terça-feira, 28 de novembro de 2017

Lição 9 — Nenhuma condenação, por Roland Fanselau



Para 25/11 a 2/12/17

No sétimo capítulo de Romanos, que foi o tema da lição da semana passada, Paulo descreve um problema. O problema é que nem conhecimento, nem esforço habilitam alguém para guardar a lei. Como consequência, a auto-confiança, ainda que bem informada e bem-intencionada, é condenada nos termos da lei.
No oitavo capítulo de Romanos, que é o assunto da lição desta semana, Paulo apresenta a solução para o problema. No primeiro versículo, Paulo relaciona a ausência de condenação com o estar "em Cristo". Note que a frase "que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito" (VS. 1)1 que aparece na Versão King James, e que implica que a ausência de condenação é atribuível ao que chamamos de santificação, a obediência compartilhada de Cristo, não está no original. Assim, a tradução correta do primeiro versículo do capítulo é: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus"  (New American Standard Bible, Nova Versão Americana Padronizada).
Posteriormente, Paulo desenvolve o conceito de estar "em Cristo". No quarto verso, ele introduz o conceito de obediência dada por Cristo como prova de fé. Nos versículos seguintes, ele identifica a alternativa "à lei do pecado e da morte", "a carne", a mente carnal, medo, morte e escravidão, como a lei do Espírito da vida em Cristo, a mente espiritual, a paz, a vida, e adoção.
Qual é a lei do "Espírito da vida em Cristo" (v. 2)? Quando Adão e Eva deram ouvidos a Satanás, eles perderam sua liberdade e adquirirama mente carnal, a mente em inimizade com Deus, que nos separa de Deus e uns dos outros. Em Cristo, porém, a liberdade é restaurada e inimizade e isolamento são abolidos (Gên. 3:15; Efésios 2:14).
Alonzo T. Jones descreve esta realização assim: "É verdade, os judeus em sua separação de Deus tinham construído separações extras entre eles e os gentios. É verdade que Cristo quis retirar todas as separações, do caminho, e Ele fez isso . Mas a única maneira pela qual Ele fez isso, e a única maneira que Ele poderia fazer, era destruir o que os separava de Deus. Todas as separações entre eles e os gentios ter-se-iam desaparecido, quando a separação, a inimizade, entre eles e Deus tivesse ido embora.
"Oh, que boa nova, a inimizade é abolida! É abolida, graças a Deus. ... Ela se foi, em Cristo ela se foi. Não fora de Cristo, em Cristo foi abolida, aniquilada. Agradeça ao Senhor. Esta é liberdade "(A Mensagem do Terceiro Anjo Nº 11, Boletim da Conferência Geral de 1895, pág. 194 [edição original]).
Ellet J. Waggoner explica os versos dois a quatro: "Portanto, a lei, como ela é na pessoa de Cristo, é a lei do Espírito de Vida. Então, ele [o crente] toma a vida de Cristo, e obtém a perfeição da lei, como está em Cristo, e O serve em espírito, e não na velhice da letra. Assim, ele é libertado da obediência escrava (*por seu próprio esforço), para a lei da liberdade em obedecer. Existe uma quantidade maravilhosa de rica verdade no fato de que, - "A lei do Espírito de vida em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte."
"Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne..." (VS. 3). Há algum (*fator de) desânimo nisto? Isto lança descrédito sobre a lei? De modo nenhum. O que a lei não poderia fazer? Não poderia justificar-me porque eu era fraco. Não tinha nada de bom material para obrar. Não foi culpa da lei, foi falha do material. A carne era fraca e a lei não a poderia justificar. Mas Deus enviou o Seu Filho em semelhança da carne do pecado, para condenar o pecado na carne, para que Ele pudesse justificar-nos" (Estudos Bíblicos Sobre o Livro de Romanos, Boletim da Conferência Geral de 1891, pág. 29, reprodução fac-símile).
Por favor note que, no terceiro verso, Paulo descreve a natureza humana que Cristo assumiu na encarnação como "à semelhança de carne pecaminosa".2 Ellen G. White escreveu: "A humanidade do Filho de Deus é tudo para nós. É a corrente de ouro que une as nossa alma a Cristo, e por meio de Cristo a Deus. Isto deve constituir nosso estudo" (Mensagens Escolhidas, livro 1, pág. 244).
Os mensageiros de 1888 reconheceram a conexão entre Cristologia e soteriologia. Eles acreditavam que, para redimir a humanidade, Cristo assumiu a natureza humana, como foi após a queda, com suas tendências e desejos. E. G White apóia esta visão da natureza humana de Cristo: "Ao tomar sobre Si a natureza do homem, em seu estado caído, Cristo não participou em nada do seu pecado" (ibiden, pág. 256). "Ele tomou sobre Sua natureza sem pecado a nossa pecaminosa natureza, para saber como socorrer aqueles que são tentados" (Medicina e Salvação, pág. 181, também, veja Heb. 4:15),.
Cristo tomou a nossa natureza que tendia a puxá-Lo em uma direção contrária à vontade do Seu Pai, e, portanto, a pecar, mas Ele negou o próprio eu (Rom. 15:3). Assim, a natureza pecaminosa, que Cristo tomou sobre Sua divindade, não O levou a tornar-Se um pecador, como tal. Se Ele tivesse Se aproveitado da natureza decaída, então Ele teria pecado.
"Jesus veio ao mundo, e colocou-Se na carne, exatamente onde os homens estavam, e defrontou esta carne, assim como ela é, com todas as suas tendências e desejos, e pelo poder divino, que Ele trouxe pela fé, Ele “condenou o pecado na carne", e, assim, trouxe a toda a humanidade aquela fé divina, que traz o poder divino ao homem, para livrá-lo do poder da carne e da lei do pecado, exatamente onde ele está, e dar-lhe seguro domínio sobre o carne, tal como ela é "(A. T. Jones, Review and Herald, 1 de setembro de 1896).
É importante enfatizar que Cristo ao entrar na carne humana caída, na "semelhança de carne pecaminosa" não cometeu pecado. A visão pós-queda da natureza humana de Cristo não compromete em nada, Sua impecabilidade absoluta.
É importante enfatizar que Cristo ao entrar na carne humana pecadora, na "semelhança de carne pecaminosa", não cometeu pecado. A visão pós-queda da natureza humana de Cristo não compromete, em nada, a Sua absoluta impecabilidade.
A própria expressão "semelhança de carne pecaminosa” (Rom. 8:3) e "foi feito à semelhança de homens" (Efésios 2:7) mostram que não há diferença entre sua humanidade e a nossa. Ele enfrentou as mesmas tentações que são a sorte comum da humanidade. Nós temos um Salvador que está perto de nós e não longe. A diferença entre Cristo e nós, não é a “carne", que Ele tomou, mas a "mente" ou o caráter que Ele manteve no conflito, cujo resultado final é a justiça de Cristo.
Assim como Cristo tinha a mente de Deus, somos exortados a ter a mente de Cristo (Filipenses 2:5). Nós podemos adquiri-la. "Deixe que essa mente esteja em você" (KJV). Por consentimento ou permissão deixamos que Cristo seja formado dentro de nós. Em outras palavras, a justiça é pela fé em Cristo (1ª Cor. 3:16) por uma renovação contínua da mente (Rom. 12:2).
Há também uma diferença entre a vida de Cristo e as nossas vidas. A diferença é a Sua constante subjugação da natureza decaída. Ele nunca sucumbiu a ela. Durante Sua vida na terra, Cristo nunca exerceu Sua própria vontade, Ele optou por fazer apenas a vontade do Pai (Mateus 26:39, João 5:30, 6:38). "Jesus não revelou qualidades, nem exerceu poderes, que os homens não possam possuir mediante a fé nEle. Sua perfeita humanidade é a que todos os Seus seguidores podem possuir, se forem sujeitos a Deus como Ele o foi" (O Desejado de Todas as Nações, pág. 664).
Os crentes de todos os tempos são salvos por estar "em Cristo". Mesmo o povo de Cristo do tempo do fim, que a Testemunha Verdadeira o identifica como guardando os mandamentos de Deus e a fé de Jesus, será salvo estando "em Cristo".
—Roland Fanselau
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O irmão Rolando Fanselau nasceu, em 1932, em um lar adventista na América Central, de pais alemães. Na década de 1990, o pastor Roberto J. Wieland o introduziu à mensagem do Advento, na ênfase de 1888. Após a leitura das obras de Alonzo T. Jones; Ellet J. Waggoner; Ellen G. White, Roberto Wieland, e Donald K. Short, sua apreciação pela mensagem foi reforçada. Ele é membro da Igreja Adventista de Collegedale na cidade de Collegedale, no estado americano do Tennessee, localizada no endereço: 4829 College Drive E., caixa postal 3002, cidade de Collegedale, TN. Cep. 37315, Fone (423) 396-2134, FAX (423) 396-9509 • Email: church@southern.edu
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 Nota do tradutor:
1) O Comentário Bíblico, volume  6 da série SDABC, pág. 560, diz “Importante evidência textual pode ser citada (cf. pág. 10) pela omissão da frase "que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito." É geralmente referida como tendo sido adicionada aqui do verso 4.” E, na  pág. 10, do mesmo volume, “Esta menção é apenas como uma questão de interesse e (ou) sem nenhuma tentativa de avaliação.”

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Lição 8 — Quem é o homem de Romanos 7, por Paulo Penno



Para 18 a 25 de novembro de 2017

O homem de Romanos 7: 7-25 é um homem ímpio, um homem não convertido? Ou este capítulo descreve a experiência do cristão normal nascido de novo? Alguns até dizem que Paulo está aqui descrevendo sua própria experiência frustrante como crente em Cristo.
Certamente, Romanos 7 retrata um homem em dificuldade, em perigo, que parece condenado a derrotar e falhar em sua vida espiritual. Parece apanhado em um conflito entre suas próprias tendências e desejos pecaminosos, por um lado, e os justos requisitos da santa lei de Deus, por outro. Nós vemos aqui um relato de tentações resistidas, mas não vencidas, de objetivos não alcançados, de fins não cumpridos, de ideais realizados, mas não alcançados, de uma vitória que é muito desejada, mas não conquistada, de um conflito que é terrível e que termina regularmente em derrota. Vemos retratado aqui a experiência de alguém que pode ser descrito como um nascido perdedor, um homem frustrado e derrotado. Que dificuldade! Quem é este homem, que, aparentemente, há anos é incapaz de alcançar, que vive em frustração e derrota?
Dois pontos de vista principais foram mantidos ao longo dos séculos: primeiro, que o homem de Romanos 7 é o homem não regenerado, inconverso e carnal cujo coração está naturalmente em rebelião contra Deus e Sua lei. A outra visão é que o homem de Romanos 7 é o próprio Paulo em sua experiência regenerada e convertida, depois de ter conhecido a Cristo. Se isso é verdade, então é prova de que a vitória sobre a tentação e o pecado não está disponível para os cristãos nesta vida. Se Paulo não conseguisse parar de pecar, mesmo através do poder de Cristo, prova que ninguém pode parar de pecar.
O problema que encontramos com essas duas linhas de pensamento é que nenhuma delas se sai bem sob investigação.
Os pecadores não regenerados confessam que a lei de Deus é "santa, justa e boa" (7:12)? Eles reconhecem que a lei de Deus é espiritual, mas que "eu sou carnal" (vs. 14)? Os homens não regenerados dizem: "não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço”(vs. 19)? Os homens não regenerados dizem: "Segundo o homem interior tenho prazer na lei de Deus" (vs. 22)? A maioria das pessoas não regeneradas odeiam a lei de Deus e amam o pecado. Eles, não farão o bem, mas farão o mal. Certamente não se deleitam com a lei de Deus segundo o homem interior..
Por outro lado, se Paulo nascido de novo está escrevendo sobre ele mesmo, por que ele disse: "Eu sou carnal" (vs. 14) e depois algumas linhas depois escreve: "a inclinação da carne é inimizade contra Deus" (8 : 7)? Por que Paulo dizia: "Eu sou vendido sob o pecado" (7:14), contradizendo o que ele acabou de escrever sobre "ser libertado do pecado" (6:18)? Por que Paulo diz que achou impossível parar de fazer o mal que ele odiava (7: 15-23) e, na mesma discussão, escreve "para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (8: 4)?
Por que Paulo se descreveu como estando em cativeiro “debaixo da lei do pecado" (7:23) e, na mesma discussão, escreve "mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação" (6:22)? A ideia de que Paulo simplesmente não conseguia parar de pecar, que não podia deixar de jurar, mentir, cometer adultério, não se harmonizava com os outros escritos (*tais como): 2ª Coríntios 5:17, 10:5; Gálatas 2:20; Efésios 3:20, 4:23 e 24; e especialmente Gálatas 5:16: "Digo, porém: andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne".
Não há outras alternativas? Sim, e é uma pequena ideia derivada da mensagem de 1888 nos dois concertos. Paulo está descrevendo as frustrações e derrotas que inevitavelmente seguem os que vivem sob o velho concerto.
Paulo resume o motivo da derrota em Romanos 7:25: "Com o entendimento, [eu mesmo] sirvo a lei de Deus, mas com a carne a lei do pecado". Ego [eu mesmo] nunca seria usado para descrever um esforço ou ação conjunta, ou uma relação cooperativa entre duas pessoas [Cristo e o crente]. Significa enfaticamente, eu sozinho. Em Romanos 7:25 significa eu sem Cristo. Ele descreve vividamente um homem sob o velho concerto, tentando em sua própria força obedecer a lei de Deus e tornar-se justo. Este era o problema do antigo de Israel com a promessa do velho concerto. "E por que? porque Israel não confiou na fé, mas no que poderiam fazer" (Romanos 9:32, tradução de Moffatt).
"O homem de Romanos 7" não é o Paulo convertido ou não convertido per se (*por si mesmo), mas o "eu" corporativo da raça humana caída e pecadora aparte de Cristo: esta é a situação da humanidade caída. "Em mim ... não habita bem algum" (Romanos 7:18). Se "nenhuma coisa boa" existe, como eu sou parte do corpo corporativo de Adão, todo o mal poderia habitar lá. Ninguém mais é intrinsecamente pior do que eu.
George I. Butler, um dos principais irmãos que se opuseram à visão dos dois concertos de E. J. Wagoner, escreveu na Review and Herald: "Que a justiça da lei se cumprisse por nós" em vez de "... se cumprisse em nós"(Romanos 8: 4).1 Ellen G. White, em numerosas ocasiões, inclusive em Patriarcas e Profetas, páginas 370-373, aprovou a visão de Waggoner sobre os concertos.
A grande massa dos membros da Igreja adventista do sétimo dia em todo o mundo que vieram do mundo são "convertidos" no sentido de que foram batizados e vão à igreja sábado após sábado, mas que não conhecem a vitória sobre o pecado e estão sobrecarregados por medo pecador do velho concerto que motiva sua confiança em Deus.
O problema que Deus tem que lidar é o "pecado residente" em Seu povo hoje, não a condição de Adão no Jardim do Éden. A igreja remanescente é "morna". Adora todos os sábados; mas Laodicéia é forçada a confessar: "Porque o que eu faço não o aprovo: pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.” [Laodicéia há muito "consentiu" que a lei é boa!]. ... Agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. ... com efeito o querer está em mim, mas não sonsigo realizar o bem” (7: 15-18).
O Adão sem pecado não teve esse problema. Simplesmente para Cristo redimir o fracasso de Adão e parar com tal vitória significaria que a igreja está condenada à mornidão perpétua, e o problema do pecado que habita dentro e nos obriga a pecar nunca pode ser resolvido. Por isso, o Cristo encarnado "condenou o pecado na carne", "na Sua carne desfez a inimizade" (Rom 8: 3, Efésios 2:15), o que o Adão sem pecado nunca teve que fazer.
Enquanto o velho concerto era a promessa do povo de obedecer a Deus em sua própria força (*Êxo. 19: 8 e 24:7) o novo concerto são as promessas de Deus para nós. O cocerto de Deus e Suas promessas são uma e a mesma coisa. Não precisamos fazer promessas a Deus, mas apenas aceitar suas promessas para nós. Aceitamos essas promessas pela fé, e essa fé, sendo uma resposta do coração ao amor de Cristo revelado no Calvário, é uma transação salvadora. Essa fé que salva é uma "fé que opera [é motivada] pelo amor" (Gálatas 5: 6). Assim, esta fé, que nos reconcilia com Deus, também nos reconcilia com a Sua lei, e assim nos torna obedientes à Sua lei e vontade.
--Paul E. Penno
Nota final:                                                                        
1) George I. Butler, "The Righteousness of the Law Fulfilled by Us," (“A Justiça da Lei cumprida por nós” Review and Herald, de 14 de maio de 1889, págs. 313, 314 (enfase acrescida).
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Notas:                                                                         
O vídeo desta lição do pastor Paulo Penno, em inglês, está na Internet  em: https://youtu.be/2ehgujYxjQ8
Esta lição, em inglês, está na Internet em: http://1888message.org/sst.htm  

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Biografia do autor, Pastor Paulo Penno:
Paulo Penno foi pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Foi ordenado ao ministério há 42 anos e jubilado em junho de 2016, Após o curso de teologia fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente preparou uma Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia.” (Este livro postamos, por inteiro, em Ágape Edições (agape-edicoes.blogspot.com) em 1º de agosto de 2017). Ao longo dos anos o Pr. Paulo Penno, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de justificação pela fé segundo a serva do Senhor nos apresenta em livros como Caminho a Cristo, DTN, etc. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Ele foi o principal orador do seminário “Elias, convertendo corações”, nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2015, realizado na igreja adventista Valley Center Seventh-day Adventist Church localizada no endereço: 14919  Fruitvale Road, Valley Center, Califórnia.
  
    Atenção, asteriscos (*…) indicam acréscimos do tradutor.
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Lição 8 — A mulher de Romanos 7, por Raul Diaz



Para 18 a 25 de nov. de 2017
Paulo desenvolve seu ensino com o que chamamos de blocos. A ideia é que um conceito, ou ensino, leva ao entendimento do próximo. Nós vemos este conceito demonstrado em matemática. Cada conceito nessa ciência exata suporta o seguir. Por exemplo, não entender (*a operação de) divisão nos leva a não compreender frações (*porque são partes da unidade) e, portanto, não compreender os pontos decimais e porcentagens. Assim, os blocos básicos (*do desenvolvimento de um raciocínio) servem de apoio aos mais complexos.
Paulo começa com os conceitos mais simples para levar ao entendimento dos mais complexos. Isso explica por que ele é tão minucioso em seus pontos. É como se ele dissesse: "—Não perca esta ideia. Senão não vai entender o que eu disser depois." Portanto, para realmente compreender o dilema e a luta do "homem de Romanos 7" — o "miserável homem" — primeiro você precisa entender o dilema e a luta da mulher nos primeiros versos de Romanos 7.
A mulher de Romanos 7: 2 e 3      
Em nossa passagem da Escritura, Paulo estava escrevendo aos cristãos judeus em Roma, acerca de uma verdade essencial. Eles conhecem a lei (a Torá) — podem recitá-la de memória, tanto individual como coletivamente, mas eles não entendem o seu verdadeiro significado. Eles sabem que estão sob a jurisdição da lei, e que ela tem domínio sobre eles enquanto viverem, tanto quanto as leis de um país têm jurisdição sobre os seus cidadãos e visitantes. No entanto, Paulo está dizendo a estes judeus cristãos que Deus não só lhes deu liberdade para escolher obedecer, mas que Ele pôs um fim ao domínio da lei em suas vidas. Para ilustrar isso, Paulo faz uma declaração em Romanos 7, verso 1, e fornece uma analogia nos versículos 2-3.
A mulher nos três primeiros versos de Romanos 7 se encontra em situação semelhante, aos leitores de Paulo. Vejamos a passagem em Romanos 7:1-3:
Vs. 1 “Não sabeis vós, irmãos (pois falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive?”
Vs. 2 “Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver está-lhe ligada pela lei; mas morto o marido, está livre da lei do marido.”
Vs. 3 “De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido.”
Na passagem acima, uma mulher casada se vê atraída por um homem solteiro. Ela quer deixar seu marido e se casar com ele, mas sabe que não pode porque ela já é casada. Talvez possamos inferir a partir dos versos que se seguem a Romanos 7:3 que seu atual marido é um homem cruel, cuja intenção é matá-la. Mas não, isso é incorreto, na verdade, ele é um marido amoroso. O problema é que ele não pode se compadecer com a fraqueza dela em não cumprir os mandamentos dele, nem ele pode ajudá-la a obedecer-lhos.
Em contraste, seu novo interesse amoroso é uma espécie de homem doce e amoroso, que não só quer que ela seja Sua, mas também se solidariza com todas as suas fraquezas (Hebreus 4:15). Este homem também é capaz de ajudá-la a fazer o que ela é incapaz de realizar por si mesma (Hebreus 2:17, 18). Assim, a nossa mulher de Romanos 7 tem um dilema. Ela não pode deixar seu atual marido e se casar com seu novo amor, sem cometer um dos dois crimes: 1º) violar a lei do casamento, que diz: 'até que a morte os separe” ou 2º), matar seu cônjuge.
Ela não pode deixar o marido, e não pode ficar. Diariamente, ela sofre uma existência cruel. O que ela pode fazer? A única saída é através de uma morte. No entanto, não pode ser através de assassinato. Ela não pode assassinar seu marido, por que é ilegal. Se ele a mata, ela não estará livre para se casar, porque ela estaria morta.
Então ela vai para o seu novo pretendente amoroso e apresenta o seu dilema para Ele. É verdade que nem Ele nem ela podem matar seu marido, que representa a lei, pois ela é ‘justa e santa e boa’ (Romanos 7:12). Ele não pode pregar o esposo dela (a lei) na cruz. Mas Ele e ela podem morrer juntos, libertando-a assim de seu primeiro casamento. Com efeito, Ele diz a ela que irá pregá-la (nós) na cruz em Si mesmo e, portanto, quando Ele morrer, ela vai morrer e quando Ele ressuscitar, ela será ressuscitada nEle. Esta solução a enche de esperança. Em gratidão, ela consente.
Como Paulo disse (*em Rom. 7:4, "Assim, meus irmãos, também vós (a mulher) estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo." Não é a lei (ex-cônjuge), que morre na cruz. Trata-se de nós (toda a raça humana), que morreu no segundo Adão, Jesus Cristo (cf. 1ª Coríntios 15: 21, 22, 44-47).
Vamos lidar com a primeira questão. Nós (a raça humana) somos representados, individual e coletivamente, em Romanos 5. Assim, não tivemos nada a ver com o que Adão fez para nos mergulhar no pecado. Também não tínhamos nada a ver com o que Cristo, nosso amante divino, fez para nos resgatar do pecado. Temos, no entanto, uma escolha — Podemos concordar em receber, individualmente, o dom pela graça mediante a fé.
Por conseguinte, a mulher, em Romanos 7, que faz a escolha de morrer em Cristo e ser ressuscitada nEle, passa a fazer parte da corporativa noiva de Cristo. Ela é uma parte, mas não o todo. É ela (tanto individual como coletivamente) a quem o nosso amante divino tem estado à esperar por toda a Sua vida.
Você vê, o amor é o cumprimento da lei, Romanos 13:10. Cristo, como o amante divino, cumpriu todos (*os quesitos) da mesma lei. Assim, quando a nossa mulher de Romanos 7 morre, e é ressuscita com Ele (Cristo), ela também cumpre a lei nEle. A lei tem sido descrita como o supremo amor a Deus e amor ao homem, como Ele nos amou (João 13: 34 e 35). Portanto, enquanto não podemos obedecer a lei em nossa fraqueza, nem a lei pode ajudar-nos a obedecer, nós nos tornamos obedientes através de Cristo.
Em suma, quando, pela fé, cremos na nossa morte em Cristo, reconhecida através do símbolo do batismo, nos libertamos do “domínio e competência” da lei. Não é abolida, mas é colocada na mente e no coração, como prometido por Deus (Jeremias 31: 33; Ezequiel 11:19, Hebreus 8:10). Isto é o que significa estar debaixo da graça, em Cristo. Podemos agora produzir juntos o fruto da nossa união. Louvado seja Deus!
--Raul Diaz

O irmão Raul Diaz é um membro da Igreja adventista da cidade de Monte Vernon, no estado de Illinois, perto de Chicago. Ele atua em diversos departamentos da igreja, prega em diferentes ocasiões e locais, e coordena o estudo da lição da escola sabatina em sua unidade evangelizadora em sua igreja local, Seventh-day Adventist church, na cidade de Mt Vernon, Illinois, Endereço da igreja: 12831, N. Norton Dr., Mount Vernon, Il. 62864-8231, U.S.A.; Telefone: 001 XX (618) 244-7064. Site: www.mtvernonadventist.org
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