Para
20 a 27 de dezembro de 2014
Ao chegarmos ao fim de treze estudos do livro de Tiago,
somos lembrados de que “o evangelho eterno” é ensinado por toda a Bíblia. É uma
alegria compartilhar nesses poucos parágrafos a perspectiva de 1888 da salvação
através das Escrituras.
Certamente em algum momento da sua vida você trabalhou por
um salário. Sabe o que é trabalhar duro durante todo o dia. E por todo o tempo
que você pensava sobre o salário de seu empregador tinha prometido lhe pagar
por seu trabalho duro. Quando o recebia, você sabia que merecia cada centavo, e
provavelmente mais, porque tinha trabalhado tão duro. O que o seu empregador
lhe paga não foi um presente, mas uma dívida. Um salário é algo pago em vista
do que você adquiriu como direito
Mas a graça é justamente o oposto. Suponha que você não
trabalhasse em absoluto para o seu empregador. Ele não lhe deve nada. E suponha
que, além do fato de que não haja feito nada para merecer qualquer coisa da parte
dele, você realmente o prejudicou, talvez tendo-lhe roubado alguma coisa. Ele
poderia estar com raiva de você. Suponha, então, que ele mostre
bondade para com você dando-lhe livremente um presente precioso, apesar de todo
o mal que você lhe causou. Esse presente seria graça.
Agora suponhamos que Cristo é o nosso empregador. Será que
Ele concede salvação e vida eterna como salário para aqueles que trabalharam
duro para obtê-las? Ou Ele dá salvação livremente como graça para pessoas que
não a merecem em nenhuma medida? E se Ele o faz, como pode ser justo, se não salva
a todos por igual?
Ademais, se Ele salva as pessoas somente pela graça, qual é
a importância de alguém necessitar de uma mudança de coração? As pessoas faziam
a mesma pergunta nos dias de Paulo, “Faremos
o mal para que venha o bem?” (Rom. 3: 8). Estas são algumas das perguntas
para as quais precisamos de resposta.
Se as pessoas boas podem ganhar a salvação, elas têm todo o
direito de estar orgulhosas de si mesmas. E se ninguém pode obtê-la, por que
alguém desejaria ser bom?
Em torno de 1900 a.C. o Senhor chamou a um homem de Ur dos
Caldeus para tornar-se um exemplo de salvação pela graça. Seu nome era Abraão,
e Paulo o chama de “o pai de todos os que
têm fé.” Todos os que creem em Cristo são “filhos” espirituais de Abraão.
Quando o apóstolo Paulo “alvoroçou
o mundo” (*Atos 17:6) com o seu ensino do evangelho, foi Abraão quem ele
apresentou como prova de seu ensino. A experiência de Abraão em encontrar a
salvação é um exemplo perfeito de como nós também podemos encontrá-la. Será que
ele a adquiriu? Ou foi simplesmente salvo pela graça de Deus?
Paulo responde à pergunta: “Que diremos, pois, ter alcançado
Abraão, nosso pai segundo a carne? Qual foi a sua experiência? Se ele foi
aceito por Deus pelas coisas que fez, teria de que se gloriar, mas não diante
de Deus. A Escritura diz: ‘creu Abraão em Deus, e por causa de sua fé Deus o aceitou
como justo’. Uma pessoa que trabalha recebe o seu salário, mas isso não é
considerado como um dom; é algo que adquiriu. Mas a pessoa que depende de sua
fé, não de suas obras, e que acredita em Deus, que declara o culpado inocente,
é a sua fé que Deus leva em conta, a fim de colocá-lo em condição correta
consigo mesmo” (Rom. 4: 1-5, New English
Bible [A Nova Bíblia Inglesa])
Se Deus salvou Abraão simplesmente por sua graça, em vista
de que Abraão creu, segue-se então que você e eu somos salvos exatamente da
mesma maneira. O evangelho foi pregado a Abraão, assim como é pregado a nós
hoje (cf. Gal. 3: 8). Deus não requer mais de nós do que requereu de Abraão — fé.
Ele sempre teve apenas uma maneira de salvar os perdidos: mediante
a fé.
Esta é ainda uma ideia nova para a humanidade, 4.000 anos
depois! Você não vê “graça” no mundo de hoje, a menos que venha por Jesus
Cristo. Ninguém lhe dá nada de graça, seja uma bela casa, um pedaço de terra ou
um carro. Ninguém sequer lhe concede comida de graça. Você tem que ganhar tudo
o que coloca na boca. O mundo opera estritamente no princípio de “obras.” Você
obtém o que adquire, e não obterá aquilo pelo que não trabalhou.
A humanidade está tão completamente dominada pela ideia de
“obras” que imagina que Deus opera no mesmo plano. Supõem-se que se deve fazer
algo a fim de obter a salvação da parte de Deus. Algo deve ser-Lhe dado. Deus é
tratado como se Ele fosse um varejista. Você nunca se sente envergonhado quando
entra numa loja para comprar alguma coisa. Se tem dinheiro, paga ao varejista e
apanha o que comprou, e sai orgulhoso e feliz. Pode até achar que fez um favor
ao varejista, pois sabe que ele obteve pelo menos algum lucro sobre o que lhe
vendeu.
Mas quando alguém lhe dá algo livremente como um ato de
graça, você não sabe como deve se sentir. Foi-lhe prestado um favor, e isso
torna você humilde. De algum modo, sente ter uma dívida para com esse alguém.
As pessoas gostam de pensar que Deus mantém um negócio e “vende”
a salvação àqueles que lhe paguem com a Sua bondade. Gostam de negociar com Ele
para sentir que têm algo que podem dar a Deus—suas obras. Isso os faz sentir um
pouco orgulhosos. Consideram-se um pouco ao mesmo nível com Ele, dão-Lhe algo,
e recebem alguma coisa em troca.
Mas Deus não paga salário nenhum. Tudo o que Ele dá é de
graça, um dom gratuito. A razão é que não há realmente nada que possamos fazer
para ganhar a salvação, mais do que um bebê pode ganhar a comida que seus pais
lhe fornecem. Eles alimentam o seu bebê “pela graça”. Eles o amam, isso é tudo.
E essa é a razão pela qual Deus nos salva. “Pela Sua graça sois salvos, ... não
é pelo seu próprio agir. É um dom de Deus, não uma recompensa pelo trabalho
realizado. Não há nada de que alguém tenha que se orgulhar” (Efé. 2: 8, New English Bible [A Nova Bíblia Inglesa]).
Você poderia pensar que o mundo receberia a notícia com
alegria. Mas a maioria das pessoas a rejeita. Por quê? São orgulhosas demais
para chegar a Deus com humildade e erguer-Lhe as duas mãos em fé para receber
dEle. A fim de receber a “graça de Deus” temos que humilhar os nossos corações,
e reconhecer que não somos nada, que não temos nada, e que nada merecemos, e
que Ele (*é tudo, tem tudo e) dá tudo.
Há muitas pessoas vivendo neste mundo que em seus corações
querem estar bem com Deus. Mas foram ensinadas a crer em algo errado, o que as
separa de Deus. Foram ensinadas a acreditar que Deus ama somente pessoas boas e
que restringe Sua misericórdia àqueles que julgam achar fácil obedecer-Lhe. Mas
muitos sabem que têm um coração mau que gosta de fazer o mal; assim, imaginam
que Deus está zangado com eles ou se afastou deles.
Mas se a luz do sol e a chuva se manifestam igualmente para
o bons e os maus, certamente qualquer um pode ver que a graça de Deus vem do
mesmo modo a cada homem, mulher e criança na Terra. Já fez coisas ruins?
Sente-se indigno da bondade de Deus? Você é a própria pessoa a quem Ele concede
a Sua maravilhosa graça!
Não há nada que possa fazer para conquistá-la mais do que
pode ganhar a luz do sol ou da chuva. Você simplesmente recebe com gratidão. E
este grato recebimento é o que a Bíblia chama de “fé”.
O trabalho que a graça realiza em cada coração que crê é
“nos libertar de toda a maldade e nos tornar um povo puro ...” A graça tem
“despontado” sobre todos igualmente, e o coração mudado é a experiência de quem
crê” (veja Tito 2: 11-14, na New English
Bible [A Nova Bíblia Inglesa]).
Cristo nos redime para uma nova vida de obediência genuína e
feliz “debaixo da graça.” O pecado realmente perde o seu “domínio” quando a
graça é apreciada, pois a graça é o mestre mais forte. Ela nos “emancipa” mais
eficazmente do que o ato da princesa Isabel de assinar a LEI ÁUREA em 1888, declarando livres todos os escravos no Brasil.
—Paul E. Penno
Paulo
Penno é pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na
Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no
endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Ele foi
ordenado ao ministério há 38 anos. Após o curso de teologia ele fez mestrado na
Universidade de Andrews. Recentemente ele preparou uma extensiva antologia dos
escritos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, a qual está incluída na Compreensiva
Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também ele
escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja
Adventista do 7º Dia,” e, ao longo dos anos, escreveu muitos artigos
sobre vários conceitos da mensagem de 1888. O pai dele, Paul Penno foi também
pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E.
Penno Junior. Você pode
vê-lo, no You Tube, semanalmente, explanando a lição da semana seguinte na
igreja adventista de Hayward, na Califórnia, em http://www.youtube.com/user/88denver99
_____________________________________