terça-feira, 15 de novembro de 2016

LIÇÃO 8, — SANGUE INOCENTE, por Arlene Hill



Para 12 a 19 de novembro de 2016

Todos os argumentos que Jó e seus amigos levantam para explicar a miséria que Jó está vivenciando estão baseados num mal-entendido do amor de Deus. É natural para nós (*pecadores) que projetemos nossas próprias inclinações a Deus. Pensamos que quando Deus presta atenção a nós, negativa ou positivamente, Ele está respondendo a algo que fizemos ou não fizemos. É um tipo de manipulação.
Essencialmente, os amigos de Jó estão argumentando que os seus problemas foram causados ​​ou permitidos por Deus por causa de algum pecado que Jó está abrigando ou ignora. Jó argumenta que não sabe de nada disso, e que suas ações e intenções só foram boas. Ambas são maneiras erradas de pensar sobre Deus. A ideia de que Deus é justificado em permitir que inocentes sofram tortura e morte porque todos pecaram é uma extensão simplista do argumento dos amigos de que coisas ruins nos acontecem porque somos maus. Alegar que Deus pode torturar ou matar alguém que deseje é projetar sobre Ele intenções sádicas e caprichosas mais adequadas a Satanás.
Deus é amor, Ágape. Ele ama a Sua criação porque isto é da Sua natureza. E na Sua natureza, não nas nossas ações, está o porquê de Ele nos amar. A demonstração derradeira da extensão do Seu amor foi a cruz onde Deus, em Cristo, reconciliou Sua criação, mesmo quando em rebelião contra Ele. Este conceito é fundamental para a mensagem de 1888. O entendimento de que Deus nos ama simplesmente porque somos Sua criação é a base do evangelho.
Em outras palavras, por causa da cruz de Jesus, o Pai pode “fazer com que Seu sol se levante sobre o mau e o bom, e envie chuva sobre o justo e o injusto” (Mat. 5:45). Ele agora estava livre para tratar “cada homem”, crentes e incrédulos, como se nunca tivessem pecado.
Porque Ele é amor, Deus deu a Suas criaturas rebeldes um caminho para sair de sua difícil situação no Éden. Ao contrário da “conferência” celestial com Jó, Satanás nem sequer ficou para ouvir o plano de Deus para consertar a confusão a que havia conduzido Adão e Eva. Podemos olhar para a metáfora do bebê recém-nascido indesejado em Ezequiel 16:6 e ver o que o maligno queria fazer com os seres humanos. “E, quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar... Não se apiedou de ti olho algum, para te fazer alguma coisa disto, compadecendo-se de ti; antes foste lançada em pleno campo, pelo nojo da tua pessoa, no dia em que nasceste” (Eze. 16:4, 5). Mas Deus veio, limpou e alimentou-a para que pudesse viver.
Esta não é uma imagem de um Deus que precisa nos fazer sofrer para satisfazer algum prazer perverso como um gato brinca com um rato. Podemos ver a imagem de um Pai terno que apóia e disciplina Seu filho perdido. Sem dúvida, a disciplina não era divertida para ele, mas era necessária para fazer o seu caráter completo e maduro. Deus não permitiu que Satanás tornasse Jó miserável apenas para a Sua própria diversão. Ele conhecia a força do caráter de Jó e permitiu que o sofrimento o amadurecesse e demonstrasse ao universo observador o fato de que Deus poderia fazer isso por um ser humano disposto. 
Se o leitor me permitir uma história pessoal, creio que esta ilustração ajuda: Quando minha irmã e eu éramos pequenas, nossos pais nos levaram para a Disneylândia. Estávamos tão entusiasmadas que tivemos problemas para dormir no hotel na noite anterior. Nosso pai ficou tão exasperado que avisou que o próximo a falar ganharia uma surra. Eu sussurrei algo para minha irmã, mas ele pensou que ela estava falando e levou as palmadas que eu merecia. Lamento admitir, eu não falei nada.
É esta a imagem que temos de Deus? Pensamos que Ele comete erros sobre quem merece castigo e caprichosamente prepara disciplina para satisfazer a Sua ira? Como podemos “em tudo nos regozijar” aceitando a disciplina de Deus quando pensamos que Ele é assim?
Como adulto, eu posso entender as ações do meu pai. Uma viagem de 8 horas com duas crianças de 5 e 7 anos provavelmente não foi agradável. Todos precisávamos dormir. Nossos pais queriam que desfrutássemos o dia seguinte, e estar cansado e irritadiço teria impedido nossa diversão. Sua motivação para estabelecer limites era realmente o amor por seus filhos. Aos 5 anos de idade, eu certamente não era suficientemente madura para entender isso.
Deus é nosso Pai perfeito e nos ama muito mais do que nossos pais terrenos. Ele nos castiga porque nos ama. Ele não comete erros. Se insistimos em entender mal os seus motivos, Ele nunca pode nos mover para a fé madura.
Como é a fé madura? “Portanto, tendo sido justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rom. 5: 1). Ellet J. Waggoner escreveu: “A maioria das pessoas tem a ideia de que [paz] é uma espécie de sentimento extático. ... Mas a paz com Deus significa a mesma coisa que representa para os homens: é simplesmente a ausência de guerra. Como pecadores, somos inimigos de Deus. Ele não é nosso inimigo, mas nós somos Seus inimigos. Ele não está lutando contra nós, nós é que estamos lutando contra Ele. Como, então, poderemos ter paz com Ele? Simplesmente deixando de lutar, e baixar os braços. Podemos ter paz sempre que estivermos prontos para parar de lutar” (Waggoner sobre Romanos, pág. 5.93).
Como isso aconteceu com Jó? A maior parte de sua defesa foi baseada em sua integridade. No capítulo 31, ele lista suas boas intenções e suas boas ações que as sustentavam. No final do livro, depois que Deus falou, Jó não tem nada a dizer. “Então Jó respondeu ao Senhor e disse: ‘Eis que eu sou insignificante; O que posso responder a Ti? Coloco a mão na minha boca. Uma vez eu tenho falado, e não vou responder; Mesmo duas vezes, e não acrescentarei mais’” (Jó 40: 3-5).
Ele parou de lutar, disposto a deixar que Deus fosse o seu juiz. As opiniões de seus amigos não importavam porque ele estava em paz com Deus. “Note que quando temos paz com Deus não estamos simplesmente em paz com Ele, mas temos a Sua paz. Esta paz foi deixada na terra para os homens; Porque o Senhor disse: ‘Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou’ (João 14:27). Ele a deu a nós. Já é nossa. Sempre foi nossa. O único problema é que não acreditamos nisso. Tão logo crermos nas palavras de Cristo, então teremos verdadeiramente muita da paz que Ele nos deu. E é paz com Deus, porque encontramos a paz em Cristo, e Cristo habita no seio do Pai (João 1:18)”.

—Arlene Hill

A irmã Arlene Hill é uma advogada aposentada da Califórnia, EUA. Ela agora mora na cidade de Reno, estado de Nevada, onde é professora da Escola Sabatina na igreja adventista local. Ela foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, que se realizou na sua igreja em maio de 2010, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada no endereço: 7125 Weest 4th Street, Reno, Nevada, USA, Telefone  001 XX (775) 327-4545; 001 XX (775) 322-9642. Ela também foi oradora do seminário “Elias, convertendo corações”, realizado nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, na igreja adventista Valley Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919 Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.

Nota: Asteriscos (*) indicam acréscimos feitos pelo tradutor.

Notas:                                                                                                                                         
O vídeo, em inglês, do Pastor Paul Penno sobre esta lição, gravada com um sábado de antecedência,

Esta introspecção, em inglês, está na Internet, acesse:  http://1888mpm.org
Depois, clique em SABBATH SCHOOL TODAY / Outline, 2016 / 4th quarter / The book of Jobe.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Lição 7— Castigo retributivo, por Roberto Wieland



Para 5 a 12 de novembro de 2016

Muitas pessoas têm a ideia de que Deus é uma Deidade vingativa apenas esperando uma chance de golpeá-las com os Seus relâmpagos de retribuição por seus pecados. E se Deus é assim, um julgamento com Ele, como juiz, certamente seria uma perspectiva terrível. A Bíblia, no entanto, descreve um Deus e um julgamento que diferem surpreendentemente desse equívoco comum.
Também às vezes representamos a Jesus como amoroso, presente entre nós, e um Pai severo. Mas de acordo com a Bíblia, o Pai tanto nos ama e está ansioso pela nossa salvação eterna quanto o Filho. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito” (João 3:16). “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando as suas ofensas” (2ª Coríntios 5:19).
Esta foi uma das grandes verdades bíblicas reveladas na mensagem de 1888. E. J. Waggoner, um dos “mensageiros”, a expõe desta maneira:
 “‘Pela justiça de um, o dom gratuito veio sobre todos os homens para justificação da vida’. Não há nenhuma exceção aqui.Como a condenação veio sobre todos, assim a justificação vem sobre todos.Cristo provou a morte por cada homem. Entregou-Se a Si mesmo por todos. Não, ele Se entregou por cada homem. O dom gratuito veio a todos. O fato de ser um dom gratuito é uma prova de que não há exceção: se se tratasse apenas de pessoas com alguma qualificação especial não seria um dom gratuito. É um fato, portanto, claramente enunciado na Bíblia que o dom da justiça e da vida em Cristo alcançou a todos os homens na Terra. Não há a menor razão por que todo homem que já viveu não seja salvo para a vida eterna, a não ser que não o queira. Muitos rejeitam o dom oferecido tão livremente”.1

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O livro de Jó, provavelmente o livro mais antigo do mundo, descreve um paciente, aparentemente terminal, falando com seus “amigos” que estão certos de que o sofredor merece o seu destino, um paciente que protesta que ninguém poderia pecar o suficiente para merecer esse tipo de punição (certamente, não ele).
À medida que a discussão começa, Elifaz avisa o sofredor Jó que sua agonia é justamente infligida porque ele deve ser culpado de um pecado terrível. Aqui estão algumas transcrições:
 “Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? . . . Porque do pó não procede a aflição, nem da terra brota o trabalho. Mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas se levantam para voar. Porém eu buscaria a Deus . . . Eis que isto já o havemos inquirido, e assim é; ouve-o, e medita nisso para teu bem”.
Deus está castigando Jó, diz Elifaz, e Jó pode melhor servir ao seu próprio interesse arrependendo-se. Não é um bom raciocínio? Era o melhor que as mentes humanas poderiam suscitar naquele tempo, e é ainda a maneira que muita gente raciocina hoje. A humanidade sofredora deve simplesmente implorar a misericórdia de um Deus sem coração que não sofre, Ele próprio.
Conforme a discussão continua, no entanto, Jó consegue penetrar na falácia interna de tal conceito. Sem a nossa Bíblia para ajudá-lo, ele finalmente arrazoa o seu caminho fora das sombras. Por trás do sofrimento humano está um Deus que também sofre.
 “Porque as flechas do Todo Poderoso estão em mim, cujo ardente veneno suga o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim. ... Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me desse o que espero! E que Deus quisesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse! Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, ... Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que tenha ainda paciência? ...  falarei na angústia do meu espírito; queixar-me-ei na amargura da minha alma. A minha vida abomino” (6: 4, 8-11; 7:11, 16).
Então Bildade une-se à discussão e pressiona o espinho do desespero ainda mais profundo. Jó deve ter pecado terrivelmente, ele argumenta:
 “Deus nunca torce a justiça, ele nunca deixa de fazer o que é certo, seus filhos devem ter pecado contra Deus, e por isso os castigou como eles mereceram. ... Deus nunca abandonará os fiéis” (8: 3, 4, 20). 
 “Sim”, responde Jó, “ouvi tudo isso antes. ... Já não me importo, estou farto de viver, nada importa, inocente ou culpado, Deus nos destruirá. ... Deus deu ao mundo os ímpios, e todos os juízes ficaram cegos, e se Deus não o fez, quem foi?” (9:1, 21-24).
Ah, Jó! Você está meio certo e meio errado. Há injustiça — você está certo. Mas Deus não a causou; aí você está errado. Há uma resposta para a pergunta que você ainda não sabe. Nós, que podemos ler o prólogo do livro, sabemos o que é: Deus não trouxe o sofrimento de Jó, Satanás o fez. Mas Jó ainda não pode romper sua dor para perceber isso.
Zofar tem estado escutando calmamente, decidindo o que dizer. Quando ele se une à discussão, o seu comentário é o ataque mais cruel de todos. Ele diz a Jó: “Deus está te punindo menos do que mereces” (11: 6).
Mesmo sem sofrimento físico, é insuportável sentir-se totalmente condenado e abandonado por Deus. Jó não consegue entender por que Deus se virou contra ele. Imagina-se como uma criança desamparada, escondida no porão até que seu pai se supera à embriaguês e chama: “Jó, meu filho querido, onde você está? Volte”.
 “Quem dera que me escondesses na sepultura, e me ocultasses até que a tua ira se fosse; e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim! Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias de meu combate esperaria, até que viesse a minha mudança. Chamar-me-ias, e eu te responderia, e terias afeto à obra de tuas mãos” (14: 13-15).
Enquanto isso, a repugnante doença de Jó é tão ruim que até mesmo sua família não quer se aproximar dele. Pior ainda, ele sente que Deus o abandonou também:
 “Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos se apartaram de mim. Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. Os meus domésticos e as minhas servas me reputaram como um estranho, e vim a ser um estrangeiro aos seus olhos. Chamei a meu criado, e ele não me respondeu; cheguei a suplicar-lhe com a minha própria boca. O meu hálito se fez estranho à minha mulher; tanto que supliquei o interesse dos filhos do meu corpo. ... Todos os homens da minha confidência me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim.  ... a mão de Deus me tocou” (19: 13-21).
Zofar responde: Isto é obra de Deus; Seus pecados alcançaram você finalmente. Qualquer um doente como você está obtendo somente o que merece.
Jó e seus amigos tinham tanto razão quanto estavam errados. Doença e morte vêm como resultado do pecado. Mas não é Deus que inflige essa tortura aos seres humanos.
Há uma briga nos bastidores entre Deus e Satanás sobre a questão da culpa ou inocência do homem. Jó é um pecador — como todos somos. Mas ele tem um Redentor que tomou o seu pecado sobre si mesmo. Em Cristo, Jó é inocente; a justiça de Cristo é dele. De jeito nenhum ele merece esse sofrimento. É Satanás, o adversário, que lhe inflige.
Assim, o drama de Jó se torna a saga da humanidade. Ele manterá sua fé em Deus apesar de seu sofrimento? Ele honrará o seu Senhor? Sim ele o fez.
Um elo divino vincula Jó, sofrendo sozinho em seu monte de dejetos, com outro Sofredor, morrendo sozinho em Sua cruz. Podemos ousar vê-Lo como Ele é — o Príncipe dos sofredores que, embora “não conhecesse pecado”, foi feito “pecado por nós . . . para que sejamos feitos justiça de Deus nEle”? (2ª Cor. 5:21, KJV). Ele tornou-Se um de nós para “provar a morte por todos os homens” (Heb. 2: 9). Não só o horror da morte devido a uma doença terminal, mas algo muito pior — o horror do que a Bíblia chama de “segunda morte” (Apo. 2:11; 20:14).
Qual é a diferença? Todo paciente que sofre pode morrer com esperança iluminando sua alma porque Cristo é “a verdadeira Luz que ilumina a todo homem que vem ao mundo” (João 1: 9). A garantia amorosa do perdão pode penetrar a alma desesperada, e nas trevas uma luz começará a brilhar. A morte perderá o seu terror. O Espírito Santo sussurra a certeza de que “o Senhor colocou sobre Ele (Cristo) a iniquidade de nós todos” (Isa. 53: 6), e o sofredor pode dormir, confiante de que a paz do céu enche a sua alma, e que ele ressuscitará na primeira ressurreição dos santos.
Mas quando o Filho de Deus morreu, clamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?” (Mat. 27:46). Este não era o grito de um ator que memorizou o seu texto para recitá-lo no palco. Cristo provou o tipo de angústia que os perdidos sem luz sentirão em sua hora final após a segunda ressurreição.
Todo paciente no mundo precisa ver esse Substituto divino e saber que Cristo não é apenas um espectador indiferente ao seu tormento, Alguém que não sofre também. Cristo compartilha a dor. Mais do que isso, Ele sofre agonia além do nosso limite de suportar. O sono e a morte podem nos libertar, mas Cristo sofre porque Ele Se identifica com toda a dor humana por todo o mundo.
Os discípulos de Cristo uma vez Lhe perguntaram se um homem que nascera cego tinha pecado, ou tinham os seus pais pecado. Sua resposta os atordoou: “Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus”.  Então Ele o curou e o homem “voltou vendo” (João 9:1-7). Jesus não quis dizer que Deus tinha criado o homem cego de propósito; Antes, Deus invalidou a cegueira para demonstrar o Seu poder salvador. A graça de Deus se especializa em transformar maldições em bênçãos.
 “Com os sofrimentos de Cristo, há também alegria e glória, somos esculpidos nas palmas de Suas mãos (Isaías 49:16), mas com as marcas dos pregos de Sua cruz há também feixes de luz. Em nossa tribulação, somos confortados pelo Deus de toda consolação. ‘Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo’ (2ª Cor. 1:5). Ao ser participantes dos sofrimentos de Cristo, somos identificados como Filhos de Deus (Heb. 12:7, 8): “Se fordes reprovados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois, porque o Espírito de glória e de Deus repousa sobre vós” (1ª Ped. 4:14). Há glória com os Seus sofrimentos em nós, e como os nossos sofrimentos são dEle, assim também a Sua glória é nossa, e quando essa glória se revelar, também nos alegraremos ‘com grande regozijo’” (1ª Pedro 4:13).2
Deus nos adverte de que “o salário do pecado é a morte”, e só faz sentido “fugir da ira vindoura”, a “ira” que o pecado traz sobre nós mesmos (Rom. 6:23,  3:7). Mas até que a morte “seja tragada em vitória”, Deus — deve sofrer conosco quando sofremos, porque Ele não pode parar de nos amar.

—Texto composto dos escritos do Pr. Roberto Wieland

Notas de rodapé:                                            
1)  Ellet J. Waggoner, Waggoner on Romans, (Waggoner sobre Romanos) 1896, pág. 101.

2) Waggoner, "The Sufferings of Christ," (Os Sofrimentos de Cristo) The Present Truth, de 6 de Junho de 1895. You may read or download the entire article at: http://www.1888mpm.org/blog/sufferings-christ

O irmão Roberto J. Wieland foi um pastor adventista, a vida inteira, missionário na África, em Nairobe e Kenia. É autor de inúmeros livros. Foi consultor editorial adventista do Sétimo Dia para a África. Ele deu sua vida por Cristo na África. Desde que foi jubilado, até sua morte, em julho de 2011, aos 95 anos, viveu na Califórnia, EUA, onde ainda era atuante na sua igreja local.
Ele é autor de dezenas de livros. Em 1950 ele e o pastor Donald K. Short, também missionário na África, em uma das férias deles nos Estados Unidos, fizeram dois pedidos à Conferência Geral:
1º) que fossem publicadas todas as matérias de Ellen G. White sobre 1888, e
2º) que fosse publicada uma antologia dos escritos de Waggoner e Jones e sua mensagem que receberam mais de 200 recomendações de Ellen G. White.
38 anos depois, em 1988, a Conferência Geral atendeu o primeiro pedido, o que resultou na publicação de 4 volumes com um total de 1821 páginas tamanho A4, com o título Materiais de Ellen G. White sobre 1888.

Notas:                                                                                                
O vídeo, em inglês, do Pastor Paul Penno sobre esta lição, gravada com um sábado de antecedência,

Esta introspecção, em inglês, está na Internet, acesse:  http://1888mpm.org
Depois, clique em SABBATH SCHOOL TODAY / Outline, 2016 / 4th quarter / The book of Jobe.

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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Lição 6 — Maldição sem causa, por Paulo Penno



Para 29 de outubro a 5 de novembro de 2016

É um poderoso, persuasivo e, de certa forma, bonito sermão que Elifaz prega a Jó. “Meu amigo Jó, eu quero lhe trazer todos os recursos de conforto e sabedoria conhecidos no mundo dos moralmente bons e religiosos. Quero serenamente incentivá-lo a ser coerente com as suas crenças, ser realista sobre a nossa condição mortal, ser humilde e não ter ideias acima de si mesmo, e de bom grado submeter-se à disciplina amorosa de um Deus bom”.
Elifaz indaga, “É possível que os seres humanos estejam em relacionamento correto com Deus, postarem-se diante de Deus limpos e puros em Sua presença?” (Jó 4:17). A resposta da religião humana: Não há nenhuma maneira em que os seres humanos imperfeitos mortais possam ficar limpos e justos na presença de Deus.
Temos nosso fundamento de pó (4:19). Podemos ser esmagados tão facilmente quanto você esmaga uma traça. Acordamos uma manhã cheios de esperança e força, mas à noite estamos mortos, voltando ao pó de onde viemos (4:20). “Então, seja realista, Jó”, diz Elifaz, “Nós somos mortais, Deus é imortal, e nunca os dois se encontrarão”  (4:21).
Elifaz suscita a questão de saber se pode haver um ser sobrenatural, celestial, que irá mediar entre os mortais impuros, feitos de pó, e o Deus imortal. Ele diz que isso não pode ser (5:1). O céu é simplesmente por demais inacessível aos mortais. “Então”, diz Elifaz, “não há por que ficar todo ardente e incomodado com tudo isso, e, especificamente, sobre o que aconteceu com você. Seria insensato, ficar de cabeça quente, impulsivo” (5:2).
Elifaz transmite o seu apelo. “Vi o que acontece com os tolos, pessoas que ficam iradas e incomodadas com a injustiça, parecem ser resolvidas e seguras”. Como um homem sábio, Elifaz observou que a casa do tolo era amaldiçoada (5:3).
Elifaz observa que coisas ruins acontecem a pessoas que recebem ideias acima da sua condição no que respeita a Deus. “Esteja avisado, Jó, e não aja assim”. O desastre advém ao tolo. Problemas não aparecem simplesmente do nada (do chão), mas são o resultado do pecado humano (5:6).
Elifaz começa a dar o seu conselho claro a Jó. “Se eu fosse você”, ele diz: “iria volver o rosto a Deus e buscar a Sua face” (5:8). Eu confio nEle. E eu não iria tentar ser por demais inteligente”.
Ele é o Deus que levanta as pessoas humildes e pobres (5:11). Mas é também o Deus que não podemos compreender (5:9). Faz muitas coisas, e não podemos procurar compreendê-las. Então não vamos tentar ser muito inteligentes e arrogantemente achar que podemos ser mais sábios do que Deus.
Eles acham que podem suplantar a Deus e ser mais sábios do que Deus. Mas Deus sempre frustra os seus esquemas. “Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (5:13). Esta afirmação é verdadeira (1ª Cor. 3:19). Deus faz tropeçar os homens e mulheres que tentam ser muito espertos para o seu próprio bem.
Elifaz pensa que Jó está em perigo de fazer isso, e por isso avisa: “Não faça isso, ou o fim para essas pessoas é que quando pensam tudo está claro, não podem entender o que está acontecendo em absoluto, e estão caminhando em trevas” (Jó 5:14).
O que há de errado com o conselho de Elifaz? O que há de errado em exortar Jó a ser coerente, realista, humilde e submisso a Deus? O que há de errado em exortar Jó a ser coerente com as suas crenças, de ser realista sobre nossa condição mortal, ser humilde e não ter ideias acima de si mesmo, e de bom grado submeter-se à disciplina amorosa de um Deus bom? A verdade é que descrentes e crentes sofrem igualmente.
O fato é que todos os pecados do mundo dos pecadores perdidos foram suportados pelo Salvador. Ele pagou a penalidade e tem suportado a ira para cada um dos seus pecados, conscientes e inconscientes, passados, presentes e futuros. Segue-se que nenhum sofrimento dos crentes e descrentes pode, no fim de contas, ser um castigo por seu pecado. À luz da cruz, tudo é imerecido. E ainda assim o mundo sofre.
Cristo não cometeu pecado; mas Ele sofreu o abuso e dor mais vis, até mesmo a nossa “segunda morte”. Ele é chamado de “príncipe dos doentes.” Mas o que sofreu é o que nós teríamos sofrido, se não tivesse sofrido em nosso lugar:
 “Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele; e pelas Suas pisaduras fomos sarados. Todos nós como ovelhas, nos desviamos, voltando-nos cada um ao seu próprio caminho: mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isa. 53:4-6). Isso poderia muito bem ser traduzido em linguagem moderna: “O Senhor fez cair sobre Ele a sorte de todos nós”.
Deus não Se tem acomodado em sublime indiferença, sem sentir nada de nossa desgraça. A ideia que declara que o mal é irreal, que Deus não pode sentir isso, é contrariada na Bíblia. Deus Se sente mal. Ele é infinitamente perturbado por isso, precisamente porque Ele mesmo não é mau. Ele está tão preocupado com isso que mergulhou no mar do pecado humano, tomou sobre Si a sua penalidade completa e, portanto, purificou a corrente da humanidade que irá aceitar a Sua salvação.
Então haverá qualquer significado para os sofrimentos que ainda suportamos? Sim, muito. A ideia de 1888 de receber a expiação de Cristo oferece uma resposta para o sentido dos nossos sofrimentos, que nenhuma filosofia humana, como a de Elifaz, pode proporcionar. Paulo apela aos que amam a verdade: “Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo Seu corpo, que é a igreja” (Col. 1:24).
E. J. Waggoner escreveu: “... Os sofrimentos são de Cristo, ... Ele os sente, e sendo dEle, é capaz de em nós suportá-los, e não precisa tremer pelo resultado. Para sermos salvos temos de ser identificados com Ele, e para sermos identificados com Ele devemos ser participantes dos Seus sofrimentos. Foi como os mártires se capacitaram a suportar com coragem as terríveis provações pelas quais entregaram as suas vidas. Seus sofrimentos foram os sofrimentos de Cristo, uma parte do que foi ‘deixado para trás’ depois que ressuscitou dos mortos, e Ele as suportou em seus corpos. ‘Verdadeiramente Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores’. As aflições podem ser chamadas nossa, mas é Ele que as suporta”. [1]
Quando os olhos da fé visualizam os sofrimentos de Cristo, imediatamente percebemos um parentesco com Ele; nos tornamos um com Ele; isso “para conhecê-Lo ... e à comunicação de Suas aflições, sendo feito conforme à Sua morte” (Fil. 3:10). Nossos sofrimentos estão em “comunhão” com os Seus sofrimentos no que compartilhamos com Ele o privilégio de demonstrar a vitória da fé sobre o mal. Nada é em vão. O verdadeiro discípulo deve compartilhar a vida de seu Mestre. Jesus disse: “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se eles Me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (João 15:20).
Perseguição e sofrimento são muito difíceis de suportar se pensarmos que é Deus quem os inflige. Mas, se sabemos que o agente é Satanás, podemos suportá-los com alegria porque percebemos uma “comunhão” com Cristo. O sofrimento já não é inútil e sem sentido. Se fôssemos transportados para um lugar de recompensa (céu) sem que tenhamos experimentado o sofrimento nesta vida, iríamos nos sentir miseravelmente fora de lugar na presença de Jesus, que teve que suportar tanta perseguição e sofrimento por nossa causa. Os seres humanos que querem ter comunhão com Deus em qualquer nível também devem ter comunhão com Ele no sofrimento. Só então serão capazes de apreciar o Seu dom da salvação.

—Paul E. Penno
           Notas finais                                                                                                         
[1] E. J. Waggoner, “The Sufferings of Christ,” The Present Truth, (A Verdade Presente), 6 de Junho de 1895; ênfase acrescida.

                Notas:                                                                                                  
O vídeo, em inglês, do Pastor Paul Penno sobre esta lição, gravada com um sábado de antecedência,

Esta introspecção, em inglês, está na Internet, acesse:  http://1888mpm.org
Depois, clique em SABBATH SCHOOL TODAY / Ouline, 2016 / 4th quarter / The book of Jobe.

Paulo Penno foi pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Ele foi ordenado ao ministério há 38 anos. Após o curso de teologia ele fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente ele preparou uma extensiva antologia dos escritos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, a qual está incluída na Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também ele escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia,” e, ao longo dos anos, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de 1888. Ele foi jubilado em julho de 2016. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Ele foi o principal orador do seminário “Elias, convertendo corações”, nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, realizado na igreja adventista Valley Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919 Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.
Atenção, asteriscos (*…) indicam acréscimos do tradutor.
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