sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lição 7 — "Descanso e Restauração, por Ann Walper

"Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei" (Mateus 11:28). A grande questão é, "descanso de quê?" E junto com isso: "como podemos descansar?" Na sociedade apressada de hoje a maioria das pessoas também pondera, "por quê?" Por que deveria eu descansar quando há tanta coisa para fazer e tantas coisas para ver e tantas pessoas para interagir com (e tantas maneiras diferentes de interagir). Descansar não entra na equação.

Nos últimos dez anos, das penas de uma ampla variedade de indivíduos, a discussão a respeito de um descanso sabático tem sido cada vez mais cogitados como uma necessidade humana social indispensável. A sociedade está sofrendo a sua falta. Foi reconhecido que a sociedade ocidental, nos últimos cento e cinquenta anos, passou (*do regime) de uma semana de trabalho de seis dias, para uma de cinco dias. No século XX, o conceito de um fim de semana de lazer veio à existência, mas depois, foi esquecido pela nossa paixão por realizações em cada aspecto de nossas vidas. Pais viciados em trabalho,1 impulsionados pelo desejo de status, obtido através da posição financeira ou social, estão criando filhos que não têm nenhum conceito da palavra "descanso". Repouso (a cessação de atividades de rotina) quer a partir de uma boa noite de sono ou umas férias longe de casa, faz-nos sentir fora de controle e ansiosos sobre o que estamos perdendo, enquanto nós estamos desconectados da sociedade. Correndo de atividade para atividade — futebol, aulas de música, acampamentos de verão, a pressão por boas notas na escola, Facebook, Twitter, e-mail, telefones celulares, videogames interativos, e uma miríade de outras relações sociais - nos engole, consumindo qualquer "tempo livre" que possamos ter para buscar o respouso que Jesus nos deseja dar. Nós simplesmente não temos mais tempo para descansar ".

Esta sede por sucesso criou uma sociedade doente. A idéia de um período organizado, institucionalizado, sem produtividade, é o tema das pessoas atenciosas que estão preocupados com a deterioração da unidade familiar e a condição cada vez mais neurótica da sociedade em geral. João Paulo II escreveu na sua carta apostólica de 1998 intitulada Dies Domini, que "mesmo em nosso próprio dia de trabalho é muito opressivo para muitas pessoas, quer devido às condições de trabalho miseráveis e as longas horas, quer por causa da persistência em sociedades mais desenvolvidas economicamente, e também muitos casos de injustiça e de exploração do homem pelo homem". Ele afirma que a opressão do excesso de trabalho é a razão pela qual a Igreja Católica Romana, "através dos séculos, fez leis sobre o descanso dominical" (*como o dia do Senhor). Colocando a Tonica na necessidade humana básica, João Paulo afirmou ainda: "No nosso próprio contexto histórico permanece a obrigação de garantir que todos possam desfrutar da liberdade, descanso e recreação que a dignidade humana exige, juntamente com o religioso associado, familia, necessidades culturais e interpessoais que são difíceis de encontrar, se não houver garantia de, pelo menos, um dia da semana em que as pessoas possam descansar e alegrar-se"(par. 66).

Em um recente artigo no (*jornal) The New York Times, a escritora Judith Shulevitz concordou com esta noção de uma necessidade universal de repouso semanal. "O sábado israelita institucionalizou uma, até então inimaginável e surpreendente noção: a de que toda criatura tem direito ao repouso, e não apenas os ricos e privilegiados. O quarto mandamento abrange mulheres, escravos, estrangeiros e, surpreendentemente, até mesmo os animais. ... Os judeus foram preordenados para observarem o sábado não só como uma forma de honrar a Deus, mas também como veículo central de sua teologia da libertação, um lembrete semanal de sua fuga de sua servidão no Egito." (*A senhora) Judite Shulevitz acertadamente afirma que "a história do sábado é a mesma da criação: repousamos porque Deus descansou no sétimo dia." No entanto, sua conclusão resultante parece falha: "Em outras palavras, descansamos, a fim de homenagear o divino em nós, para nos lembrar que há mais para nós do que apenas aquilo que fazemos durante a semana" ("Bring Back the Sabbath," The New York Times, de 2 de março de 2003). O que começa como um foco no Deus Criador acaba sendo centrada em nós próprios, e Deus, como Criador, Mestre, e dono do universo, está perdido na transição. O anseio magnânimo tanto de João Paulo bem como de Judite Shulevitz para um alívio da pressão para realização de todas as atividades, pode ser alcançado por deixar de trabalhar em qualquer dos sete dias da semana.

É isso que o sábado significa — um (*simples) tempo de folga social? É a observância do sábado somente um período de 24 horas, observado uma vez por semana (não importando se é o sétimo dia ou o primeiro), durante o qual nós nos esforçamos para reduzir a nossa obsessão com o mundo? Ou há uma dimensão maior do que esta que devemos considerar?

Jesus não só nos chama para encontrar descanso "nEle" através da fé em Sua justiça, mas Ele nos diz que só Ele é o Senhor do sábado (o sétimo dia, o verdadeiro "dia do Senhor"). Ele é o Senhor, em razão do fato de que Ele é o Criador de todas as coisas, e santificador do sétimo dia como um tempo especial para a comunhão entre Ele e Suas criaturas. Comunhão, ou seja, uma comunicação significativa e companheirismo entre duas partes, é um elemento-chave da verdadeira observância do sábado. Perversão até mesmo deste conceito tão simples tem sido uma área privilegiada de ataque de Satanás. Embora pareça que estejamos quase continuamente "ligados" ao mundo que nos rodeia, quantas vezes nós conversamos cara-a-cara com a família e amigos — sem interferência eletrônica alguma como e-mail, telefones celulares ou mensagens de texto? Satanás usa todos os meios possíveis para alcançar seus objetivos sobre o nosso tempo e atenção, mesmo usando modernas "conveniências", como um gancho para nos prender. Nossa obsessão com a persistente conveniência dos dispositivos eletrônicos nos impede de encontrar descanso dos clamores do mundo. Constantemente "ligados" ao mundo material, temos dificuldade de ouvir a voz mansa e delicada do Espírito Santo de Deus.

Porque nós não permitimos que Deus tenha Seu lugar legítimo em nossas vidas sofremos fadiga - mental, física e espiritual - a partir de constantes lutas decorrentes da interatividade no dia-a-dia com o mundo. Excluir Deus de Seu legítimo lugar em nossos corações é a raiz do nosso problema. Ambição e auto-absorção rege o mundo dos estratos mais baixos para o mais alto pináculo de conquista. Jesus está nos chamando a partir desta corrida desenfreada para repouso e liberdade nEle.

A verdadeira liberdade religiosa é incorporada no sábado do sétimo dia, não só porque ele aponta a Deus como Criador do mundo, mas porque ele simboliza o nosso direito inalienável à liberdade de escolha dotada a nós por nosso Deus Criador. O sábado do sétimo dia, está, portanto, no cerne das três mensagens angélicas de Apocalipse 14. Após o tempo dos apóstolos, os líderes da igreja primitiva procuraram estabelecer o reino de Deus na Terra, através de legislação coercitiva e cooperação com os poderes do Estado. Constantino, o Grande, argumentou que a legislação dominical traria unidade religiosa, nacional e internacional, a seu império, assegurando seu lugar como senhor supremo (Pontífice Maximus) sobre o seu povo. União entre Igreja e Estado faz a aliança com o estado tão sagrada como a fidelidade a Deus. Mas tais idéias autocráticas deixam de defender a verdade do sábado do sétimo dia, o que é entrega total, e total fidelidade a Deus. Apelar para, e fazer uso do, poder coercitivo do Estado para a persecução dos objetivos da igreja, resulta em uma conivência político-eclesiástica, e intriga, que é a própria essência da antiga Babilônia pagã e sua sucessora, Roma (ver Daniel capítulos 3 e 6 e Apocalipse 13).

Se guardar o sábado, como descrito por João Paulo e Judite Shulevitz — "cessação" do trabalho e das atividades materiais que nos absorvem — é o principal objetivo por trás do movimento para legislar um dia em sete como dia de descanso universal, então qualquer dia da semana seria tão razoável quanto qualquer outro. O primeiro dia não teria preeminência sobre o sétimo dia, ou vice-versa. O cerne da questão de que dia é o dia do repouso depende de quem tem autoridade sobre a mente do homem. Deus criou todos (*os seres) inteligentes totalmente livres. Liberdade de escolha é essencial para um mundo moral, em que o exercício desta liberdade de escolha permite que o indivíduo, utilizando-se das faculdades e poderes conferidos a ele por seu Criador, possa decidir livremente onde residirá sua lealdade. O governo Divino, no que se refere tanto ao governador bem como ao governado, está devidamente demonstrado quando o serviço, adoração e fidelidade da criatura torna-se inteiramente rendida a Deus através da escolha do próprio homem livre.

Nossa escravatura involuntária ao materialismo e auto-realização, deve ceder à rendição completa à vontade de Deus para nossa vida. Mas é uma coisa terrível entregar todo o controle para alguém que você não conhece e confia. As duas instituições dadas à humanidade na criação (casamento e sábado) envolvem estes dois conceitos - a entrega e a confiança incondicional no outro. Deus nos diz que Ele é o nosso Esposo divino, portanto, devemos livremente desejar nos submeter a Sua vontade, confiando plenamente que Ele tem os nossos interesses em bom lugar em Sua mente. E isto, em verdade, é também tudo o de que a observância do sábado consiste. Nenhum outro dia pode substituí-lo. A fé no poder de Deus sobre o mundo, em Seu envolvimento benévolo em nossas vidas; confiança em Seu pedido de controle sobre nossas mentes e corpos, resulta na vontade de permitir que Ele nos enlace em Seus braços de amor.

O Sábado simboliza a escolha inteligente de nossa parte para devolver ao nosso Criador o que é seu por direito. Seu objetivo é honra e glória para Aquele que nos redimiu com Seu sangue, que nos santifica por meio de Seu Espírito Santo, e recria em nós o Seu caráter justo, capacitando-nos para a comunhão com os seres celestiais.

--Ann Walper


A irmã Ana Walper é uma enfermeira padrão, ávida estudante da Bíblia, e é ativa na igreja adventista que freqüenta; na última vez que ouvi diretamente dela, em 2008, exercia as funções de diretora da Escola sabatina; instrutora de uma de suas unidades, e líder do dep. de Liberdade Religiosa. Durante os meses de verão ela trabalha como enfermeira voluntária em acampamentos da juventude adventista nos estados de Kentucky e Tenneesse nos EUA. Ela escreve, já por 16 anos, artigos no jornal de sua cidade sobre as Boas Novas de Cristo e Sua Justiça.


Nota do tradutor:

1) Workaholic = trabalhadores compulsivos

Lição 7 — Descanso e Restauração, por Dr. Todd Guthrie

"E ele disse: “Irá a minha presença contigo, para te fazer descansar" (Ex. 33:14). O fundamento de todo o verdadeiro repouso é a presença de Deus. Em termos mais pessoais, o descanso é um sentimento da presença de Deus, porque Deus está, por meio de Seu Espírito, presente em toda parte. Como o salmista canta: "Para onde me irei do teu espírito? ou para onde fugirei da tua face?" (Sal. 139:7) A razão que os judeus antigos, e hoje a maioria dos humanos, não conseguem entrar nesse repouso é a incredulidade (Hebreus 4:6). A fonte dessa descrença é a auto-confiança e justiça própria que a serpente introduziu no Jardim do Éden. Seguindo seu plano levou a um estado contínuo de agitação.

O pecado nos separa da fonte da vida e repouso. Cristo foi "feito semelhante a seus irmãos" a fim de que "livrasse todos os que, com medo da morte, estavam toda a vida sujeitos à servidão" (Hebreus 2:15). Para ser verdadeiramente restaurados, precisamos de uma conexão constante com Deus - uma reconexão. Sem isso, vamos sempre sentir que a morte está chegando, e temos medo de ficar sem tempo. Acreditando nAquele que "aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e incorrupção pelo evangelho" (2ª Tim. 1:10), entramos no Seu repouso. Como o repouso semanal do sábado, o repouso do pecado sempre esteve ali, pronto para ser experimentado. Os judeus poderiam ter entrado nele. Depois de Cristo tornar-Se nosso segundo Adão, e revelar as verdadeiras consequências da separação da vivificante presença do Pai (como visto na Cruz), não há desculpa para nós, se não entrarmos em Seu descanso. A cruz é apenas um pálido reflexo da dor que o pecado causou ao coração de Deus desde o início. Sempre que o pecado provoca dor, ali está Deus, suportando esta dor em nosso favor, dando-nos oportunidade de entrarmos no Seu descanso. "Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora e Eu trabalho também" (João 5:17). Emanuel, Deus conosco, já é o “EU SOU” para todos que abrirem os ouvidos ao apelo do evangelho. Em Isaías 43:5 e 6, lemos: "Não temas, porque eu estou contigo; trarei a tua descendência desde o oriente, e te ajuntarei desde o ocidente. Direi ao norte: Dá; e ao sul, não retenhas; trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da terra."

O verdadeiro evangelismo é a boa nova de que Deus está próximo de cada ser humano para salvação. Todos são chamados para descansar em sua salvação, ao eles tomarem conhecimento do descanso sabático. Para apreciarem o repouso semanal, o descanso diário e descanso contínuo que Deus tem em mente, devemos esquecer a nossa autoconfiança, e aprender sobre a santidade e o poder de Deus, experimentando sua presença em maneiras práticas.

“Quando os servos de Cristo tiverem uma percepção do sentido da presença dAquele que é poderoso para salvar, serão cheios de gratidão a Deus pelo poder da Sua graça, e eles vão
fazer progresso na vida divina. O obreiro de Deus terá humilde visão de si próprio ao pensar nas oportunidades que foram desperdiçadas, e ele se tornará mais consagrado em seu serviço ao Mestre. Aqueles que dedicam o seu melhor a Cristo vão aprender a ganhar almas, pois eles terão uma íntima relação com o Redentor do mundo” (EGW, Review and Herald, de 08 de abril de 1890, par. 2).

Tendo a Cristo, temos tudo. Isso é verdade, e ninguém vai negá-lo, ainda que muito raramente ajamos como se crêssemos. E isso mostra o quão raro o real cristianismo é, para o próprio princípio fundamental do cristianismo é a presença contínua do Senhor, e que Ele é tudo. Aquele que não crê que Deus está sempre presente, sempre amando, e sempre todo-poderoso para realizar seus desígnios de amor, não crê em Deus. Mas qualquer que creia que deva ser feliz, porque sabe que com o Senhor ele tem todas as coisas, Rom. 8:32, concluirá que a ansiedade e a preocupação são as marcas do paganismo. "Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos? ou: que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celeste bem sabe que necessitais de todas estas coisas. Mas, buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mat. 6:31-33). (16 de novembro de 1899, Ellet J.Waggoner, PTUK 722,11)

Dois exemplos marcantes nos mostram esse princípio em ação. A primeira é a história dos hebreus ilustres, que vemos em uma crise aguda: Você já pensou que nada mais ouvimos sobre a forma do quarto, depois dos três homens terem sido retirados da fornalha de fogo ardente? Ele foi visto claramente por alguns instantes, caminhando para a lá e para cá com eles, em meio as chamas, em seguida, as portas foram abertas e os homens foram chamados para fora, e seu companheiro desapareceu. Ele os esqueceu? De modo algum; Ele estava tão perto quando eles não puderam vê-Lo como quando Ele apareceu. Na verdade, não há nada que mostre que os três homens no fogo O viram. Seu aparecimento era mais para o benefício do rei e sua corte idólatra, do que para os três homens propriamente. Eles sabiam que Ele esteve presente sem vê-Lo. Foi a consciência da Sua presença que os fez capazes de suportar impassíveis, na presença do castigo ameaçador. Deus não muda. Jesus Cristo é o mesmo ontem, e para sempre, portanto, Ele está tão perto quando invisível, como está quando é visto. Aqueles que crêm e confiam em Sua presença quando não podem vê-Lo vão ter, finalmente, o privilégio de ver Seu rosto, e O contempla para sempre. (16 de novembro de 1899, Ellet J.Waggoner, PTUK 723,2)

A segunda é a história de José, que deve descansar em um senso da presença de Deus por um tempo muito maior: Talvez o caso mais instrutivo de todos, que ilustra a presença de Deus com um homem, é o de José. "E os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era com ele, e o livrou de todas as suas tribulações, e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó" (Atos 7:9 e 10). Note isto, que “Deus estava com ele” quando ele foi para o Egito, embora ele tenha ido como um escravo. Não foi apenas na prosperidade que Deus estava com ele, mas em sua aflição. Na verdade, foi Deus quem enviou José ao Egito. Quando José chegou ao Egito, ele foi vendido novamente, mas o Senhor não o abandonou. "O Senhor estava com José, e foi homem próspero; e ele estava na casa de seu senhor egípcio” (Gên. 39:1 e 2). Mas nem tudo foi fácil para ele, muito embora Deus estivesse com ele. José foi acusado falsamente, e, sem lhe ser dada qualquer chance de se defender, ele foi lançado na prisão. Mas certamente o Senhor não tinha Se esquecido dele de modo algum. "O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a Sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor. E o carcereiro-mor entregou na mão de José todos os presos que estavam na casa do cárcere, e ele ordenava tudo o que se fazia ali. E o carcereiro-mor não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão dele, porquanto o Senhor estava com ele, e tudo o que fazia o Senhor prosperava” (Gen. 39: 21 a 23). O Senhor não tem medo ou vergonha de ir para a prisão, de modo que o fato de que um homem estar na prisão não prova que o Senhor o deixou. Na verdade o Senhor está na prisão. Ver Mat. 25:36 e 43.

Depois de um longo tempo, canseira e espera, José foi tirado da prisão, e colocado sobre a terra do Egito. Ele se tornou, praticamente, o rei do Egito. Ele era governador de toda a terra, e tudo o que lhe faltava era assentar-se no trono. José não sabia o por quê de ele ter ido para a prisão até que faraó mandou chamá-lo, e então ele descobriu que esse era o caminho para o lugar do poder. Mas José não gastou o seu tempo com lamentação, embora não pudesse ver o caminho para sair da prisão. Podemos olhar para trás para aquele tempo, e vendo o fim, ao mesmo tempo que vemos a experiência pela qual ele passou, parece-nos uma questão que, obviamente, José deveria agir como ele agiu. Mas devemos lembrar que as coisas para José pareciam sombrias e sem esperança, durante esses anos de prisão, como elas seriam para nós. Se pudéssemos ver nosso caminho claramente, nunca deveríamos murmurar, nem duvidar da presença e da bondade de Deus. José não podia ver à frente, mas ele não se importava com isto, Deus estava com ele todo tempo, e isto era suficiente, ele não precisa ver à frente. Se nós, apenas nos lembrássemos que Ele conhece o caminho que tomamos, e pode ver o fim desde o princípio, nos pouparia muito tempo e desânimo inútil. Deus está conosco na escuridão, assim como na luz, no fogo, e na água, e na prisão, bem como em momentos de tranqüilidade e prosperidade. (16 de novembro de 1899 Ellet J.Waggoner, PTUK 724)

A restauração final de todas as coisas nos obriga a ser pessoas que estão continuamente repousando em Cristo, confiando nEle em todas as coisas, e vivendo em Sua presença, como Ele vive em nós

—Todd Guthrie


O irmão Todd Guthrie, é um médico adventista, membro da Mesa administrativa do Comitê de Estudos de Mensagem de 1888. Ele é ancião na sua igreja adventista local, e constantemente está envolvido em organizar e executar programas musicais para acontecimentos importantes da Igreja Adventista nos EUA e em outros países. Ele e sua família sempre aparecem no canal de televisão adventista Three Angels Broadcasting Network [Canal de Televisão Três Anjos] com música tanto vocal quanto instrumental

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lição 6: "Fé e Cura," por Paul E. Penno

Nassima Burgess, uma adventista libanesa, estava deitada no seu leito de morte em um hospital de Vallejo, Califórnia. Ela solicitou um serviço de unção. O pastor e o ancião oraram por ela, apelando para o Grande Médico. O Crucificado ouviu suas orações de acordo com a Sua vontade, e a curou. Este milagre aconteceu antes da virada do século. Nassima ainda está viva hoje e ativamente envolvida em sua igreja no Vale Napa.

A questão na mente de todos é: Quando é que os servos de Deus farão milagres? Vemos "sinais e maravilhas" no mundo cristão. Como eles podem fazê-lo e o remanescente não?

Os jovens estão sendo ensinados a "simplesmente clamar por isso". As mulheres são encorajadas a orarem por quarenta dias. A fé é um problema de visão que precisa levantar suas vistas acima de tudo o que podemos conceituar de forma a obter o objeto de seu desejo?
O que é fé que "move montanhas"? (Mateus 17:20).

A fé é tentar com mais fervor? É a salvação pela fé e obras?


A fé é confiar mais em Deus? A confiança é um motivo de escape contra a perda. A confiança é uma espécie de apólice de seguro onde você paga o seu premio, na esperança de uma recompensa celestial e de evitar o inferno.

É a fé a construção de um forte relacionamento com Deus? É a fé o desenvolvimento de uma mais forte fé pessoal através do estudo da Bíblia, da oração, testemunho, frequência à igreja, devolver o dízimo, etc; (todos os quais são bons, desde que devidamente motivados) para que Deus, por sua vez faça a parte dEle? É essa fé milagrosa?

Olhe novamente para esse patético grupo que no juízo argumentará com Cristo, "não profetizamos nós em Teu nome? e em Teu nome não expulsamos demônios? e em Teu nome não fizemos muitas maravilhas?” Sem dúvida, eles sempre assumiram que as suas obras foram feitas em resposta às suas preces em nome de Cristo. Eles oraram, e receberam os resultados inegáveis que foram surpreendentes para todos. Mas é claro que as respostas às suas orações não foram de Cristo de modo algum, porque Ele é obrigado a dizer-lhes, infelizmente, "Nunca vos conheci" (Mt 7:22 e 23).


Alguém os conhecia, porque havia inegáveis milagres em resposta às suas orações. Se Jesus diz que não era Ele que os conhecia, quem poderia ter sido?

Nosso Salvador gentilmente nos alertou: "surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos" (Mt 24:24).

Não está além do poder do caído Lúcifer fazer milagres. "E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz" (2ª Cor. 11:14). Será que estamos tão seguros de que podemos infalivelmente distinguir a verdadeira obra do Espírito Santo e a obra de um tal “anjo de luz”? Respostas a oração pode parecer como prova de boa fé, da graça especial de Deus e da atividade em nosso favor. Satanás tem o poder de aparecer como um "anjo de luz", um "falso Cristo," que "faz grandes sinais". Na verdade, ele dá a entender que tem uma conexão com o céu, de maneira que “até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens”. Mas seu verdadeiro caráter está escondido nesses milagres. João acrescenta que "engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse na presença da besta" (Apocalipse 13:13, 14). Milagres não são, portanto, nenhum teste de experiência cristã genuína.

Satanás é muito mais refinado em suas artes do espiritismo agora do que em gerações passadas.1 Ele tem mascarado o culto de si mesmo, disfarçando-o como adoração a Cristo. Fé motivada por auto-interesse está rapidamente unindo as religiões do mundo. Entretanto, a religião motivada pela auto-preocupação no Dia da Expiação tem sua fonte em Lúcifer, que escolheu o seu ego em lugar do caráter de auto-negação de Deus.

Não irão os missionários de Deus fazer milagres genuínos nos últimos dias? Certamente.2 Quando o povo de Deus aprender o que é a verdadeira fé, suas vidas irão demonstrar a mesma abnegação de Cristo na Sua Cruz. O Espírito Santo será capaz de manifestar milagres em uma escala superior ao do Pentecostes. Quando o espírito farisaico de ricos e aumentados com mercadorias, não tendo falta de nada, (*Apoc 3:17, KJV) tiver desaparecido. Milhares se converterão em dias. O Senhor será capaz de confiar esses recém-nascidos à comunhão de uma igreja reavivada e reformada.

O Espírito de Profecia aponta que o Pentecostes veio após os discípulos compreenderem o significado da Cruz, e seus próprios corações foram profundamente humilhados e quebrantados por uma verdadeira compreensão da expiação, e não como uma teoria doutrinária, mas como uma experiência de um amor de um coração contrito pelo Cordeiro de Deus que eles próprios tinham tão amplamente mal compreendido. Foi um trabalho muito mais profundo que eles experimentaram em seus corações do que temos ouvido.

Embora possa parecer chocante dizer, firmemente cremos que um segundo Pentecostes virá a este povo, quando percebermos que os primeiros discípulos fizeram, - o que nós, adventistas do sétimo dia, como um povo, fomos tão estúpidos, tão cegos, tão insensíveis e sem compaixão para com o verdadeiro Cristo, como aqueles onze homens tinham sido. O arrependimento deve preceder o "alto clamor", e nele está travada uma verdadeira compreensão de nós mesmos, que se revela na verdade de Minneapolis e suas consequências.

Mas a impressão dada repetidamente para a igreja é que vamos ter este dom do Espírito Santo, por crer que O temos, fazendo o experimento de "reivindicar este dom como meu, juntamente com o perdão dos pecados." Esta doutrina está perigosamente perto da que crê que nos tornarmos santos, crendo que podemos experimentá-lo com determinação, ou ato de fé que somos santos? Tal doutrina dá a impressão de que o recebimento da chuva serôdia depende, afinal, em última análise, em nosso próprio ato de apropriação, ao invés de sobre a verdadeira fé despertada por uma reconciliação contrita a Deus?

Sinceramente desejamos esta manifestação há muito prometida do Espírito Santo, e cremos que Ele vai ser derramado sobre nós, não tanto quando Deus estiver pronto para fazê-lo (pois Ele está pronto agora), como quando nós, como povo estivermos preparados. Devemos fazer um exame mais aprofundado destas questões, no que todos estamos de acordo a hora mais grave crise, é a qual o movimento do Advento já chegou.

--Paul E. Penno

Notas do autor:

1) "Imitando mais de perto o cristianismo nominal da época, o espiritismo tem maior poder para enganar e seduzir. O próprio Satanás está convertido, conforme a nova ordem de coisas. Ele aparecerá no aspecto de anjo de luz. Mediante a agência do espiritismo, operar-se-ão prodígios, os doentes serão curados, e se efetuarão inegáveis maravilhas. E, como os espíritos professarão a fé na Escritura Sagrada, e demonstrarão respeito pelas instituições da igreja, sua obra será aceita como manifestação do poder divino.

"A linha de separação entre cristãos professos e ímpios é agora dificilmente discernida. Os membros da igreja amam o que o mundo ama, e estão prontos para se unirem a ele, e Satanás está resolvido a uni-los em um corpo, e assim fortalecer sua causa arrastando-os todos para o fileiras do espiritismo" (Ellen G. White, O Grande Conflito, pág. 588).

2) "Em visões da noite, passaram perante mim representações de um grande movimento de reforma entre o povo de Deus. ... Os enfermos eram curados, e outros milagres eram realizados. Viu-se um espírito de intercessão tal como se manifestou antes da grande dia de Pentecostes. Viam-se centenas e milhares visitando famílias e abrindo perante elas a Palavra de Deus. O corações eram convencidos pelo poder do Espírito Santo, e manifestava-se um espírito de genuína conversão. Portas se abriam por toda a parte para a proclamação da verdade. O mundo parecia iluminado pela influência celeste "(Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, vol. 9, p. 126).