terça-feira, 10 de novembro de 2015

Lição 7— A crise continua, por Mary Chun



Para 7 a 14 de novembro de 2015

Jeremias escreveu um dos livros mais longos do Antigo Testamento, com 52 capítulos, e na sequência  redigiu o livro das Lamentações, de 5 capítulos. Ao passarmos em revista Jeremias vemos que ele procede de uma família sacerdotal de Anatote, um subúrbio de Jerusalém. É interessante comparar os fundamentos de Paulo e Jeremias; ambos foram escolhidos para os seus ministérios antes do nascimento, e ambos tinham missões específicas para os gentios, mas a missão e a mensagem principal de Jeremias foram dirigidas a Judá.
Outra nota surpreendente sobre Jeremias é que em sua tenra idade ele relutou em falar em público — sentia-se inadequado. Será que isto não nos faz lembrar de Moisés, que na sua idade tardia, aos 80 anos, sentia que não podia falar bem? No entanto, Deus trabalhou por meios poderosos com Moisés para que liderasse o Seu povo. No chamado de Isaías, um serafim tocou a sua boca com um carvão quente para purificá-lo (Isa. 6: 6, 7). No caso de Jeremias, o Senhor tocou-lhe a boca para que transmitisse a Sua mensagem (Jer. 1:9).
Jeremias é um grande profeta, bem intenso da personalidade humana, aquele com quem podemos nos identificar, compreender e apreciar. Ele é dotado de tal poder misterioso do alto que às vezes somos surpreendidos com a sua grandeza. Vemos Jeremias tão humanamente fraco, no entanto, tão divinamente firme; seu amor tão humanamente terno, contudo tão divinamente santo; seus olhos derramando lágrimas ao contemplar a aflição a advir sobre o seu povo, todavia brilhando com ardor de fogo de indignação contra os seus pecados e abominações. Seus lábios transbordavam com simpatia para com a filha de Sião, apenas para pronunciar-se no mesmo fôlego sobre o juízo e condenação que ela tão plenamente merecia. Jeremias é verdadeiramente uma personalidade marcante e poderosa. Ele é tão compassivo, que não podemos deixar de reconhecer nele um instrumento especialmente escolhido e preparado por Deus de graça e força e sabedoria.
Vemos o desdobramento do ministério de Jeremias. O povo de Deus tinha sido cativado pela idolatria, adultério, calúnia e maus caminhos, resultando no afastamento de seus corações de Deus. Parece ser o que está acontecendo hoje. Quando você ler Jeremias 9, verá a dor e o pranto do profeta sobre Sião. Eles estavam perdendo o conhecimento de Deus. Ao mesmo tempo, Deus também está chorando quando o Seu povo está à deriva, seguindo seus próprios caminhos. Este é exatamente o conceito de arrependimento corporativo que Jeremias está praticando; sua preocupação é para com todas as pessoas, não apenas para si mesmo. Embora ele próprio fosse inocente, Jeremias confessou e se arrependeu dos pecados de seus pais: “Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó Senhor, age por amor do Teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra Ti pecamos” (Jer 14 : 7).
 “Há paralelos marcantes na história da obra de Deus: Jeremias e Ezequiel confiantes de que o desastre nacional deve ultrapassar o reino de Judá, a menos que o arrependimento fosse recebido no mais alto nível de liderança, sempre um “coro solitário” de pessoas que tremiam ante a palavra do Senhor, mas eram poucos e humildes. Nos primeiros dias dos apóstolos, Paulo advertiu que “depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho. E que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20:29, 30). Mais uma vez, um “coro solitário” disse a verdade que foi largamente ignorada. “Houve um afastamento” e falsidades pagãs foram autorizadas a se infiltrar na Igreja, levando à Idade das Trevas da grande apostasia”.1
Nos capítulos 7 e 26 Jeremias busca trazer o seu povo ao arrependimento. Se Judá voltar para Deus, pode evitar a destruição horrível de invasão babilônica que paira sobre a nação como uma nuvem escura no horizonte. Foi triste a tarefa de Jeremias em alertar o seu povo tantas vezes da destruição que se aproximava e de que essa catástrofe era um julgamento de Deus. Esta mesma mensagem despertou raiva entre os judeus. Jeremias foi visto como um traidor, e foi perseguido de uma forma mais intensa do que qualquer outro profeta hebreu. Cristo foi tratado da mesma maneira.
Há também um paralelo no que Ellen G. White escreveu sobre o tempo de Elias: “Para o ferido Israel só havia um remédio — Afastarem-se dos pecados que haviam atraído sobre eles a mão punidora do Onipotente, e tornarem-se para o Senhor com inteiro propósito de coração. A eles fora-lhes dada  a certeza: ‘Se eu cerrar os céus, e não houver chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste contra o Meu povo; e se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a Minha face e se converter dos seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra’ (2ª Crônicas 7:13,14). Foi para fazer que chegasse a esse bendito resultado, que Deus continuou a reter deles o orvalho e a chuva até que tivesse lugar uma decidida reforma”.2
Esta declaração resume lindamente o núcleo da mensagem de 1888: “Em misericórdia, Deus procura conduzir os injustos ao arrependimento. O obediente vai se comprazer na lei do Senhor. Ele coloca as Suas leis em suas mentes, e as escreve em seus corações... O seu discurso será como inspirado por um Salvador que habita em seu íntimo. Eles têm aquela fé que atua pelo amor e purifica a alma de toda contaminação das sugestões de Satanás. Seu coração anseia por Deus. Em sua conversão gostam de se demorar em Sua misericórdia e bondade, pois para eles Ele é totalmente desejável. Aprendem a linguagem do Céu, o país da sua adoção”.3
Que aprendamos a lição que Jeremias está trazendo através da preciosa mensagem de arrependimento, e do amor misericordioso que brota do coração de Deus para o Seu povo. Ele está sempre batendo à porta do nosso coração, disposto a nos dar um novo coração.
Examine a letra deste antigo hino, palavras surpreendentes do “O Amor Divino”, de Carlos Wesley (Hino 107 do Hinário Adventista:)
Alegrias vem trazendo o eternal e santo amor,
Lá do alto firmamento, para os crentes no Senhor;
Vem e limpa a nossa vida, e com meiga compaixão
Purifica, nós rogamos, o perverso coração.

Vem preside nossa vida, Divinal e santo amor,
Dá-nos força nesta lida, até o nosso sol se pôr!
Que estejamos bem dispostos nosso sangue entregar
Pela causa da verdade, vida ou morte, mas lutar!4

 Tenha coragem e esperança nas infalíveis amorosas misericórdias do nosso Senhor.

Notas do autor:
1) Meditação diária do Pr. Roberto Wieland, de 2004;
2) Ellen G. White, Profetas e Reis, pág. 128;
3) Ellen G. White, The Upward Look [Olhar para o Alto]; Carta 281, de 10/10/1905, escrita ao Dr. Daniel H. Kress e esposa;
4) Hino 107 do Hinário Adventista; autoria de Carlos Wesley.                

A irmã Maria Chun é uma enfermeira padrão (com as graduações: RN e BSN), graduada pela Universidade Adventista Andrews, e vive na área de Loma Linda. Ela é membro ativa da igreja da Universidade de Loma Linda, e é a diretora do ministério de Saúde da Universidade de Loma Linda — CHIP = Coronary Health Improvement Project    (Projeto de Melhora da Saúde Coronária). Maria cresceu no sul da California, em cultura chinesa de crenças místicas, mas converteu-se ao adventismo do sétimo dia e agora gosta de estudar a "mui preciosa mensagem" da Justiça de Cristo.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Lição 6 — Atos simbólicos, por Arlene Hill



Para 31 de outubro a 7 de novembro de 2015 

Deus enviou mensagem após a mensagem a Judá por intermédio de Jeremias e de outros profetas. Aparentemente cada uma foi universalmente ignorada. Como um pai criativo, Deus tentou diversas maneiras de conseguir a atenção de Seus filhos indiferentes em Judá. Quando as palavras não funcionavam, Ele recorria a ações para demonstrar advertência. Estas mensagens simbólicas, embora percebidas, foram rejeitadas. Podemos apenas imaginar o mal estar com que Jeremias foi recebido.
Quando Jeremias visita o oleiro, sua mensagem deve ter sido extremamente ofensiva para os seus ouvintes. Eles não podiam ter deixado de perceber essa analogia aplicada a eles do oleiro e do barro. Esta relação repreendeu o seu pensamento arrogante de que Deus não tinha escolha quanto à forma que Judá tomou, e que se esperava que Ele os abençoasse, independentemente de quantos outros deuses adoravam. Deus lembra-lhes que tinha um plano específico para eles, quando trouxe seus antepassados ​​para fora do Egito, e que eles o estragaram por sua apostasia. Novamente, Ele diz: Eis que estou forjando mal contra vós; e projeto um plano contra vós(Jer 18:11). Ainda assim, a resposta deles foi: Não há esperança, porque andaremos segundo as nossas imaginações; e cada um fará segundo o propósito do seu mau coração”. (vs. 12).
A reação deles foi matar proverbialmente o mensageiro quando disseram Vinde, e maquinemos projetos contra Jeremias; porque não perecerá a lei do sacerdote, nem o conselho do sábio, nem a palavra do profeta; vinde e firamo-lo com a língua, e não atendamos a nenhuma das suas palavras(Jer. 18:18).
O símbolo do jarro quebrado (capítulo 19) representa o que Deus pretende fazer com Judá, quebrá-los de modo a que não possam ser reparados. Esta não é a primeira vez que Deus usou o símbolo de quebrantamento para advertir Israel. Um dos exemplos mais gráficos é a história do levita e sua concubina como registrada em Juízes 19 e 20. Nesse caso, Ele causou uma reação e reforma em Israel.
A quebra do vaso também pode se referir a Jeremias, capítulo 11, onde Deus diz que eles quebraram a aliança que fez com os seus antepassados ​​quando os tirou do Egito. Este pacto é: Dai ouvidos à Minha voz, e fazei conforme a tudo quanto vos mando; e vós sereis o Meu povo, e Eu serei o vosso Deus (Jer 11: 4.).
Esta é a essência do concerto eterno. A mensagem de 1888 ensina que a aliança de Deus não é algo que as pessoas devem fazer, mas no que devem crer quando Deus diz “dai ouvidos”. As pessoas muitas vezes pulam a parte do “dai ouvidos” e consideram a questão como Deus fazendo uma barganha, pedindo-nos para “guardar” os Seus mandamentos para que Ele seja o seu Deus. Pensam que sabem o que isso significa, então nos pomos a fazer o que achamos que Deus quer. Infelizmente, isso prova que não se está dando ouvidos.
Ellet J. Waggoner aplicou isso a “nós”: “Não podemos viver uma vida justa por nossa própria força mais do que poderíamos gerar a nós mesmos. A obra iniciada pelo Espírito deve ser realizada até à conclusão pelo Espírito . ...  O empenho de Paulo, e a primeira experiência dos gálatas, esteve exatamente em paralelo com a experiência de Abraão, cuja fé foi imputada como justiça. Lembremo-nos que os “falsos irmãos” que pregavam ‘outro evangelho’ [aos gálatas], chegando a ser o falso evangelho da justiça pelas obras, eram judeus e reivindicavam Abraão por pai. ...
 “As pessoas tomam o sinal por substância, o fim pelo meio. Vêem que a justiça se revela em boas obras. Por isso, presumem que as boas obras trazem a justiça. Justiça adquirida pela fé, boas obras operadas sem trabalho, parecem-lhes impraticáveis e fantasiosas. Chamam-se homens “práticos” e acreditam que a única maneira de se ter algo feito, é fazê-lo. Mas a verdade é que todos esses homens são altamente impraticáveis. ... Só no Senhor há justiça e força (Isa 45:24). Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nEle, e Ele o fará. E Ele fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia (Salmo 37: 5,6). Abraão é o pai de todos os que crêem para a justiça, e desses somente. A única coisa “prática” é crer, assim como ele fez”.1
Os judeus dos dias de Paulo alegavam ser justos pelo ato da circuncisão. O povo de Judá nos dias de Jeremias cometeram o mesmo erro, mas também afirmavam que Deus tinha que continuar a abençoá-los porque diziam, “Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este” (Jer. 7:4). Pensavam que podiam manter práticas pagãs no templo e ainda chamá-lo de “o templo do Senhor.” É fácil pensar que o antigo Judá era tão primitivo que hoje nunca iríamos cometer o erro de encontrar força em edifícios, ou qualquer outra coisa que tente o nosso orgulho denominacional.
Outra “lição” simbólica é encontrada em Jeremias capítulo 13, o cinto arruinado. Isto parece misterioso, mas é uma aplicação exclusivamente pessoal. Um cinto ou cós é usado para impedir sua roupa de cair. Algumas pessoas até adicionam suspensórios porque temem a vergonha da nudez. O pecado causou esse medo. Judá não sabia que tinham perdido a sua cobertura e estavam nus. Em sua cegueira não podiam ver que os edifícios, rituais, ou guardar a lei não fez nada para livrá-los de ter a sua vergonha exposta. Poderia haver uma relação entre a mensagem de Deus a Judá, e Sua mensagem à igreja de Laodiceia: “... não sabes que és miserável, e pobre, e cego e nu” (Apoc. 3:17)?
Deus quis revelar tal orgulho para o povo de Judá. Ele queria mostrar-lhes que tinham perdido o elemento que os unia a Ele nos níveis mais íntimos. Queria que esses laços nunca fossem quebrados, mas a sua ignorância de como guardar a Sua lei resultou na perda da sua proteção e os fez passar vergonha. Eles persistiram em pensar que adicionar deuses pagãos, mas ainda tentar guardar a lei de Deus era aceitável. Em vez disso, perderam tudo. Só por estarmos intimamente ligados a Deus através do trabalho do Espírito Santo podemos receber a salvação realizada por Jesus. É um trabalho íntimo do coração que exige humildade e honestidade.
Ellen G. White aplica este conceito de “obra do coração” de 1888 tão belamente: “Toda a verdadeira obediência vem do coração. Deste procedia também a de Cristo. E se consentirmos, Ele por tal forma Se identificará com os nossos pensamentos e ideais, dirigirá nosso coração e espírito em tanta conformidade com Seu querer, que, obedecendo-Lhe, não estaremos senão seguindo os nossos próprios impulsos. A vontade, refinada, santificada, encontrará o seu mais elevado deleite em fazer o Seu serviço. Quando conhecermos a Deus como nos é dado o privilégio de O conhecer, nossa vida será de contínua obediência. Mediante o apreço do caráter de Cristo, por meio da comunhão com Deus, o pecado se tornará aborrecível”.2
Que bendita promessa. Podemos crer nela.

--Arlene Hill
Endnotes:

1) The Glad Tidings [As Boas Novas], escrito por Ellet J. Waggoner, págs. 52 a 54. Este é um comentário ao livro de Gálatas)
*À pág. 72, ele declara: “Não se esqueçam que o concerto e a promessa são a mesma coisa’ [e aqui ele está falando do Concerto Eterno) ‘e transmite terra, a terra tornada nova, para Abraão e seus filhos. E lembre-se também que, considerando que apenas a justiça habitará o novo céu e a nova terra, a promessa inclui tornar justos a todos quantos creem. Isso é realizado em Cristo, em Quem a promessa é confirmada.”
*Que maravilhosas boas novas temos aqui: MEDIANTE O EVANGELHO Cristo está preparando um povo perfeito para habitar a Terra restaurada.’

2) O Desejado de Todas as Nações, pág. 668.                                                 

A irmã Arlene Hill é uma advogada aposentada da Califórnia, EUA. Ela agora mora na cidade de Reno, estado de Nevada, onde é professora da Escola Sabatina na igreja adventista local. Ela foi um dos principais oradores no seminário “É a Justiça Pela Fé, Relevante Hoje?”, que se realizou na sua igreja em maio de 2010, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada no endereço: 7125 Weest 4th Street , Reno, Nevada, USA, Telefone  001 XX (775) 327-4545; 001 XX (775) 322-9642. Ela também foi oradora do seminário “Elias, convertendo corações”, realizado nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, na igreja adventista Valley  Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.
Nota: Asteriscos (*) indicam acréscimos feitos pelo tradutor.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Lição 4 — Repreensão e represália, por Paulo E. Penno



Para 17 a 24 de outubro de 2015

“Repreensão e Retribuição” — Que título para um estudo da lição da Escola Sabatina. Alguém ainda dá ouvidos a esse tipo de coisa? Temos que nos indagar se o povo de Deus ficou tão espiritualmente “queimado” ao ponto de se fazer surdo para o que o Espírito diz sobre a nossa mensagem da chuva serôdia.
Uma boa maneira de se livrar da mensagem de Deus, de que não se goste, é condenar os mensageiros. Tem sido um velho problema do povo de Deus e ainda não aprendemos esta lição hoje.
Jeremias fez um poderoso pedido a Deus com base numa denúncia. “Não proclamei esta insuportável mensagem de minha própria imaginação. Antes, é o veredito sobre Judá, que me enviaste para anunciar” Mas, ó Senhor dos Exércitos, justo Juiz, que provas os rins e o coração, veja eu a Tua vingança sobre eles; pois a Ti descobri a minha causa”.  (Jer 11:20). Ele ora para que Deus proteja o seu mensageiro. “Sou apenas o mensageiro proclamando o que me confiaste”.
Jeremias submeteu sua causa Àquele que “julga justamente”. Ele está sendo maltratado por ser fiel ao que Deus lhe pediu para fazer. Maldade está tramada contra ele que está sofrendo pela causa da justiça. Os ímpios estão predominando. Esta é uma situação injusta. Deus precisa intervir e fazer algo para endireitar as coisas.
Jeremias convoca a Deus para “julgar e provar” esta causa do mal e do certo. Junto com o apelo de Jeremias para o acerto há uma reivindicação contrária a seus perseguidores. Veja eu a Tua vingança sobre eles; pois a Ti descobri a minha causa (Jer 11:20). Este apelo por “vingança” não é desejo de auto-justificação da parte de Jeremias. Ele está pensando mais sobre a causa de Deus do que sobre si mesmo. É a reputação de Deus que está em jogo se a injustiça continuar fora de controle. Deus deve vencer o Seu caso no grande conflito com o inimigo.
É um fato que Deus precisa de Seus mensageiros para se levantarem e reconhecerem que “é chegada a hora do Seu juízo” (Apo. 14:6). Ao se manifestarem fielmente por Deus, que está sob julgamento, Ele, por sua vez, ouve a sua reclamação contra os ímpios e dá um veredito de condenação ao erro. Em outras palavras, ao Deus ganhar o Seu caso, os justos sobre a Terra se incluem em Sua vitória.
A culpa dos que tramam contra Jeremias é estabelecida com estas palavras: “Portanto, assim diz o Senhor acerca dos homens de Anatote, que procuram a tua vida, dizendo: Não profetizes no nome do Senhor, para que não morras às nossas mãos” (Jer. 11:21). Os homens da cidade natal de Jeremias, Anatote, são culpados de tentar silenciar um profeta.
O delito de silenciar um profeta é escandaloso em Israel. Profetas são essenciais para a vida de uma comunidade religiosa. Silenciar profetas diminui a condição de Israel como povo escolhido de Deus
Aqui está a lição de 1888 que precisamos aprender. Ellen White afirmou inequivocamente que Jones e Waggoner foram diretos e verdadeiros em trazer uma mensagem de Deus para o Seu povo escolhido. “Deus está apresentando às mentes dos homens gemas preciosas de verdade divinamente designados, apropriadas para o nosso tempo”.1 “Deus havia enviado esses jovens, os pastores Jones e Waggoner, para lhes transmitir uma mensagem especial”.2
Ellen White reconheceu a seriedade da oposição a eles pessoalmente e à sua mensagem, e determinou a culpa final para a sua falha potencial “em grande medida” sobre os irmãos oponentes.3
Criticar os mensageiros impulha-lhes um fardo mais pesado para transportar do que a oposição normal: “Qualquer caminho que o mensageiro siga será desagradável para os opositores da verdade; e vão capitalizar sobre cada defeito nas maneiras, costumes, ou caráter de seus defensores”.4
 “Alguns de nossos irmãos . . . cheios de ciúme e más suspeitas, . . . estão sempre prontos para mostrar em que forma diferem dos pastores Jones ou Waggoner”.5
Os dois homens falaram positiva e vigorosamente. Agudas percepções da verdade muitas vezes levam os que são “apenas homens” a falar dessa maneira. Mas isso era ofensivo à natureza humana, que estava à procura de uma desculpa para rejeitar a mensagem: “Que nenhuma alma se queixe dos servos de Deus que vieram a eles com uma mensagem enviada pelo céu. Não mais apanheis falhas neles, dizendo: ‘Eles são muito positivos, eles falam muito fortemente’. Eles podem falar fortemente, mas não é necessário”?6
O Senhor mesmo havia revestido os Seus mensageiros pessoais com evidências de autoridade, “credenciais celestiais”. Eles haviam perdido de vista o eu em seu amor a Cristo e Sua mensagem especial. O eu ainda não crucificado em outros estava contrariado:
 “Se fosse permitido que os raios de luz que brilharam em Mineápolis exercessem o seu poder convincente sobre aqueles que tomaram posição contra a luz, ... teriam recebido as mais ricas bênçãos, desapontado o inimigo, e se mantido como homens fiéis, fiéis a suas convicções. Eles teriam tido uma experiência rica, mas o eu disse: Não. O eu não era para ser recusado; o eu lutava pelo domínio”.7
Em Mineápolis, a personalidade de Jones e Waggoner se tornou o, consciente tropeço visível para a invisível, inconsciente, rejeição de Cristo, a Palavra. Isto é evidente, no seguinte: “Homens que professam piedade têm desprezado a Cristo na pessoa de Seus mensageiros. Como os judeus, eles rejeitam a mensagem de Deus. Os judeus perguntavam a respeito de Cristo: “Quem é este? Não é este o filho de José?” Ele não era o Cristo que os judeus estavam à procura. Assim, hoje as agências que Deus envia não são o que os homens têm procurado”.8
Se somos tentados a encontrar um caminho mais fácil, dizer que esse passado vergonhoso não deve preocupar nossa geração, pode o Senhor abrir novamente o caminho para enviar a chuva serôdia?
O Senhor nos chama a reconhecer nossa solidariedade para com os nossos “pais”. Embora sendo ele próprio inocente, Jeremias confessou e se arrependeu dos pecados de seus pais: Posto que as nossas maldades testificam contra nós, ó Senhor, age por amor do Teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra Ti pecamos” (Jer 14:7).
Somente o arrependimento pode evitar a repetição dos pecados dos pais. A razão pela qual o Senhor exige arrependimento pelos pecados dos “nossos pais” é que sem ele somos programados a repeti-los. Compartilhamos uma humanidade comum. Por natureza não somos melhores do que os que rejeitaram a mensagem de 1888. Se estivéssemos no lugar deles, teríamos feito o mesmo. Isto é o que Ellen White quer dizer ao declarar: “Os livros do Céu registram os pecados que teriam sido cometidos se tivesse havido oportunidade”.9
Cristo não reconheceu repressão de culpa pelo pecado em absoluto. Ele permaneceu de pé diante de Deus por “fidelidade” e assim foi “justo”. Suas motivações eram puras e transparentes.
Este é apenas um prenúncio do tipo de pessoas que a mensagem do terceiro anjo reunirá por fim, pois também terão a “fé de Jesus” — não apenas a fé em Jesus, mas o próprio tipo de fé que Ele tinha, a fé de Jesus. Esta é a experiência profunda dada à igreja de Laodicéia — fé, discernimento espiritual, e a justiça de Cristo.
Paul E. Penno

Notas:

1) Materiais de Ellen G. White sobre 1888, vol. 1, pág 139;
2) Idem, vol. 3, pág. 1043; 3) Idem, vol. 3, pág. 1127;                               
4) Idem, vol. 3, pág. 1061; 5) Idem, vol. 3, pág. 1043;
6) Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, págs. 410 a 413;
7) Materiais de Ellen G. White sobre 1888, vol. 3, pág. 1030;
8) Fundamentos da Educação Cristã, pág. 472;
9) Comentário Bíblico Adventista, vol. 5, pág. 1085.

Notas:
 Se você desejar copiar as 374 recomendações de Ellen G. White aos dois mensageiros de 1888 e sua mensagem, dadas de 1888 a 1896, acesse http://1888mpm.org e clique no título: "How Many Times Did Ellen White Endorse the Message of Jones and Waggoner From 1888-1896?"
No mesmo site você encontra o vídeo desta lição do pastor Paulo E. Penno, explanada no sábado passado, 17/10/15.
Paulo Penno é pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Ele foi ordenado ao ministério há 38 anos. Após o curso de teologia ele fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente ele preparou uma extensiva antologia dos escritos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, a qual está incluída na Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também ele escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia,” e, ao longo dos anos, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de 1888. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Ele foi o principal orador do seminário “Elias, convertendo corações”, nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, realizado na igreja adventista Valley  Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia. Você pode vê-lo, no You Tube, semanalmente, explanando a lição da semana seguinte na igreja adventista de Hayward, na Califórnia, em http://www.youtube.com/user/88denver99
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