quinta-feira, 15 de maio de 2014

Lição 7 - Cristo, o fim da Lei, pelo Pr. Paulo E. Penno



Para 10 a 17 de maio de 2014

A mensagem de 1888 esclarece a relação de graça com a justificação legal efetuada na cruz. Em outras palavras, a mensagem esclarece a relação entre a lei e a graça. Será que a "misericórdia" requer uma justificação legal? NÃO!!! A palavra correta deve ser "graça." Pode-se mostrar misericórdia para com um animal sofrendo, mas a graça envolve uma qualidade moral, espiritual e legal. Há uma grande diferença.
Alguns cristãos se opuseram à ideia de que Cristo efetuou uma justificação legal para "todos os homens," por Seu sacrifício na cruz. Eles disseram que o Seu sacrifício só fez uma provisão de graça para todos os homens e, portanto, a graça não é eficaz até que alguém creia em Jesus.
Esses irmãos não perceberam que essa posição é a essência do antinomianismo, porque não podemos ter graça sem uma base legal para isso. A santa lei de Deus foi transgredida pelo pecador; a graça não pode agora ser estendida a ele a não ser que as justas exigências da lei quebrada sejam primeiramente satisfeitas em seu favor. Por quê?
Primeiro, vamos definir "graça." Ellen White diz que Graça é "favor imerecido."1
Somente os pecadores podem receber a graça, não os seres sem pecado, como os anjos não caídos.2
Por quê? Somente os pecadores quebraram a lei de Deus. Graça nunca foi entendida senão após a queda.3 A graça, portanto, está diretamente relacionada à lei de Deus quebrada.
A ideia comum antinomiana, talvez evangélica, é que Deus não Se importa se nós quebramos a Sua lei; Ele pode simplesmente ignorar nossos pecados, ser misericordioso, simplesmente nos perdoar, e por Sua autoridade soberana Ele pode esquecer Sua lei quebrada. Não é importante. Mas a ideia de graça, sem que a lei seja mantida e satisfeita é o ensinamento das igrejas populares. O que Sua graça realiza por "todos os homens"? Eles são "justificados pela Sua graça" (Tito 3:7). Portanto, se dissermos a alguém que ele pode ser justificado sem que a lei seja satisfeita por uma justificação legal, estamos ensinando antinomianismo quer percebamos ou não.
Aqui está a razão pela qual a graça requer justificação: "A justiça de Deus se manifestou, sem a lei,... a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos [os incrédulos] e sobre todos os que creem [crentes]: pois não há diferença, todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus; ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no Seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus. Para demonstração da Sua justiça, neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rom. 3:21-26).
O verbo grego traduzido como "pecaram" está no tempo aoristo,4 que significa "todos pecaram," isto é, em algum ponto no tempo. Todos nós pecamos "em Adão." A frase "sendo justificados" está no (*tempo verbal) particípio (*passado) que relaciona a justificação para o momento em que "todos pecaram."
Portanto, esta passagem é paralela com Rom. 5:12-18 que nos diz que o que Adão fez para trazer condenação sobre a raça humana Cristo inverteu, trazendo justificação à raça humana: "Se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos (*v.15) ... por um só ato de  justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida" (*v.18). E Paulo continua a dizer na mesma passagem que "superabundou a graça" (v.20) pelo fato de que esta "justificação de vida" tem sido dada a "todos os homens.”
Assim, a justificação e a graça estão ligadas entre si e não podem ser separadas: "A lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão. Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça" (Rom. 4:15-16). Você vê isso? A "ira da lei" deve ser satisfeita antes que possa haver graça. Quando alguém está "debaixo da lei," ele não pode estar "debaixo da graça" (Rom. 6:14).
Paulo continua a explicar que não podemos estar debaixo da graça, a menos que, primeiro "Deus, enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, condenou o pecado na carne" (Rom. 8:3). Assim, quando Cristo satisfez a lei quebrada por Sua morte sacrificial, por necessidade Ele efetuou uma justificação legal para todos os homens. Caso contrário, nós não poderíamos nem mesmo viver de modo a ter um outro julgamento.
Essa lei quebrada é satisfeita somente pela justiça de Cristo. O ponto é que a lei não pode ser satisfeita por uma justiça que é feita em lugar de nós, mas só para nós. Em outras palavras, Cristo deve entrar na corrente corporativa da humanidade caída, e identificar-Se plenamente conosco. Isto não nega o aspecto substitutivo do sacrifício de Cristo, apenas o define de forma mais clara.
Quando essa "ira" da lei foi derramada sobre Cristo em favor do pecador, Ele provou “a morte por todos os homens" (*Heb.2:9). Sobre ele foi colocada "a iniquidade de nós todos" (*Isa.53:6). A menos que nós reconheçamos esta verdade, nós caímos na graça barata, mesmo falando contra ela. Foi "pela graça de Deus [que Cristo] deveria provar a morte por todo homem" (Heb.2:9,KJV).
Esta é uma graça muito cara. Se tudo o que Cristo suportou era o "repouso" que chamamos de morte, isto é, um sono doce como um breve alívio, então se torna, necessariamente, graça barata. Mas se Ele suportou o equivalente à segunda morte, o completo derramar de “Sua alma na morte" (*Isa.53:12) a coisa real, a doação de Si mesmo até a eternidade, indo para o inferno em nosso favor, então é uma graça extremamente cara. O sacrifício de Cristo na cruz como realizado, infinitamente mais do que "meramente protelou" o castigo original pelo pecado. "A punição ou salário do pecado — a morte eterna" não era nem "renúncia," (*nem) "adiamento," nem "tardança," mas foi infligida totalmente em Cristo.
Esta é a única base sobre a qual a graça pode repousar. Graça que não descansa no sacrifício completo de Cristo deve ser "graça barata." Ele real e verdadeiramente pagou a dívida do pecado de todos os homens, e, portanto, totalmente morreu a segunda morte de "todos os homens." Assim, não há razão para qualquer alma humana morrer a segunda morte, exceto por sua própria incredulidade pessoal — sua recusa em apreciar o que Cristo realmente (não provisionalmente) realizou por ele na cruz (João 3:17-19). Esta visão da cruz pode tirar o fôlego de alguém, mas nós a vemos como gritante verdade bíblica, o "evangelho objetivo." Esta verdade é piedade prática, pois motiva o coração humano para fazer o que nada mais pode fazer — para viver, "de agora em diante" não para si mesmo, mas para Ele.
Há evidências de que Ellen White concorda:
Ela diz que é a morte de Cristo que dá eficiência à Sua graça.
"Sua graça pode operar com ilimitada eficiência."5
Em outras palavras, não poderia haver nenhuma graça sem a Sua morte.
Esta graça foi tão cara que é impossível "medir" o que custou ao céu para dá-la. A Graça foi paga por um preço impossível de medir.
"A graça concedida custou ao Céu um preço que nos é impossível aquilatar.6
Mais uma vez, essa graça é inseparável da lei.
"Essa preciosa graça oferecida aos homens mediante o sangue do Salvador, estabelece a lei de Deus."7 Ela diz que é uma "decepção" falar de graça sem a lei ser satisfeita. Os irmãos nunca devem sonhar em depreciar a lei de Deus. Mas se eles procuram estabelecer graça sem uma justificativa legal, eles estão involuntariamente caindo nessa armadilha de que Ellen White fala:
"O engano de Satanás é que a morte de Cristo introduziu a graça para tomar o lugar da lei. ... Essa preciosa graça oferecida aos homens por meio do sangue do Salvador estabelece a lei de Deus. Desde a queda do homem, o governo moral de Deus e Sua graça são inseparáveis. Andam de mãos dadas através de todas as dispensações."8
"O evangelho de Cristo é a Boa Nova da graça, ou favor, pelo qual o homem pode ser livre da condenação do pecado e habilitado a prestar obediência à lei de Deus."9  (*Assim) Ellen White diz que a graça livra da condenação. Paulo diz que a justificação legal efetuada na cruz livra da condenação (Rom. 5:18), então as duas verdades devem caminhar juntas. Podemos concluir, portanto, que a graça que se manifesta por meio da cruz é fundada sobre a justificação legal realizada no calvário.


- Paul E. Penno



Notas (Ellen G. White, mas a 4ª é do tradutor):                                                                            

[1]
A Maravilhosa Graça de Deus, pág. 180 (Meditação. Matinal  de 1974);
[2] Nos Lugares Celestiais, pág. 34 (Med. Mat.de 1968);
[3] A Maravilhosa Graça de Deus, pág. 10 (Meditação. Matinal  de 1974);                          
4) Aoristo é um tempo verbal existente nas línguas indo-europeias, como o grego e o sânscrito. Em grego significa, sem limite. Numa tradução mais livre, significa indefinido ou indeterminado. O aoristo indica uma ação verbal ou acontecimento, sem definir absolutamente o seu tempo de duração, ou sem definir com precisão o tempo em que a ação ocorreu. É uma espécie de tempo passado indefinido, indeterminado. Nas línguas comuns e modernas, este tempo verbal não existe. O aoristo considera a ação do verbo como um ponto (pontilear) e está isenta da ideia de tempo, sendo, contudo, na maioria das vezes, traduzido como o perfeito.
[5] Para Conhecê-Lo, pág. 69 (Meditação. Matinal  de 1965) ; artigo originalmente publicado em Youth’s Instroctor de 17/10/1897
[6]
Nos Lugares Celestiais, pág. 220  (Meditação. Matinal  de 1968);
 [7] A Fé Pela Qual Eu Vivo, pág. 89 (Meditação. Matinal  de 1959);
 [8] Fé e Obras, pág. 30 (19 sermões de Ellen G. White);
[9m,5] Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, pág.. 563. (Editado em 1998). Originalmente em The Signs of the Times – de 4/9/1884..
                                                                                                                                                                          

Paulo Penno é pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA, da Associação Norte Californiana da IASD, localizada no endereço 26400, Gading Road, Hayward, Telefone: 001 XX (510) 782-3422. Ele foi ordenado ao ministério há 38 anos. Após o curso de teologia ele fez mestrado na Universidade de Andrews. Recentemente ele preparou uma extensiva antologia dos escritos de Alonzo T. Jones e Ellet J. Waggoner, a qual está incluída na Compreensiva Pesquisa dos Escritos de Ellen G. White. Recentemente também ele escreveu o livro “O Calvário no Sinai: A Lei e os Concertos na História da Igreja Adventista do 7º Dia,” e, ao longo dos anos, escreveu muitos artigos sobre vários conceitos da mensagem de 1888. O pai dele, Paul Penno foi também pastor da igreja adventista, assim nós usualmente escrevemos seu nome: Paul E. Penno Junior. Você pode vê-lo, no You Tube, semanalmente, explanando a lição da semana seguinte na igreja adventista de Hayward, na Califórnia, em http://www.youtube.com/user/88denver99


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