que o homem é culpado não somente por seus próprios pecados mas, principalmente, culpado pelo próprio pecado de Adão. Assim o pecado era um status do ser humano, não dependente da profanação do decálogo.

“Foi devido a este conceito que Agostinho viu o homem retratado em Romanos 7: 24-27 como um homem completamente convertido. Diferente de anteriores entendimentos que viam o homem de Romanos 7 como um sincero indivíduo lutando e falhando na fraqueza humana, Agostinho o viu como salvo em um relacionamento com Deus. Ele ignorou o testemunho pleno de Paulo em relação a esta passagem:

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço” (vs. 14 e 15).

“De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” (vs. 17 e 18).

“Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (vs. 24).

ERROS DECORRENTES DO CONCEITO AGOSTINIANO:

A) “Agostinho entendeu que a carne e o espírito estavam em uma tensão cósmica. Ele nunca viu o triunfo do espírito sobre a carne. Ele não entendeu os fracassos legalísticos deste homem (*de Rom. 7), nem a completa vitória dele quando se rendeu ao amor e poder de Jesus Cristo.

“Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado” (vs. 25).

“Em verdade, em existente literatura, vemos que Agostinho foi o primeiro a ter proposto o conceito de que Romanos 7: 14 a 24 como descrevendo um cristão salvo. O tormento deste homem está em flagrante contraste com a paz e segurança dos filhos de Deus que é tão freqüente nas Escrituras.

B) Pág. 13: “O ponto de vista de Agostinho do pecado original criou um dilema quando ele considerou o Cristo encarnado. Se nós somos pecadores simplesmente porque nascemos, então isto nos levaria a conjeturar que Cristo, também, foi um pecador, pois Ele, também, nasceu como nós nascemos. Sem dúvida, este era um pensamento intolerável. A Bíblia plenamente descreve Cristo como ‘o Santo’ (Lucas 1:35), que haveria de nascer de Maria. Cristo nunca poderia ser descrito como pecador. Portanto Agostinho foi forçado a concluir, logicamente, que Cristo possuía uma natureza diferente da do homem. Assim ele pressupôs que Cristo possuía a natureza do homem não caído. Nisto ele ignorou a plena evidência contrária da Escritura” (Págs. 12 – 14). A inteira diferença entre Cristo e o homem não era uma mquestão de natureza mas de caráter. ... Isto nos leva e entender como Jesus é capaz de socorrer aos que são tentados, Hebreus 2:17, e porque Ele está desejoso de que ninguém se perca, mas que todos venham a se arrepender, 2ª Pedro 3: 9. Começamos a entender como Ele é capaz de salvar completamente todos que vêm a Deus através dEle, Hebreus 7: 25.” (pág. 56).

C) Voltando à pág. 14: “Considerando que Cristo declarou não ter pecado, isto levou a igreja Católica a esposar a blasfema doutrina da Imaculada Concepção, que foi completamente incorporada ao dogma da igreja no século XIX. Esta doutrina declara que Maria nasceu do Espírito Santo a fim de poder gerar um filho que possuísse uma natureza não caída. Assim passo a lógico passo, a falsa teologia de Agostinho levou à incorporação de numerosas doutrinas em desacordo como as Escrituras, recebendo aceitação da igreja Católica.

D) “Outro dilema surgiu. Cristo foi agora removido para longe do homem. Ao colocar a natureza de Cristo acima da nossa, foi difícil aceita-Lo como nosso Mediador, desde que, de acordo com a visão de Agostinho, Ele não foi tentado no mesmo modo que o homem caído foi tentado e testado. Também não poderia haver qualquer expectativa de que, mesmo no poder de Deus, os humanos pudessem ganhar vitória sobre o pecado. Certamente, se o homem tinha uma natureza inferior à de Cristo, como Agostinho postulava, não seria possível para o homem experimentar constante vitória sobre o pecado como Jesus teve quando na terra. A

E) dedução de Agostinho foi de que a vida sem pecado de Cristo foi conseguida porque Ele possuía uma grande vantagem sobre nós, desde que Ele possuía uma natureza não caída, enquanto os homens estavam amaldiçoados com uma natureza caída. Jesus deixou assim de ser verdadeiramente nosso Exemplo.

“Jesus, assim, não estava na posição de socorrer os que são tentados. A igreja foi compelida a propor outros mediadores além de Jesus, homens e mulheres que mais seguramente experimentaram e sofreram (e cederam a) iguais tentações que nós. Maria, mãe de Jesus, foi proclamada ser uma mediadora. Muitos santos foram criados pela igreja. Estes, também, vieram a ser reconhecidos como mediadores. Aos sacerdotes ... foi outorgado o papel de mediador ente Deus e o homem.

“Um passo de cada vez, a igreja, aceitando estes conceitos pagãos, foi forçada, por dedução lógica ,a adicionar erro a erro, a fim de apoiar as falsas premissas de Agostinho. Em breve tornou-se um ditado da igreja que o pecado original separa o homem da vida eterna. Pelo próprio ato de ser concebido, o homem estava condenado ao tormento eterno.

G) “Estas conclusões levaram a outra indagação. Como poderia a culpa do pecado original ser removida? A solução à qual os pais da igreja chegaram foi pelo ato do batismo. Então imediatamente surgiu a questão quanto ao destino eterno dos não batizados.

H) A resposta suprida foi aterrorizante. Eles estavam condenados ao eterno flamejante inferno.

Não é difícil imaginar o impacto de tal conceito sobre os pais de crianças que não tinham sido batizadas. A mortalidade infantil naquela época era altíssima. A angústia de pais cristãos sinceros daquela geração, imaginando que seus filhos eram atormentados em fogo eterno, não tem expectativa.

I) “A igreja rapidamente reconheceu que tinha que suprir uma solução para esta ansiedade. O limbo foi inventado. O Limbo certamente não era o céu, mas também não era o inferno. Era algum lugar intermediário

J) Mas mesmo esta visão não aplacou a angústia dos pais. Eles nunca mais veriam seus pequeninos novamente. Assim o sacramento do batismo infantil foi introduzido no dogma católico.

K) Há muitos relatos existentes de sacerdotes espargindo água sobre o abdômen de mães agonizantes, morrendo no parto, e, então, declarando confidencialmente que a ambos, mãe e filho, estava garantido o céu.

“Embora algumas das doutrinas de Agostinho tenham sido abandonadas por Tomás de Aquino e Abelardo, dois teólogos da Idade Média, a maioria dos conceitos teológicos estavam ainda profundamente enraizados na teologia católica quando da reforma protestante.” (idem págs. 15 e 16)

No Comentário Bíblico Adventista, vol. 9, pág. 608 nos é dito “A doutrina católica ensina que a Bendita Virgem Maria não só foi concebida imaculada, isto é, sem a mínima mancha do pecado original, mas era sem o menor pecado atual durante toda a sua vida. ... Ela não era somente sem pecado, original ou atual, mas ela era, também, em certo sentido incapaz de pecar devido a um privilégio especial” (SDABC, vol. 9. Livro de Pesquisa Bíblica dos Estudantes, pág. 608, apud “Impeccability and Predestination of Mary.

A doutrina da imaculada concepção da virgem Maria, em outras palavras nos diz que ela não teria o nosso DNA, a nossa natureza caída, a fim de poder transferir a Cristo uma natureza santa, estando pois, em certo sentido, separado dos homens, não sendo pois, “Deus Conosco”, no pleno sentido desta declaração do anjo. De onde o catolicismo colheu esta idéia? Isto foi herança babilônica do entendimento de que seus deuses não tinham morada com os homens, Daniel 2:11. A mensagem da justiça de Cristo é uma declaração ampla de que o nosso Deus é “Deus conosco”, tendo assim descido ao fundo do poço onde estamos, nos conhecendo, nos entendendo.

Ora, que Maria era uma pecadora se vê das próprias palavras dela ao chamar seu filho de meu Salvador. Ela sentia pois, a necessidade de um salvador, pelo simples fato de considerar-se uma pecadora.

É curioso notar-se que nem a Bíblia nem o Esp. de Profecia fazem uso daquela expressão Pecado Original, que é o título da nossa lição de hoje, 05/05/09, talvez nem tanto porque seja o mesmo uma afirmação errônea em si, mas bem provável pela previsão divina do risco que seu uso significaria para a cristandade, uma vez que negar que Cristo veio em carne (pecaminosa, como é seu uso em todo Novo Testamento) era fazer a obra do anticristo (1ª João 4: 3 ).

Entre nós um dos primeiros, senão o primeiro a pregar idéias que levam à aceitação do entendimento católico-romano desta expressão foi o Pr. Albion Fox Ballanger2 (1861-1921), (Enciclopédia Adventista, pág. 121) que declarou:

“Todos os homens foram corrompidos sem sua vontade ou cooperação, e, portanto, todos os homens poderiam ser resgatados sem sua vontade ou cooperação. Que! Salvar um homem sem sua vontade? Sim.” The Proclamation of Liberty and the Unpardonable Sin, pág. 64.

Isto é o pecado original e está interligado: com a doutrina do Santuário—o ministério do Cristo no lugar santíssimo; a natureza de Cristo; a expiação; a natureza do homem; a natureza do pecado.

O pastor Albion Fox Ballanger foi desligado da igreja por adotar tal entendimento quanto ao pecado original

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Notas:

1) Deus criou corporativamente todos os homens em Adão, tornando-o o cabeça da humanidade. Todas as vidas humanas são uma multiplicação da vida de Adão: 'de um só fez toda raça humana.' (Atos 17.26).

O Dicionário Webster, edição de 1957, pág. 21, diz que “a palavra Adão significa, em cinco línguas antigas (hebraico, caldeu, siríaco, etíope e árabe), o nome da espécie humana, a humanidade; especialmente na Bíblia, o progenitor da raça humana;

Eis porque Jesus pôde viver e morrer por nós, pelo fato de Ele ser nós, a HUMANIDADE, ser o 2º Adão, nós todos; a humanidade toda estava 'nEle'.

Ele tornou-Se representante da raça humana assumindo a nossa natureza, tornando-Se o novo Pai e Representante da raça humana, a própria Humanidade. O que o 1º Adão perdeu, o 2º reconquistou e reverteu.

Ao unir a Divindade com a humanidade pecaminosa Jesus tornou-Se nós, a humanidade toda —e nós nos tornamos coletivamente um 'nEle', conforme Gálatas 3.28, ú.p.: '...porque todos vós sois um em Cristo Jesus'. Somos, legalmente, um só corpo 'nEle'.

Dessa forma, Jesus, sendo nós todos, adquiriu o direito legal de viver e agir por nós. Todos os Seus atos afetariam todos os humanos, porque todos estavam 'nEle'.


2). Localize na coluna direita deste Blog o mês de março deste ano, e sob este a lição 12 do trimestre passado, intitulada As Bênçãos do Dom Profético. Na nota de roda-pé de nº 2 há muitas outras informações referentes ao pr. Ballanger, como defendeu a idéia do “pecado original”, e como, por isto, foi despedido da organização e da igreja onde congregava.

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O Que é o Pecado

O pecado não é uma fatalidade por termos nascidos na raça humana, mas é escolha.

"Aquele, pois, que sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tiago 4:17), e a NIV diz: "isto para ele é pecado".

O salmista diz, no capitulo 119:30, "Escolhi o caminho da verdade, propus-me seguir as tuas leis".

Para entendermos de justificação pela fé, a primeira questão a ser respondida é: Somos justificados do que? Do pecado, mas, o que é o pecado?

A resposta que você der a essa pergunta orientará toda a teologia que você seguirá.

É ele o modo que somos ou o caminho que nós escolhemos?

Acontece quando nascemos ou quando consentimos em errar?

Para compreendermos a salvação que nos é dada é essencial estarmos cientes do que, e, como estamos sendo livrados:

Somos libertados dos pecados ou nos pecados?

Para pregarmos sobre o juízo final, precisamos saber que nossa doutrina do pecado inclui responsabilidade pelos atos, de outro modo estaremos sendo incoerentes.

Se eu peco simplesmente porque sou filho de Adão, então não posso responder por meus atos, e um julgamento seria impróprio, injusto.

Mas, se pecado é escolha, opção, então sim é compreensível que:

Deus há de trazer a juízo toda obra, quer seja boa, quer seja má, Eclesiastes. 12:14, e de que Deus julga segundo a obra de cada um, 1ª Pedro 1:17.

Pecado é decisão. Não é apenas um pensamento.É uma entrega de si mesmo.

Não é um ente qualquer que se acomoda dentro de nós, obrigando-nos a praticar coisas erradas. Dizemos que o pecado está dentro de nós apenas no sentido de que a decisão que tomamos se passa em nosso interior.

"A depravação moral consiste no egoísmo, ou na escolha do interesse próprio, da autosatisfação ou autogratificação como objetivo de vida"; conseqüentemente, não pode ser uma natureza pecaminosa ou um apetite natural para o pecado.

A depravação moral, é que é a depravação do livre-arbítrio, é o próprio pecado e não a causa dele.

"Crer que um Deus santo está irado contra uma criatura, por possuir ela uma natureza com a qual já nasceu; crer que Deus, desde o advento do pecado cria seres humanos com uma natureza pecaminosa, e os põe no mundo, sem seus conhecimentos e sem seus consentimentos, da qual natureza só pode brotar coisas más, e, depois, os manda para o inferno de fogo eterno, como ensinam essas pessoas, são duas doutrinas monstruosas que destorcem o caráter de Deus".

É verdade que a raça humana caiu em pecado no Éden, mas é também verdade que Deus interferiu imediatamente e coloca em cada um que não O impeça, uma inimizade contra o mal, contra o pecado, Gênesis. 3:15, para que possa optar pela justiça.

O crermos que herdamos o pecado original de Adão, nos leva a um conceito errado do pecado.

O pecado é uma decisão pessoal, e não uma substância. É uma questão moral. É uma decisão pela qual cada um de nós, pessoal e individualmente, é responsável.

A maioria do mundo cristão, (inclusive muitos adventistas do sétimo dia), aceitam, de uma forma ou outra, embora possam negá-lo, a doutrina católica do pecado original, que diz que somos condenados e culpados diante de Deus, unicamente porque nascemos na família humana, devido a nossa natureza pecaminosa.

Romanos 5:12, que diz: "Como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram", não é suporte para a idéia do pecado original porque, em Romanos 5, Paulo não esta tentando explicar o que é o pecado, nem qual é a sua natureza. Mas, o outro modo de ver o que é o pecado, é que ele é o resultado da escolha.

A natureza, plantas, e animais, estão cheios de coisas más, entretanto, não são condenados, e não são objetos de redenção por Deus, porque não têm noção de valores morais. Só o homem foi dotado da inteligência, do raciocínio, que o habilita a tal. A culpa exige entendimento prévio e rebelião proposital. Toda condenação é sempre baseada em conhecimento anterior.

"Todo aquele que sabe o bem que deve fazer, e não o faz, isto para ele é pecado", Tiago 4:17.

Duas são as conseqüências do pecado:

A primeira é a maldição do pecado que produz a primeira morte; é o resultado do pecado;

A segunda é a penalidade do pecado que é a segunda morte, é a conseqüência da culpa do pecado.

Quando falamos de pecado é importante pois, distinguir entre resultado do pecado e culpa do pecado.,

Temos a maldição — os resultados inerentes do pecado — que os seres humanos, animais e toda a natureza em geral experimentam que é a maldição do pecado, que leva à morte— a primeira morte.

Por outro lado, temos a culpa, que leva à penalidade do pecado — a segunda morte, que foi paga por Jesus Cristo na cruz do calvário. Se crermos na salvação dEle, nós nunca padeceremos a segunda morte.

A expiação cobre estas duas conseqüências do pecado:

1º) Abrange a culpa, através do perdão. A justificação, a salvação, o evangelho, e a santificação etc. aplicam-se, particularmente as questões relativas à culpa, à penalidade e ao juízo final, e,

2º) A expiação também ameniza os males resultantes do pecado, por recriar e restaurar o que a maldição do pecado tem causado.

É fundamentalmente por causa da falta de compreensão desse princípio, que muitas pessoas entendem que a declaração divina do Êxodo 20:5, de que Deus visita "a maldade dos pais nos filhos", é contraditória com Sua afirmação em Ezequiel 18:20, de que "o filho não leva iniqüidade do pai".

O senhor nos deu uma claríssima compreensão dessa distinção entre conseqüências e culpa, no livro “Patriarcas e Profetas”, pág. 306:

"É inevitável que os filhos sofram as conseqüências das más ações dos pais, mas não são castigados pela culpa deles, a não ser que participem de seus pecados. Dá-se, entretanto, em geral, o caso de os filhos andarem nas pegadas de seus pais. Por herança e exemplo os filhos se tornam participantes do pecado dos pais. Tendências erradas, apetites pervertidos, e moral vil, bem como enfermidades físicas e degeneração, são transmitidos como um legado de pai a filho, até a terceira e quarta geração".

Portanto, colhemos os resultados, as conseqüências dos pecados de nossos pais no nascimento, mas não partilhamos de sua culpa até escolhermos partilhar de seus pecados. Assim, todos sofremos as conseqüências do pecado de Adão, as tendências erradas, envelhecimento moral, doenças físicas e degeneração e, finalmente, a primeira morte. Mas não sofremos a penalidade do pecado de Adão. Note esta importante declaração:

"Os filhos não são castigados pela culpa dos pais, a não ser que participem de seus pecados".

E, de "O Conflito dos Séculos". Págs. 27 e 28 ouvimos:

"Muitos havia ainda entre os judeus que eram ignorantes quanto ao caráter e obra de Cristo".

A serva do Senhor esta falando aí de algum tempo após a ascensão de Jesus, antes da destruição de Jerusalém no ano 70 de nossa era.

"E os filhos não haviam gozado das oportunidades nem recebido a luz que seus pais tinham desprezado. Mediante a pregação dos apóstolos e de seus cooperadores, Deus faria com que a luz resplandecesse sobre eles; ser-lhes-ia permitido ver como a profecia se cumprira, não somente no nascimento e vida de Cristo, mas, também, em sua morte e ressurreição. Os filhos não foram condenados pelos pecados dos pais; quando porém, conhecedores de toda a luz dada a seus pais, os filhos rejeitaram a luz que lhes fora concedida a mais. Tornando-se, assim participantes dos pecados daqueles, encheram a medida da iniquidade de Deus".

Por causa de envolvimento pessoal, de compreensão individual, a culpa foi-lhes atribuída.

Nossa condenação procede da escolha espontânea de seguir veredas pecaminosas, as pisadas do primeiro homem, em clara oposição ao "assim disse o senhor", preferindo exercer a nossa natureza pecaminosa.

"Nenhum homem pode ser forçado a transgredir. Seu próprio consentimento precisa primeiramente ser obtido; a alma deve primeiro pretender praticar o ato pecaminoso antes que a paixão possa dominar a razão ou a iniquidade triunfar sobre a consciência. A tentação, embora poderosa, não é desculpa para o pecado" (Testemunhos para a Igreja, vol. 5, pág. 177).

"Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados" (Hebreus 10:26).

"Se a luz vem e é posta de lado ou menosprezada, há condenação e desaprovação divina, mas antes que a luz venha, não há pecado, porquanto não há luz para rejeitar" (Testemunhos, vol. I pág. 116).

Note que pecado não é algo recebido por herança.

A culpa não procede da natureza, mas é resultado de conhecer o que é o certo e praticar o errado.

É rebelião proposital contra Deus.

Tenha presente, irmão, em sua mente, que não seremos responsáveis pela luz que não conhecemos, mas por aquela a qual temos resistido e rejeitado.

"Nós não seremos tidos por culpados por luz que não atingiu nossa percepção, mas por aquela a qual resistimos e recusamos. Um homem não pode captar uma verdade que nunca lhe foi apresentada, e, portanto não pode ser condenado por luz que nunca teve" (Comentário Bíblico, vol. 5, pág. 1145)

O livro de Atos contém uma passagem que intrigou muitos do povo de Deus através dos anos:

"Mas Deus, não levando em conta todos os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens, em todo lugar se arrependam" (Atos 17:30).

Se considerarmos, todavia, essa passagem à luz do que a mensageira de Deus nos falou, e dos ensinamentos de Jesus, descobriremos seu claro significado.

"A luz manifesta e condena os erros que se ocultavam nas trevas; mas, ao chegar a luz..., a vida e o caráter dos homens devem mudar correspondentemente, para com ela se harmonizarem. Pecados que eram outrora cometidos por ignorância, devido à cegueira do espírito, já não podem continuar a merecer condescendência sem que se incorra em culpa". (Obreiros Evangélicos, pág. 162).

Uma vez que sabemos que nossos atos são errados, nós nos tornamos culpados se nos mantivermos entregando à pratica destes pecados. Mas antes de o sabermos, não éramos culpados. Após compreendermos, sim! Nós somos culpados. A culpa está, pois ligada, a escolha e ao conhecimento.

Outro aspecto que deveria ser abordado é: Se há culpa em pensamentos ou desejos maus.

A "nova teologia" (que é em realidade nada mais que teologia protestante, a qual, por sua vez, é meramente catolicismo agostiniano) ensina que há culpa no desejo, mesmo quando resistido através do exercício da vontade.

Um dos primeiros proponentes desse ensino dentro da igreja Adventista do Sétimo Dia declarou, abertamente: "Há culpa nos maus desejos, mesmo quando dominados pela vontade".

Todavia, a palavra de Deus diz:

"Cada um, porém, é tentado e atraído quando engodado pela sua própria concupiscência, então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte". (Tiago 1: 14 e 15). Aqui vemos um desenvolvimento, partindo-se do desejo, e praticando-se o próprio pecado.

"O pecado de se falar mal começa com o afagar-se pensamentos perniciosos... Um pensamento impuro tolerado, um desejo não santificado, acariciado, e a alma é contaminada, sua integridade comprometida" (Testemunhos para a Igreja, vol.5, pág. 177).

Por favor, note a diferença. É a tolerância de pensamentos impuros, é o amimar os desejos não santificados que constitui o pecado e a contaminação. Não é certo dizer-se que há pecado no desejo de pecar, se tal desejo é instantaneamente repelido.

"Cada pensamento impuro deve ser instantaneamente repelido" (Ibidem).

Assim, pecado é o resultado de se ceder ao desejo.

"Há pensamentos e sentimentos sugeridos e despertados por Satanás, que molestam mesmo o melhor dos homens, mas se eles não são abrigados, se são repelidos como odiosos, a alma não é contaminada pela culpa" (Review and Herald, 27 de março de 1888).

Dessa maneira, não é o nascimento, a natureza que nos condena diante do Universo, mas pecamos por causa da nossa contumaz rebelião em ignorar a vontade de Deus, dando vazão à nossa natureza pecaminosa.

É quando escolhemos o eu em lugar de Deus que nos tornamos culpados.

Se crermos que pecado é opção, que pecamos quando deliberadamente escolhemos praticá-lo, exercendo nossa natureza pecaminosa, então entenderemos que Jesus pôde tomar nossa natureza decaída e exerceu a opção de não pecar; então compreenderemos o caráter de Deus, e teremos a vida eterna, João 17: 3, porque contemplaremos um Deus altruísta que Se deu completamente com o risco de perda eterna; então seremos mordomos fiéis, conscientemente faremos a Sua vontade; mas lembre-se é Deus quem realizará em você o querer e o efetuar. (Filipenses 2:13).

No verdadeiro evangelho, onde pecado é opção, feita em cada tentação, vencida com firme fé num assim “está escrito”, exercendo o livre arbítrio com que Cristo nos criou, há óleo nas almotolias; há o poder de Deus a nossa disposição para cumprirmos por fé a Sua vontade. Em Testemunhos Para Ministros, página 234 nos é dito: “O óleo é a justiça de Cristo, representa o caráter, e o caráter é intransferível, cada um deve adquirir para si mesmo um caráter purificado de toda mancha do pecado”.

Na meditação matinal de 2002, “O Cristo Triunfante”, página 299 temos isto: “Alguns têm perguntado o que devem fazer para receber o Espírito Santo? Peçam que Deus lhes esquadrinhe os corações, nada façam para satisfação egoísta”.

Do Desejado de Todas as Nações, página 805, ouvimos: “O Espírito Santo é o sopro da vida espiritual na alma. A comunicação do Espírito Santo é a transmissão da vida de Cristo, reveste o que o recebe com os atributos de Cristo”.

Você vê, Ele optou por não pecar e ofereceu fazer isso em nossas vidas também. Que Deus realize isto em cada um de nós é nosso desejo e oração.

Amém.